Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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FEITOS & DESFEITAS >

A tragédia aérea e a insensibilidade da mídia

Por André Padeti em 02/06/2009 na edição 540

Uma completa falta de respeito com as vítimas do acidente aéreo de segunda-feira (1/6) é o que aconteceu na TV Globo e que acontece sempre em várias emissoras. Esta é a mensagem que deixei no site da Globo:




‘Tive a infelicidade de estar na companhia de uma pessoa que estava assistindo à TV Globo enquanto eu tomava café da manhã, por volta das 9 horas do dia 1º de junho, quando entrou no ar um link ao vivo com uma repórter que estava no aeroporto no Rio de Janeiro cobrindo a tragédia do avião que ia em direção a Paris e caiu no meio do mar. Ela entrou ao vivo porque naquele momento havia chegado ao aeroporto um parente de uma das vítimas do acidente. O problema é que ele estava ao telefone, conversando com outros parentes da vítima em um momento privado, mas a equipe de reportagem não conseguiu perceber isso e enfiou o microfone goela abaixo do rapaz. Não é a primeira vez que vejo essa falta de respeito acontecer em algum dos tentáculos da Globo. Se dependesse de mim a emissora já teria mudado de atitude ou já teria falido. Tenham certeza de que faço o possível para conscientizar as pessoas que conheço do perigo que é dar audiência a vocês.’


Gostaria de ver o assunto discutido no Observatório. Aproveito para parabenizar a todos pelo belo trabalho que fazem para a cidadania neste país. Tenho certeza que é com iniciativas dessa qualidade que cresceremos como nação.


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A Constituição Federal de 1988, em seu Título II, lista o que chama de Direitos e Garantias Fundamentais. Mais precisamente no Capítulo II, sobre os chamados Direitos Sociais, determina que um deles é o direito à moradia.


Vejamos então como as pessoas normais no Brasil exercem esse tal sagrado direito à moradia. Basicamente, são três formas: imóvel próprio (arduamente) quitado, imóvel próprio (duramente) financiado ou imóvel (asperamente) alugado.


Relembrando, isso é o que podemos observar na vida real. Pois o Senado Federal, aquela Casa Legislativa que deveria se valer da ‘criatividade’ de seus homens e mulheres para, efetivamente, legislar, segue negligenciando sua atividade-fim, enquanto mantém seu modo todo peculiar de lidar com determinados temas.


Se o senador em pleno exercício do mandato (conceito dos mais fluidos atualmente) não tem casa própria em Brasília, existem as seguintes opções: apartamento funcional de luxo ou auxílio-moradia de R$ 3,8 mil mensais.


Essa é a teoria. Na prática, a coisa funciona da mesma forma nebulosa como funcionaram até hoje, por exemplo, as passagens aéreas. Pois tem senador com casa própria na capital federal ou com direito a residência oficial auferindo indevidamente a verba. Caso do presidente do Senado, José Sarney.


Ficam algumas hipóteses: primeiro, se uma fatia de R$ 3,8 mil passa despercebida todo mês, que baita bolo! Segundo, ser congressista é como ganhar na loteria, só que em prestações. E no mundo real, mesmo quem ganha um bom prêmio deve pagar por sua residência, suas passagens aéreas, seus celulares, suas multas de trânsito… ao contrário do que ocorre no fantástico e inverossímil mundo parlamentar federal.


Por fim, volta aquela incômoda sensação de sermos duplamente passados para trás. Primeiro, com a ‘simples’ existência de todas essas regalias, quando tantos rebolam com seus R$ 465 mensais, fora os descontos. Segundo, ao vermos a falsa surpresa com que esses senhores e senhoras vêm à mídia para fingir que de nada sabiam.


Como tem gente ‘desinformada’ perambulando pelos corredores do Congresso Nacional! Se comungarmos dessa conveniente distração parlamentar, daremos o primeiro passo rumo à perpetuação dessa horda de desavisados. (Heitor Diniz, jornalista, Belo Horizonte, MG)


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O que está por trás da mudança de tratamento da Rede Globo com relação aos evangélicos? Na semana passada foram exibidas reportagens de ações desenvolvidas já há muitos anos pelos evangélicos. Será que só a Globo não sabia? Será visão de ‘mercados futuros’? Será que ela sabe em Nome de quem é pregada a mensagem que mais recupera famílias destruídas? (Paulo Mororó, militar, Boa Vista, RR)


