Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > COBERTURA DA COPA

A sensibilidade de Maradona

Por Verbena Córdula em 13/07/2010 na edição 598

Esta Copa do Mundo revelou algumas questões interessantes e dignas de análises não apenas do ponto de vista jornalístico, mas também (e talvez, sobretudo), a partir de uma perspectiva sociológica. Neste texto me concentrarei somente em uma dessas questões, limitando-me – por conta do propósito e objetivo deste espaço, o OI – a um elogio referente ao comportamento do técnico e ex-jogador de futebol argentino Diego Armando Maradona, que a meu ver teve pouquíssimo destaque nos meios de comunicação. Os que se permitiram tratar do tema, o fizeram de maneira deveras inconsistente.

Maradona, como é mundialmente conhecido, deu uma lição de sensibilidade neste Mundial de futebol da África do Sul, demonstrando, para o mundo, ser um homem sensível, carinhoso, cuidadoso, desconstruindo uma imagem negativa que muitos de nós tínhamos a seu respeito. Na minha opinião, o craque argentino deu uma lição de civilidade importante para os machos do mundo inteiro, sobretudo para os latino-americanos.

Matérias repercutem os aspectos negativos

Desde o primeiro jogo da Seleção argentina neste Mundial que o técnico Maradona demonstrou uma sensibilidade sem igual, quando, ao sair do vestiário, juntamente com sua equipe, se encontrou com um membro da comissão técnica da Seleção nigeriana – ou um jogador, não lembro ao certo –, a quem deu um forte abraço acompanhado de um largo e feliz sorriso, transmitindo uma fraternidade impressionante. Essa imagem, no entanto, não teve a atenção que merecia. Maradona mais parecia uma criança feliz que acabara de receber um presente, do que propriamente um técnico de futebol – ao menos nos moldes que estamos acostumados a ver. Foi uma imagem linda, fraterna, ilustrativa do verdadeiro significado que deveria ter um evento da magnitude de uma Copa do Mundo. Afinal, trata-se do encontro de nações e de culturas de continentes distintos, e que, apesar de ser uma competição, deveria representar um momento de congraçamento, de união, de valorização da diversidade. E aquele abraço de Maradona representou tudo isso.

Mas parece que o(a)s jornalistas – não apenas do Brasil, mas do mundo inteiro – não se deram conta da importante mensagem transmitida naquele sorriso e naquele abraço. Uma grande pena porque aquele momento talvez tenha sido um dos mais lindos da Copa do Mundo de 2010 transmitidos pela televisão.

É triste constatar que os meios de comunicação brasileiros e mundial tenham destacado, com tanta veemência, a atitude infantil e grosseira do mesmo Maradona para com jornalistas quando da classificação do selecionado argentino para o Mundial, em detrimento de uma atitude tão bonita e admirável do argentino polêmico. Foram muitas matérias repercutindo a atitude negativa do astro do futebol mundial e quase nenhuma repercussão de suas atitudes de sensibilidade durante o período quando esteve na África do Sul. Parece ser mais interessante destacar os aspectos negativos, os escândalos, constatação que considero lamentável, principalmente no ambiente esportivo.

Exemplos maravilhosos e inesquecíveis

Diego Armando Maradona já é o grande vencedor desta Copa do Mundo de 2010, independentemente do resultado obtido pela seleção que comandou. Um evento da magnitude de uma Copa não deve ser valorizado apenas levando-se em conta os resultados das partidas. Há outros aspectos que precisam ser considerados e que fazem destas competições momentos ímpares e dignos de serem refletidos por todas as pessoas.

Essa atitude de Maradona no primeiro jogo da Argentina e o comportamento dele com os jogadores durante todo o evento foram exemplos maravilhosos e inesquecíveis. Pena que muito(a)s – em especial os que fazem o jornalismo esportivo – não tenham enxergado tal magnitude.

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Doutora em História da Comunicação, professora da Faculdade 2 de Julho, Salvador, BA

Todos os comentários

  1. Comentou em 14/07/2010 Sérgio Silva

    A articulista está enganada. O puxa-saquismo ao Maradona foi marca registrada de todos os canais: Globo, Sportv, Espn-BR, todos elogiando o elemento. Só faltaram fundar uma filial da igreja maradonista no Brasil. Um elemento que se vangloriou, às gargalhadas, em entrevista à imprensa do seu país, do mau-caratismo praticado contra o jogador brasileiro Branco na Copa de 1990 (episódio da água com sonífero) não merece respeito algum.

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