Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS

Ana Luiza Mahlmeister

04/10/2005 na edição 349

‘A Qualcomm está estudando, em conjunto com a Vivo, a integração de sua tecnologia MediaFLO, de transmissão de conteúdo multimídia na rede da operadora, informa Paulo Breviglieri, diretor de desenvolvimento técnico, durante o evento Americas 2005, promovido pela UIT em Salvador.

A tecnologia MediaFLO, de transmissão de conteúdo multimídia, é concorrente da DVB-H e outras tecnologias de broadcast por redes móveis. Nos Estados Unidos, a Qualcomm formou uma nova empresa, a operadora MediaFLO USA para prestar esse serviço em freqüências que sobraram da TV aberta, no processo de transição para a TV digital (700 MHz). A empresa vai enviar conteúdos para dispositivos móveis, serviço já regulamentado pela FCC, com lançamento previsto para o quarto trimestre de 2006.

No Brasil, em vez de contar com rede própria, como nos EUA, a idéia é firmar uma parceria com a Vivo. Segundo Breviglieri, se as negociações forem positivas, a empresa deve implantar o MDS (Multimedia Distribution System) na rede da operadora móvel. O dispositivo funciona como um gerenciador do conteúdo distribuído e permite agregar funcionalidades como gerenciamento de assinantes, escolha de canais e programação.

Durante o evento Telecom Americas 2005, a Qualcomm também destaca novos celulares que devem chegar ao mercado até o final do ano com tecnologia EV-DO, com destaque para o modelo da Motorola A-840 WorldPhone, que integra as tecnologias CDMA e GSM em um mesmo aparelho.

A plataforma Brew de desenvolvimento de conteúdo para celulares também sofreu atualização e agora agrega jogos em terceira dimensão. Segundo o gerente de produto e negócios da Qualcomm, José Luciano do Vale, 56 operadoras utilizam a plataforma e em torno de US$ 340 milhões já foram distribuídos para os desenvolvedores, em três anos. Para difundir a tecnologia no País, a empresa estuda uma parceria com o Senac para abrir um centro de treinamento de desenvolvedores no próximo ano.’



TV DIGITAL
Tela Viva News

‘Anatel evita posição sobre conteúdos no celular e TV digital’, copyright Tela Viva News (http://www.telaviva.com.br/), 03/10/05

‘Elifas Gurgel do Amaral, presidente da Anatel, preferiu não dar opinião definitiva quando questionado sobre a necessidade de regular sinais de vídeo pelo celular. ‘Primeiro terão de ser criadas políticas setoriais para que as entidades possam atuar’. Igual posicionamento manifestou em relação à criação de um padrão brasileiro de TV digital. Amaral participou da abertura do evento UIT Telecom Americas, que acontece esta semana em Salvador.

O representante da ITU, Ivan Savatiero, informou que a entidade não recebeu nenhuma solicitação do governo brasileiro em relação à aspiração de desenvolver um padrão próprio de TV digital. Disse que isso exigirá ‘muito esforço do governo, da diplomacia e da indústria’. Acrescentou que o prazo para avaliação de um ‘quarto padrão’ de TV digital demandaria mais de um ano de estudos por parte da entidade.’



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‘Entidades protestam contra ações de Costa para TV digital’, copyright Tela Viva News (http://www.telaviva.com.br/), 03/10/05

‘Algumas associações representativas da sociedade civil, especialmente setores ligados à comunicação, estão protestando abertamente em relação ao rumo que tem sido dado ao processo de decisão da TV digital. Em carta aberta ao Congresso Nacional e ao presidente da República, as entidades ABCCOM (Associação Brasileira de Canais Comunitários), ABONG (Associação Brasileiras de ONGs), ABTU (Associação Brasileira de TVs Universitárias), CBC (Congresso Brasileiro de Cinema), Cris Brasil (Articulação Nacional pelo Direito à Comunicação) e FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), em conjunto com o movimento Quem financia a Baixaria é Contra a Cidadania querem que o governo mude os rumos da discussão. ‘Se as decisões tomadas num futuro próximo produzirão forte impacto no modo como assistimos televisão e nas formas de sociabilidade mediadas pelas tecnologias, podem também alterar o cenário de concentração dos meios, contribuir para as políticas de inclusão digital e permitir uma apropriação do público sobre o privado’, diz o manifesto. ‘O debate sobre a TV digital deve se tornar efetivamente público imediatamente’.

