Terça-feira, 24 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 29/4

Anúncio de compra da BrT pela Oi derruba ações

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 29/04/2008 na edição 483

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 29 de abril de 2008


TELES
Folha de S. Paulo


Invasão bilionária


‘AS ‘OCUPAÇÕES’, eufemismo para invasões, estimuladas pela administração Lula não se restringem ao setor agrário. Com financiamento estatal bilionário e apoio dos fundos de pensão controlados pelo governismo, duas companhias telefônicas acabam de ‘ocupar’ um terreno irregular. A aquisição da Brasil Telecom pela Oi dá-se a contrapelo das normas anticoncentração responsáveis pelo sucesso da privatização da telefonia no país.


Como os contumazes invasores de terra, os artífices das negociações da ‘supertele verde-amarela’ não temem repressão do Estado. Pelo contrário, estão certos de que serão, ao fim e ao cabo, premiados com a assinatura do presidente da República no decreto que, após o fato consumado, sacramentará o popular ‘liberou geral’ nas regras para atuação desses gigantes empresariais em território nacional.


Invadidos em seus direitos podem se sentir os consumidores, diante do acúmulo de 78% no mercado de internet por linha discada e de 59% no por banda larga na chamada Região 1 (Minas, Rio e outros 16 Estados). Estarão expostos aos efeitos colaterais de uma decisão de gabinete, submetida à ação exclusiva de lobbies políticos e empresariais, que têm propensão genética a misturar-se na falta de luz.


O que o BNDES afirma tratar-se de uma consolidação de capital estratégica para o ‘interesse nacional’ beneficia basicamente duas empresas privadas. O segundo grupo de felizardos, mais difuso, vai se locupletar com as gordas comissões, explícitas ou implícitas, que o negócio vai movimentar. Nenhum tijolo será assentado com os R$ 2,6 bilhões de dinheiro público oferecido pelo banco estatal para viabilizar a aquisição.


Não haverá garantia de criação de um único posto de trabalho. O negócio ‘estratégico’ é tão pouco promissor nesse aspecto que um acordo teve de ser feito para que não haja demissões nos próximos três anos. O BNDES afirma que não vai colocar dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador, constituído por impostos, no negócio, mas que vai usar recursos da sua carteira de ações.


Não existiriam meios de movimentar R$ 2,6 bilhões dessa carteira que gerassem mais empregos e investimentos produtivos, num país com carências gravíssimas na infra-estrutura e que precisa atrair setores industriais de ponta tecnológica? Mas, na versão de ‘interesse nacional’ do governo Lula, o cidadão paga na condição de contribuinte e continua pagando como usuário de telefonia para que uns poucos se beneficiem.’


 


Vinicius Torres Freite


Ainda o imbBrOiglio da ‘BrOi’


‘ENTRE AS dúvidas que restam sobre o negócio entre governo, Oi e Brasil Telecom, está o dinheiro do BNDES. O banco estatal afirma que não colocará dinheiro na compra da BrT pela Oi (controlada pela Telemar Participações). Criou-se uma engenharia por meio da qual o BNDES não faria um empréstimo, em sentido estrito, às empresas envolvidas, mas as capitalizaria a fim de permitir a redução do número de acionistas -vá lá. O banco enfatiza que não vai emprestar dinheiro do FAT, fundo público que o financia.


Por meio de seu braço que lida com participações em empresas, o BNDESPar, o banco compraria R$ 1,23 bilhão em ações que a Telemar deve emitir, além de R$ 1,33 bilhão em títulos de dívida a serem emitidos pela AG Telecom (da Andrade Gutierrez) e pela LF TEL (de Carlos Jereissati). Com tal dinheiro, esses candidatos ao controle da ‘BrOi’ comprariam a parte de outros sócios. Ou seja, o BNDES apenas estaria gerenciando sua carteira de investimentos em empresas a fim de otimizar o rendimento.


