Segunda-feira, 28 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 27/5

Ancelmo Gois terá programa na TV Brasil

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 27/05/2008 na edição 487


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Comunique-se


Terça-feira, 27 de maio de 2008


TV PÚBLICA
Marcelo Tavela


Ancelmo Gois terá programa na TV Brasil


‘A TV Brasil prepara para julho um pacote de atrações, incluindo uma renovação no Observatório da Imprensa. Entre as estréias está ‘De lá para cá’, programa de história contemporânea conduzido por Ancelmo Gois, colunista de O Globo.


‘O nome original era Estação Lapa, porque o programa terá uma linguagem de papo de botequim. Você terá um tema – por exemplo, Copa de 1958 – e mostrará como isso afetou a sociedade até hoje. Algo bem informal, do jeito que eu sei fazer’, disse Ancelmo, que já participa do Comentário Geral na emissora.


O jornalista ressaltou que muita coisa ainda tem que ser definida. ‘Vocês têm que rezar por mim’, frisou. Questionado sobre que tempo arranjará para fazer o programa em sua atribulada rotina, repetiu: ‘Pois é. Vocês têm que rezar por mim’.


Correspondentes e rádios


Além de novos programas, a TV Brasil se prepara para ter correspondentes internacionais em Buenos Aires e Washington. A idéia é contratar algum jornalista brasileiro já residente nas cidades. Eles se juntarão a Carlos Alberto Júnior, que após aclimatação em Luanda, está em Brasília para concluir o treinamento e iniciar o trabalho em Angola, e outros países africanos.


Para as rádios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), algo que tem sido discutido para praças que têm mais de uma emissora – ou seja, Brasília e Rio, com três cada uma – é uma divisão em uma rádio jornalística, outra de música clássica e uma terceira para música contemporânea e variedade. A discriminação respeitará a tradição de cada emissora, levando em conta que algumas delas funcionam há mais de 50 anos.


Parte da diretoria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) esteve reunida em café da manhã comemorando os dez anos do Observatório da Imprensa na TV. O programa de terça-feira (27/05) abordará a revisão de 1968 nos livros e jornais lançados no último mês.’


 


 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 27 de maio de 2008


INFLAÇÃO
Clóvis Rossi


As curvas e o futuro


‘MADRI – Tempos atrás, cruzei em um evento com Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos (poucos) economistas com que dá prazer conversar. Primeiro, porque é didático ao falar; segundo, porque não tem alinhamentos automáticos e, terceiro, por ser palmeirense.


Belluzzo pôs em perspectiva os méritos do Plano Real na derrota da inflação ao lembrar que o dragão fora abatido no mundo inteiro. O Brasil, portanto, apenas surfara na onda.


Lembrei-me dessa conversa ao ver a capa desta semana da revista ‘The Economist’: ‘A inflação está de volta’. Pior: o Brasil também surfa nessa nova onda, embora em condições bem menos perigosas do que, por exemplo, a Argentina, líder na tabelinha que acompanha o texto, com os seus 23% de inflação (não assumidos oficialmente).


Lembrei-me também do jornalista Getúlio Bittencourt, que, em seus tempos de secretário de imprensa do governo José Sarney, andava para cima e para baixo com duas curvas na cabeça, a da inflação e a da popularidade do presidente. Sempre que a inflação subia, a curva da popularidade presidencial apontava para baixo (bem para baixo), e vice-versa.


Luiz Inácio Lula da Silva pode não ter trabalhado com Getúlio, mas também tem na cabeça as duas curvas. Sabe que, no curto período em que o congelamento do Plano Cruzado derrubou a zero a inflação, a popularidade de Sarney chegou a um pico até hoje inigualado.


Por extensão, sabe igualmente que, se a inflação subir menos comportadamente do que até agora, a sua própria curva de popularidade mudará de sentido. Portanto, tudo o que se fizer na política econômica doravante terá como eixo central essas duas curvas.


PS – A viagem a Madri é para seminário, a convite da Fundação Carolina, majoritariamente do governo espanhol, e da Fundação Novo Jornalismo Iberoamericano.’


 


1968
Marcos Nobre


Brasil, 1968


‘A PIOR SAUDADE é daquilo que não se viveu. O saudosismo de 68 no Brasil tem muito do que ficou só na promessa.


A ditadura militar amputou um movimento que poderia ter sido muito mais do que foi. Produziu ainda um outro efeito limitador, talvez mais importante: separou o 68 brasileiro em duas metades, uma política, outra cultural.


As imagens mais poderosas do 68 norte-americano ou francês mostram uma revolução que não separava política e cultura, que pensava a encenação pública das transformações do cotidiano como a nova política. Foi essa união que não se completou no Brasil.


Nossa parca tradição democrática e a repressão ditatorial empurraram para uma concepção estreita de ação política, em boa medida calcada na experiência dos partidos de esquerda tradicionais. E foi essa metade política limitada que dominou o 68 brasileiro, enquadrando sua metade cultural.


No Festival Internacional da Canção de 1968, Caetano Veloso defendeu, com ‘Os Mutantes’, a música ‘É Proibido Proibir’, slogan do 68 francês. Foi recebido com ovos, tomates e vaias. Sua resposta foi um longo discurso em que disse: ‘Se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos’.


Disse ainda: ‘Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música, que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado’. Foi certeiro. Quem no auditório sobreviveu à ditadura ou não estava no exílio curtiu como nunca antes o seu disco ‘Qualquer Coisa’, de 1975.


Isso porque, a partir de 1974, o general de plantão adotou uma estratégia de descompressão seletiva e gradual. A idéia parecia ser a de liberar a circulação de alguns bens culturais com muito maior velocidade do que fazer a ‘abertura política’. A censura continuava, mas o diminuto público universitário podia ler Marx e ouvir Caetano.