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Em 30 de abril, O Globo noticiava que, em virtude das interpretações errôneas decorrentes da denominação ‘Gripe Suína’ dada a uma doença respiratória causada pelo vírus A (H1N1) e no intuito de ‘evitar a estigmatização da doença e reações desmesuradas em relação aos animais’, decidira denominá-la ‘Gripe A H1N1’. Menos de um mês depois, em 29 de maio, a Rede Globo, no seu noticiário Jornal Nacional, divulgava que ‘casos de gripe suína no Brasil chegam a 16 até esta sexta’. Definitivamente, a Globo não lê O Globo. (Nelson Wisnik, professor, Campinas, SP)


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Tenho lido muito sobre as dificuldades que os jornais de todo o mundo têm tido por conta da perda de leitores. Penso com meus botões que 1) não estou disposta a pagar por conteúdo ruim; e 2) não quero uma assinatura de jornais ou revistas de papel, quero uma assinatura somente online, pela eficiência e economia (e, pela economia que a minimização dos custos de logística significa, quero pagar mais barato nessa assinatura). Para serviços bons, que uso com frequência e dos quais gosto, pago com muito prazer (sou, por exemplo, assinante do Spotify). Daí me dei conta de que hoje uso principalmente o OI como minha fonte de informação sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo: por meio das análises de vocês, identifico o que é importante e o que está sendo falado, de bom e de ruim, por aí. Vocês são meu serviço ideal. Procurei uma forma de ‘assinar’ o conteúdo de vocês e não achei. Resolvi então escrever para dizer que, se vocês abrirem um serviço de assinatura, mesmo que seja voluntária, pagarei com gosto. Muito obrigada pelo site. (Maira Carvalho, estudante, Brasília, DF)


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Ouvimos sempre os jornalistas fazerem suas perguntas da seguinte forma: ‘o que você acha disso ou daquilo?’ Por que os jornalistas usam o termo ‘acha’ e não ‘pensa’, considerando que o ‘acha’, segundo a Sociologia, (GUARECHI, Pedrinho. Sociologia crítica: alternativas de mudança. 8ª ed. Porto Alegre: Mundo Jovem, 1986), é superficial, vulgar, é próprio do senso comum, e os jornalistas, supomos, vivem no mundo do senso crítico – pelo menos é o que se espera. Se a pergunta feita fosse ‘o que você pensa sobre isso ou aquilo?’ Pelo menos sairíamos do ‘achismo’ e entraríamos no contexto do pensamento das pessoas. Estaríamos então nivelando por cima o nosso vocabulário. (Uverland Barros da Silva, professor, Aracaju, SE)


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A revista Época teve como capa da edição de 23/5 ‘O Brasil em 2020 – Por que viveremos num país mais adulto, mais rico e mais feliz’, em comemoração aos 11 anos da revista. O especial tenta prever como seremos, e diz o que falta fazer para sermos grandes na economia, passando por educação, segurança, saúde, tecnologia etc. Na mesma semana, a concorrente Veja teve uma capa desastrosa graficamente, em que a perna da modelo está desalinhada do resto do corpo, configurando o que os designers chamam de um ‘Photoshop disaster’.


Usando esta abordagem de Época, seria possível prever (ou pelo menos fazer um exercício de imaginação saudável) como será o quadro das revistas semanais brasileiras em 2020? Nos últimos anos, a Época, com apenas 11 de existência, vem superando facilmente a quarentona Veja, que deixa o jornalismo cada vez mais de lado para ser um panfleto de opiniões previamente estabelecidas. Gostaria de sugerir o tema para um artigo no Observatório da Imprensa, espaço ideal para este tipo de reflexão. (André Julião, jornalista, São Paulo, SP)


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Que maravilha! Nada mais será igual! Um mundo novo está se abrindo para todos nós brasileiros! Festa! Fogos! Alegria! Ironia à parte, a Rede Globo tentou neste domingo passar ‘atmosfera’ de felicidade da população absolutamente forçada, irreal. Mostrou boletins dos 12 estados selecionados para a disputa: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Manaus e Cuiabá. Foi constrangedor ver a ‘festa’ das cidades-sede. Repórteres risonhos buscaram inspiração em coberturas de TV de antigos bailes de carnavais da Bandeirantes. ‘Foi contagiante a alegria!’ Enquadramentos fechados… Viu-se, na verdade, gente na rua para ver eventos e shows gratuitos.Enfim, é triste ver jornalistas serem obrigados a participar de um verdadeiro ‘circo da notícia’. Engraçado que ninguém mostrou imagens de Florianópolis que ficou de fora da escolha. Será que tinha festa armada? (Paulo Otávio Pinho, jornalista, Pelotas, RS)


 

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Estudante, Santo André, SP

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