Resta saber as condições em que um ente público, o BNDES, financiará a valorização de um patrimônio majoritariamente privado. Isto é, as condições em que AG e LF TEL emitirão ‘valores mobiliários’: taxas, prazos, condições de pagamento, punições por inadimplência etc., além das condições em que a Telemar emitirá as ações que o BNDES comprará, embora nesse caso o negócio se preste a menos invenções. O BNDES justifica a operação por meio de um ganho público ‘intangível’, digamos, a constituição de uma empresa nacional de grande escala e mais bem dirigida, e por meio de ganhos financeiros da operação de sua carteira de renda variável.


Para saber o custo real desse capital ofertado pelo BNDES, seria preciso que as empresas buscassem no mercado o dinheiro para a ‘reestruturação societária’, as vendas e as compras de ações que dariam origem à ‘BrOi’. Como isso não ocorrerá, claro, talvez se possa avaliar o subsídio implícito se der para comparar outros empréstimos que os controladores tomarão no mercado com as condições do dinheiro que virá do BNDES. Será possível?


Pondere-se ainda a afirmação de que o dinheiro da compra dos ‘valores mobiliários’ pelo BNDES não virá do FAT. Pode ser, mas a coisa fica mais confusa quando se lembra que o BNDES empresta dinheiro a empresas da qual o BNDESPar é sócio (como teles), para ficar num só caso de complexidades. De resto, não haveria uso alternativo para as aplicações da carteira do BNDESPar?


É verdade que grandes empresas se financiam no BNDES -discriminar, em regra, as teles, seria só isso, preconceito negativo, desculpe a redundância. E empresas brasileiras têm dificuldade de se financiar no longo prazo, decerto, mas agora menos, menos ainda as grandes. Enfim, são muitos e grandes os intangíveis dos negócios que o governo patrocina, negócios politizados -privatizações sob FHC e fusões e aquisições sob Lula (petroquímica, agora teles, amanhã talvez farmacêuticas). Fica assim difícil separar ganhos públicos dos privados, e com certeza faltam transparência e critérios objetivos na prioridade de alocação de um dinheiro que é público e mais barato que o do mercado.’


 


Roberto Machado


Ações da Oi e da BrT caem até 11% após o negócio


‘No primeiro dia útil após o anúncio da compra da BrT (Brasil Telecom) pela Oi, na sexta, os papéis das empresas tiveram queda expressiva na Bovespa. As ações ordinárias da Telemar (Oi) caíram 10,92%. As preferenciais, 9,68%. Já as preferenciais da BrT caíram 4%; as ordinárias, 0,68%.


O tombo surpreendeu parte dos investidores: ‘Levanta algumas questões: será que a Telemar está se endividando e pagando caro?, indagou José Costa Gonçalves, diretor da Indusval Corretora. Pela manhã, o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, participou de teleconferências com investidores para explicar a operação. À tarde, a Telemar enviou comunicado à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre as mudanças no controle da empresa.


Em nota, a Oi disse que enviará à Anatel pedido de anuência prévia para a aquisição da BrT caso haja alteração do PGO (Plano Geral de Outorgas). Só com a mudança no PGO -que definiu as regras da telefonia após a privatização- será possível tornar efetiva a operação de mais de R$ 12 bilhões. Fora do mercado financeiro, o risco que a mudança na lei representa divide especialistas. A operação também precisa de autorizações da Anatel, da CVM e do Cade.


O que os especialistas se perguntam é se o valor do negócio é alto para o grau de incerteza da operação. ‘Por um lado, nos aspectos relativos à segurança jurídica, o negócio pode ser considerado arriscado’, diz Juarez Quadros, que foi ministro das Comunicações. Caso a compra não seja efetivada, a Telemar vai desembolsar pelo menos R$ 800 milhões. A multa a ser paga à BrT é de R$ 490 milhões. Outros R$ 315 milhões serão pagos à BrT e ao Opportunity para evitar pendências judiciais. Na noite de sexta, o presidente da Telemar disse que esse é o risco do negócio -e que confia na valorização da nova operadora.