Foi nesse novo quadro ainda restritivo que a metade cultural de 68 surgiu sem estar mais subordinada à política. Mas também sem manter com a política aquela união prometida em 68.


Quando a esfera pública brasileira voltou às ruas, a partir de 1977, havia já novidades importantes nas formas de organização política do movimento pela redemocratização. É possível mesmo que a metade política estivesse mais bem preparada para lidar com sua metade cultural de uma maneira que não a da subordinação. Mas a metade cultural já tinha tomado rumos próprios.


O período que vai de 1977 a 1985 trouxe a sensação de que algo ia se completar, que iam finalmente se juntar as duas metades separadas em 1968. Mas o país e o mundo já eram outros.’


 


Scarlett Marton


Tentativas de apagar Maio de 68


‘NUM DE seus últimos comícios em abril de 2007, o então candidato à Presidência da República Nicolas Sarkozy exortou os franceses a liqüidar a herança de Maio de 68. A frase não se deveu apenas a mais um rompante do político nem sempre feliz em suas declarações; ela veio dar nome a um movimento que há algum tempo se mantém ativo.


Porque, quando se trata de 1968, se tornou lugar-comum falar em liberação sexual. Visto como um conflito de gerações, se ele deixou alguma herança, teria sido a prática de uma educação laxista, que pôs em risco os valores basilares da sociedade.


O fato é que não se pode dissociar os movimentos de 1968 do contexto histórico em que ocorreram. Se de forma aparentemente concertada eclodiram nos mais diferentes pontos do planeta, assumiram por certo colorações locais.


No Brasil, 1968 esteve marcado pela luta contra a ditadura militar; nos EUA, veio reforçar os protestos contra a Guerra do Vietnã; na França, seguiu-se às revoltas dos camponeses, que haviam incendiado várias regiões do país. Descontextualizar os movimentos de 1968 é o primeiro passo para conferir a eles outro sentido -e assim reescrever a história.


Em que pese a aparente contradição dos termos, estamos em meio a uma revolução conservadora dotada de uma radicalidade muito maior do que a revolução com que então se sonhou. É nesse contexto que se situam as apropriações ideológicas do maio francês; procurando ‘liqüidar a sua herança’, elas visam sobretudo a desprovê-lo de seu conteúdo revolucionário.


Que se tome ‘Amantes Constantes’, de Philippe Garrel. O filme começa com uma cena das barricadas em Paris, em que o protagonista lança um paralelepípedo e logo aparece vestido com trajes do século 18. Ao associar de modo sub-reptício Maio de 68 e a Revolução Francesa, induz o espectador a ver o acontecimento, na melhor das hipóteses, como mais um feito da burguesia. Tanto é que, passados os primeiros minutos, explora as relações amorosas dos personagens, na trilha da invenção burguesa da vida interior.


Também ‘Os Sonhadores’, de Bertolucci, se inicia com uma cena de protesto em 1968, pretexto para que os três personagens centrais se encontrem. A partir daí, o filme narra as vivências que têm o irmão e a irmã, com o novo amigo, enclausurados num grande apartamento. Quando por fim uma pedra estilhaça o vidro da janela, eles saem do confinamento e se juntam a uma passeata. Nem por isso são levados a passar da esfera privada para a pública, pois a rua pode bem ser o prolongamento da casa.


Apropriações ideológicas igualmente se verificam em boa parte das publicações mais recentes. Caso típico é o livro de André Glucksmann e seu filho Raphael, recém-lançado na França e já traduzido no Brasil. Com Maio de 68 explicado a Nicolas Sarkozy, Glucksmann sai mais uma vez em defesa do establishment.


Se em 1968 fizera parte de um grupo maoísta, entre 1975 e 1977 se apresenta com Bernard-Henri Lévy sob a etiqueta de ‘novos filósofos’.


Visto com bons olhos pelo governo de Giscard d’Estaing, procura assegurar um bom lugar na cena parisiense. Desde então, segue a sua carreira bem-sucedida de autor mediático.


A profusão de depoimentos sobre o maio francês nem sempre caminha a seu favor. Enfatizando seu caráter espetacular, acaba em geral por esvaziá-lo. Aqui se aplica bem um dos slogans que, inspirado nas idéias de Guy Debord, então se estampavam nos muros do teatro do Odéon em Paris: ‘Não nos demoremos no espetáculo da contestação, mas passemos à contestação do espetáculo’. Comemorar o acontecimento pode bem contribuir para converter a memória coletiva em instrumento de domesticação.


Maio de 68 não se situa, por certo, nos parâmetros das revoluções do século 20, como a russa ou a cubana. Pois, à diferença delas, seus participantes não pretenderam tomar o poder, mas quiseram contestá-lo.


Os estudantes que em Paris então desceram às ruas se posicionaram contra as estruturas universitárias e a disciplina acadêmica, os mandarins da cultura e o dogmatismo reinante.


Bem mais: puseram em xeque a autoridade em geral, desde a figura do catedrático, passando pela do policial, até a de um dirigente político, como De Gaulle.


Uns vêem Maio de 68 como uma revolução política; outros como uma revolução cultural. Prefiro acompanhar Michel Serres, que o entende como a irrupção de uma radical transformação antropológica. Pois, então, inventou-se uma nova visão de mundo, uma nova concepção do homem e da sociedade. Se não vingou, nem por isso deixou de existir.


SCARLETT MARTON , mestre em filosofia pela Universidade de Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), doutora em filosofia pela USP, é professora titular de filosofia contemporânea da USP. É autora, entre outras obras, de ‘A Irrecusável Busca de Sentido – Autobiografia Intelectual’.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Da euforia ao pânico


‘Em longa entrevista à Agência Brasil, o presidente do Banco Central questionou os ‘analistas’, antes ‘eufóricos’ e agora em ‘pânico’, e avisou que vai mirar o centro da meta de inflação, na decisão sobre a alta nos juros. Ganhou os louvores do blog de Míriam Leitão e os ataques do blog de José Dirceu.


