Domingo, 26 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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FEITOS & DESFEITAS >

A imprensa e a cobertura econômica

Por Luciano Medina Martins em 07/04/2009 na edição 532

Resposta a pergunta de Luiz Weis sobre a cobertura de economia no Brasil. Será que a imprensa tem condições de cobrir o embate político/econômico? Me chamou a atenção a cobertura, que considero de modo geral fraca, dada as negociações em torno da MP449, do ‘perdão de dívidas’. Será que algum dos repórteres que escreveu sobre a MP449 leu o texto de lei proposto? Ou só estamos reproduzindo a assessoria de imprensa oficial? Está certo, repórter não é fonte, mas ele tem que verificar a veracidade das fontes, para isso precisa ler e entender a lei que se propõe. Algum repórter poderia argumentar que o texto da MP 449 tem 50 páginas de ‘juridiquês’ e ‘economês’ e não dá tempo para esta leitura de um dia para o outro. Este fato é só a ponta do iceberg que congela nossa imprensa para assuntos econômicos/políticos. As MPs muito espertamente substituíram o que seria a Reforma Tributária, que foi para a gaveta, e no lugar dela surgiu uma espécie de super acordo palaciano que ‘escanteou’ qualquer debate sério sobre a legislação fiscal brasileira, tudo isso na base do ‘É dando que se recebe’. Não vi este fato ser coberto pela imprensa de maneira crítica e bem informada. A Agência Câmara foi o mais breve o possível sobre as MPs e o resto da imprensa ‘especializada’ seguiu o mesmo caminho, reproduzindo só o ponto de vista oficial. Como assim ‘perdoar dívidas’? Quem ganhou e quem perdeu com a MP449? Ninguém perdeu? Acreditei! (Luciano Medina Martins, jornalista)

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Escrevo para externar meu profundo pesar pela forma como o apresentador do programa ‘Plantão da Cidade’, da Rádio Itatiaia – BH, tratou, ontem (31/3), a questão da prostituição. Nada contra a reportagem sobre problemas gerados com a prostituição (seja de travestis, que era o caso, seja de mulheres ou garotos de programa), inclusive o ‘desconforto’ de quem mora perto de ‘pontos’. Entretanto, ao comentar o assunto, creio que o apresentador acabou por generalizar e dizer que os homossexuais são ‘isso e aquilo’ (como se a orientação sexual de alguém fosse algo ‘contra a família’, como, me pareceu, fora dito). Ora, como professor de Direito Constitucional, me parece extremamente preocupante que uma rádio do porte e alcance da Itatiaia ‘pregue’ esse tipo de coisa. ‘Hate Speech‘ são inadmissíveis, além de violarem a Constituição e – ao menos foi o que me pareceu ao ouvir o programa – foi o que tivemos a triste oportunidade de presenciar. (Alexandre Gustavo Melo Franco Bahia, professor universitário, Belo Horizonte, MG)

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O governo do Distrito Federal mandou vir ao chão, ou cobrir com papel branco, os outdoors do Sindicato dos Professores. Motivo: o Sindicato pede ao governador Arruda que cumpra a lei, diga-se de passagem votada pelos deputados da base governista e sancionada por ele, José Roberto Arruda. Socorro, Observatório da Imprensa, guardião das liberdades constitucionais. O autoritarismo, o deboche e o braço da ditadura chegaram ao DF. O Correio Braziliense escreveu que ‘se os professores fizerem greve, são criminosos’. Meu Deus, onde estamos? O sr. Alexandre Garcia, da Toda-Poderosa Rede Globo, ofende a categoria dos professores e só abre espaço para o governo, seu principal anunciante. (Ronaldo Oseas da Silva, professor, Taguatinga, DF)

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