Quinta-feira, 21 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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ENTRE ASPAS >

A crise nos noticiários chega às ruas

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 03/02/2009

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


 


CRISE
Clóvis Rossi


A rua começa a rugir


‘PARIS – Há umas duas semanas, parei uns minutos em uma mesa-redonda na Deutsche Welle (programação em inglês) sobre a crise. Um acadêmico, cujo nome não anotei, dizia que a crise era até então apenas virtual -ou seja, estava no noticiário dos jornais e nas estatísticas oficiais, mas não na rua.


Era também minha sensação, depois de ver o movimento de Natal e pós-Natal no ‘meu’ shopping em São Paulo, as filas à porta da Louis Vuitton da Champs Elysées em Paris e a agitação em muitas capitais europeias pelas liquidações tradicionais do início do ano.


Acabou essa era. A crise começa agora a ganhar a rua. É verdade que já havia agitação em países como Hungria, Bulgária, Grécia, Letônia, Lituânia, Islândia (neste, a crise produziu um resultado positivo: pela primeira vez, uma mulher foi indicada para comandar o governo -e é assumidamente lésbica).


Mas esses países são da periferia do sistema, inclusive -ou principalmente- do ponto de vista da cobertura jornalística. Agora, no entanto, a França já teve sua greve (mais obedecida no serviço público), e o Reino Unido produz uma das piores notícias da crise: cenas explícitas de xenofobia por parte dos trabalhadores, que já fizeram uma greve, no setor energético, e ameaçam uma série delas para que os demitidos sejam trabalhadores estrangeiros, não os britânicos. Houve manifestações até na Rússia, cujo governo mantém boa parte dos cacoetes soviéticos; a China reconhece que 20 milhões de trabalhadores migrantes perderam o emprego nas cidades (15,3% do total) e estão sendo obrigados a voltar para o campo.


A tendência só pode ser para pior se estiver certo o cálculo da Organização Internacional do Trabalho de que 51 milhões de postos de trabalho serão cortados só neste ano no mundo todo.


Resta ver quantos governos mais cairão além do islandês.’


 


 


MEMÓRIA
Carlos Heitor Cony


Moniz Vianna


‘RIO DE JANEIRO – Durante muitos anos, Moniz Vianna foi o imperador absoluto na crítica cinematográfica. Evidente que era contestado, mas ninguém poderia imaginar um filme importante sem sua opinião, fosse contra ou a favor. Antes de mais nada, foi um líder: apesar de responsável pela seção de cinema, durante dois ou três anos foi o redator-chefe do ‘Correio da Manhã’.


Criou um grupo que teria influência no jornalismo e na produção cinematográfica, incluindo alguns diretores, como Walter Lima Jr. e Maurício Gomes Leite, e um time de colegas que se destacaram na imprensa nacional, como José Lino Grünewald, Ely Azeredo, Salvyano Cavalcanti de Paiva, Sérgio Augusto, Valério Andrade, Ruy Castro, Wilson Cunha, Paulo Perdigão e outros.


Sua cultura geral era assombrosa: formara-se em medicina e exercia a profissão com seriedade. Mas sua paixão era mesmo o cinema. De 1965 a 1969, estruturou e dirigiu os Festivais Internacionais de Cinema (FIF), que trouxe Fritz Lang e Marco Bellochio ao Brasil. Trabalhou no projeto que criou o Instituto Nacional de Cinema. Entrevistou os principais diretores de sua época, como René Clair e John Ford, que ele particularmente admirava. E os grandes diretores do neorrealismo italiano.


A Companhia das Letras publicou, em 2004, o único livro que seus amigos o obrigaram a escrever: ‘Um Filme por Dia’. Uma pequena antologia do melhor cinema feito nos anos 50 e 60. Podiam discordar dele, mas todos o respeitavam. Escrevia com elegância e ritmo. Numa crítica a ‘7 Mulheres’, de John Ford, ele narra em frases ligeiras o filme, que não chega a ser dos mais importantes daquele diretor. Destacando o close que encerra a história, ele escreveu: ‘A câmara se afasta. Atrás dela está John Ford’.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Sopro de otimismo


‘Em duas longas reportagens, ontem, o ‘Wall Street Journal’ alertou investidores americanos a se ‘aventurarem no exterior’, ainda ‘a saída inteligente’. Segundo o jornal, ‘muitos gerentes de investimento, conselheiros financeiros e analistas encontram ações com bons preços em áreas como os emergentes’, onde o movimento de venda teria sido ‘exagerado’. Cita, logo de cara, que ‘um país atraente é o Brasil, com economia bem administrada e que está investindo em infraestrutura e educação’. Um analista alerta para ‘uma recuperação das commodities’.


