Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > CASO ELIZA SAMUDIO

A moça da minha insônia

Por Aline Fernandes de Souza em 13/07/2010 na edição 598

Já passa da uma hora da manhã e não consigo dormir. Uma inquietação tomou conta de mim até que eu ligasse o computador para escrever este texto. Minha ansiedade tem um nome famoso em todo Brasil: Eliza Samudio, alguém que eu não conheci e de quem há um mês nem ao menos sabia da existência. Como jornalista, acredito que tais inquietações devem ser registradas, pois surgiram ao acompanhar os noticiários televisivos.

Uma, duas , três matérias por dia, a TV bombardeia o telespectador e, de repente, passo a me interessar mais sobre ‘onde está o goleiro Bruno’ do que pelo trabalho da especialização que devo concluir e, pasmem, não sou flamenguista. O tempo destinado a estas reportagens aumenta em cada edição e a impressão que tenho é que, apesar delas repetirem informações, preciso assistir a todas.

Logo vem a internet com mais versões, vídeos circulam, talvez simulações em 3D, HDTV e high definition. Exageros a parte, no Jornal Nacional do dia 7 de julho, além de descobrir que William Bonner e Fátima Bernardes entrarão em férias a partir de amanhã (9/7) – relevante informação – também soube fatos dantescos sobre depoimentos e me sinto tão próxima de Eliza que me sinto mal.

No Jornal da Globo, exibido já na madrugada do dia 8, constato que já estão prontas animações sobre o suposto crime. Suposto: já me parece tão real pelo que mostram na TV… As cenas deixam as pessoas imaginando detalhes da situação, mexem com o emocional. Agonia, medo e revolta.

Amanhã não ligo a TV

Ao tentar abandonar o olhar de telespectador e seus respectivos efeitos, vejo veículos de comunicação julgando e condenando. Emissoras com imagens de dentro da sala de delegados, mesa-redonda sobre o caso e Galvão Bueno parando o jogo da semi-final da Copa para anunciar que o suspeito se entregou.

Se estivesse (estiver) viva agora, Eliza Samudio teria fama, posaria para a Playboy, quem sabe, participaria de programas de auditório e seria convocada para a próxima edição de Big Brother Brasil e A Fazenda. Mas a verdade é que a tendência da história é terminar No Limite.

Informações, tecnologia, mídia, exageros, sensacionalismo, tristeza e insônia.

Definitivamente, amanhã não vou ligar a TV!

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Jornalista, Camboriú, SC

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