Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ENTRE ASPAS >

Acordo com Portugal facilita acesso a papéis históricos

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 22/04/2009 na edição 534

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 22 de abril de 2009


 


DITADURAS
Efe


Acordo facilita acesso a papéis históricos


‘O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra, firmaram ontem acordo pelo qual Brasil e Portugal farão intercâmbio de documentos históricos das ditaduras dos dois países. O acordo facilitará o acesso a documentos da era Antonio de Oliveira Salazar (1933-1974) em Portugal e do período do regime militar no Brasil (1964-1985). ‘Temos um acervo muito importante na Comissão de Anistia, que provavelmente nenhuma outra instituição brasileira’, disse Tarso.’


 


 


INTERNET
O Estado de S. Paulo


Yahoo lucra menos e anuncia demissões


‘O grupo americano de internet Yahoo anunciou ontem ter registrado um lucro líquido de US$ 118 milhões no primeiro trimestre, queda de 78% em relação ao obtido no mesmo período do ano anterior. Com o resultado ruim, o grupo informou que vai cortar mais 5% dos seus empregados, o que deve significar a demissão de cerca de 600 a 700 pessoas. Em outubro, a empresa já havia demitido 1,5 mil empregados. Em comunicado, o Yahoo diz que a medida tem por objetivo ‘permitir mais flexibilidade para investimentos estratégicos’.’


 


 


TECNOLOGIA
Ethevaldo Siqueira


Televisão enxerga futuro tridimensional


‘Nunca se falou tanto em renovação tecnológica e de conteúdo na televisão aberta americana como nesta edição anual da feira NAB Show, em Las Vegas. Muito mais do que a televisão brasileira, a TV americana enfrenta duas crises: uma crise interna, de conteúdo e produto, e outra, externa, econômica e de modelo de negócio. A grande receita para ambos os desafios é a renovação, recomendam todos os dirigentes setoriais, começando por David Rehr, presidente da Associação Norte-Americana de Radiodifusores (NAB, na sigla em inglês), ao falar na abertura do NAB Show 2009.


A renovação de conteúdo não se limita mais à produção de programas melhores do ponto de vista da qualidade cultural e informativa. ‘Isso é quase o óbvio em nossos planos. O que nos desafia é inovar com os recursos que a tecnologia nos oferece: melhores imagens, do ponto de vista da definição, do contraste, do brilho e, tão logo disponha de conteúdos especiais, com a tridimensionalidade. O grande salto agora tem de ser a TV em 3D’, enfatiza um dos diretores de tecnologia da NAB.


Durante dois dias – o sábado e o domingo -, mais de 200 especialistas debateram em uma grande sessão o tema Cinema Digital 3D ou estereoscópico – que é a primeira etapa da TV3D. Tudo que o cinema fizer antes deverá ajudar as emissoras a entender o novo negócio da TV tridimensional.


De nada adianta para a indústria da comunicação eletrônica a existência dos primeiros televisores com imagem tridimensional, se não há filmes, nem documentários, nem programas gravados em 3D. Hollywood está despertando agora para esse desafio, com o lançamento em 2008 de filmes como Batman – O Cavaleiro das Trevas, Dia dos Namorados Macabro 3D ou ainda Viagem ao Centro da Terra, além das diversas partidas de futebol americano transmitidas especialmente para salas de cinema 3D, com incrível sucesso.


A Inglaterra mostrou, durante a feira, o estágio atual de desenvolvimento tanto da TV 3D quanto do cinema 3D. Gerry O?Sullivan, diretor de produtos estratégicos da BSkyB, diz que a TV estereoscópica tem grande futuro. A rede britânica e as empresas operadoras estão construindo uma biblioteca de conteúdos de TV 3D no padrão alternativo S3DTV, para consumidores que utilizam o sistema europeu atual, o DVB em alta definição, além da infraestrutura da Sky europeia em HD.


Ainda dentro das estratégicas de renovação de conteúdo, a televisão americana espera contar com a contribuição de laboratórios como os da Walt Disney Studios Motion Pictures Group, cujo presidente, Mark Zoradi, deu um show de novos conteúdos. Ou ainda com produções da Pixar, estúdio dirigido durante alguns anos por Steve Jobs, o fundador e presidente, atualmente licenciado, da Apple.