No segundo texto, ‘Sinais de esperança num horizonte gelado’ , o ‘WSJ’ destaca precisamente como os ‘preços em alta das commodities’ estariam ‘oferecendo um sopro de otimismo’. De novo, abre pelas ações do Brasil, com o gráfico ‘Tentando se recuperar’, mostrando Bovespa e petróleo. Registra que se prevê recuperação global no segundo semestre, encabeçada por emergentes como Brasil.


No fim do texto, ‘quando o mercado de ações dobrar a esquina, será mais rápido do que as pessoas pensam’. Bloomberg e blogs já vão na mesma linha.


EM TURNÊ FINANCEIRA


José Sérgio Gabrielli dá longa entrevista ao ‘Financial Times’ , edição de hoje, sob o título ‘Petrobras olha para fora para refinar suas opções financeiras’. O presidente da estatal confirma que negocia diretamente com China, EUA e ‘vários’ o apoio ao programa de US$ 174 bilhões para desenvolver as novas reservas. Com os EUA, que querem ‘elevar a presença de companhias americanas no Brasil’, as conversas estariam ‘atrasadas’, mas a exportação de produtos de petróleo ‘vai aumentar’. Nas negociações, o Brasil oferece, em troca do suporte financeiro, o futuro suprimento de derivados.


AINDA DAVOS


Em Davos, fechando o fórum, Gabrielli era um dos brasileiros que, ‘mesmo sem Lula’, estavam ‘se pavoneando, confiantes’, e comparando Brasil e EUA na crise.Foi como descreveu o ‘New York Times’, num post bem-humorado acompanhado por vídeo da CNBC _sublinhando o ‘otimismo surpreendente’ da delegação de ‘banqueiros e industriais’, citando um executivo do Itaú.


AINDA DOHA


Já o ‘FT’ destacou do último dia em Davos que as ‘esperanças’ de retomar a Rodada Doha foram derrubadas pela ‘aspereza’ com que se pronunciaram os representantes de Brasil e Índia, Celso Amorim e Kamal Nath, sobre os EUA _e vice-versa. Amorim e Nath reagiram ao protecionismo do plano de estímulo dos EUA e à ameaça de exigir ‘padrões ambientais e trabalhistas’ na rodada.


ÊXODO URBANO


Na manchete do estatal ‘China Daily’, na segunda-feira que fechou a semana de feriado para o Ano Novo Lunar no país, o enunciado foi ‘Fazendeiros em primeiro lugar em 2009’. Na manchete do site http://www.chinadaily.com.cn/china/2009-02/02/content_7435356.htm , depois, ‘China promete apoio rural para enfrentar o desaquecimento’.Mais embaixo, em letras menores para o despacho da agência Xinhua, o motivo de tanta atenção com o campo: ‘20 milhões de trabalhadores migrantes desempregados voltaram para casa’. Ficaram por lá, pós-Ano Novo.


SEM FOGOS


Foi a manchete on-line do ‘WSJ’, ontem, ‘China: queda deixa 20 milhões sem emprego’. Em sua reportagem de Shuangyao, no centro da China, o jornal descreve como os fogos de artifício, que antes atravessavam a madrugada em festa pelo Ano Novo, agora pararam à meia-noite.


CIDADES DESERTAS


Foi também a manchete on-line do ‘FT’, com os 20 milhões e, logo abaixo, a previsão de que tamanha ‘enchente’ de desempregados ‘ameaça a segurança’. O ‘Guardian’ também destacou, dizendo que os desempregados ‘desertaram as cidades’ maiores do país.


CELEB


Do blog de Perez Hilton (acima) aos tabloides, com fotos de um sem-número de ‘paparazzi’, a cobertura global de celebridades se voltou ao Brasil, ontem, por Tom Cruise, Katie Holmes e Suri, a filha


BRANGELINA


No rastro de Tom Cruise e família, o tabloide inglês ‘Daily Mirror’ anunciou que Brad Pitt, Angelina Jolie e família estariam ‘loucos’ para comprar uma casa no Brasil _onde o ator deve interpretar o coronel britânico Percy Fawcett em novo filme.


E JESUS


E o ‘New York Daily News’ destacou, para repercussão global, em especial no Brasil, que ‘Madonna encontrou Jesus _Jesus Luz, quer dizer’. A notícia era que a cantora e o modelo brasileiro tiraram fotos em Nova York para uma revista e almoçaram.’


