Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & POLÍTICA

A redenção do governador

Por Teócrito Abritta em 16/09/2008 na edição 503

O estado do Rio de Janeiro, depois de quase dez anos de governo do PMDB, entre a dinastia dos Garotinhos e do governo de Sérgio Cabral, agoniza mortalmente, com boa parte de sua população sem nenhum direito de cidadania vivendo sob o jugo da violência. Neste estado tudo está falido, como educação, saúde e segurança, com os serviços públicos regredindo aos anos 50, de acordo com aquela velha musiqueta ‘de dia falta água, de noite falta luz…’ que, infelizmente, torna-se realidade com a precariedade das instalações da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), que simplesmente estão explodindo deixando milhões de pessoas sem água nos últimos dias.

Mas a responsabilidade por esta realidade jamais é mostrada na mídia, com o governador Sérgio Cabral aparecendo sempre como um moderno e eficiente administrador, ou simplesmente sendo esquecido para passar o seu tempo em viagens internacionais e ser poupado de explicações sobre as constantes e quase contínuas matanças neste estado.

Nos últimos dias, esse ‘estelionato noticioso’ foi tão extremado que muitos consideravam o secretário de Segurança o responsável pelo governo e Sérgio Cabral teve uma certa dificuldade em vincular a sua imagem ao governo do estado, principalmente nestes dias que antecedem as eleições e a administração federal prepara mais uma daquelas encenações de segurança, como já ocorreu com os jogos do Pan e com a suposta recuperação do armamento roubado do Exército na favela da Rocinha.

Nada mais surpreende

O primeiro a tentar o resgate de Cabral foi seu próprio pai, o jornalista Sérgio Cabral, o qual, ao ser entrevistado no dia do falecimento de Dorival Caymmi, deu uma ‘força’ ao seu rebento dizendo que o governador conheceu este compositor ainda no útero de sua mãe. Esta declaração, totalmente descabida para o momento, não foi bem recebida e o próprio Sérgio Cabral pai foi esquecido em nome da grandeza de Dorival Caymmi.

Mas o governador está em uma boa escola, com a proximidade de César Maia, e lançou o que chamam de um ‘factóide’, defendendo a privatização do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, do Rio de Janeiro, como ‘a solução’ para todos os problemas do estado. De imediato, recebeu elogios de toda a imprensa e uma crônica de Zuenir Ventura onde, em três curtos parágrafos, com pouquíssimas palavras, o ‘nosso governador’ é elogiado pelo seu espírito empreendedor e corajoso, sendo mencionado cinco vezes (ver ‘Retiro o que disse’, de Zuenir Ventura, O Globo, 6/9/08).

Mas como aquela velha historieta, de que os repórteres eram petistas, os articulistas do Partidão e os donos dos jornais de direita, já foi esquecida há muito tempo, nada mais nos surpreende.

Interferências populistas

De qualquer maneira, a imprensa em geral não escondeu os vilões e heróis destes últimos dias.

O grande vilão continua sendo o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, que parece ter definitivamente deixado para as traças os milhares de processos que transitam no STF protegidos pelo foro privilegiado, continuando a sua, diríamos, ‘exagerada’ cruzada para obter melhores condições judiciais para os criminosos de colarinho branco. Para isto, até atacou os juízes de primeira instância, acusando-os de formarem milícias nas varas que tratam de lavagem de dinheiro.

Na falta de maiores críticas a este sistema de corrupção que impera no Brasil vindas dos formadores de opinião, intelectuais ou acadêmicos, a ética foi salva pelo goleiro da seleção brasileira, Júlio César, que reagiu às interferências populistas nos esportes com a declaração: ‘Acho que o Lula deveria virar argentino, morar na Argentina e renunciar à Presidência. Talvez o Brasil melhorasse alguma coisa.’

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Físico e escritor, Rio de Janeiro, RJ

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/09/2008 Carlos N Mendes

    ‘Na falta de maiores críticas a este sistema de corrupção que impera no Brasil’ : é só ler a ‘Veja’, guardiã das dignidade administrativa no Brasil.

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