São empresas como essas que deverão fornecer documentários e filmes com a dupla qualidade, de imagens e de novos recursos, exigida pelos novos tempos. ‘Nossos limites têm de ser os limites da imaginação’, aconselha Zoradi. E as amostras exibidas na feira demonstram a verdade dessa afirmativa.’


 


 


HQ
Ariel Palácios


Quino, o ‘pai’ de Mafalda, anuncia sua (quase) aposentadoria…


‘O cartunista argentino Quino anunciou que deixará de publicar seus desenhos ‘por um tempo’. O criador da personagem Mafalda sustentou que o motivo é o de ‘evitar repetir’ a si próprio. Em uma carta publicada na revista Viva, encarte do jornal Clarín, o cartunista explicou que o público não deve tomar o anúncio como ‘uma despedida’, mas como ‘uma ausência temporária’.


Há poucos anos, Quino – afetado pelo que denominou de ‘crise criativa’ – havia começado a publicar velhos desenhos seus, de forma alternada com novos cartuns. ‘Isso foi interessante, pois vi que aqueles desenhos – alguns publicados há muito tempo e outros nem há tanto tempo – apresentavam uma surpreendente atualidade. Era uma prova de que os problemas que hoje em dia nos afetam continuam repetindo-se, graças ao talento da sociedade em reciclar seus erros’, disse.


Segundo Quino, quando percebeu que estava começando a repetir a si próprio, há alguns anos, pensou em publicar desenhos antigos. ‘Achei que era certo tomar um tempo para encontrar alguma forma de renovar o enfoque de minhas ideias, ou, pelo menos, novas formas em minha linha gráfica. Lamentavelmente, até agora não soube encontrar a fórmula para tais mudanças.’ Quino sustentou que seria uma falta de respeito com os leitores continuar repetindo páginas já publicadas.’


 


 


TELEVISÃO
Alline Dauroiz


Nazaré em questão


‘Nazaré Tedesco que se cuide. O Ministério da Justiça está de olho na reprise da novela Senhora do Destino, na Globo, por causa da violência em cenas da vilã platinada. Desde 2 de março, quando o folhetim reestreou, a emissora foi advertida duas vezes. Se não adaptar o conteúdo ao horário, a trama poderá ser reclassificada, de 10 anos para 12 ou 14 anos, o que implicaria mudar o Vale a Pena Ver de Novo para depois das 20 horas.


Antes de reapresentar a trama, a emissora já havia feito, por conta própria, cortes nas cenas que poderiam causar problemas com o Departamento de Classificação Indicativa da Justiça. Agora, terá de passar a faca em mais capítulos. Segundo a Central Globo de Comunicação, a emissora ‘realiza criteriosa edição da obra para que esta seja exibida no Vale a Pena Ver de Novo com todas as mudanças e adaptações necessárias’.


Para resolver a questão, uma reunião entre a emissora e integrantes do ministério deve ocorrer ainda nesta semana.


Fica a dúvida: amenizada a crueldade da vilã tão marcante em nossa teledramaturgia, Nazaré não se tornaria um tanto songamonga (como ela gosta de dizer)?’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 22 de abril de 2009


 


LÍNGUA
Thaís Nicoleti de Camargo


Reforma ortográfica: mais custos que benefícios


‘MUITO JÁ se falou sobre o Novo Acordo Ortográfico. A frouxidão de argumentos que embasaram a sua implantação, como a suposta necessidade de unificar a grafia da língua portuguesa nos países em que é o idioma oficial, em favor do estímulo ao intercâmbio cultural entre as nações lusófonas e da simplificação de documentos oficiais, já foi suficientemente denunciada.


É certo que o intercâmbio cultural entre os países da chamada ‘lusofonia’ é algo positivo, mas o que pode fomentá-lo são antes políticas de incentivo que a supressão de hifens ou de acentos, cujo resultado prático é apenas anular diferenças sutis que nunca impediram a compreensão dos textos escritos do lado de cá ou do lado de lá do Atlântico.