 


 


PROPAGANDA
André Zahar e Catia Seabra


Comercial da Sabesp em rede nacional vira alvo do TRE-RJ


‘O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio pediu às TVs Globo e Bandeirantes informações a respeito de campanhas publicitárias da Sabesp (Companhia de Saneamento de São Paulo) veiculadas no Estado. Só à Globo foram pagos R$ 7,450 milhões para participação da campanha nacional de verão.


O TRE quer analisar eventual uso da máquina em benefício de possível candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência. As inserções foram exibidas pela Globo duas vezes por dia, durante 45 dias, de dezembro a janeiro.


Segundo ofício da emissora ao tribunal, a agência Nova S/B pagou um total R$ 7,450 milhões para patrocinar a campanha. Uma das inserções, de cinco segundos, foi ao ar antes do Mundialito Feminino de Triatlo Rápido. O evento, realizado em Balneário Camboriú (SC), teve exibição nacional.


O pacote também incluiu a exibição, em cadeia nacional, de peças publicitárias do projeto Onda Limpa veiculadas anteriormente apenas em São Paulo. Em uma delas, a locução: ‘O governo do Estado traz uma onda de boas notícias para o litoral paulista’.


O anúncio destaca investimento de R$ 1,470 bilhão em obras de saneamento na Baixada Santista e encerra com a logomarca do governo e o slogan ‘Trabalhando por Você’.


O TRE-RJ alega que a medida adotada foi preventiva. As explicações ficarão arquivadas para que, caso Serra formalize a candidatura e se houver denúncias de uso da máquina, sejam juntadas aos processos. A Bandeirantes ainda não respondeu ao ofício.


O presidente do TRE-RJ, desembargador Alberto Motta Moraes, disse ter visto a inserção da Band, que lhe ‘causou surpresa’.


‘É uma empresa pública estadual, sem prestação de serviço no Rio. Tive contato com o presidente do TRE do Amapá, onde também houve esse tipo de propaganda. Ele vai adotar a mesma providência. Vamos entrar em contato com o Ministério Público Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral também será informado’, disse Moraes.


Procurada pela Folha no fim do ano passado, a gerente de comunicação da Sabesp, Paula Fontenele, alegou que o interesse por uma campanha nacional nasceu das mudanças de regras para o setor. Como só agora a Sabesp pode atuar em outros Estados, quer divulgar seu nome para o resto do país. Fontenele não informou o custo da campanha.


Em nota, a Sabesp afirmou ter sido uma das quatro patrocinadoras do Verão Espetacular, ‘cuja programação inclui a realização de 16 competições esportivas em diversas cidades do Brasil’, várias delas promovidas na capital e no litoral paulista, como a Corrida de São Silvestre.


‘Não se trata de assumir posição como grande anunciante da TV brasileira. A visibilidade nacional adquirida pela empresa deve-se diretamente ao fato de que não existem cotas publicitárias locais ou regionais no Verão Espetacular’, diz a nota.


O governo detém 50,3% do capital da Sabesp.’


 


 


TELEVISÃO
Malu Toledo


Juiz chama ‘BBBs’ de ‘gostosas’ em sentença


‘Assistir às ‘gostosas’ do ‘Big Brother Brasil’ foi uma das justificativas de um juiz do Rio para dar ganho de causa a um homem que ficou meses sem poder ver televisão. O juiz Cláudio Ferreira Rodrigues, 39, titular da Vara Cível de Campos dos Goytacazes (278 km do Rio), justificou sua sentença dizendo que procura ‘ser sempre o mais informal possível’.


Ao determinar o pagamento de indenização de R$ 6.000 por defeito em um aparelho de TV, o juiz afirmou na sentença: ‘Na vida moderna, não há como negar que um aparelho televisor, presente na quase totalidade dos lares, é considerado bem essencial. Sem ele, como o autor poderia assistir às gostosas do ‘Big Brother’?’.


O magistrado disse que procura ser direto para que o autor da ação entenda por que ganhou ou perdeu. Para ele, quem reclama na Justiça é quem mais deve ser respeitado, porque ‘é o cara que paga o tributo’. ‘Não adianta ficar falando só o que os advogados sabem sem chegar à cognição do juridicionado. Fiz aquela folha de brincadeira para deixar informal.’


Ele argumenta que a expressão foi usada para fundamentar o autor da ação, um senhor que contou ter ficado por seis meses sem assistir ao ‘BBB’, ao ‘Jornal Nacional’ e a jogos de futebol, por um defeito da TV. O juiz diz que não se arrepende.