Escrevendo sobre a inflação dos Brics, a ‘Economist’ aconselha que evitem o erro dos países ricos nos anos 70, de manter uma política monetária ‘frouxa’. Mas é precisamente o que Ma Hongman, do canal de notícias de Xangai, defendeu no ‘China Daily’. Argumenta que elevar juros para combater inflação que vem de fora, do petróleo, vem se mostrando ineficaz.


A MOEDA COMUM


O ‘Café com o Presidente’ levou a união sul-americana de volta à cobertura, agora pelas agências financeiras. Thomson Financial e Bloomberg noticiaram que a América do Sul estuda criar ‘uma moeda e um banco central comuns, na linha da zona do euro da União Européia’. Mas que a Colômbia, ‘maior aliado dos EUA’, resiste à Unasul.


LULA VAI A URIBE


Sobre o ‘Café’, a Reuters deu que Lula ‘vai à Colômbia promover o Conselho de Defesa’. Da cúpula em Brasília, dias atrás, o ‘El Tiempo’ ressaltou que o colombiano Alvaro Uribe ‘rechaça’ o conselho, mas o concorrente ‘El Espectador’ destacou que, ‘apesar de não assinar, a presidência esclarece que não se opôs a manter estudos da questão’.


SEM FOCO?


A revista trimestral da Americas Society, entidade de política externa dos EUA voltada à América Latina, leva por título ‘Subindo’ e avalia as ‘inovações’ em ‘mobilidade social’. Em suma, questiona Bolsa Família e outros programas ‘focalistas’ e defende um retorno à abordagem ‘universalista’.


Do outro lado, o ‘Financial Times’ deu elogiosa reportagem do Opportunity NYC, ‘programa de transferência de renda’ no Brooklyn. Com foco.


ANO DA MUDANÇA


Chad Hurley, fundador do YouTube, deu entrevista em vídeo ao ‘FT’ e saudou ‘o que está acontecendo na eleição americana’ como um ‘turning point’ na influência dos vídeos na política. Mas ‘as redes de TV’, diz ele, vão sobreviver


TV CIDADÃ


O YouTube lançou na semana passada o Citizen News, seu canal para os ‘repórteres cidadãos’ que ‘estão aí mudando o mundo do jornalismo, ao redor do mundo’. Vem na cola do recém-criado I-Report, site da CNN em tudo semelhante às páginas do YouTube, e dos congêneres You Witness News (Yahoo e Reuters), Your News (BBC), Newsvine (NBC) etc.


ESCLARECIMENTO


Deu na Folha Online, na coluna Zapping, e ecoou por Blue Bus e sites de mídia que a Pantanal estuda notificar o jornalismo da Globo, ‘pedindo esclarecimento sobre a notícia de que um avião da empresa havia caído em São Paulo’. É aquela história que avançou por CNN e várias centenas de sites ao redor do mundo. ‘A Globo’, segundo os sites, ‘só vai se manifestar se for mesmo notificada’.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo recua e grava beijo gay de ‘Duas Caras’


‘A TV Globo recuou da decisão de nem sequer gravar uma cena em que dois homens se beijariam no último capítulo de ‘Duas Caras’. Ontem de manhã, a produção da novela foi informada de que a emissora decidiu gravar a cena.


Apesar do recuo, ainda é incerto se Globo exibirá o beijo entre Bernardinho (Thiago Mendonça) e Carlão (Lugui Palhares). A emissora argumenta que seus princípios de qualidade não prevêem beijos e carícias entre homossexuais.


Pelo texto original de Aguinaldo Silva, o beijo ocorreria após Carlão e Bernardinho assinarem contrato de união civil, em um cartório.


Segundo o roteiro, após declará-los casados, um escrevente preconceituoso diz, irônico: ‘Que se beijem os noivos!’. Bernardinho festeja: ‘Eu não ia abrir mão dessa parte, nem morto!’. Juvenal Antena (Antônio Fagundes) grita: ‘Claro que não! Casou tem que beijar!’. Aguinaldo Silva assim finaliza a cena: ‘E os convidados todos embarcam no coro: ‘Beija, beija…’ E então Bernardinho e Carlão se aproximam e se beijam sob os aplausos de todos’.


O diretor Wolf Maya pretende gravar a cena de uma maneira que ela possa ser mostrada. O material só irá ao ar se for aprovado pela cúpula da Globo.


Tanto a direção da Globo quanto o próprio Aguinaldo Silva têm sido pressionados, principalmente pela Igreja Católica, a não mostrarem o beijo.


PAQUERA 1 A Record está de olho em Marília Gabriela. Quer a atriz e apresentadora em suas novelas e à frente de um programa de entrevistas em seu canal internacional. O programa seria voltado para o público português.


PAQUERA 2 Com contrato na Globo e Globosat (GNT), Gabi ameniza. ‘Não está havendo nenhuma negociação. Fiquei de conversar com eles [Record] quando voltar de viagem’, conta.


FERNANDO, O BELO Autor de ‘Betty, a Feia’, o colombiano Fernando Gaitán será homenageado, juntamente com Janete Clair, na abertura do 9º Fórum Brasil, feira de programação de TV que ocorre em São Paulo de 3 a 6 de junho. Ele falará sobre ‘a América Latina no mercado global’.


DIGITAL A Globo marcou para 16 de junho a estréia oficial de seu sinal digital no Rio de Janeiro. O Rio será a terceira capital, depois de São Paulo e Belo Horizonte, a ter a nova tecnologia.