Se o uso do vocabulário e das estruturas sintáticas, os diferentes significados que alguns termos assumem em cada país, o leque de referências culturais que dão à língua sua feição local, para não falar na concorrência de outros idiomas (no caso das nações africanas e do Timor Leste), são obstáculos relativamente pequenos ao intercâmbio cultural, que dizer de pormenores como hifens e acentos?


A ideia de unificação, que produziu um discurso politicamente positivo em torno do assunto, além de não ter utilidade prática, gera vultoso gasto de energia e de recursos, que bem poderiam ser empregados no estimulo à educação e à cultura.


Não bastasse a inconsequência do projeto em si, o texto que o tornou oficial é tão lacunar e ambíguo que desafiou os estudiosos do idioma tanto no Brasil como em Portugal, fato que levou à produção de dicionários com grandes discrepâncias entre si.


Faltava uma obra de referência, que estabelecesse a grafia das palavras, regularizando os pontos obscuros do texto oficial. Esperava-se que essa obra fosse concebida em conjunto pelos países signatários do Acordo, como fruto de um debate no âmbito do propalado projeto de unificação.


No lugar disso, a ABL (Academia Brasileira de Letras) tomou a dianteira do empreendimento e confeccionou o ‘Volp’ (‘Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa’). Em lugar da solução dos pontos ambíguos do texto, o que se viu foi um misto de inobservância de princípios claramente propostos no documento oficial com hesitação entre o novo e o antigo, redundando, em muitos dos casos, em escolhas aparentemente aleatórias.


Se a ABL entendeu que poderia suprimir o hífen de formas como ‘co-herdar’ e ‘co-herdeiro’, em desacordo com o texto oficial, talvez em nome da simplificação, por que esse princípio não presidiu as demais escolhas?


Para ficar num exemplo gritante, por que transformar o verbo ‘sotopor’ em ‘soto-pôr’? Está no texto oficial, mas isso não parece ser razão suficiente para a ABL. Pior que desmontar uma aglutinação, acrescendo-a de hífen e acento diferencial, talvez seja o fato de que as formas conjugadas do verbo não seguem a grafia do infinitivo (o ‘Volp’ registra ‘sotoposto’).


Ainda pior que isso é a hesitação: criaram-se grafias duplas (‘sub-humano’ e ‘subumano’; ‘ab-rupto’ e ‘abrupto’ e até ‘prerrequisito’ e ‘pré-requisito’, entre muitas outras) sem um critério seguro que as afiançasse. A interpretação do sexto artigo da Base XV do Acordo transformou substantivos compostos em locuções por obra da supressão sistemática dos hifens. As exceções, agrupadas sob a rubrica ‘consagradas pelo uso’, são apenas sete no documento oficial, o que, por si só, já dá a medida do absurdo. O conceito é por demais vago, tanto que não garantiu a manutenção pura e simples da grafia ‘abrupto’, esta sim consagrada pelo uso.


A supressão do hífen que separava a forma prefixal ‘não-’ de substantivos e adjetivos não é um recurso facilitador. Diante dos substantivos, não havia dúvida quanto ao seu emprego (‘não-índio’, ‘não-agressão’ etc.). A distinção entre ‘dia a dia’ (locução adverbial) e ‘dia-a-dia’ (substantivo composto) era útil, afinal, o sistema de distinções favorece a compreensão da gramática da língua.


Melhor trabalho teria sido a regularização do hífen com ‘bem’ e ‘mal’, nem sempre percebidos como prefixos. Louvável ainda teria sido o registro dos principais estrangeirismos em uso na língua, respeitando grafias consagradas em seu idioma de origem, dado que hoje não há tendência ao aportuguesamento.


Sem um objetivo claro e com severas implicações financeiras, a reforma ortográfica apoia-se num documento lacunar e numa obra de referência marcada pela hesitação e pela inconstância nos critérios de regularização. Fica a incômoda impressão de que os custos serão bem maiores que os supostos benefícios.


