Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > DAME MARJORIE SCARDINO

A mulher que desafiou Rupert Murdoch

Por Giulio Sanmartini, de Belluno (Itália) em 10/07/2007 na edição 441

Dame Marjorie Scardino, 60 anos, nasceu em Flagstaff (Arizona, EUA), mas foi criada no Texas. Formou-se em francês e psicologia, numa pequena universidade, e depois entrou na George Washington University para estudar direito. Não terminou o curso: largou tudo para entrar no jornalismo. Inicialmente, trabalhou na Associated Press em Charleston (Virgínia Ocidental), mas somente escrevia aquilo que os correspondentes lhe ditavam por telefone. Contudo, logo mostrou ter talento, passando a ser uma chefe de redação muito exigente.

Conta a história que uma vez apareceu um jovem repórter com um artigo. Quando o leu, percebendo a baixa qualidade, tomada de fúria, ela o rasgou. Esse repórter principiante era Albert Sacardino e dois meses depois casavam-se num parque em São Francisco.

Daí para a frente, o casal passou a complementar-se. Ela formou-se em direito na universidade de São Francisco e ele seguiu sendo repórter. Transferiram-se para a Geórgia e fundaram um semanário, Georgia Gazette. Todavia, só deram o salto de qualidade em 1985, quando foram para a Grande Maçã (Nova York): Albert foi trabalhar no New York Times e Marjorie foi dirigir a sucursal estadunidense do Economist. No ano anterior, ele havia vencido o Prêmio Pulitzer e ela se tornara a dirigente mais apreciada da editoria mundial.

Salário de R$ 8 milhões

Chegaram à Inglaterra, como diz Marjorie, ‘seis meses antes que Tony Blair assumisse o cargo de primeiro-ministro’. Albert foi para o cargo de diretor-executivo do quotidiano The Guardian. Tony Blair deixou há poucos dias o cargo, mas Marjorie continua administradora delegada da Pearso, a sociedade que controla a editora Penguin, o Fiancial Times e o Economist.

Passados 10 anos e seis meses, os círculos londrinos da política, das finanças e do jornalismo acostumaram-se a ela. Mas quando, em 1997, foi chamada para dirigir o colosso da editoria britânica, as reações oscilaram da perplexidade machista à aprovação ideológica da nomeação de uma mulher: era a primeira a ser administradora delegada de uma das cem melhores sociedades com ações cotadas no índice FTSE da City.

Ela está entre os dirigentes ingleses mais bem pagos – no ano passado, ganhou 1,8 milhões de libras esterlinas, mais um milhão em bônus, algo como 8 milhões de reais. Por outro lado, desde que chegou, as empresas do grupo só fazem aumentar o faturamento – o do Finacial Times, este ano, deverá superar os 20 milhões de libras e ela administra um giro de negócios que supera os 4 bilhões de libras.

Questão de tempo

É claro que ela tem faro. Mas também a paixão pelo produto, pelo core business (atividade essencial) da empresa: os jornais, numa demonstração de que, mesmo sendo uma executiva, o jornalismo nunca deixou de existir em seu âmago.

Certamente, ela contou que seu grupo adquirisse o Wall Strett Journal, podendo dessa forma retornar ao Estados Unidos em grande estilo. Mas a sociedade Dow Jones, proprietária do jornal, pelo menos por agora, preferiu o australiano Rupert Murdoch.

Para os entendidos de negócios e para os que conhecem dame Marjorie, chegar a esse objetivo é somente uma questão de tempo.

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