MUTAÇÃO A Record vai exibir o último capítulo de ‘Caminhos do Coração’ na próxima segunda, bem no horário do primeiro episódio de ‘A Favorita’. Executivos da emissora sonham que podem vencer a Globo.


JORNALISMO PÚBLICO O ‘Jornal da Cultura’ publicou nota curta, na terça passada, registrando a aprovação da guarda compartilhada de filhos. Mas, como o fato ocorreu duas horas antes da exibição do telejornal, a emissora diz que optou por dar reportagem e manchete apenas na quarta.’


 


Bruna Bittencourt


‘Journeyman’ explora viagem no tempo


‘Tema freqüentemente visitado pelo cinema, a viagem no tempo é mote para a série ‘Journeyman’, que estréia amanhã na Fox.


Kevin McKidd, o Lucius Vorenus da série ‘Roma’, interpreta Dan Vasser, repórter de um jornal e pai de família de San Francisco que começa a visitar outras épocas.


Em suas viagens, ele irá se deparar com terremotos, investigará seqüestros e até reunirá casais, ajudando pessoas em décadas passadas.


Mas, como é esperado numa trama em que um personagem interfere em vivências já consolidadas, as boas intenções de Dan não o impedem de cometer gafes: em uma de suas andanças pela década de 80, o repórter esquece a sua máquina fotográfica digital, alterando a linha do tempo.


As viagens levarão ainda Dan a reencontrar uma antiga noiva, o que complicará sua relação com a mulher no presente. E é quando retorna ao tempo atual que ele tem de lidar com a bagunça que vira sua vida durante suas ausências.


Autor de ‘A Máquina do Tempo’, livro que no ano de 1895 já explorava o conceito da viagem no tempo, o romancista inglês H.G. Wells, um dos pioneiros da ficção científica, é citado na série -a escola que o filho de Dan freqüenta leva o seu nome.


JOURNEYMAN


Quando: estréia amanhã, às 21h


Onde: na Fox’


 


CINEMA
Lucas Neves


Atriz fez animação de festa infantil como Emília


‘Anos antes de ter o nome anunciado por Sean Penn no Palácio dos Festivais, anteontem, a melhor atriz de Cannes-2008, Sandra Corveloni, 43, se fantasiou de Emília, a boneca espevitada do ‘Sítio do Picapau Amarelo’, em festas infantis. ‘Quando a criançada cortou minha peruca, falei ‘chega!’, lembra, em conversa com a Folha, num café da Vila Mariana (zona sul de São Paulo), ontem.


Corintiana como sua Cleuza em ‘Linha de Passe’, ela conta que se inspirou em sua mãe para compor a doméstica que, grávida, batalha para criar os quatro filhos na periferia paulistana. Formada nos palcos (com o grupo Tapa), diz que só estranhou o tom da interpretação cinematográfica nos dois primeiros dias de filmagens, por ser ‘naturalmente um pouco exagerada’.


Vez por outra, deixa escapar certo desgaste pelo assédio midiático repentino. ‘Não dá para fazer uma coletiva, não? Estou me sentindo como o papagaio da Ana Maria Braga’, diz à assessora. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.


FOLHA – Conseguiu dormir de domingo para segunda?


SANDRA CORVELONI – Estou exausta. Não consigo nem trocar de roupa; o telefone não pára de tocar. Até meu filho [Orlando, 6] está atendendo. Na Globo, você vai e não sai mais de lá de dentro, porque emendam uma coisa na outra.


FOLHA – O que mudou nas primeiras 24 horas após o anúncio do prêmio? Já recebeu convites de trabalho?


CORVELONI – Ainda não. Até agora, dei muitas entrevistas; é como se estivesse fazendo uma retrospectiva do que aconteceu nos ensaios e nas filmagens. Eu estou revivendo esses momentos e falando muitíssimo. Ainda estou processando a idéia.


FOLHA – O que acha que chamou a atenção do júri para sua atuação, já que se trata de um filme sem protagonista evidente?


CORVELONI – A grande protagonista do filme é a família. São cinco histórias, cinco veias. A Cleuza não é protagonista, mas é a única mulher, a mãe. Como disse o Walter Salles, ela é a coluna moral para onde os filhos sempre voltam, é a referência deles neste mundo maluco. É mãe e pai desses meninos, trabalha fora e tem que dar conta ainda de sua vida social. É cativante, é uma mulher forte.


Apesar das diferenças sociais, da distância do trabalho, do trânsito e da violência, a Cleuza tem muita alegria de viver, é muito intensa.


FOLHA – Por ter formação e carreira no teatro, sentiu alguma dificuldade em encontrar o tom correto da interpretação para cinema?


CORVELONI – Nos espetáculos com o Grupo Tapa, a gente trabalha muito o realismo e o naturalismo. Por isso, já temos um pouco o tom intimista, a atenção às palavras, aos pequenos gestos, aos olhares. Para o filme, o trabalho com a [preparadora de elenco] Fátima [Toledo] foi muito físico, ‘olha o que está acontecendo, não viaja’. A gente construiu a relação dessa família. Como eu sou um pouco exagerada por natureza, nos primeiros dias, eu ouvia ‘menos, Sandra, menos’. Fiquei observando as cenas dos meninos e entrando no clima. Não senti tanta diferença.


FOLHA – Há alguma Cleuza em sua vida, alguém que tenha servido de inspiração?


CORVELONI – Tem muitas Cleuzas na minha vida. Nasci em Flórida Paulista, no interior de São Paulo, e vim para São Paulo com cinco anos. Meu pai era agricultor e se cansou da vida por lá. Foi muito difícil no começo. Ele trabalhava numa gráfica, e minha mãe era costureira e, depois, diarista. Ela é uma pessoa muito guerreira, uma grande inspiração.