THAÍS NICOLETI DE CAMARGO , professora de português formada pela USP, é consultora de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL. É autora dos livros ‘Redação Linha a Linha’ (Publifolha) e ‘Uso da Vírgula’ (Manole).’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Negócios da China


‘‘Wall Street Journal’, ‘Financial Times’ e até o site da revista ‘Time’ noticiam como o crédito chinês avança pelo mundo do petróleo, para ‘facilitar’ contratos de fornecimento com Rússia e Cazaquistão, Venezuela e Brasil. É o que Lula vai ‘finalizar’ na viagem a Pequim no mês que vem, destaca o ‘WSJ’, registrando que a estratégia ‘dá às estatais chinesas vantagem sobre concorrentes ocidentais como a Exxon’. O ‘FT’ acrescenta que, por aqui, Pequim quer suas estatais no pré-sal.


Ato contínuo, o presidente da Petrobras, que dias antes havia informado que também negocia crédito com os EUA, deu entrevista à Bloomberg e outras para afirmar que o empréstimo chinês não envolve um compromisso de fornecimento de petróleo. ‘Ainda estamos trabalhando nos detalhes.’


HERANÇA MALDITA


O ‘WSJ’ também destaca como o consumidor chinês vem sustentando a demanda interna. ‘A resistência dos gastos chineses contrasta’ não só com a contenção de americanos e europeus, mas também de brasileiros.


‘Os mais jovens não têm más lembranças, na China. Fizemos uma pesquisa no Brasil, onde a economia está bem, mas as pessoas têm más lembranças [de crise econômica] e se retraem’, relata a Boston Consulting.


NOVO VELHO FMI


O ‘Washington Post’ deu a reportagem ‘Um papel maior e mais arrojado para o FMI’, com ‘mudanças que sugerem troca no modo como se dirige a economia global’.


O Fundo faz nesta semana em Washington sua reunião de ministros -e, diz o ‘WP’, textos internos indicam mais poder às ‘potências frescas’ China, Índia e Brasil. Bloomberg e o indiano ‘Economic Times’ concordam, mas o canadense ‘Globe and Mail’ vê novo jogo de cena.


RAÇA, TEMA DOMINANTE


Até onde foi possível levantar, só o ‘WP’ destacou que ‘Raça é tema dominante na Cúpula’ das Américas e teria até servido para ‘aproximar os líderes’.


Na América Latina, onde ‘raça ocupa um lugar maior e mais problemático do que na Europa’, Obama falou mais de sua ‘origem étnica, associando-se às classes mais baixas indígenas, negras e racialmente miscigenadas’ da região, que ‘identificam os EUA com políticas econômicas que beneficiam a elite de origem europeia’. Ajudou a ‘reduzir, mas não eliminar’, o conflito com ‘populistas como Hugo Chávez’.


CALIPSO


Moisés Naím, venezuelano editor da ‘Foreign Policy’, escreve no ‘El País’ que a mudança dos EUA sobre Cuba ‘não foi o mais importante’ da Cúpula, e sim ‘as profundas divergências que separam os latino-americanos’.


Avalia que ‘muitos são mais próximos dos EUA do que de seus vizinhos’ e cita Lula, que ‘se dá melhor com Obama do que com Cristina Kirchner’. Diz que o brasileiro e o americano ‘coordenaram passos’ para sua ‘Cúpula do calipso’, título da coluna.


CINISMO


Jorge Castañeda, mexicano professor da New York University, escreve no ‘WSJ’ que Obama só deve ‘acabar com o embargo’ após Lula, a chilena Michelle Bachelet e o também mexicano Felipe Calderón deixarem de ser tão ‘incrivelmente cínicos’ sobre direitos humanos em Cuba.


No fim, admite que ‘a pressão sobre Obama para levantar unilateralmente o embargo pode se tornar irresistível’ -e que, ‘por si mesma’, a ação ‘pode forçar Cuba a abrir sua sociedade’.


UM LUGAR PRIVILEGIADO


Às vésperas da viagem a Buenos Aires, Lula deu longa entrevista ao argentino ‘La Nación’, sob o título, entre aspas, ‘Não posso imaginar Brasil e Argentina separados’.