Professor da FGV, Arthur Barrionuevo vê ameaças na análise que será feita pelo Cade: ‘A operação é prejudicial do ponto de vista dos consumidores, principalmente na telefonia fixa e no acesso à internet’. Já o ex-presidente da Anatel Renato Guerreiro diz que o negócio fortalece a concorrência.


Dilma


Questionada em Washington sobre a participação do BNDES na nova tele, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, respondeu: ‘A participação se deve ao fato de que o banco entra com um volume de empréstimos muito elevado [R$ 2,6 bilhões], então é para garantir a solidez e a qualidade da gestão, o que é muito natural’.


Na sexta, o BNDES informou que seu apoio à operação de criação da nova tele soma R$ 2,569 bilhões na reestruturação societária da Telemar Participações, controladora da Oi.


Colaborou SÉRGIO DÁVILA , de Washington’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘He says no’


‘Sites e portais, desde o final da manhã, não conseguiam ter outro assunto. E Record e Band deram na escalada, depois, mas não o ‘Jornal Nacional’.


Saiu nova pesquisa com ‘a melhor avaliação’, com ‘a maioria favorável a terceiro mandato’ -e, pior, ‘Ninguém consegue fazer tudo em oito, nove ou dez anos, diz Lula’, na manchete da Folha Online. Os enunciados até a noite foram variações. Com chamadas paralelas, como no UOL e site de ‘O Estado de S. Paulo’, para ‘Serra é vaiado em ato’ com Lula, que calou a vaia, e ‘Sem Lula, Serra lidera em 2010’.


No exterior, o que repercutiu foi o despacho da agência Reuters, intitulado ‘Muitos no Brasil querem terceiro mandato para Lula, mas ele diz não’.


É A ECONOMIA


Enunciado logo abaixo do bloco Lula, à noite no UOL, com despacho da Efe, ‘Investimento estrangeiro no Brasil é recorde’. E logo abaixo no Terra, com Reuters, ‘Bovespa passa marca histórica’.


LONGO CAMINHO


O ‘Newsnight’ transmitiria ontem uma reportagem do correspondente Gillian Lacey-Solymar sobre o Brasil em ‘boom’. Nas ‘lojas elegantes’ de São Paulo persiste a desigualdade e ‘o Brasil tem um longo caminho a percorrer’, afirma a BBC, ‘mas está na direção para ser uma economia desenvolvida’.


URIBE 3


Andres Oppenheimer, colunista do ‘Miami Herald’ e admirador de Alvaro Uribe, entrevistou o presidente da Colômbia, perguntou cinco vezes sobre terceiro mandato e não gostou do que ouviu. Deu o título ‘Uribe arrisca perder autoridade moral com nova candidatura’.


DILMA LÁ


A TV Bloomberg entrevistou Dilma Rousseff, em visita aos EUA, e ressaltou a abertura dos portos do país, ao menos para reformas, ao capital externo. Segundo a Bloomberg, a ministra se reúne hoje com George W. Bush.


A MENSAGEM


O porta-aviões George Washington na baía da Guanabara


Depois de receber as boas-vindas do ‘Jornal Nacional’, as críticas verdes, via Reuters Brasil, e a crônica de Carlos Heitor Cony, na Folha, o porta-aviões George Washington está em operações na costa, pelos lados de Tupi e Carioca -e vai a Buenos Aires nos próximos dias, já levantando temores por lá, ontem em textos do ‘La Nación’.


Mais do que aqui, na Argentina se vincula sua presença ao restabelecimento da Quarta Frota da Marinha dos EUA, voltada à América Latina. É ‘uma forte mensagem’ para a região, expressou abertamente o comandante de Operações Navais dos EUA, pelo site Navy.mil.