FOLHA – Da última vez que uma atriz brasileira foi premiada em um dos três grandes festivais de cinema [Fernanda Montenegro, por ‘Central do Brasil’, em Berlim-1998], veio uma indicação ao Oscar alguns meses depois. Repetirá a história?


CORVELONI – Depois do prêmio, acho que pode acontecer qualquer coisa. Mas não quero ficar viajando muito em cima disso, não, sabe? Sou taurina, muito cabeça-dura e muito pé-no-chão. Não gostaria de ficar, como diria a minha avó, ‘contando com o ovo ainda na galinha’.


FOLHA – Com que cineastas gostaria de trabalhar daqui para frente?


CORVELONI – Como aconteceu no ‘Linha de Passe’, é tudo uma questão de oportunidade e adequação com o que os diretores querem. Não é tão simples, não está cheio de papéis para mulheres de 40 e poucos anos.


FOLHA – No meio desse turbilhão, o teatro não vai ficar de lado?


CORVELONI – Não, de jeito nenhum. Tenho muitos projetos com o Tapa. Estamos fazendo uma pesquisa grande sobre [o dramaturgo italiano Luigi] Pirandello. Eu acabei de co-dirigir ‘Amargo Siciliano’, que estreou há pouco e precisa de aperfeiçoamentos.


FOLHA – Antes da estréia profissional nos palcos, com ‘Beckett in White’ (92), qual era sua relação com o teatro?


CORVELONI – Fazia teatro-empresa, em que tentava falar sobre segurança no trabalho e os caras não desligavam as máquinas. Quando fazia escola de teatro, inventei de fazer animação de festa infantil. Meu pai do céu, que loucura que era.


Um dia, estava de Emília do ‘Sítio’ e a criançada cortou minha peruca. Aí, falei ‘chega!’. Também participei de um grupo de serenata; nossa, levei muita porta na cara e balde d’água na cabeça.’


 


José Geraldo Couto


Cineasta Sydney Pollack morre aos 73, de câncer


‘Morreu ontem em sua casa em Los Angeles, aos 73 anos, o cineasta, ator e produtor Sydney Pollack, um dos mais importantes do cinema americano nas últimas décadas. De acordo com sua família, a causa da morte foi câncer.


Ganhador do Oscar de direção em 1985 por ‘Entre Dois Amores’, foi indicado para o prêmio também por seu trabalho em ‘A Noite dos Desesperados’ (1969) e ‘Tootsie’ (1982).


Nascido em 1º de julho de 1934 em Lafayette, Indiana, Pollack se mudou para Nova York aos 17 anos, com a intenção de ser ator. Estudou teatro no Neighborhood Playhouse e em seguida tornou-se professor na mesma escola.


Na televisão e no cinema, começou como instrutor de atores mirins e juvenis, mas logo passou à direção, tendo assinado episódios de séries televisivas de sucesso, como ‘Ben Casey’, ‘O Fugitivo’ e ‘O Homem Alto’, na primeira metade dos anos 60.


Estreou na direção de longas-metragens em 1965, com ‘Uma Vida em Suspense’, mas conseguiu chamar a atenção da crítica com seu filme seguinte, ‘Esta Mulher É Proibida’ (1966), estrelado por Natalie Wood e Robert Redford.


Realizou seus filmes de maior empenho político e estético no final dos anos 60 e início dos 70: ‘A Noite dos Desesperados’, ‘Nosso Amor de Ontem’, conciliando sucesso de crítica e de público.


Depois disso, acomodou-se um pouco às fórmulas do cinema de gênero, conseguindo às vezes resultados notáveis, como na comédia ‘Tootsie’ e no drama ‘Entre Dois Amores’, baseado em romance de Isak Dinesen.


Durante toda a sua carreira de diretor, não deixou de trabalhar ocasionalmente como ator, às vezes sob a batuta de grandes cineastas, como Woody Allen (em ‘Maridos e Esposas’) e Stanley Kubrick (‘De Olhos Bem Fechados’).


Sua última aparição como ator ocorreu no ano passado, no filme ‘Conduta de Risco’ (‘Michael Clayton’), de Tony Gilroy, do qual foi também produtor. Os últimos longas que dirigiu foram ‘A Intérprete’, com Nicole Kidman, e o documentário ‘Sketches of Frank Gehry’, ambos de 2005.


Nos últimos anos, Pollack atuou intensamente como produtor de filmes independentes. Em parceria com Anthony Minghella (de ‘O Paciente Inglês’, morto em março deste ano), dirigia a produtora Mirage Enterprises, responsável, entre outros, pelo longa ‘Cold Mountain’, de Minghella.


Em grande parte graças à sua origem teatral e a seu exercício constante do ofício de ator, Pollack foi um bem-sucedido diretor de atores. Sob seu comando brilharam astros como Burt Lancaster, Jane Fonda, Al Pacino, Meryl Streep, Dustin Hoffman, Robert Redford e Barbra Streisand. Alguns ganharam Oscars atuando em seus filmes.


Ao lado de cineastas como Mike Nichols e Barry Levinson, Pollack ajudou a revalorizar o trabalho do ator e a renovar o ‘star system’ hollywoodiano num contexto em que os astros não estavam mais submetidos por longos contratos aos estúdios cinematográficos.


Com agências internacionais’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 27 de maio de 2008


ENTREVISTA
Ricardo Brandt


Ministra assume ser ‘mãe do PAC’


‘A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, assumiu ontem o título de ‘mãe’ do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e cobrou dos ministros, governadores e prefeitos que sejam ‘os tios, primos e avós’ para que ele efetivamente funcione e cumpra seu papel de acabar com ‘os gargalos existentes no País no setor de infra-estrutura’.