‘[As garotas que participam do ‘BBB’] Não são escolhidas pelo padrão de beleza? 90% das mulheres que vão para lá são bonitas realmente. Talvez eu tenha pecado pela linguagem. Poderia ter falado: ‘Deixando de observar as meninas com um padrão físico’, ironizou.


Na sentença, ele ainda faz piada com dois times cariocas. Assim como o autor da ação, que contou ser flamenguista, ele brinca com a situação do Fluminense e do Vasco, que foi rebaixado no ano passado. ‘Se o autor fosse torcedor do Fluminense ou do Vasco, não haveria a necessidade de haver TV, já que para sofrer não se precisa de TV’, diz, na sentença.


‘Eu sou flamenguista, mas todo mundo sabe disso. Tem um outro processo em que eu sacaneio o meu próprio time. E não provocou nenhuma celeuma. Eu podia ser criticado se eu fosse moroso demais. Estou fazendo o que meu antecessor não fez.’’


 


 


Daniel Castro


TVs desligadas batem recorde na Grande SP


‘O calor e o aparente desinteresse pelas atuais novelas da Globo levaram a um recorde de televisores desligados na Grande São Paulo no último sábado.


Na média do dia (7h à 0h), apenas 36% dos televisores estiveram ligados, quatro pontos percentuais a menos do que no sábado anterior. No horário nobre (18h/ 24h), 48% dos aparelhos estiveram ligados, contra 54% no sábado anterior.


Foi o percentual mais baixo de TVs ligadas em um sábado de janeiro pelo menos desde 2000. Já houve registros inferiores a 36%, mas em dezembro. O recorde negativo anterior, 35%, ocorreu em 29 de dezembro de 2007. Havia 13 meses que não se via tão pouca TV.


Nos últimos anos, o número de televisores ligados cresceu.


As novelas da Globo tiveram desempenhos considerados pífios para os padrões da emissora. ‘Negócio da China’ marcou só 13,9 pontos. ‘Três Irmãs’ teve 15,9. E ‘Caminho das Índias’, a nova das oito, parou nos 27,5 de média. Por pouco não igualou o recorde negativo do horário, assinalado por ‘A Favorita’ em 28 de junho de 2008, com 27,4 pontos.


Como o desempenho de ‘Caminhos’ não foi dos melhores na segunda e na sexta, a novela teve a pior segunda semana de um título das 21h. Sua média semanal foi de 32,6 pontos.


Nos bastidores da Globo, fervem críticas à trama. A principal vai para Márcio Garcia, que não convence como mocinho.


EXTRA 1


‘Big Brother Brasil’ terá um paredão extra daqui a duas semanas, caso Alexandre seja o eliminado de hoje, o que é provável -a sondagem do UOL apontava ontem à tarde 57% de votos para o competidor.


EXTRA 2


Inicialmente, um dos três participantes (Newton, Léo e Ralf) que hoje cumprem castigo no ‘quarto punk’ seria eliminado nesta semana. Mas a notícia gerou reclamações de fãs do reality, que não gostaram da ideia de não votarem.


EXTRA 3


A direção de ‘BBB’ resolveu então dar aos confinados no quarto a chance de indicarem um participante ao paredão de hoje. Se o indicado dos três for eliminado, eles se salvam. Eles indicaram Alexandre.


TRIBUNAL 1


O SBT começa hoje a gravar pilotos de um novo programa, que deve substituir o ‘Casos de Família’ a partir de março. Será uma versão mais hardcore do atual programa de Regina Volpato, que deixará a emissora no final deste mês.


TRIBUNAL 2


Na nova atração (que deverá continuar se chamando ‘Casos de Família’), os dramas familiares serão debatidos e julgados por um corpo de jurados. A emissora ainda procura uma nova apresentadora.


PADRÃO


Anteontem, na sessão ‘Temperatura Máxima’, a Globo exibia ‘De Repente 30’. Na volta do primeiro intervalo, informou-se que se tratava de ‘Nova York Sitiada’, título de ‘Domingo Maior’.’


 


 


Mônica Bergamo


Linha cancelada


‘O Conar condenou cinco comerciais de TV destinados ao público infantil. Três deles (dois do canal Nickelodeon e um da TIM) vendiam down loads de conteúdos do desenho ‘Bob Esponja’ e do filme ‘High School Musical’ para celular e foram considerados inadequados pelo tom imperativo e por não informar claramente o preço do serviço. A Nickelodeon diz que tirou os filmes do ar antes de ser notificada. A TIM diz que analisa o caso e que a campanha já terminou.