ENQUANTO ISSO


Na França, o ‘Le Monde’ destacou no fim de semana que Marco Aurélio Garcia, ‘conselheiro diplomático do presidente Lula’, falou no Instituto de Estudos de Segurança da União Européia, em Paris, sobre o Conselho de Segurança da América do Sul, a ser criado junto com Venezuela e outros. Não seria ‘uma Otan do Sul’, mas organismo para a ‘prevenção de conflitos’ como o recente, entre Equador e Colômbia.


US$ 200 E A EXXON


A Opep já começa a falar em petróleo a US$ 200 o barril, ontem no alto do site do ‘Financial Times’, mas as coisas não melhoram para a Exxon, que ‘perdeu o controle’ sobre campos em países como a Venezuela. E agora a própria família Rockefeller, também segundo o ‘FT’, marcou uma entrevista coletiva para defender mudanças na empresa -que nasceu como parte da lendária Standard Oil, de John D. Rockefeller.


POLÍTICA


Descrita como ‘Manhattan madam’ ou cafetina de Manhattan, a brasileira Andreia Schwartz segue no foco dos tablóides de Nova York. Em entrevista ao ‘Daily News’ no domingo, avisou que pretende seguir ‘nova carreira’, agora na política, e sonha ser eleita governadora de algum Estado ‘no seu Brasil de origem’


A GUERRA…


O americano Projeto para a Excelência no Jornalismo levantou que, sim, Rupert Murdoch mudou o ‘Wall Street Journal’. Em poucos meses, saltou a atenção dada à política interna e aos temas internacionais. Persegue o modelo do ‘New York Times’.


DOS JORNAIS


Saíram novos números de circulação nos EUA e o ‘NYT’ de papel caiu 3,9%, contra a redução de 1% do ‘WSJ’. Mais dramaticamente, a ‘Advertising Age’ iniciou ontem uma série sobre o ‘declínio’ dos jornais em geral intitulada ‘vigília da morte’.’


 


EVENTO
Folha de S. Paulo


Liberdade de imprensa será debatida hoje na Câmara


‘Dois meses após o Supremo Tribunal Federal suspender a eficácia de boa parte da legislação de imprensa produzida pela ditadura militar (1964-1985), a Câmara dos Deputados debate hoje a liberdade da atividade jornalística no país.


A conferência -realizada pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)- vai discutir ameaças à liberdade de imprensa e a criação de lei de acesso a informações públicas e de uma nova legislação para o setor.


A abertura da 3ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa contará com a presença do vice-presidente da República, José Alencar, e dos presidentes do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O evento acontecerá no auditório da TV Câmara, a partir das 9h30, e será aberto ao público (o auditório tem capacidade para 120 pessoas).


O dia de hoje marca um ano da morte de Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha. A conferência fará também menção à morte de Demócrito Rocha Dummar, presidente do grupo de ‘O Povo’, do Ceará, ocorrida na sexta passada.


O primeiro painel tratará da ‘Conquista do direito à liberdade de imprensa’ e terá como palestrantes Luís Frias, presidente do Grupo Folha; João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo; Júlio César Mesquita, do Conselho de Administração de ‘O Estado de S. Paulo’; e Roberto Civita, presidente da Editora Abril. Nelson Sirotsky, presidente da ANJ, será o mediador.


A segunda rodada de palestras terá como tema ‘A imprensa na história política do Brasil’. Vão debater os senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Jefferson Peres (PDT-AM), o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto. O mediador será o presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azêdo.’


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Folha de S. Paulo


Ex-pastor volta à cena e põe Obama na berlinda


‘O ex-pastor Jeremiah Wright -que por quase 20 anos liderou a igreja cristã freqüentada pelo pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Barack Obama- voltou com força total à cena eleitoral americana, em discursos com o potencial de elevar a vulnerabilidade do senador antes de prévias cruciais no partido.