Espaço

As entidades reclamam de falta de espaço para o debate de questões que consideram centrais: ‘quais são as vantagens de produzir nacionalmente elementos do sistema de TV digital a ser adotado no Brasil? Por que os empresários do setor defendem a simples adoção de um ‘padrão’ já existente? Por que o governo hesita diante deste debate? Por que a sociedade não está sendo envolvida neste processo?’. De acordo com as entidades, ‘o interesse do empresariado de comunicação evidentemente não é discutir a possibilidade de outros sujeitos ocuparem novos canais em um espaço que historicamente foi monopolizado por ele. (…) As emissoras querem reproduzir com a TV digital o atual cenário de concentração e negar a possibilidade de participação de novos atores neste espaço’.

As associações signatárias da carta reclamam abertamente do ministro Hélio Costa, das Comunicações. ‘As ações do ministro revelam a nítida intenção de considerar exclusivamente os interesses dos empresários detentores das concessões públicas, fazendo da TV digital instrumento de ampliação do potencial comercial destas emissoras – e nada mais’. Dizem que o ministro desrespeita os processos em andamento em relação ao Conselho Consultivo da TV digital e em relação aos consórcios de pesquisa. ‘Para que o interesse público prevaleça, a sociedade civil deve, com urgência, se tornar protagonista dos debates que envolvem a TV digital, tanto pela valorização do Comitê Consultivo como pela introdução de mecanismos que possibilitem a participação da sociedade civil nas principais decisões relativas à digitalização da televisão brasileira’.’



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‘Nokia aposta em DVB-T para TV digital móvel’, copyright Tela Viva News (http://www.telaviva.com.br/), 03/10/05

‘A Nokia prevê que em 2006 comecem a operar as primeiras estações de TV digital móvel, usando a tecnologia DVB-T, na banda de 470 MHz a 890 MHz. A informação é do diretor de estratégias multimídia da empresa, Juha Liprainem, que participa do evento UIT Americas Telecom, esta semana, em Salvador. Ele lembra que já houve uma experiência piloto na cidade de Helsinque, Finlândia, com transmissão de 20 canais, pelos quais os usuários pagam US$ 6.

‘Cerca de 40% dos assinantes manifestaram o interesse em continuar quando o serviço entrar em operação comercialmente. Isso é muito promissor’, acrescentou.

Existem mais de 15 pilotos globais de TV digital móvel, como na África do Sul, Taiwan, Coréia, Malásia, Suécia, Inglaterra e França (Canal +).

Os dispositivos multimídia para TV móvel já são oferecidos desde 2003 pela Nokia. O primeiro foi o 7700, em 2005 o 7710 e no próximo ano será o terminal Série 60. Segundo Liprainem, a melhor largura de banda fica entre o baixo e o médio UHF, com os quais podem ser transmitidos 52 canais para o dispositivo móvel.

No entanto, o diretor da Nokia informa que em alguns países o modelo de negócios está em definição (caso do Brasil). As discussões variam de caso a caso. Por exemplo, propostas em que a entidade reguladora do espectro seja a coordenadora, e estabeleça a concessão de canal para as empresas de mídia, operadoras de broadcast ou de telefonia celular. Esses assuntos ainda estão em discusão no IPDC Fórum.

A proposta da Nokia é que as redes celulares hoje existentes sejam otimizadas e seja adotada a interface Mobile TV Solution, que exige menos investimento de infra-estrutura. ‘Com um custo de US$ 50 milhões, uma operadora poderia atender a 1 milhão de pessoas. Isso vai depender da geografia do país. Nossa estimativa é de que em 2010 haja 50 milhões de dispositivos com capacidade de ver TV digital de forma móvel’, finalizou.’



ASSESSORIA DE IMPRENSA
Vera Lúcia Rodrigues

‘O papel da assessoria de imprensa’, copyright Gazeta Mercantil in Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 3/10/05

‘Muito se fala sobre o crescimento de uma atividade empresarial denominada assessoria de imprensa. Fala-se muito sobre números, mercado, clientes, mas pouco se tem falado sobre profissionalização, senso de responsabilidade ética.