Em uma entrevista de 35 minutos no Programa do Jô, que iria ao ar na madrugada de hoje, exaltou realizações do governo Lula, voltou a negar que tenha sido autora do dossiê contra tucanos, comentou a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e lembrou momentos de sua militância política durante a ditadura militar.


Depois de falar sobre o casamento da filha, Dilma foi questionada, logo no início do programa, se o nascimento de seu segundo ‘filho’, o PAC, não havia gerado ciúmes dentro do governo. ‘Em que pese eu ser uma mãe cuidadosa, o PAC tem uma família grande, tios, primos, primas, avós, e todos muito zelosos. Quem são eles? São os ministros, mas também são os governadores e os prefeitos’, respondeu a ministra.


Questionada pelo apresentador se nessa família não havia tios rebeldes, ela voltou a cobrar a responsabilidade dos colegas de Planalto. ‘É impossível executar um projeto nessas dimensões sem a grande cooperação dos ministros. Quem executa são eles.’


Com um discurso afiado, a ministra citou o programa de instalação de banda larga nas escolas, o crescimento da Petrobrás e outras conquistas que atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Sobre a saída de Marina Silva do governo, tendo o PAC como um dos motivadores, Dilma disse que a colega tinha prestado um serviço importante para o País. ‘Ela deixou o governo, mas vai desempenhar um papel importante no Senado’, disse.


Dilma voltou a negar que a Casa Civil tenha montado o dossiê sobre os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso para rebater as críticas da oposição aos gastos com cartões corporativos no governo Lula.


A ministra afirmou que a elaboração do levantamento atendeu a um pedido feito em 2005 pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) sobre gastos de dois ministros, de 1995 a 2002. ‘Naquela época falamos para ele que estávamos fazendo o banco de dados e fizemos isso para passar ao Tribunal de Contas’, explicou.


‘Nunca aceitamos e não aceitaremos que fizemos um dossiê, fizemos um banco de dados. Se tiraram informações desse banco de dados, é outra questão’, afirmou.


A ministra, que chegou aos estúdios da Rede Globo com um atraso de duas horas, foi aplaudida quando o programa reproduziu o depoimento no Senado em que ela rebateu o senador José Agripino Maia (DEM-RN), dizendo que, na ditadura, ‘quem tem coragem fala mentira’.


Alterando questões políticas atuais com relatos da vida pessoal, a ministra lembrou que parou de fumar há 29 anos e que cozinhou com Carlos Lamarca, negou ter participado do roubo ao cofre de Adhemar de Barros e enalteceu a figura de Leonel Brizola.’


 


WEB
Jamil Chade


Cresce disputa por nomes na internet


‘Nunca a internet gerou tantas disputas legais como agora. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que, no ano passado, 2.156 casos foram levados aos tribunais internacionais por causa de conflitos entre proprietários de endereços na web. Em 1999, apenas um caso desses havia chegado aos tribunais. Desde então, o Brasil, por exemplo, já entrou na Justiça com 102 casos, o que torna o País o 15º maior entre as vítimas de abusos de endereços na internet.


O registro de endereços na internet foi criado como uma espécie de registro de todos os sites do mundo. Mas, com a web se transformando em um gigantesco veículo de comunicações, personalidades, empresas, países e até times de futebol se deram conta de que seus nomes estavam sendo registrados sem sua autorização. Quando uma dessas pessoas ou entidade tentava criar um site, se deparava com seu nome já registrado, sendo obrigado a comprá-lo.


Em Genebra, porém, um tribunal foi estabelecido em 1999 para lidar com esses casos de abusos. Em menos de dez anos, as disputas pela marca na Internet explodiram.


O tribunal, que foi instalado na Organização Mundial de Propriedade Intelectual, teve uma alta nos casos de 18% entre 2006 e 2007. Em relação a 2005, a alta foi de 48%.


RESGATE


A maioria dos casos são de pessoas que registram nomes de personalidades e de empresas e depois pedem um ‘resgate’ para liberar o site com o nome da pessoa. Xuxa, Ronaldinho Gaúcho, TV Globo, Vasco da Gama e vários outros nomes brasileiros já foram vítimas do golpe e tiveram de entrar com protestos no tribunal internacional para reconquistar seus endereços na web com seus próprios nomes.


Desde 1999, um total de 12,3 mil casos vindo de cem países passaram pelos árbitros. Para Francis Gurry, responsável pelo centro de mediação, a expansão reflete o crescimento da internet pelo mundo.


Não por acaso, o maior número de casos vem dos Estados Unidos, com mais de 5,7 mil disputas desde 1999. A França vem em segundo lugar, com 1,3 mil casos.


Um grande número de ataques também é dirigido contra o registro abusivo de nomes na China, com mais de 640 casos. Mas quase metade dos crimes cibernéticos vêm mesmo dos Estados Unidos e da Inglaterra.


Vítimas dos abusos ainda são a Airbus, Fifa, Madison Square Garden, Harvard Business School e muitos outras entidades que são obrigadas a se defender nos tribunais. Uma das estratégias dos autores dos crimes é o de registrar nomes com uma ou duas letras diferentes do nome original e contar que a pessoa que esteja buscando o site cometa erros de ortografia.’