NA GARAGEM


A liminar do Conar também cassou o anúncio da ‘megafeirinha’ de carrinhos Hot Wheels, da Mattel.’


 


 


E! aborda os rappers mais ricos do mundo


‘Jay-Z, 50 Cent, Diddy, Timbaland, Eminem e Dr. Dre são protagonistas de um especial que o canal pago E! Entertainment Television exibe hoje à noite sobre os rappers mais ricos do mundo.


O programa segue uma lista antiga da revista ‘Forbes’ dos músicos mais bem-sucedidos do hip hop, contando a história profissional de cada um, além de polêmicas da vida pessoal.


Jay-Z, por exemplo, vende cifras milionárias de discos e é casado com a estrela Beyoncé, formando um dos casais mais poderosos do hip hop. A fortuna estimada dos dois é de U$ 162 milhões (cerca de R$ 403,46 milhões), incluindo uma casa noturna e um time de basquete. Eles são responsáveis pelo lançamento de novos talentos, como a cantora Rihanna, recordista de vendas.


Em 2008, Jay-Z perdeu o topo da lista e caiu para segundo, trocando de lugar com 50 Cent. O programa, no entanto, vem defasado, com a lista de 2007.


Em terceiro lugar (na lista de 2007 e 2008), ficou Diddy (nome de Sean Combs, que já foi Puff Daddy). Ele, que já namorou Jennifer Lopez, ganhou diversos Grammy Awards com seus discos, como ‘No Way Out’ (1998). Ele possui uma linha de roupas masculinas, uma produtora de cinema, um selo musical e restaurantes.


FORBES TOP 20 HIP HOP CASH KINGS


Quando: hoje, às 21h


Onde: E! Entertainment Television


Classificação: não indicado para menores de 14 anos’


 


 


INTERNET
Marco Aurélio Canônico


O rei da piada


‘Se você já topou (e quem não?) com alguma das gracinhas que viraram moda na internet brasileira -tipo a ‘Dança do Quadrado’, a série de placas com erros de português ou o vídeo do William Bonner imitando o Clodovil-, certamente já ouviu falar do Kibe Loco.


O site comandado pelo publicitário carioca Antonio Tabet, 34, é um dos maiores fenômenos do humor nacional na web.


Recebe em média 300 mil visitantes únicos por dia, já venceu cinco prêmios de melhor blog ou melhor blog de humor -o último deles neste mês, o do Best Blogs Brazil, na votação popular e na do júri- e se tornou tão bem-sucedido que rendeu convites para seu criador trabalhar na Rede Globo (o que ele aceitou, em 2005, indo para o ‘Caldeirão do Huck’) e se candidatar a vereador (o que ele recusou, quatro vezes).


A fama transformou o hobby em ganha-pão. ‘Hoje eu já ganho mais com o site do que no meu trabalho na TV Globo’, diz Tabet, por telefone. O lucro do KibeLoco.com.br vem da publicidade e do contrato com o Globo.com, onde está hospedado.


‘Mas não o encaro como uma fonte de renda. Um dos segredos do sucesso do site é tratá-lo com amadorismo. Não tenho regras, não separo um horário para postar, não tenho definido quantas vezes escrevo por dia.’


O ‘amadorismo’, no entanto, está de mudança -Tabet já procura um escritório para alugar (hoje, ele cuida do site em casa, sozinho) e diz que pretende contratar redatores e produtores para ajudá-lo no trabalho.


Será a terceira encarnação do que começou como uma coluna de humor em um jornal de alunos da UFRJ, por volta de 1996. O nome Kibe Loco surgiu devido à ascendência libanesa de Tabet e porque ‘a coluna era escrita em portunhol’.


Depois, quando trabalhava em um banco de investimentos, o publicitário passou a usar o e-mail como veículo para as piadas e brincadeiras com os amigos. Temendo o monitoramento da empresa sobre as mensagens, Tabet criou o blog em 2002 e espalhou o endereço para sete amigos. Os sete viraram 70 e por aí foi a audiência.


Apoio dos internautas


O humor do Kibe Loco é bastante calcado na ironia em cima do noticiário, nas piadas com celebridades (Ronaldo, Preta Gil e Dado Dolabella são vítimas regulares) e na interação com seus frequentadores.


Brincadeiras como o ‘La Votación’ -em que Tabet conclama os internautas a mudarem os placares de votações de programas de TV, sites etc.- e o troféu Kibe de Ouro (que elege os piores do ano em diversas categorias) mostram a força da participação dos leitores, que também enviam vídeos, imagens e bizarrices que encontram na rede ou fora dela.