No Clube Nacional de Imprensa, em Washington, Wright repetiu ontem alguns de seus comentários mais incendiários -que há divisão racial nos EUA e razões para o país ser alvo terrorista. Mas também rebateu a acusação de antipatriotismo: ‘Servi seis anos nas Forças Armadas. Isso me torna patriota? Quantos anos o [vice-presidente Dick] Cheney serviu?’, indagou.


As frases de Wright têm sido freqüentemente usadas pelos adversários de Obama nos dois partidos como um suposto sinal de que o pré-candidato é condescendente com radicais.


Ontem, o ex-pastor afirmou que Obama concorda com ele na esfera privada, ainda que não possa admitir isso publicamente. ‘Ele teve de se distanciar porque é um político e a mídia estava me retratando como antiamericano’, afirmou.


A versão on-line do ‘New York Times’ sugere que a campanha de Obama está furiosa com Wright. O pré-candidato convocou entrevista às pressas na Carolina do Norte, Estado que vota dia 6, para reiterar que a opinião do ex-pastor não reflete a sua. ‘Os últimos dias mostram que não estamos trabalhando juntos’, disse.


11 de Setembro


A controvérsia sobre Wright começou há cerca de um mês, quando foram divulgados na internet trechos de seus sermões. Sua fala mais célebre -repetida por ele em Washington- é a de que os EUA ‘atraíram para si’ os atentados de 11 de setembro de 2001. ‘Você não pode praticar o terrorismo e esperar que isso nunca se volte contra você. São princípios bíblicos’, disse ontem.


Sobre a discriminação racial, disse que ‘não há desculpas para o que o governo deste país já fez’. ‘Se Obama vencer, no dia 5 de novembro vou atrás dele, pois representará um governo [historicamente] opressor.’


Ele também defendeu a importância de Louis Farrakhan, polêmico líder do grupo de muçulmanos afro-americanos Nação do Islã. Segundo pesquisa da Associated Press, cerca de 15% dos eleitores acham que Obama é muçulmano, o que gera reações algumas negativas -o senador é protestante.


Wright também disse que os ataques a ele são, na verdade, ataques contra a igreja negra americana, que ele representa.


O Partido Republicano tem comerciais associando o religioso a Obama para dizer que o último é ‘muito radical’, e a rival democrata Hillary Clinton diz que Wright ‘não seria seu pastor’. A mídia americana repercute o tema com estrondo.


Em pesquisa da Associated Press divulgada ontem sobre a eleição presidencial, na qual há simulações com os dois pré-candidatos democratas, Hillary aparece nove pontos à frente do republicano John McCain (50% a 41%). Já Obama tem 46%, contra 44% de McCain. Há sete dias, todos empatavam.


Com agências internacionais’


 


PARAGUAI
Folha de S. Paulo


Ex-funcionário acusa governo de ter espionado Lugo e mídia


‘Em carta lida por rádios de Assunção ontem, o ex-chefe de operações da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, Luis Rojas, acusou o órgão de comandar uma operação para espionar ilegalmente jornalistas e o então candidato opositor -e agora presidente eleito do país- Fernando Lugo.


A denúncia de Rojas, que deixou o cargo em 18 de abril, obrigou o secretário-geral do órgão, coronel Hugo Ibarra, a vir a público negar as acusações. Ibarra afirmou que a Senad não usa grampeamentos telefônicos com fins políticos e disse que não divulgaria a carta porque seu conteúdo é ‘pessoal’.


Na carta, Rojas também acusa o órgão se superfaturar compras públicas e diz que as ordens para espionar Lugo foram dadas diretamente a seus subalternos, sem seu conhecimento.


Fernando Lugo, que ontem teve o primeiro encontro com o atual presidente paraguaio, Nicanor Duarte, não fez declarações à imprensa. Seus assessores também não comentaram o caso. O presidente eleito também recebeu o presidente do Banco Central paraguaio, Germán Rojas, que disse ter sido convocado para informar a equipe de Lugo sobre medidas da política monetária para tentar interromper a queda do dólar no mercado interno. O novo presidente, eleito em 20 de abril, toma posse em agosto.


