Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > JORNALISMO & PROPAGANDA

A publicidade dos remédios de emagrecimento

Por Fabio de Oliveira Ribeiro em 01/03/2011 na edição 631

Alguns jornalistas parecem ter sido seduzidos pelo canto da sereia da Folha de S.Paulo e da Veja, que começaram a atacar sistematicamente o Congresso por causa da proibição dos medicamentos que supostamente ajudam a emagrecer. Este é o caso, por exemplo, do jornalista Ricardo Kotscho (ver aqui).

Kotscho pode até estar preocupado com a liberdade cívica, mas a Folha e a Veja não estão preocupadas com isto. Afinal, o jornalão se empenhou bastante para a realização do golpe de 1964 e a Veja construiu o golpe do mensalão e do grampo sem áudio no STF. Folha e Veja estão, na verdade, preocupadas apenas com as verbas publicitárias que deixarão de receber para promover remédios de emagrecimento, cigarro, bebidas etc… As agências de publicidade também estão mais preocupadas com os lucros do que com as restrições conceituais.

Eu, que tive minha casa invadida a chutes por causa do golpe militar que a Folha de S.Paulo ajudou a dar, acho perfeitamente justo que os publicitários e empresas de comunicação sofram sob o chicote dos legisladores. Afinal, são os publicitários e os jornalistas que criam ditaduras e que ajudam a construir as lideranças políticas (que aprovaram o famélico salário-mínimo de R$ 545,00) e que tentaram por meios antiéticos e ardis eleger um presidente (como ficou evidente no caso da bolinha de papel que atingiu José Serra).

Um brinde aos prejuízos

A hybris legislativa é uma consequência da hybris publicitário-jornalística. Espero, sinceramente, que os deputados e senadores não tenham piedade dos publicitários e barões da mídia. E continuarei a fazer o que bem entender… Pois acredito que a liberdade deve ser exercitada, inclusive e principalmente, contra qualquer tipo de lei restritiva.

Eu lutei contra uma ditadura quando era proibido fazer isto. Minha liberdade não foi suprimida pela força bruta dos fuzis e certamente não o será por leis idiotas. Fumarei o quanto quiser e brindarei nos horários e locais proibidos aos prejuízos causados pelos legisladores aos barões da mídia e aos publicitários.

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Advogado, Osasco, SP

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