O texto de Ricardo Carpena abre descrevendo Lula como ‘o homem que conquistou um lugar privilegiado junto aos mandatários mais influentes do mundo’. E pergunta, para começar a entrevista de uma hora e meia, o que seria dele se tivesse nascido no norte da Argentina. Na resposta, ‘certamente eu teria sido peronista, porque todo mundo era’. O jornal dá ‘três razões para ouvir’ Lula: é um ‘líder sem fronteiras’, ‘um negociador nato’ e levou ‘pragmatismo ao poder’. Abrindo outro texto, o enviado diz que, ‘se fosse brasileiro, votaria nele’.


Ecoou no ‘Diário do Povo’, via Xinhua.


‘BYE-BYE, BRAZIL’


Ontem no ‘FT’, ‘o suíço UBS tomou um grande passo para reverter sua expansão durante o boom ao vender o Pactual de volta’ ao brasileiro André Esteves. No título do site da ‘Forbes’, ‘UBS diz ‘Bye-Bye, Brazil’. Segundo a AP, o suíço quer ‘recuperar sua marca’ pós-crise.


HORA DE DIVERSÃO


No site Propmark, a Globo abriu negociação com a empresa de entretenimento Time 4 Fun, de Armínio Fraga e outros, para acordo operacional ou ‘entrar no negócio’, adquirindo a parte do ex-presidente do Banco Central. A empresa produz Cirque du Soleil e outros.’


 


 


IRÃ
Efe


Advogada Nobel da Paz defenderá americana presa


‘A advogada e militante de direitos humanos Shirin Ebadi, vencedora do Nobel da Paz em 2003, anunciou ontem que defenderá a jornalista iraniana-americana condenada no sábado a oito anos de prisão por espionagem.


Ebadi apresentará recurso para libertar Roxana Saberi, condenada após um rápido julgamento. No domingo, o presidente Mahmoud Ahmadinejad pediu que ela tenha direito de defesa. Obama se disse ‘preocupado’ com o caso, que surge em meio a uma distensão com Teerã.’


 


 


OSÓRIO LEMAIRE DE MORAES (1917-2009)
Estêvão Bertoni


Professor e jornalista, assinava João da Rua


‘Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, possui 42.117 habitantes e uma escola pública chamada Professor Osório Lemaire de Moraes.


Osório foi do tipo que incorporou a profissão ao próprio nome, tão conhecido que ficou por sua atuação. Chamavam-no, quase sempre, de professor Osório. Mas ele também foi o João da Rua, autor de uma coluna no jornal.


Nascido em Piracicaba (SP), formou-se professor. Por um tempo, foi delegado, até que, nos anos 40, passou num concurso e começou a dar aulas numa fazenda chamada Bunka, de imigrantes japoneses, perto de Paraguaçu, onde chegou até a aprender japonês. Aposentou-se na profissão nos anos 60.


Anos antes, em 1953, estreara uma coluna de variedades no jornal da cidade que acabara de ser fundado e do qual, tempos mais tarde, em 1964, ele seria o dono: ‘A Semana’. Assinava como João da Rua. O espaço, longevo, durou até o começo deste ano.


Sempre elegante com seu terno, chapéu de feltro cinza e bengala com o brasão da família, era um ferrenho defensor de Paraguaçu, como explica a filha Maria Stela, que hoje toma conta do jornal. Nos anos 60, criticou por quatro anos um político que saíra de São Paulo para ser prefeito na cidade: o sujeito não era um paraguaçuense legítimo.


Em 2006, lançou um livro chamado ‘O Contador de Histórias’. Nos últimos oitos anos, lutou contra um câncer de próstata, que o matou na terça-feira, dia 7. Foi casado duas vezes. Deixa viúva, duas filhas, sete netos e cinco bisnetos. Completaria 92 anos na próxima terça-feira.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Produtora acusa Band de plágio em ‘E24’


‘A produtora Medialand está acusando a Band e a argentina Cuatro Cabezas de plagiarem um formato que seria dela, o do reality show ‘E24’. A Medialand fez para a Globo um reality policial, ainda inédito.