Se nos reportarmos à origem da expressão encontraremos o primeiro conflito de interesses. Semanticamente, devemos entender que a atividade teria como pressuposto um atendimento e uma assessoria ou facilidade para a imprensa, ou seja, para os jornalistas que estão do outro lado das redações, aqueles que editam e fazem as reportagens no dia-a-dia das redações. Só que o que mais esses jornalistas têm visto é uma assessoria do cliente.

É inegável que uma assessoria de imprensa bem feita, seja ligada ao governo, à iniciativa privada ou a um grupo de empresários em torno de uma entidade de classe pode gerar boas matérias para os profissionais da imprensa e, mais ainda, agregar informações de uma maneira sistematizada e organizada com vistas a facilitar um bom trabalho de apuração e cobertura por parte da mídia.

O fato é que o crescimento desse mercado não foi acompanhado por um paralelo aprofundamento dos profissionais envolvidos na área, salvo raras e honrosas exceções. O que se verifica hoje é uma necessidade cada vez maior, por parte das empresas, de formatarem a sua imagem ou até mesmo apresentarem seus novos produtos, ampliação, investimento através de um trabalho organizado de fazer chegar essas notícias às redações. De outro lado, verifica-se um número cada vez menor de profissionais que estejam consoantes com essa nova realidade.

Os jornalistas estão fartos de receber telefonemas de pessoas despreparadas em horário de fechamento, ou ainda informações fragmentadas que pouco ou quase nada têm a ver com as suas editorias respectivas. Verificam-se também textos recheados de adjetivos e qualificações mais adequados a uma agência de propaganda do que a um trabalho sistemático de uma assessoria de imprensa. E, não raras vezes, o mesmo texto que é enviado a revistas femininas é remetido ainda para revistas sobre mecânica.

Profissionais da área concluem que as mesmas pesquisas que apontam para o crescimento desse mercado indicam a necessidade de um aprofundamento maior dos profissionais envolvidos.

Formação em jornalismo, cursos profissionalizantes, workshops, leitura, participação em feiras, congressos e, mais do que tudo, respeito aos jornalistas e às características específicas dos seus veículos de atuação são ingredientes indispensáveis para o bom desempenho da função.

Da mesma forma que uma cirurgia não pode ser realizada por um historiador, assessoria de imprensa é tarefa de ofício de jornalismo. Os clientes estarão bem atendidos com o respeito que a sua assessoria de imprensa suscitar nos jornalistas envolvidos. Respeito esse que só poderá ser obtido através de uma postura ética e responsável perante os veículos onde for oportuna a publicação das notícias dos seus clientes. Uma assessoria de imprensa só pode ser considerada eficaz e gerar bons resultados se levar em conta a equação cliente x jornalista, sabendo se posicionar e levando informações que possam atender à formação da imagem do seu cliente, mas, antes de tudo, ter pertinência e atender ao interesse das pautas dos jornalistas.

Resolver essa questão requer prática, conhecimento e, acima disso, inteligência. Com esses requisitos acredito que qualquer assessoria de imprensa possa equacionar a questão inicial desse artigo: ser uma assessoria de imprensa e do cliente, fazendo com que os interesses de um possam ajudar a atender às necessidades do outro. (*) Diretora da Vervi Assessoria e Comunicações’



PUBLICIDADE
Carlos Franco

‘Uma acirrada e ensaboada disputa pelos consumidores’, copyright O Estado de S. Paulo, 02/10/05

‘O consumidor brasileiro gasta cerca de R$ 2 bilhões por ano com sabão em pó, o que significa um mercado de 400 mil toneladas do produto. É um segmento disputado, palmo a palmo, por duas grandes multinacionais: a Unilever, dona das marcas Omo, Brilhante, Minerva, Surf e o popular Ala – vendido no Nordeste -, e a Procter & Gamble, com Ariel, Ace, Bold e Pop Poder ODD, também do segmento popular.

A Unilever é dona de uma fatia de 70,8% e a Procter & Gamble, de 13,6%, segundo dados de agosto do Instituto AC Nielsen (os últimos divulgados). As duas empresas enfrentam, agora, fabricantes nacionais que decidiram apostar mais forte na categoria, que surgiu no País em 1953, com o lançamento de Rinso, da Lever, que virou OMO nos anos 60.