O aumento da popularidade do site foi acompanhado, no entanto, pela formação de um ativo grupo de detratores -espalhados por blogs, comunidades de redes sociais etc.- que acusa Tabet de não cumprir uma regra básica da etiqueta blogueira: sempre citar e colocar links para as fontes de onde se tira material republicado.


Tabet, que tem diversos posts com créditos para leitores ou outros sites, nega ser plagiador. ‘Como o site conta com muito conteúdo colaborativo, às vezes um leitor pega uma montagem de outro site, apaga o crédito e me manda. Mas eu corrijo isso assim que fico sabendo. Em seis anos, isso só aconteceu três vezes.’’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


 


INTERNET
Renato Cruz


Casas Bahia lançam loja virtual e aumentam competição na web


‘As Casas Bahia lançaram ontem sua loja virtual, aumentando a competição no varejo da internet brasileira. A maior rede varejista de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis espera faturar cerca de R$ 280 milhões este ano na rede, o que equivale a cerca de 2% do faturamento de toda a rede. ‘A expectativa é bem pé no chão’, afirmou Michael Klein, diretor executivo da rede. ‘Em 10 anos, queremos ter 20% do que movimenta o comércio eletrônico no País.’


No ano passado, o varejo virtual cresceu 30%, segundo dados preliminares da E-Bit, chegando a R$ 8,2 bilhões. Para 2009, a previsão de crescimento é de 20% a 25%, já levando em conta os efeitos da crise. Isso fará com que o volume movimentado ultrapasse os R$ 10 bilhões pela primeira vez.


Atualmente, o maior grupo do varejo virtual é o B2W, que reúne Submarino e Americanas.com. Em outubro de 2008, os varejistas virtuais ganharam um competidor de peso, com a estreia do Wal-Mart nas vendas online no País. Das grandes redes que atuam no Brasil, somente o Carrefour ainda não vende pela internet.


‘Faz parte dos planos do Carrefour ampliar em breve sua atuação no Brasil por meio de uma operação e-commerce’, disse Roberto Britto, diretor de Não Alimentos e Serviços do Carrefour Brasil. ‘Isso nos permitirá atender de forma mais completa ao consumidor pela internet, que hoje já conta com o atendimento pela web de nossa agência de viagens Turismo Carrefour.’


Pedro Guasti, diretor-geral da E-Bit, apontou que a entrada de uma empresa como as Casas Bahia no comércio eletrônico aumenta o número de consumidores virtuais. ‘Pessoas que têm acesso à internet, mas não compram porque têm receio, podem começar a comprar porque confiam nas Casas Bahia’, disse o executivo, que lidera a empresa que coleta dados sobre o comércio eletrônico brasileiro. ‘Além disso, deve crescer também a participação da internet no bolo publicitário.’


Em dezembro, porém, o varejo virtual já mostrou desaceleração. As vendas subiram somente 15% no mês em relação ao mesmo período de 2007. ‘Os consumidores foram bombardeados por informações sobre a crise’, disse Guasti. ‘Quem compra pela internet costuma ser mais bem informado.’


As Casas Bahia anunciaram há algum tempo que iriam entrar no comércio eletrônico. ‘Mas queríamos atender a todas as camadas, incluindo a classe C’, disse Klein. ‘E precisávamos esperar que eles comprassem computador.’ A forte venda de computadores nos últimos dois anos foi um dos fatores que levaram as Casas Bahia a lançarem sua loja virtual.


Outro fator foi o crescimento do cartão de crédito entre seus clientes. Em janeiro, a rede varejista alcançou 5,7 milhões de cartões próprios, emitidos em parceria com o Bradesco. Além disso, a empresa queria ter um site que fosse seguro e, ao mesmo tempo, fácil de usar. Foram investidos R$ 3,7 milhões na loja virtual. Ele foi desenvolvido numa plataforma de mainframe (computador de grande porte), em parceria com a IBM.


A loja oferece cerca de 4 mil produtos, de um total de 7 mil disponíveis na rede das Casas Bahia. Por enquanto, ela não vende celulares e alguns itens da linha de móveis. O cliente tem a opção de comprar pela internet e retirar numa das lojas da rede, se quiser. No início das operações, os preços são iguais aos das lojas físicas, mas a empresa deve adotar uma política de promoções diferenciadas.


O projeto da loja virtual das Casas Bahia começou há três anos. Para o lançamento, a varejista colocou mais de 100 vídeos num canal especial do YouTube, apresentando o site e vários produtos. O site também usa um conceito chamado Web Collaboration, em que um consultor virtual ajuda o consumidor a navegar. Uma equipe de 100 profissionais consegue acompanhar a compra e mostrar ao consumidor, passo-a-passo, como concluí-la, via internet.