 


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Ele é o cara


‘O objetivo é o mesmo de seus antecessores – concentrar tanto poder quanto for possível -, mas a forma com que o Juvenal Antena de Antonio Fagundes se movimenta politicamente em Duas Caras é algo novo na história da teledramaturgia. A novela da Globo, que chega ao final neste sábado, começou e termina em meio a várias polêmicas, algumas pertinentes – atuação do movimento estudantil, vida a três, beijo gay – e outras tantas vazias – a cabeleira platinada de Susana Vieira, o poste da Alzira. Mas chega ao fim mantendo propositalmente intacta a imagem ambígua do líder comunitário que é rei na favela da Portelinha. Líder comunitário, e não chefe do tráfico; pai dos pobres, e não um legislador nascido das oligarquias, Juvenal é um político moderno. Dia desses, perto de conquistar uma vaga na Câmara Municipal como representante de sua gente, Juvenal, pernambucano como o presidente Lula, reflete melhor sobre a vida na política oficial. ‘Vão querer descobrir toda a sua vida e montar dossiês’, alertou um correligionário. ‘Aqui na Portelinha, eu sou rei’, pensou ‘o homem’, momentos antes de declinar da candidatura. E lá estava estampado na tela, para milhões de brasileiros verem, como é que a democracia perde terreno. Sobre esse personagem, um dos mais complexos da história das novelas, o ator Antonio Fagundes conversou com o Estado.


A gente pode dizer que o Juvenal Antena é uma evolução do político?


Sim. É uma evolução, já que o político tradicional age ilegalmente de uma forma irresponsável, ou seja, ele rouba. Então, o surgimento de alguém que rouba mas faz, infelizmente, para nós é uma evolução. O Juvenal tem essa vantagem e a vantagem de entender o meio onde ele atua. Ele não está em Brasília, passa no meio do lixo, no meio do esgoto a céu aberto.


Ele pratica uma maneira moderna de política, mas ao mesmo tempo tão feudal.


Essa é uma tradição brasileira, paternalista, que a gente herdou da colonização portuguesa e que veio evoluindo de uma certa forma de séculos pra cá. Mas a gente pulou algumas etapas. Ficamos 21 anos sem exercer a relação democrática de eleição. A gente não entende muito bem disso ainda, que o poder precisa ser alternado. Então, um personagem que fala autoritariamente está falando a nossa linguagem, porque não entendemos ainda o que é democracia.


Pessoalmente, você vê o Juvenal como um vilão ou um herói?


Eu acho que ele não tem essas duas caras. É um dos personagens mais complexos que eu já vi em teledramaturgia. O Aguinaldo (Silva) montou um personagem absolutamente real, crível, excelente pai de família, sensível. E autoritário, ditador, violento, irracível. É um ser humano complexo e eu diria completo. Tudo era possível dentro daquele cadinho ali chamado Juvenal Antena.


Juvenal dividiu opiniões, é amado e odiado. O que ouviu na rua?


Dificilmente chega uma análise comportamental do personagem. É mais anedótico mesmo – aquela coisa do ‘epa, epa, epa’, ‘justamente’, ‘muita calma nessa hora’. Mas para o público é claro que ele faz as coisas todas às claras.


A sinceridade o redime, então?


É. E ao lado da violência, ele tinha um excelente humor, era muito gentil. Foi a primeira vez que eu vi um personagem, digamos, político exercer a sua política. O Aguinaldo fez uma sala onde ele exercia política, atendia à população da favela e respondia às suas necessidades. Que vereador, deputado ou senador atendeu a um telefonema de um eleitor? Nenhum. Mesmo que as respostas dele fossem autoritárias, ele estava lá para ouvir. Isso faz do Juvenal um personagem brilhante .


Os bordões dele faziam parte do texto ou foram criados por você?


O ‘justamente’ é meu, homenagem a um amigo que fala assim. O Aguinaldo coloca às vezes um ‘epa’ no início das falas dos personagens. Eu só exagerei, transformei o ‘epa’ dele em três ou quatro. O ‘muita calma nessa hora’ é do Aguinaldo. Digamos que foi meio a meio.


Mudando de assunto, o Juvenal costuma dizer que nada acontece na Portelinha sem que Juvenal Antena permita. Nesse sentido, acha que ele vai permitir o beijo gay ou não?


Se for seguir a coerência, ele não só vai permitir como vai querer que tenha! Ele se portou ao longo da história toda bastante aberto em relação a isso. Ele sabe que essa coisa de mostra ou não mostra é um detalhe.


Já soube que ele foi eleito como o novo muso dos ‘ursões’?


Há, não sabia não. Aí, digamos que seja o intérprete..


Epa, epa, epa


CARA DE MAU – Sujeito que enxerga longe, Juvenal Antena comandou a invasão do terreno que deu origem à favela da Portelinha, para se tornar rei da comunidade


INCONTESTÁVEL – Sentado em seu trono na Associação de Moradores, ele recebe a população. Arranja emprego, dá cestas básicas, puxa a orelha de quem vai mal na escola…


SANTEIRO – Tempero típico de Aguinaldo Silva, a morte e a ressurreição do personagem só fizeram aumentar seu poder na trama. Herói e justiceiro, ele passou a divino


O ELEITO – Num de seus melhores momentos, Juvenal sofreu um atentado. Estava com colete à prova de balas, mas disse ao povo que a Bíblia que levava no bolso é que o salvou’


 


Fábio Barreto


Fox cobiça Globo e Record


‘Com a quantidade da produção afetada pela greve dos roteiristas, a Fox Film Television apresentou seu novo line-up de séries para clientes, em Los Angeles. A companhia aposta em bons negócios com seus principais alvos: Globo e Record. Entre os destaques estão Dollhouse, Cleveland Show (spin off de Family Guy), Do Not Disturb e Fringe, criada e produzida por J.J. Abrams, de Lost.


No total, a companhia traz 21 séries para setembro, mas apenas 6 delas são inéditas. Com a greve dos roteiristas, a produção tradicional de cerca de 30 pilotos de séries por ano deixa de ser uma realidade e a indústria vai apostar em programas com duração reduzida, minimizando, assim, riscos caso novas paralisações aconteçam.


