Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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A mixórdia ideológica

Por Marcus Miranda em 29/12/2008 na edição 518

Referência ideológica dos conservadores durante décadas, o jornal O Globo, em 2008, transformou-se num verdadeiro ‘samba do ideólogo doido’, parafraseando o genial Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista e escritor Sérgio Porto.

Em alguns momentos, atuou de forma udenista – num retorno às suas origens históricas –, denunciando a favelização e a desordem urbana, sem explicitar claramente a defesa da remoção das favelas e a repressão permanente aos camelôs e moradores de rua.

Como resultado, em decorrência da hegemonia das Organizações Globo no estado do Rio de Janeiro, mesmo setores da intelectualidade e parlamentares aparentemente progressistas passaram a ser defensores do combate à ‘desordem urbana’ de forma acrítica e oportunista.

Naturalmente, as questões econômico-sociais, geradoras destes aspectos trágicos da sociedade carioca, em momento algum eram discutidas. De vez em quando, timidamente, para atender a exigência jornalística de se ouvir o ‘outro lado’, vozes críticas tiveram possibilidade de se pronunciar quanto à origem destas mazelas sociais e as formas corretas de combatê-las.

Lugar de honra no Febeapá

Duas posições, no entanto, chamaram a atenção para a confusão ideológica do jornal O Globo: a defesa de uma campanha de sonegação de impostos – com o não pagamento do IPTU –, e a comemoração, em primeira página, da reação de flanelinhas à contratação pela prefeitura do Rio de uma empresa privada para o controle dos estacionamentos nas vias públicas da cidade.

No caso da sonegação do IPTU, articulistas de O Globo chegaram até a teorizar, tendo como argumento principal o texto mais conhecido do pensador norte-americano Henry Thoureau sobre a desobediência civil, escrito em 1848.

Ao adotar essas posições, que são contraditórias com o posicionamento histórico tradicional de O Globo – conservador, quando não simplesmente reacionário, como no apoio à ditadura militar e ao AI-5 –, os atuais dirigentes e editores do jornal o transformaram praticamente num partido político, em substituição a uma inexistente oposição política organizada na sociedade contra o prefeito Cesar Maia, transformado em inimigo político nº 1 pela família Marinho.

Graças à mixórdia ideológica, o jornal O Globo certamente teria lugar de honra numa edição extra do Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País), de Stanislaw Ponte Preta.

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Jornalista, Rio de Janeiro, RJ

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