Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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A pisada de bola de Romário

Por Rafael Motta em 21/07/2009 na edição 547

Sim, havia motivo para que fosse preso: deixou de pagar pensão alimentícia à ex-mulher, com quem constituiu família. E 89,6 mil reais são uma bolada. Mas penso que a situação constrangedora pela qual o ex-jogador de futebol Romário passou na última semana é um problema exclusivamente dele. De que isso interessa aos outros?

Na dúvida, um batalhão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas se acotovelou na delegacia onde Romário pernoitou. Enquanto estava detido, jornalistas fizeram o de sempre: procuraram saber onde foi encarcerado, em quais condições, se comeu, se dormiu e que visitas recebeu em sua passagem por trás das grades.

Casos assim me fazem lembrar a diferença que se diz existir entre assunto de interesse público (o que as pessoas precisam saber e, supostamente, dá pouca audiência) e assunto de interesse do público (aquilo que, na teoria, as pessoas querem saber e, por isso, vende mais).

Sorriso enigmático

À medida que cresce a concorrência digital com o jornalismo ao qual nos acostumamos, mais me incomoda ver a mídia se esforçar tanto para futricar sobre a vida alheia (mesmo se tomando como verdadeiro o que se contou a respeito do Baixinho) e menospreze seu papel de fiscalizar temas que poderiam levar a perguntas mais profundas, em casa e na rua, do que ‘E o Romário, hein?’

Talvez o enigmático sorriso que Romário dirigiu aos jornalistas ao deixar a carceragem tenha este significado: o de que a imprensa tem muito mais com o que se preocupar – e nem sempre se ocupa disso como deveria.

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Repórter do jornal A Tribuna, Santos, SP, e editor do blog Reexame (www.reexame.blogspot.com)

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