A Assolan, por exemplo, acaba de lançar a marca Assim; a Bombril – empresa que no passado vendeu Quanto (que virou Bold), ODD Fases e Pop para a Procter & Gamble – lançou a marca Pronto; e a Química Amparo, a marca Tixan Ypê. A Amparo hoje é a terceira maior desse mercado, com uma fatia de 5,7%. Pronto, da Bombril, quer conquistar ainda este ano 10% do mercado do Nordeste. Os planos da Assolan são mais fortes e o investimento, pesado.

A diferença é que, desta vez, a disputa pela preferência do consumidor está menos agressiva. Não se vêem as brigas que existiam, por exemplo, quando do lançamento de Ariel, em 1988, ou nos anos 80, entre o Quanto da Bombril e o próprio Omo, numa sucessão de testes de quem lavava mais branco. A grande novidade este ano são os bebês ensaboados de Assim, que trocaram a lã de aço Assolan da cabeça por bolhas de sabão.

A Assolan, que investiu R$ 25 milhões numa fábrica para lançar Assim, vai gastar outros R$ 25 milhões até dezembro, numa campanha que começou a ser veiculada no mês passado, com o intuito de ver esgotar nas gôndolas sua capacidade mensal de produção, de 6 mil toneladas.

O publicitário Nizan Guanaes, da agência Africa, está convencido de que os bebês vão conquistar as consumidoras, tanto que manteve a música que os embalava com novos produtos e trouxe de volta, na última semana, o mascote da Assolan – a embalagem movimentada – para fixar a lã de aço, com a música do cantor Latino Festa no apê. Os bebês ficam, agora, com Assim, a grande cartada da empresa este ano, num mercado promissor e em fase de crescimento.

Já a Bombril centra todas as suas ações no Nordeste, com preço e material de ponto-de-venda, para oferecer o Pronto. Ypê, por sua vez, tenta colar o jingle que fez sucesso para vender detergentes líquidos no sabão em pó, que Suzana Vieira promete fazer maravilhas.

Esse movimento das empresas brasileiras não chega a abalar nem a Unilever nem a Procter & Gamble que, no momento, dá força a embalagens do produto em plástico, o que também deverá ter efeito no preço. Mais: Ariel, que chegou ao mercado verde, tal qual é vendido nos Estados Unidos, onde é líder absoluto, ganhou partículas azuis e foi azulando, para atender a exigência dos brasileiros, que vinculam o produto à antiga e alvejante pedra anil.

A Unilever, diz Fábio Prado, diretor da área de Higiene e Limpeza no Brasil, está posicionando com consistência suas marcas, nesse momento que ele traduz como de grande competição. A empresa investiu R$ 30 milhões em promoção capitaneada pelo jogador Ronaldinho Gaúcho, que distribuiu, a partir de março, exclusivamente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná, as Omoballs, uma série exclusiva de bolas autografadas pelo jogador.

Nesse fim de ano, adianta, a Unilever continuará reforçando o conceito de ‘que se sujar faz bem’, que marca a comunicação de OMO, que tem uma fatia de 40% das vendas, em valor. Já o sabão em pó Minerva, diz Prado, está se situando num segmento de cuidados especiais com a roupa, com perfumes e amaciantes. Por sua vez, Brilhante, que começou como sabão em pedra, e em março de 1997 ganhou versão em pó, tem hoje uma fatia de 12,5%. ‘É um produto intermediário entre o OMO e a nossa marca mais popular, o Surf, que hoje tem 8,8% do mercado’. A outra marca é o Ala, com fatia de 2,6%, e que é vendido no Nordeste, onde tem fatia de 20%.

Nizan Guanaes promete continuar explorando o lúdico e acha que o momento do mercado não é de guerra. ‘A Assolan é antiguerra. Para nós isso é desperdício de tempo e de dinheiro.’ Quanto ao nome Assim, que lembra o slogan de Ace, da Procter & Gamble (‘Ace todo branco fosse assim’), Guanaes rebate: ‘Se fosse para eu copiar o slogan de alguém seria para copiar o do líder. E não do segundo lugar.’’

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