Com agências internacionais’


 


IRÃ
Folha de S. Paulo


Barbie e Batman destroem cultura, diz procurador-geral


‘O procurador-geral da República do Irã disse ontem que as importações de bonecas Barbie e outros brinquedos ocidentais levarão conseqüências sociais e culturais destrutivas para o Irã.


‘O surgimento de personagens como Barbie, Batman, Homem-Aranha e Harry Potter e os jogos de computador e filmes são um sinal de perigo às autoridades da área cultural’, disse Ghordan Ali Dori Najafabadi, em carta de advertência enviada ao vice-presidente, Parviz Davoudim.


Najafabadi disse que o Irã é o terceiro maior importador mundial de brinquedos e acusou os empresários iranianos do ramo de só se importarem com os lucros, ‘em detrimento dos valores culturais’. A oferta de brinquedos ocidentais é cada vez maior no Irã, principalmente por causa do aumento do poder de compra local, resultante do aumento dos ganhos com petróleo.


Com agências internacionais’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


‘Big Brother’ faz Globo desistir de minissérie


‘A Globo não apresentará uma minissérie no primeiro trimestre de 2009, quebrando tradição de dez anos. No lugar, exibirá duas microsséries.


A mudança é uma conseqüência da preferência pelo reality show ‘Big Brother Brasil’, de acordo com Octavio Florisbal, diretor-geral da Globo. Como ‘BBB’ termina em muitos dias depois das 22h30, as minisséries perdem o público que tem de dormir mais cedo. Isso se agrava às quartas, quando há futebol até as 23h45.


A audiência das minisséries caiu muito nos últimos anos. Exibida em 2003, ‘A Casa das Sete Mulheres’ teve média final de 28 pontos na Grande São Paulo. Em 2007, a superprodução ‘Amazônia’, que custou mais de R$ 900 mil por capítulo, marcou apenas 22 pontos.


O desempenho de ‘Amazônia’ fez a Globo desistir de minisséries de época, muito caras. Neste ano, optou por uma minissérie menor (25 capítulos) e mais barata. Mas ‘Queridos Amigos’ teve só 19 pontos.


Segundo Florisbal, no início de 2009 a Globo exibirá ‘Maysa’, sobre a vida da cantora Maysa, com nove capítulos. Entre meados de janeiro e o início de março, haverá um festival de filmes _que dão mais audiência. Só no final do verão apresentará uma segunda microssérie, com 12 capítulos.


Florisbal afirma que a microssérie será escolhida entre projetos a serem apresentados pelos autores da Globo.


EM BRANCO 1A Record anunciou em chamadas que Roberto Cabrini apresentaria no ‘Domingo Espetacular’ uma reportagem sobre os bastidores de sua prisão. Anteontem, Cabrini voltou ao ar, mas não disse uma única palavra sobre sua prisão.


EM BRANCO 2 A Record nega que tenha exibido chamadas. Mas a Folha tem cópia de uma delas, das 22h40 de quarta. Há versões de que Cabrini teria sido orientado por advogados a não falar sobre a prisão e de que a suposta reportagem que fazia ao ser detido não ficou pronta.


APELAÇÃO A Record explorou à exaustão a imagem de uma boneca sendo atirada pela janela de um apartamento, na reconstituição do caso Isabella.


EM ALTA O ‘Fantástico’ está recuperando a audiência perdida em 2007. Fechou abril com média de 30 pontos. Cresceu um ponto por mês desde janeiro.


PARAFUSO Apesar de a audiência estar abaixo dos 20 pontos, nenhum dos três novos seriados que a Globo estreou em abril sairá do ar. Segundo Octavio Florisbal, estão sendo feitos ajustes.


