Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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FEITOS & DESFEITAS >

A obsessão pelas pesquisas

Por lgarcia em 16/10/2014 na edição 820

O prêmio Nobel de Economia atribuído ontem [segunda, 13/10] ao francês Jean Tirole não se relaciona diretamente com a indústria da informação. O foco de seus estudos é a concentração de grandes grupos em determinados segmentos. Nada nos impede, porém, de examinar suas premissas e conclusões dentro da ótica e premissas deste Observatório. Voltaremos ao assunto.

O colunista Xico Sá, do caderno de Esportes da Folha de S.Paulo, pediu demissão ao saber que o seu artigo fazendo uma declaração de voto em favor de um dos postulantes à chefia do governo foi embargado pela direção. O caso não pode ser ignorado, qualquer seja o caderno onde ocorreu a censura. Este Observatório não é tribunal, não sentencia, mas tem o dever de discutir a imprensa sob qualquer pretexto. Voltaremos ao assunto.

Pesquisite – com este neologismo o Observatório da Imprensa tem discutido a obsessão da nossa mídia pelas sondagens de opinião nas temporadas eleitorais. Desde a fundação, em 1996, já acompanhamos cinco pleitos presidenciais e produzimos seis edições do programa de TV a respeito do assunto. Pesquisas de opinião são úteis, necessárias e até indispensáveis. O sociólogo americano George Gallup, que criou esta ferramenta em 1935, desvendou o caminho para identificar nas massas a opinião individual.

Mas há uma grande distância entre a quantificação contínua das preferências e o debate político, programático. Escolher governantes e ideias é algo que se situa muito além do placar numerológico. Eleição é um campeonato para decidir o futuro de uma nação, não é loteria ou casa de apostas. (Alberto Dines) 

 

 

A mídia na semana

>> Tudo indica que o paciente zero do ebola no Brasil ainda está para ser identificado. Foi desativado o alerta máximo provocado pelo internamento do nigeriano Souleiman Bah na semana passada, em Cascavel, Paraná. Mas o caso serviu como um exercício para enfrentar possíveis ocorrências. Os protocolos de segurança foram obedecidos, possíveis contágios foram monitorados. O mais importante foi a participação pessoal do ministro da Saúde, o sanitarista Artur Chioro, fazendo advertências e ao mesmo tempo tranquilizando a população. Nas pandemias modernas, a mídia desempenha funções de capital importância. Tanto o sensacionalismo como a desatenção podem produzir efeitos desastrosos; os mais rígidos a protocolos de segurança podem ser furados se a mídia não assumir sua função mobilizadora e fiscalizadora. Nos Estados Unidos a letalidade do ebola corre o perigo de ser fortemente agravada graças à politização do debate pela extrema-direita. Aqui, embora em plena temporada eleitoral, parece que estamos vacinados contra a perversa exploração do medo.

>> A Folha de S.Paulo não resiste a tentação de badalar. Seus editores sabem que a praxe dos grandes jornais internacionais é não revelar as tentativas de suicídio nem o nome das quase vítimas. O jornalão paulistano não revelou o nome da mulher que tentou jogar-se de um viaduto na Linha 1- Azul do metrô na quarta-feira [8/10], mas publicou o caso com grande destaque e muitos detalhes. Não cola a justificativa de que o jornal queria valorizar o heroísmo dos dois funcionários que evitaram a tragédia. Salvam-se mais vidas com a discrição e o anonimato.

>> Na Argentina o governo parece cada vez mais interessado em aumentar a polarização política, em parte para distrair a população dos graves problemas econômicos. Depois de obter sentenças favoráveis no Legislativo e Judiciário, agora a presidente Cristina Kirchner recusou a partilha adotada pelo poderoso grupo de mídia do Clarín e resolveu executá-la por sua conta, separando o jornal da sua rede de TV por cabo, a mais importante do país. A Casa Rosada quer fragmentar o grupo ainda mais, de olho nas próximas presidenciais, sem se importar com a visível perda de qualidade da mídia argentina.

>> O debate entre os dois concorrentes que disputarão o segundo turno no SBT, na quinta-feira (16/10), não contará com a participação de jornalistas. A Folha de S.Paulo protestou e retirou o seu apoio. A decisão, tomada pelo comando da campanha de Dilma Rousseff, tem a aprovação do seu oponente. Candidatos preferem atender às estratégias de seus marqueteiros do que correr riscos nas mãos de jornalistas perguntadores.

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