Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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A estigmatização da velhice

Por Rodolpho Raphael de Oliveira Santos em 31/08/2010 na edição 605

Os direitos humanos são os direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos, normalmente o conceito de direitos humanos tem a ideia também de liberdade de pensamento e de expressão e a igualdade perante a lei. A longevidade sempre foi uma pretensão de todos os povos, de todos os indivíduos, encontrarem a fonte da eterna juventude como elixir da longa vida, era o sonho de Ponce de León e de tantos outros alquimistas, que viam nessa busca a concretização, há tanto acalentada, de permanecerem eternamente jovens.

A imagem da velhice sempre foi estigmatizada, considerada como algo ruim, de prognósticos tristes e pessimistas, pois seu destino só poderia ser a morte, o fim, a velhice assusta porque ela representa a negação de valores até então cultuados, como a beleza, a austeridade, produtividade, força, poder, valores esses considerados próprios da juventude.

No entanto, se fizermos uma revisão histórica, vamos encontrar figuras proeminentes já em idade avançada que se constituíram em faróis de iluminação e sabedoria para as gerações vindouras. Na área da fraternidade e do exemplo cristão, tivemos Madre Tereza de Calcutá e, mais próxima a nós, Irmã Dulce, embora alquebradas fisicamente pelo tempo, eram portadoras de lucidez, dinamismo, sabedoria e, sobretudo amor, que se transformaram em exemplos vivos de trabalho e dedicação às populações mais carentes.

Um ser humano pleno

Há que se considerar que estamos vivendo numa sociedade capitalista de contornos neoliberais, a qual se caracteriza pela decrescente responsabilização do Estado em relação à melhoria da qualidade de vida da população; pela privatização de empresas estatais; a não intervenção do Estado nos aspectos econômicos que devem se desenvolver no livre jogo do mercado; alterações na esfera produtiva e a redução de gasto público centrado na diminuição de recursos destinados principalmente à área social, essa marginalização do idoso decorrente de ideologias, de preconceitos internalizados e expressos em nossa sociedade e do conjunto de fatores sociais e econômicos produzem sentimentos de revolta e impotência, relegando os idosos a um plano secundário na família e na sociedade.

A velhice não pode ser vista como término, mas como um recomeçar com características e valores próprios. E com uma nova forma de olhar o mundo, a prática política e social reivindicatória se tornará mais rica quando o idoso, consciente de seu potencial, dessa sabedoria, se respeitar e se fizer respeitar. Não pelo poder, pelo autoritarismo, ou sujeito só de direitos, mas pelo reconhecimento do seu valor intrínseco, como ser humano pleno.

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Estudante de Jornalismo, PB

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