Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > DIA DA MULHER

Alerta para aumento de violência contra jornalistas

08/03/2007 na edição 423

No Dia Internacional da Mulher, um alerta: cresce a violência contra mulheres jornalistas em todo o mundo. ‘Mais e mais mulheres jornalistas são vítimas de assassinato, prisão, ameaças ou intimidações’, afirma a organização Repórteres Sem Fronteiras. ‘Este aumento se dá pelo fato de que cada vez mais mulheres trabalham como jornalistas, com cargos arriscados e conduzindo reportagens investigativas’.


Dos 82 jornalistas assassinados em todo o mundo em 2006, nove (11%) eram mulheres. Em 2005, esta taxa foi de 13%; em 2004, de 7,5%; e, em 2003, de 2,5%. Um dos casos mais marcantes no ano passado foi a morte da repórter Anna Politkovskaya, em Moscou. Anna criticava com freqüência as políticas do governo russo e foi encontrada no elevador do prédio onde morava.


Trabalho de risco


Ogulsapar Muradova, correspondente da Radio Free Europe no Turcomenistão, morreu na prisão, em setembro, provavelmente por causa de pancadas que recebeu na cabeça. Ela foi presa em junho após produzir reportagens críticas às autoridades e ajudar um jornalista francês a realizar um documentário no país. No Iraque, a jornalista da al-Arabiya Atwar Bahjat foi capturada e morta junto com sua equipe quando cobria uma explosão em Samarra, em fevereiro de 2006; Reem Zeid, da Sumariya TV, foi seqüestrada no mesmo mês. Não se sabe até hoje de seu paradeiro. No total, oito mulheres, incluindo seis repórteres estrangeiras, foram tomadas como reféns desde o início da guerra, em 2003.


No Líbano, a apresentadora da rede LBC May Chidiac ficou gravemente ferida em uma explosão em seu carro em setembro de 2005. Ela voltou ao trabalho após 10 meses de tratamentos e reabilitação. No Uzbequistão, a jornalista e ativista dos direitos humanos Umida Niyazova aguarda por julgamento. Ela pode vir a enfrentar pena de cinco a 10 anos de prisão por divulgar o número de vítimas do massacre de Andijan, em 2005. No total, sete jornalistas estão presas hoje: além de Umida, Munusamy Parameshawary, do Sri Lanka; Saidia Ahmed, da Eritréia, Serkalem Fassil, da Etiópia; Rabiaa Abdul Wahab, do Iraque; Agnes Uwimana Nkusi e Tatiana Mukakibibi, ambas de Ruanda.


Ativistas e blogueiras


A Repórteres Sem Fronteiras aproveitou a data para lembrar também de mulheres envolvidas na luta pela liberdade de imprensa e de expressão. Sihem Bensedrine, na Tunísia, Tadjigul Begmedova, no Turcomenistão, Rozlana Taukina, no Cazaquistão, Zhanna Litvina, em Belarus, e Sayda Kilani, na Jordânia, são algumas das mulheres que dirigem ONGs dedicadas à causa.


Não foram esquecidas da homenagem as blogueiras. ‘Há muitas delas no Irã, onde o governo reprime os movimentos feministas. Cerca de 20 foram presas recentemente em Teerã em uma manifestação pelos direitos das mulheres’, afirma a organização. Na Arábia Saudita, as autoridades bloquearam o acesso a um blog escrito por uma jovem que atende no mundo virtual por Saudi Eve. Na página, ela relata sua vida amorosa e fala abertamente sobre religião. Informações da Repórteres Sem Fronteiras [6/3/07].

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