‘E24’ é produzido pela Cuatro Cabezas desde 2003 na Argentina, mas a Medialand afirma que esse tipo de formato, com os bastidores de prontos-socorros, é só dela no Brasil.


Carla Albuquerque, diretora da Medialand, diz que registrou na Biblioteca Nacional formato idêntico ao de ‘E24’, com o nome de ‘Emergência 24 Horas’.


Em janeiro deste ano, Carla entregou à Band um piloto de ‘Emergência 24 Horas’. Ela insinua que a Band e a Cuatro Cabezas tiraram proveito desse piloto. Uma médica e uma frase dita por bombeiros, que estão no piloto, apareceram em ‘E24’. ‘Alguém passou o nosso piloto, que é material sigiloso, para a Cuatro Cabezas’, acusa.


Elisabetta Zenatti, diretora artística da Band, diz que a Medialand ‘está tentando se aproveitar da situação’. Ela confirma ter recebido o DVD, mas nega ter usado seu conteúdo. ‘A gente fechou com a Cuatro Cabezas e começou a pré-produção em outubro do ano passado, antes de sermos procurados pela Medialand’, relata.


Diego Barredo, gerente de conteúdo da Cuatro Cabezas, diz que sua empresa produz ‘E24’ em vários países. ‘Eles [Medialand] produziram algum formato?’, questiona.


PRONTO-SOCORRO


Com problemas de tireoide, Glória Perez foi internada no sábado para uma cirurgia. Enquanto a autora de ‘Caminho das Índias’ se recupera, Carlos Lombardi escreve a novela.


ACERTO


Fiorella Mattheis, 21, uma das novas apresentadoras do ‘Vídeo Show’, não está agradando. São muitas as reclamações, inclusive de diretores da Globo, contra sua dicção e seu gestual. Já Geovanna Tominaga, que entrou como repórter, agradou. Passará a apresentar o programa, ocupando espaço que seria de Fiorella.


ATRATIVO


O ‘Programa do Ratinho’, que volta ao ar no próximo dia 4, às 17h30, sorteará prêmios para a audiência e para o público do auditório.


SEGURA, PEÃO 1


Empresa do grupo RBS (afiliada da Globo no RS e em SC), o Canal Rural criou uma joint venture com a PBR (Professional Bull Riders), entidade americana, e promoverá no Brasil um circuito de elite de competições de montaria em touro.


SEGURA, PEÃO 2


O Canal Rural fechou negócio após constatar a boa aceitação da audiência (via TV paga e parabólicas) às transmissões que faz das montarias da PBR, nos EUA. No Brasil, serão 30 provas ao ano. O campeonato começa no fim de maio.


GENTE GRANDE


O SporTV atingiu 1 milhão de telespectadores no último dia 12 com a transmissão e o pós-jogo de Corinthians x São Paulo. Para a TV paga, esse é um belo resultado.


 


 


Folha de S. Paulo


Série ‘CSI’ vai virar filme nos Estados Unidos


‘O ator William Petersen, que interpretou Gil Grissom na série investigativa ‘CSI’, falou em entrevista nos EUA que vai ser feito um longa-metragem sobre o seriado.


Seu personagem saiu na nona temporada (atualmente em cartaz no canal pago AXN) e foi substituído por Laurence Fishburne, mas é possível que ele volte no ano que vem. Petersen permanece como produtor-executivo.


‘Estamos buscando a história certa para contar. E não podemos esperar ‘CSI’ terminar ou Grissom vai ter uns 90 anos.’’


 


 


Silvana Arantes


‘Sobreviventes’ aborda vida pós-trauma


‘Os personagens do documentário ‘Sobreviventes’, que a TV Cultura exibe amanhã, retribuem a escuta atenta dos diretores Miriam Chnaiderman e Reinaldo Pinheiro com relatos de experiências intransferíveis, pois correspondem a modos singulares de elaborar a dor.


‘Tenho muita raiva dos vazios que há em mim’; ‘Sou o lugar onde a história acontece’; ‘Todo homem tem um fracasso na vida’ são exemplos de como os sobreviventes narram suas vivências de situações-limite.


