Segunda-feira, 22 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº942

FEITOS & DESFEITAS > LEITURAS DO ESTADÃO

A quem interessa difamar a Radiobrás?

Por Carlos H. Knapp em 20/03/2007 na edição 425

O Estado de S.Paulo de quinta-feira (15/3), publica na página A6 matéria de quatro colunas intitulada ‘Tucano teme que TV do Executivo vire ‘TV Lula’.

A matéria tem uma retranca de duas colunas cujo título é ‘Radiobrás tem custo de R$156 mi.’ Trata-se de uma informação adicional, pois no projeto que pretende instituir uma nova televisão do executivo federal (já existe uma) menciona-se o aproveitamento da estrutura da Radiobrás.

Contudo, essa pequena leitura desinforma grosseiramente o leitor, o que faz pensar em ignorância e preguiça do redator, que nem se deu ao trabalho de ir ao site da Radiobrás para saber alguma coisa elementar sobre a empresa. Ou a desinformação seria intencional?

Negligência indesculpável

A primeira metade da nota é dedicada aos números, ao custo da Radiobrás:

‘Nos últimos quatro anos, valor suficiente para asfaltar mais de 400 quilômetros de estradas.’

A maior parte dessa dinheirama, insinua o jornal, é desperdiçada com pessoal dedicado a um trabalho pífio. Lemos:

‘Com 1.150 funcionários, a Radiobrás atinge um índice médio de audiência de 2%, embora alcance com a sua programação e 20 emissoras públicas coligadas 60% das residências do País.’

É o próprio samba do crioulo doido! Como se Radiobrás fosse o nome de uma enorme emissora de televisão ou de rádio incapaz de atingir mais do que 2% de audiência (audiência de onde, de que universo?) e essa hipotética emissora tivesse uma programação que, transmitida por 20 outras, chegaria a 60% dos domicílios do país. Nesse caso, a ‘emissora Radiobrás’ seria uma tremenda adversária da Rede Globo! Mas, se ela só é sintonizada por 2% desses 60% de domicílios, que boa droga deve ser a sua programação! (Além de não se informar sobre a Radiobrás, esse redator também nada sabe sobre mídia.)

A nota continua afirmando que a TV Nacional do Distrito Federal está no centro da estrutura da Radiobrás, outro sinal de uma indesculpável negligência.

Matéria exemplar

Basta uma visita ao site da Radiobrás para identificar que a Agência Brasil e os serviços de cobertura jornalística dos eventos públicos do executivo federal constituem a principal atividade da empresa. E para saber que as imagens desses eventos oficiais, vistas cotidianamente em todas as emissoras de TV do Brasil – Rede Globo, inclusive –, são aquelas colhidas e distribuídas gratuitamente pelos serviços da Radiobrás.

Que o noticiário e reportagens da Agência Brasil e da Radioagência Nacional também são aproveitados livremente, por todos os jornais, emissoras de rádio e televisão do país – e muitos veículos do exterior. O próprio grupo Estado tem um acordo com a Agência Brasil para poder utilizar suas reportagens.

Enfim, se você desejar conhecer estes e todos os outros serviços de jornalismo prestados pela empresa, ou quiser saber quais são e o que fazem as emissoras de televisão e rádio controladas pela Radiobrás, consulte o site da empresa, só não se fie em matérias como essa do Estadão.

Trata-se de matéria exemplar. Exemplo de como, sem mentir, apenas alinhavando uns dados pinçados a esmo, a mídia exerce o seu poder de incutir noções erradas nas mentes desavisadas e crédulas, que são a maioria.

******

Publicitário, diretor de Comercialização da Radiobrás de 2003 a 2005

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