CANTORIA Marina Lima e Michael Sullivan não aceitaram os salários oferecidos pela Record e estão fora do júri de ‘Ídolos’. Foram substituídos por Paula Lima e Marco Camargo.


ESTICA A novela ‘Amor e Intrigas’ (Record) ficará no ar até o final de julho. Acabaria em junho.’


 


Mônica Bergamo


Masculino


‘A TV Senado vai transmitir, a partir de junho, um programa voltado para a saúde masculina. ‘Cidadão Saudável’ vai abordar temas como disfunção erétil, câncer de próstata e ejaculação precoce.


Bordas


O rapper Rappin Hood terá programa na TV Cultura.


A emissora divulga hoje sua nova grade de programação.’


 


Folha de S. Paulo


Série vê cotidiano brasileiro na Antártida


‘A Estação Antártica Comandante Ferraz, que abriga pesquisadores brasileiros e oficiais da Marinha, é o cenário de ‘Antártida’, série de documentários em curta-metragem que chega hoje ao terceiro episódio, no Canal Brasil.


Produção da RBS TV, grupo de afiliadas da Globo no Sul do país, a atração dirigida por André Costantin começou acompanhando a viagem de um grupo de militares (e alguns ‘penetras’ civis, como uma fotógrafa) desde o Rio até a ilha Rei George, onde a base brasileira foi erguida, em 1984.


O trajeto teve escalas em Pelotas (RS), em Punta Arenas (extremo sul do Chile e do continente) e na estação antártica chilena -a tupiniquim não tem pista de pouso.


Agora, o terceiro capítulo narra uma missão de reconhecimento do navio brasileiro Ary Rangel a uma certa ilha Decepção. E dá-lhe almirante falando dos atributos da embarcação (casco reforçado, isolamento térmico…) e da importância do apoio dado aos pesquisadores.


Mas, na prática, como se dá esse apoio? E, mais importante, quais as matérias de estudo na imensidão branca e os resultados dessas pesquisas? Quem são os civis e militares que vão à Antártida? Há lazer ali?


Com o divertido personagem que fez um funk a partir dos bordões da Marinha, o programa apenas ensaia respostas para essas perguntas.


ANTÁRTIDA: ILHA DECEPÇÃO


Quando: hoje, às 21h


Onde: no Canal Brasil’


 


MÚSICA
Folha de S. Paulo


Madonna e Coldplay liberam novas canções na internet


‘Os ingleses do Coldplay vão permitir que seus fãs façam download da música ‘Violet Hill’, do CD ‘Viva La Vida or Death and All His Friends’. O single ficará liberado no site www.coldplay. com por uma semana. A banda também anunciou que fará dois shows gratuitos, na Brixton Academy, de Londres (16/6), e no Madison Square Garden, em Nova York (23/6).


Já Madonna vai colocar seu novo álbum, ‘Hard Candy’, para audição, na íntegra, em sua página no MySpace (br.myspace. com/madonna).


Também ontem, a Sony BMG anunciou um acordo com o site We7 (www.we7.com) para colocar faixas de seus artistas disponíveis para audição on-line, de graça. Os usuários do site (que exige cadastro) poderão escutar um catálogo de 250 mil canções de artistas da gravadora -que inclui Michael Jackson e Elvis Presley, entre outros-, mas terão de ouvir também anúncios de dez segundos de duração, entre cada faixa.


Recentemente, a Sony fechou um acordo semelhante com o MySpace e deve lançar em breve outra parceria, com a Nokia, para celulares.


 


ARTE
Matinas Suzuki Jr.


‘Esquire’ surpreendeu anos 60 com capas ousadas


‘Para cerca de 1 milhão de americanos -e milhares de fanáticos pelo mundo-, uma das boas coisas da década de 1960 era o frisson causado por como seria a próxima capa da revista ‘Esquire’.


Entre 1962 e 1972, as capas da ‘Esquire’ foram surpreendentes, provocativas, pertubadoras. Muitas delas não tinham título e nem se referiam ao principal assunto da edição.


