Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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FEITOS & DESFEITAS >

A imprensa Dorian Gray

Por Juliano Schiavo Sussi em 16/05/2006 na edição 318

No livro O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde conta a história de um jovem aristocrata inglês, cuja aparência é de tamanha beleza que um pintor, amigo de Dorian, decide eternizar num quadro. Ao observar o retrato, Dorian diz: ‘Que tristeza! Vou ficar velho, e horrível, e medonho. Mas este retrato permanecerá eternamente jovem. Precisamente como neste dia de junho. Se pudesse dar-se o inverso! Ser eu eternamente jovem e o retrato envelhecer! Daria tudo para que isso acontecesse! Tudo o que há no mundo! Daria a própria alma!’. O pedido é atendido e, embora o jovem passe a levar uma vida devassa, os excessos de todo tipo não lhe marcam o rosto: aparecem no retrato, que é a imagem de sua alma.

O personagem tem muito a ensinar a nossa sociedade, que vive de aparências. Principalmente a grande mídia, que sofre com a síndrome de Dorian Gray. Ela se mantêm imaculada em sua aparência, enquanto seus princípios, infelizmente, são desviados do caminho ético. Seu aspecto exterior, sempre maquiado pela ‘imparcialidade’, é ilusório, pois ela toma bandeiras para defender seus interesses. Interesses que estão acima do leitor, seu verdadeiro patrão.

Fadada ao suicídio

Falta democracia aos meios de comunicação. Nas questões políticas, por exemplo, tudo que é tratado só se relaciona a PT e PSDB. É raro se ouvir falar de outros partidos políticos na imprensa. A pergunta que fica: por quê? O mesmo vale para os jogos de futebol. Só os grandes times têm vez e voz na tela da TV. Os pequenos são relegados a segundo plano.

O papel da imprensa é dar voz aos excluídos ou simplesmente servir de reprodutora fiel dos interesses do grande capital? A imprensa não deveria ser pluralista? Afinal, o que a grande mídia deve defender: seus interesses ou o direito de informação da sociedade?

A imprensa Dorian Gray só vive de aparências. Logo, está fadada a assassinar a própria alma, sua verdadeira face. Ainda há salvação: basta seguir a ética e lutar pela verdadeira democracia, pelo direito de informação e pela soberania nacional.

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Estudante de Jornalismo, 18 anos, Americana, SP

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