PELA REDE


Competição: Com o lançamento da loja virtual das Casas Bahia, só falta o Carrefour, entre os grandes varejistas que atuam no País, lançar sua operação de comércio eletrônico. Em outubro do ano passado, o Wal-Mart estreou sua operação de vendas via internet. Atualmente, o maior grupo do comércio eletrônico brasileiro é o B2W, que reúne Submarino e Americanas.com


Mercado: Em 2008, o varejo virtual cresceu 30%, segundo dados preliminares da E-Bit, chegando a R$ 8,2 bilhões. Para 2009, a previsão de crescimento é de 20% a 25%, já levando em conta os efeitos da crise, fazendo com que o volume movimentado ultrapasse R$ 10 bilhões pela primeira vez


Crise: A turbulência na economia global já traz efeitos para as vendas online. As vendas em dezembro subiram somente 15% na comparação com o mesmo mês de 2007′


 


 


CINEMA
Ubiratan Brasil


Na caça de Hitler


‘Ele não tinha um olho, a mão direita e dois dedos da esquerda, mas, no cinema, ganhou o bem alinhavado rosto de Tom Cruise – o coronel alemão Claus von Stauffenberg participou de uma espetacular tentativa de assassinato do ditador Adolf Hitler que, depois de sobreviver por obra do acaso, iniciou violenta onda de repressão, alcançando quase 5 mil suspeitos, incluindo os responsáveis pelo atentado. Cruise está no Brasil, onde hoje participa de entrevista coletiva para a imprensa no Rio e, à noite, do lançamento de Operação Valquíria, filme de Bryan Singer (X-Men 2), no qual interpreta Von Stauffenberg.


O título empresta o nome da malfadada tentativa de se eliminar o Fuhrer e, por extensão, o nazismo. Stauffenberg e outros sete oficiais acreditavam que o regime estava condenado ao fracasso e, no dia 20 de julho de 1944, prepararam uma emboscada dentro do bunker de Hitler, conhecido como Toca do Lobo. Lá, durante reunião de militares, Stauffenberg deixou uma pasta contendo explosivos, que detonariam quando ele já estivesse a caminho de Berlim, onde um golpe de Estado era preparado para entrar em ação tão logo fosse confirmada a morte de Hitler. A pasta, no entanto, foi casualmente deslocada de seu local de origem por um dos participantes da reunião. Alguns centímetros que garantiram a sobrevida de Hitler por mais alguns meses: ele foi protegido da explosão pela pesada mesa ao redor da qual ocorria o encontro, sofrendo escoriações pelo corpo. Menos sorte teve o responsável pelo leve empurrão na valise, que perdeu uma perna na detonação, morrendo horas depois.


Embora seu desafio seja bem menos arriscado que o de Stauffenberg, Cruise enfrentou problemas durante a produção. No início, as autoridades alemãs se negaram a deixar o longa ser gravado no memorial de Benderblock, em Berlim, por Cruise pertencer à Igreja da Cientologia, que sofre forte resistência na Alemanha – assunto, aliás, vetado na coletiva de imprensa de hoje. O filme, no entanto, atiçou o mercado editorial, que produziu ao menos três lançamentos sobre Operação Valquíria e que chegam agora ao Brasil.


Dois deles tratam diretamente do assunto e surgiram no rastro do filme – Operação Valquíria, do alemão Tobias Kniebe (Planeta, tradução Sandra Martha Dolinsky, R$ 44,90, 322 págs.) e Operação Valkíria, do espanhol Jesús Hernández (Novo Século, tradução de Lucimeire Vergilio Leite, R$ 39,90, 338 págs.). O terceiro, Operação Valquíria, baseia-se nas memórias de outro conspirador, Philipp Freiherr von Boeselager (Record, tradução de André Telles, R$ 34, 194 págs.). Todos vêm com fotos de época, mas, por conta da imprecisão de material sobre o que realmente aconteceu naquele 20 de julho de 1944, o livro de Jesús Hernández se sobressai, por adotar um tom narrativo de suspense ao recuperar o fato histórico. Sobre o trabalho, ele conversou por e-mail com o Estado.


Como seria o mundo atual caso Hitler tivesse sido morto no atentado?


A humanidade teria-se modificado muito. Certamente, a Europa não teria-se dividido em duas partes porque se teria alcançado a paz antes de a União Soviética entrar em território europeu. Além disso, milhares de vidas teriam sido poupadas.


