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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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FEITOS & DESFEITAS > COMPROMISSO DA IMPRENSA

À procura de um jornalismo visionário

Por Juliano Luís Pereira Sanches em 29/12/2008 na edição 518

Sem segurar os óculos moldados e estabelecidos, com uma busca de liberdade para pensar e observar, o jornalista visionário penetra nas vitrines de sua ótica. Passa pelas janelas. Uma por uma. Limpa as partes ofuscadas e deixa a luz entrar em todo o ambiente. Percebe os detalhes microscopicamente, como se fosse uma tarântula com muitos olhos. Enxerga com a alma, com a intuição, com o inesperado, com a animação. É a vida em si.

Não se limita ao dito pelos livros, pelas bocas falantes, pelas doutrinas, pelas ciências, pelas tecnologias. Aos poucos, como uma borboleta presa num casulo construído pelo mundo, ele começa a se mexer, a romper as barreiras, as amarras, as paredes, os encostos, os lodos. A casca do casulo, como o amanhecer do dia, começa a ser envolvida com os raios de luz, com a força libertária, com a expansão da existência, com o desapego total, com um olhar descompromissado e analítico. Resiste aos padrões, à robotização. Liberta-se da instrumentalização dos saberes para se pôr na vastidão das guinadas das experiências.

Um conjunto de particulares

Não toma os estudos, as pesquisas, as conclusões e os conhecimentos como acabados e totais. Isso, pois não é servo do exterior, do feito, do realizado. Apenas os vê como interpretações dadas. Convive com o realizado, mas não se funde nele. É performático. Faz da vida um palco, onde as cortinas nunca são abaixadas, pois a performance é contínua, sem roteiros, restrições. Faz fotografias mentais dos momentos e exibe suas imagens ao expor suas idéias. A maioria gosta de criticar e ironizar suas atitudes, mas ele se põe numa posição de resistência. Sua crosta, formada por experiências e vivências, lhe garante a força para o combate, para o estirar do ferrão, para o armamento das potencialidades.

A ótica do jornalista visionário é desprotegida de vidros, proteções, seguranças. É tudo a olho nu. Isso lhe faz penetrar, com força, nas situações. Não tem pretensão de ser doméstico, institucional. Elogia o diferente, escolhe os opostos, se aventura nos emaranhados da vida e se torna uma expressão da curiosidade. Gosta de beber do inexplicável. Pois, aí, se sente na condição de desfrutar da sua ótica. Não atua com libertinagem, apesar de estar envolto pela coragem. Admira a humildade, enquanto posicionamento profundo da alma. Vê a humildade como uma forma de se libertar dos rótulos. Faz suas tiradas, apesar de agir com concórdia e respeito perante o todo, o Universo, em suas formas invisíveis e visíveis. Não põe suas crenças nas superioridades materiais. Vê o todo como um conjunto de particulares.

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Jornalista, Campinas, SP

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