Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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FEITOS & DESFEITAS >

A gripe suína e a imprensa

Por Eliana Reis em 12/05/2009 na edição 537

Descobriu-se que a doença surgiu de uma mutação genética de um vírus suíno, somado a um de aves e outro de humanos. Esta informação foi divulgada, mas a necessidade de nomear o vírus popularmente foi maior do que a sensatez de descrever como ele é de fato. Cientificamente, o Influenza H1N1(como deveria ser nomeado) se manifesta como uma gripe comum, mas o sistema de defesa humano ainda não consegue identificá-lo como tal. Por este motivo, não possui mecanismos suficientes para contê-lo. Esta informação é do Centro de Controle e Prevenção de doenças norte-americano (CDC).

As primeiras e urgentes informações midiáticas noticiaram que a princípio pessoas que apresentaram sintomas da doença estavam no México. O país onde se originou a gripe divulgou, a princípio, a morte de 149 pessoas pelo vírus. Depois voltou atrás e foi capaz de dizer que apenas de sete pessoas foi confirmada a morte pelo vírus. Agora alcança grandes proporções.

Quanto à economia, os criadores de suínos e os que têm um apreço pelo animal – judeus e muçulmanos – pediram para que os pobrezinhos dos porcos não levem a culpa sozinhos. Assim como ocorreu com a recente gripe aviária, os fornecedores e produtores de carne de porco já sofrem as consequências da nomeação incoerente do vírus. Exportações para alguns países foram canceladas por causa do temor de contaminação virótica.

Antibiótico está sumindo

E para parar com esta confusão instaurada, por que não nomear a gripe pela sua origem, assim como ocorreu com a gripe espanhola? O problema é que assim como ocorreu com o vírus Influenza, mais conhecido como gripe espanhola, não há condições de comprovação da real origem do local exato em que o vírus se proliferou. Ainda assim, na ocasião a Espanha foi nomeada como disseminadora da gripe.

A gana e vontade de noticiar em primeira mão podem causar problemas à nação que carrega o fardo de ser o local ‘propício’ para a disseminação de uma doença de que não se sabe por ora quais são as causas de seu surgimento, o que ela pode fazer aos humanos e, o mais importante, como curá-la. As ações incorretas vêm de muitos lados.

De um lado, a imprensa divulga informações incoerentes, como nomes e locais em que surgem e aumentam os casos do vírus. E, principalmente, a divulgação do nome do antibiótico Tamiflu, que está sumindo das prateleiras. De acordo com a CDC, ele pode frear ações do vírus. Inicialmente, medicamentos só deveriam ser vendidos sob prescrição médica.

Improvisações estão no auge

O governo pede para que as pessoas mantenham a calma, mas dissemina precauções que levam a população a acreditar que a pandemia é bem maior do que as suspeitas no país. É preciso ficar alerta.

A comunidade científica não tem elementos suficientes e consistentes para frear as informações incorretas dadas pela imprensa. A ciência diz que, assim como todos os outros vírus, o H1N1 deveria ser nomeado conforme sua gravidade.

O alarde instaurado serve como reflexão para pensar de que maneira uma ocorrência como esta deveria ser noticiada. Esperar que elementos suficientes sejam testados e comprovados cientificamente para dar a notícia, não dá. Se for desse jeito, o veículo nunca noticiará em primeira mão.

Como noticiar sem causar pânico na população está no script da profissão jornalística, mas na atualidade é difícil encontrar um veículo que faça isto. As improvisações estão no auge. Daqui a um tempo a imprensa terá mais que o simples papel de informar. Do jeito que anda, irá prever os acontecimentos e noticiá-los antes mesmo que ocorram. Será sensacional!

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Estudante do 8º período de Jornalismo do Uni-BH/Belo Horizonte, MG

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