São elas: o exílio; a perda dos filhos; a tortura; o massacre do Carandiru; a falta de um lar; o abuso sexual na infância; a contaminação pelo vírus HIV; a esquizofrenia, entre outras, onde a miséria humana é protagonista e o Estado, um coadjuvante ora omisso ora ativo.


Sentados numa poltrona verde instalada num local sinuoso como um túnel -em que zonas de luz e sombra se alternam-, os personagens desfilam suas histórias ao longo dos 48 minutos do filme. Muitos choram.


Contudo, o interesse dos diretores não parece recair sobre o testemunho das fraturas individuais, mas sim no traço comum aos sobreviventes de reafirmar a vida. Talvez por isso, entre todas as sentenças ditas nesse documentário, a que mais ecoa é: ‘Não tenho rancor, tenho memória’.


SOBREVIVENTES


Quando: amanhã, às 22h10


Onde: TV Cultura


Classificação: não informada’


 


 


Marcelo Coelho


TV Cultura, passado e futuro


‘A TV CULTURA faz 40 anos. Eu estava no quarto ano do primário quando começaram as transmissões. Certo que eu era bastante CDF naquele tempo, mas adorava tudo o que via. O curso de madureza, por exemplo. As aulas de português tinham a ilustrá-las uma novela baseada no romance ‘O Feijão e o Sonho’, de Orígenes Lessa. Não perdia um capítulo.


Havia também um programa de cultura geral, em que pessoas mandavam cartas com perguntas sobre qualquer assunto: qual a origem da gravata? Quem foi Béla Bartók?


Alguns anos mais tarde, liguei a Cultura e topei com o close de um senhor bastante calvo, olhos doces e voz enfática. O homem discorria, numa pronúncia carregada, a respeito da obra de ‘Gágal’ e de ‘Dásh-tay-évshky’.


Tratava-se do professor Boris Schnaiderman, explicando a teoria do dialogismo de Bakhtin em Gógol e Dostoiévski.


Outro programa que eu não perdia, naqueles desertos de audiência, era uma mesa-redonda com historiadores da USP. Semanalmente, os mesmos professores se entredevoravam a propósito dos mais variados temas: a pirataria no Caribe no século 18, as guerras púnicas, a queda de Constantinopla.


Um deles, certa vez, exaltou-se a respeito de uma passagem de Políbio. Seu adversário deu um risinho. ‘Ora… A partir da mesma passagem de Políbio posso dar uma interpretação diametralmente oposta à sua.’ E lá foi ele.


Eu assistia a tudo siderado. Era a minha maconha. Já existiam, ao que me lembro, mesas-redondas de futebol na TV Cultura. Essas continuam até hoje, sem que eu saiba por quê.


Mas eu sabia, desde aquela época, que uma televisão feita para o meu gosto não haveria de prosperar. Naquele longínquo ano de 1969, fiquei de qualquer modo feliz ao ver, num muro da escola, uma mensagem escrita a giz: ‘Eu amo a TV Cultura!’.


Havia florzinhas desenhadas em volta do recado. Fora escrito por uma menina, com certeza. Senti um misto de gratidão e de vergonha ao ler a delicada pichação.


Não sou nostálgico. A TV Cultura passou péssimos bocados quando seu noticiário se dedicava a divulgar os feitos de Paulo Maluf, quando foi governador do Estado.


A TV Cultura esteve, por outro lado, mais próxima do que nunca do seu objetivo quando apresentou programas infantis como ‘Castelo Rá-Tim-Bum’ e seriados como ‘Confissões de Adolescente’.


Programas desse tipo custam caro. O problema de investir na Cultura é, sem dúvida, o caráter inquantificável de seu retorno, seja em votos, seja em audiência. O debate que sempre volta quando se fala em ‘televisão pública’ (meio pretensioso o termo, acho), é sempre o do Ibope. Como falar que algo seja do interesse público quando o público simplesmente não assiste ao que deveria interessá-lo? Há muitas respostas a essa questão.