‘A nova tendência indica que o mercado passará a concentrar estréias em janeiro, para que a programação comece e termine dentro de um mesmo ano’, explica Mark Kaner, presidente da Fox Distribuition. ‘Os efeitos da greve machucaram demais e um dos caminhos analisados é priorizarmos série de duração mais curta para não vermos a continuidade ser prejudicada.’


O escritório brasileiro centra esforços nos canais abertos para negociar suas séries inéditas e títulos que entram em janela de exibição para TV aberta como a minissérie Over There, exibida no Brasil na TV paga. ‘As apostas são a Globo, que tem sido uma grande parceira comercial, e a Record. Temos formatos que interessam a essas emissoras, mas temos notado, por exemplo, um crescente interesse dos demais canais na compra de formatos para produção local’, explica Ricardo Rubini, gerente-geral de vendas para o Brasil. Representantes da RedeTV! também participaram. Já o SBT teve sua caravana liderada pessoalmente por Silvio Santos.’


 


FOTOGRAFIA
Simonetta Persichetti


Scavone perambula pelas asas da Liberdade


‘Foram cem dias caminhando pelo bairro da Liberdade durante dois anos, cem dias para celebrar o centenário da imigração japonesa. Marcio Scavone teve seu primeiro contato com o lugar ainda nos 70 quando foi levado por seu pai. Encantou-se com o que viu e, quase quatro décadas depois, retornou com a vontade de descobri-lo e registrá-lo de forma singela, retomando um hábito quase esquecido dos fotógrafos – salvo raras e boas exceções – de perambular pelas ruas e deixar se absorver pelo espírito local. Foi assim que nasceu o título do livro e da mostra: Viagem à Liberdade.


Marcio é curioso, quer saber conhecer cheiros e sabores. Conhecido mais por seus retratos e pelos instantâneos que recheiam seus livros, como pontuação entre um rosto e outro, desta vez mudou de tônica e narrou de forma livre, quase como um quadro impressionista, sensações de um lugar até então muito mais fixado na memória.


Seu olho costuma comandar seus passos: ‘Li uma vez que o pintor italiano Rafael certa feita disse: ‘Minha mão sabe mais do que eu.’ Tenho certeza de que meu olho sabe mais do que eu’, conta ele, durante entrevista ao Estado. Guiado por seus olhos, resolveu entrar na ponta dos pés pela Liberdade, procurando fazer amigos, ouvir histórias, acompanhar a vida dos que lá moram, trabalham. Saiu do comum, do convencional. Quem conhece e freqüenta o bairro com certeza vai reconhecer lugares, quem não andou com a atenção devida por lá vai querer voltar e ver com seus olhos o que Marcio Scavone viu por nós.


É um trabalho delicado, leve de descobertas: ‘Não passou pela minha cabeça contar uma história literal ou explicar aquele pedaço de mundo’, escreve ele no texto de apresentação do livro. ‘Estava contente em absorver horizontalmente o que meus olhos me indicavam’, completa. Até porque seria apenas mais um registro entre muitos de um bairro paulistano, caindo, invariavelmente no clichê, no óbvio, no conhecido. Sua opção foi outra.


Em seu ensaio o tempo passa por entre as imagens, numa mistura de presente e passado: são quarteirões, vielas, balcões, esquinas, cartazes nos muros, pessoas passeando pelas calçadas. Fotografias que se misturam ao seu imaginário criado pelos filmes do Akira Kurosawa, às histórias contadas pelas pessoas do bairro, à luz que comandava – como dissemos acima – seu olho e, portanto, sua vontade de registrar. Ângulos que desconcertam nossa visão, detalhes que crescem nas suas fotografias. Cenas sensíveis como a do casamento, onde o destaque fica por conta do vermelho dos sapatos e do tapete da mesma cor e os noivos apenas se entrevêem como coadjuvantes de uma cena principal, ou a das mãos dos anciãos. Momentos fugidios que parecem sumir junto com as luzes que os iluminam. Como se fossem pequenas visões oferecidas aos poucos. As fotografias de Marcio Scavone são silenciosas. Quase minimalistas! Não são fotografias apenas estéticas, mas com um conteúdo poético bastante evidente. A escolha das imagens – sempre na horizontal – também faz parte da linguagem: uma fotografia tranqüila, à altura dos nossos olhos, cortes discretos e não abruptos de uma vertical. Como se fossemos guiados ou estivéssemos acompanhando o fotógrafo pelas ruas nas quais ele se meteu. Fotografias que privilegiam o ato de fotografar, o encanto que a fotografia traz em si e que é intrínseco a ela, o de nos fazer perceber, olhar e refletir e não o de nos perturbar. Ao invés do frenesi, a redescoberta de um tempo em que é possível observar. Revelar o que nem sempre a luz nos mostra à primeira vista.


Viagem à Liberdade é muito mais do que o retrato de um bairro. É a liberdade que Marcio Scavone se permitiu de olhar e observar: ‘Não pretendi ter uma compreensão intelectual e profunda do Japão nem de todos os desdobramentos de seus códigos sociais e de ética pessoal’, registra em seu texto. Rendeu-se, porém, à vontade de narrar esta história, talvez muito mais sua do que do bairro, mas sem dúvida é uma homenagem a ele e as pessoas que o habitam. Um relato em busca da delicadeza.


LUCAS ISAWA


Ao mesmo tempo, o Museu da Casa Brasileira também inaugura hoje a mostra Um Novo Cardume, que reúne luminárias-esculturas de Lucas Isawa.


Serviço


Marcio Scavone e Lucas Isawa. Museu da Casa Brasileira. Avenida Faria Lima, 2.705, 3032-3727. 3.ª a dom., 10h às 18h. R$ 4 (dom. grátis). Até 6/7. Abertura hoje, 19h30, para convidados, com lançamento do livro Viagem à Liberdade, de Marcio Scavone’


 


 


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