Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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A direita brasileira e a queda do Muro de Washington

Por Fabio de Oliveira Ribeiro em 14/10/2008 na edição 507

Durante a era FHC, os jornais, revistas, rádios e TVs brasileiras afirmaram que a queda do Muro de Berlin ilustrava o fim do socialismo e a necessidade de um programa de privatização que permitisse a modernização do Brasil.

O PFL (atual DEM) e o PSDB apoiaram e realizaram o desmantelamento do Estado usando o bordão de que os recursos obtidos na privatização seriam utilizados em saúde, educação e segurança. A maioria dos brasileiros foi convencida a acreditar que o Estado mínimo era melhor e que as iniciativas pefelistas e tucanas iriam melhorar a distribuição de renda.

A privatização foi feita, mas a saúde, educação e segurança não melhoraram grande coisa. Os dados recentemente divulgados pelo Ipea demonstram que não houve uma melhora significativa na distribuição de renda (10% da população continua detendo 75% da riqueza do país; 90% dos brasileiros seguem disputando 25% da renda nacional).

Agora que o Muro de Washington caiu a imprensa, o DEM e o PSDB estão se comportando como se não tivessem nada com o neoliberalismo. Não têm mesmo ou não querem ter?

Público ludibriado

Não se sabe se a reação da direita e da mídia à atual crise global iniciada nos EUA decorre de um pendor quase nazista de transformar propaganda em jornalismo. Quem, dentro e fora da imprensa, engoliu o Consenso de Washington, apoiou o neoliberalismo e ajudou a desmantelar o Estado brasileiro através de privatizações aceleradas e duvidosas deve estar completamente perdido.

A queda do Muro de Washington provocou nesta tigrada o mesmo desânimo, desalento e insegurança que a queda do Muro de Berlin causou nos socialistas? O que, dentro e fora das redações, oferecer ao distinto público brasileiro nas próximas eleições presidenciais? A renovação de uma fórmula que naufragou em catástrofe?

O mais provável é que os neoliberais brasileiros (transformados em neoboçais ou em neodesanimados pelo Tio Sam), passem a aceitar ou a apoiar um terceiro mandato para Lula. Não porque gostem do ‘sapo barbudo’, mas porque vão ficar com receio de disputar um poder que não souberam usar durante oito anos ou com medo do distinto público que ludibriaram para transferir o patrimônio público para o seleto grupo de amigos do ‘rei sol’, do ‘príncipe da sociologia’ que foi eleito e reeleito com o mantra neoliberal.

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Advogado, Osasco, SP

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