A Operação Valquíria estava mesmo condenada ao fracasso?


As possibilidades eram remotas. Faltou aos líderes resolução, pois o nazismo era muito sólido. Mas teriam conseguido caso Hitler tivesse sido morto no atentado.


Há muitas dúvidas em relação a como de fato ocorreu a operação. Como foi seu trabalho?


De fato, há poucos documentos – a maioria se perdeu ou foi destruída. Baseei-me em declarações dos implicados, recolhidas nos anos 1960, mas ainda há muitos pontos obscuros.


Quais momentos foram mais complicados para romancear?


Quando explode a bomba, justamente por ser o mais importante. Caso eu falhasse ali, o leitor poderia ficar decepcionado. Também era decisiva uma certa tensão até esse ponto.


Você gostou do filme?


O trabalho me pareceu demasiado frio, pois não transmite tudo o que passou pela cabeça dos participantes do atentado. Em todo caso, deverá ser um sucesso, especialmente pela presença de Tom Cruise. É bom lembrar também que a produção é bem-feita e reproduz com sucesso a Alemanha daquela época.


Trechos


Em 11 de julho, Stauffenberg fez uma primeira tentativa, plantando uma bomba no Berghof, em Berchtesgarden. A ausência de Himmler e Göring levou-o a desistir da iniciativa. (…) Em 15 de julho, ele repetiu a tentativa e suspendeu-a pelo mesmo motivo. Não haveria outra oportunidade: mais um malogro e a Operação Valquíria estaria inevitavelmente comprometida.


Quando o general Buhle voltou sem ter encontrado Stauffenberg, o coronel Brandt aproximou-se do seu chefe, Heusinger, com a intenção de observar mais de perto um detalhe no mapa estendido sobre a mesa. Nesse instante, bateu sem querer na pasta deixada por Stauffenberg, que o impedia de se mexer. Colocou-a, então, do outro lado da perna da mesa.


Do lado de dentro, o tampo da mesa é lançado para cima junto com Hitler, que estava inclinado sobre ela. Parte-se ao meio e cai ao chão. Elevam-se labaredas e o mapa da situação voa queimando pelo ar. Os cabelos pegam fogo, chovem cacos de vidro, as pessoas se estatelam no chão ou na parede. No meio do caos, a primeira voz que se ouve é a de Keitel: ‘Onde está o Fuhrer?’’


 


 


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Livros nas telas, união que pode assegurar sucesso


‘Tornou-se tradição em Hollywood – se as produções juvenis dominam quase todo o ano cinematográfico, durante aqueles meses próximos do Oscar os cinemas são invadidos por filmes dito adultos, ou seja, aqueles que exigem mais dos neurônios que da adrenalina. A prova é que muitos são inspirados em livros habitualmente bons, como comprovam os desta safra. O Curioso Caso de Benjamin Button é um exemplo – o filme que lidera a lista de indicações para o Oscar (13) foi inspirado em uma das histórias de Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias, de F. Scott Fitzgerald, que a José Olympio acaba de relançar (tradução de Brenno Silveira, 280 págs., R$ 35).


O filme de David Fincher segue o mesmo fio condutor (Benjamin nasce velho e, à medida que o tempo passa, vai rejuvenescendo), mas evita alguns achados do conto de Fitzgerald, como o bebê recém-nascido conversando com o pai como um idoso.


A história inspirou também uma versão em quadrinhos lançado pela Ediouro (tradução de Enzo Fiúza) e com desenhos do ilustrador americano Kevin Cornell. Trata-se de uma adaptação mais fiel à história de Fitzgerald, que a considerava uma de suas melhores e mais engraçadas. Com ela, o escritor pretendia negar o realismo e encantar leitores e crítica com uma literatura fantástica. Mas não teve sucesso.


A relação entre literatura e cinema é tema também de O Leitor, de Bernhard Schlink (reeditado agora pela Record, com tradução de Pedro Süssekind, 242 págs., R$ 29). Basicamente, trata-se do relacionamento amoroso entre um rapaz e uma mulher mais velha, ao final da 2ª Guerra, mas mostra como a literatura pode transformar a vida de alguém. O filme estreia nesta sexta-feira.


Também em busca de um reconhecimento dos leitores, Foi Apenas um Sonho (tradução de José Roberto O?Shea, 314 págs., R$ 39,90) chega pela Alfaguara na esperança que o filme com Kate Winslet e Leonardo DiCaprio jogue luzes sobre Richard Yates, cuja obra foi considerada obra-prima por Tennessee Williams.’


 


 


 


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