Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > LÍNGUA PORTUGUESA

A estreia do Acordo Ortográfico

Por Gabriel Perissé em 06/01/2009 na edição 519

A partir do primeiro dia de 2009 entrou em vigor o novo Acordo Ortográfico. Surpreendente, por isso, a decisão tomada pelo governo federal, pelo Senado e pela Câmara dos Deputados de não assumirem o compromisso de colocá-lo em prática no início da sua vigência!


Uma explicação para esse desleixo é não ‘forçar a barra’, deixando que saiam na frente os grandes veículos de comunicação e as editoras (sobretudo as que publicam livros didáticos). Outra explicação é que ainda seria necessário esperar o atrasado Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, prometido para outubro de 2008, mas que virá à luz somente em fevereiro, com selo da Global Editora. Outra explicação, menos benévola, é falta de competência mesmo. Vem à lembrança o provérbio sobre a ‘casa do ferreiro’, com a honrosa exceção do Supremo Tribunal Federal.


Certamente não é fácil adquirir novos hábitos de escrita, por menores que sejam. É preciso que as pessoas estudem um pouco (ou muito, dependendo do grau de conhecimento prévio), e fiquem atentas para não deixar escapar uma idéia com acento, um trema, um vôo com circunflexo.


Acentos, tremas e hífens


Na sexta-feira (2/1), marcando posição, Folha de S.Paulo fez questão de montar manchete com ‘preveem’ sem circunflexo:



O carioca Extra, no dia 3 de janeiro, ensaiou uma brincadeira didática:




‘Se você não tem ideia do que muda com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, fique tranquilo. Não será preciso um esforço heroico, nem livro de autoajuda. Quem leu atentamente as frases anteriores já notou as principais diferenças estabelecidas pela reforma que entrou em vigor no dia 1º de janeiro. Palavras como `idéia´ e `heróico´ perdem o acento, o trema desaparece e, em alguns casos, o hífen não é mais necessário.’


O Jornal do Brasil minimizou a importância do acordo. Continuará, por enquanto, a trabalhar com ‘seqüestros’, ‘Coréia do Sul’ e ‘jibóias’. Sem culpas e sem pressas.


Um detalhe do acordo sobre o qual pouco se fala é a exigência de repetir o hífen de palavra composta ou combinada, quando é preciso dividi-la de uma linha para outra e a partição coincide com o final de um dos elementos:




………………………………………………………. primeira-


-dama…………………………………………………………….


………………………………………………………….. micro-


-ondas……………………………………………………………


……………………………………………………….. incluem-


-se…………………………………………………………………


Já encontrei artigos que ferem essa regra. Nada que a função ‘justificar’ dos editores de texto não possa resolver.

******

Doutor em Educação pela USP e escritor, www.perisse.com.br

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