Penso, por exemplo, no ‘Ensaio’, de Fernando Faro. Talvez a audiência, no dia em que Orlando Silva ou Isaurinha Garcia gravaram suas conversas, tenha sido baixa. Mas, ao longo do tempo, a audiência só faz crescer, dado o valor histórico de que aquilo se reveste.


Atualmente, o professor Pasquale Cipro Neto dá curtos esclarecimentos na TV Cultura a respeito da reforma ortográfica. É claro que não se trata de um programa que junte multidões para assisti-lo. Mas é um serviço público.


Considero, por outro lado, que não existe nada inscrito de nascença, no DNA de um programa, que o faça ‘público’ ou ‘comercial’. Vinhetas sobre a reforma ortográfica ou documentários sobre a Bolívia podem perfeitamente ser aproveitados em canais a cabo, como a Globonews, por exemplo.


Há incontáveis maneiras de não ser comercial. Pode-se fugir da estupidez da TV aberta com programas de boa qualidade para adolescentes, com debates sobre Derrida ou com apresentações dos alunos de violino do Conservatório Professor Pintassilgo.


O debate, a rigor, não deve se circunscrever a ‘ter audiência’ ou ‘não ter audiência’. Se uma TV se propõe a ser educativa, sua função deve ser, antes de tudo, a de ‘criar audiência’.


Ou seja, criar uma audiência que cresça, aos poucos, na medida em que oferece programas de mais nível do que os oferecidos pela televisão comercial.


E se a TV comercial, ao longo do tempo, comprar ou reproduzir algumas ideias da TV pública, esta terá cumprido seu objetivo -e terá de inventar outras ideias no futuro.’


 


 


INTERNET
Rafael Capanema


Prêmio da rede destaca mídia tradicional


‘Sites da mídia tradicional lideram em número de indicações a 13ª edição do Webby Awards, uma das premiações mais importantes da rede.


Entre as dezenas de concorrentes, anunciados na semana passada, os que tiveram mais indicações foram os sites do jornal ‘New York Times’ (www.nytimes.com), com 13; da rede NBC (www.nbc.com), com 12; e da rede britânica BBC (www.bbc.co.uk), com oito.


A cerimônia será em 8 de junho, em Nova York. Para cada prêmio, há a escolha dos especialistas e a do público.


Votação


Para votar, basta acessar pv.webbyawards.com e se cadastrar. Não é obrigatório opinar em todas as categorias.


Os concorrentes estão divididos em quatro grupos: website, publicidade interativa, vídeo e móvel. A lista completa de indicados -são quase 70 categorias- pode ser vista em www.webbyawards.com.


Na categoria mais divertida -esquisita-, os destaques vão para o FAIL Blog (www.failblog.org), que reúne fotos e vídeos de situações em que algo dá muito errado, e o Cute Overload (www.cuteoverload.com), especializado em imagens fofas de animais.


Comediante


A cerimônia deste ano será apresentada pelo ator e comediante Seth Meyers, que faz parte do elenco do humorístico ‘Saturday Night Live’.


No ano passado, alguns dos destaques da premiação foram o site da Apple (www.apple.com), que levou na categoria melhor uso de vídeo na opinião de júri e público, e o Huffington Post (www.huffingtonpost.com), considerado o melhor blog político no voto popular e no especializado.


O tradicional humorístico The Onion (www.theonion.com), que propaga notícias falsas em variados meios, também se destacou na premiação de 2008, levando dois prêmios. Neste ano, concorre em oito categorias.


Eu, eu, eu, eu, eu


O exagero no número de categorias é amenizado pela curiosa regra que permite discursos de agradecimento com, no máximo, cinco palavras.


Vencedor da categoria pessoa do ano em 2008, o ator e comediante Stephen Colbert escolheu estas: ‘Eu, eu, eu, eu, eu!’


Criada em 1996, quando a rede ainda engatinhava, a premiação é organizada pela International Academy of Digital Arts and Sciences (academia internacional de artes e ciências digitais), que tem entre seus membros Vint Cerf, considerado um dos pais da internet, e Matt Groening, o criador dos Simpsons, além de jornalistas e editores da revista ‘Wired’, do ‘New York Times’ e do ‘Los Angeles Times’.’


 


 


 


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