Eram mais do que capas de revista: uma espécie de editorial em forma gráfica, uma tomada de posição firme sobre os fatos de uma época em chamas.


As capas da ‘Esquire’ dos anos 60 estão sendo exibidas no Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova York, em uma mostra que vai até 2009.


Estas capas eram boladas a 12 quarteirões da Redação da ‘Esquire’, na agência de George Lois, um dos revolucionários da publicidade americana. Ele era, no nosso jargão de hoje, um criativo, sem nenhuma familiaridade com o ramo de revistas.


A idéia de contratar o publicitário Lois para fazer as capas foi de um homem ousado, Harold Hayes, o editor que ajudou a criar o ‘new journalism’ ao publicar as reportagens de Gay Talese, Tom Wolfe, Norman Mailer e Michael Herr.


Inicialmente, ao lado de Clay Felter (que sairia da ‘Esquire’ para fundar a ‘New York’), e depois como único editor, ele conseguiu que a ‘Esquire’ se tornasse não apenas uma coqueluche de momento, mas também uma das revistas que melhor captou o comportamento de uma geração.


Harold Hayes contava que não sabia como fazer as capas da ‘Esquire’ e por isso convidou Lois. No acerto entre os dois, Hayes jamais poderia interferir nas criações de Lois, algo incomum no mundo das grandes revistas. Hayes honrou o acordo até o fim.


A capa com um Papai Noel negro (o lutador de boxe Sonny Liston), publicada no Natal de 63, levou ao cancelamento de anúncios por clientes indignados; o departamento comercial estimou perder US$ 750 mil.


Um outro lutador estaria na capa mais famosa que Lois criou para a revista, em 1967: Muhammad Ali, que aparece flechado como o mártir São Sebastião. Ali havia se convertido ao islamismo e seria preso por recusar a convocação do Exército para ir ao Vietnã. Ele, inicialmente, resistiu a posar para a foto como um ícone cristão, mas, no final, seu líder Elijah Muhammad deu permissão.


Lois fez capas com Andy Warhol afundando-se na sua própria criação, alguém pingando lágrimas sobre uma foto de John Kennedy, Sletvana com o bigodão do papai Stálin, a atriz Virna Lisi fazendo a barba (a ‘Esquire’, que comemora 75 anos agora em 2008, faz uma releitura daquela capa na edição que está nas bancas), Nixon sendo maquilado, Woody Allen por cima da sexy Ann-Margrett. Uma capa sobre o Vietnã, sem imagens, trazia a frase em branco sobre o fundo negro: ‘Meu Deus, nós acertamos uma garotinha!’.


Poucas vezes o jornalismo foi tão provocador, irreverente e imaginativo quanto na ‘Esquire’. Hayes, Lois e a ‘gang que não sabia escrever certinho’ acenderam o pavio curto de uma dinamite no jornalismo.


MATINAS SUZUKI JR. é jornalista’


 


Daniel Bergamasco


Escondida, mostra é disputada


‘Anunciada com destaque na imprensa americana, a exposição com as antológicas capas da revista ‘Esquire’ criadas por George Lois virou notícia de rodapé dentro do prédio do MoMA (Museu de Arte Moderna), em Nova York.


São dois cantos de parede na sessão de arquitetura e design do terceiro piso, onde estão agrupadas algumas dezenas de capas famosas. De material extra, há alguns negativos das sessões de fotos do boxeador Muhammad Ali com flechas pelo corpo e do artista plástico Andy Warhol fingindo se afogar em estúdio, para a fotomontagem na qual apareceria dentro de uma lata de sopa Campbells.


Nos textos de apoio que acompanham as sete principais capas, algumas curiosidades de bastidores. Muhammad Ali, ao final da sessão, apelidou cada uma das seis flechas com o nome de um daqueles que tinha como inimigo, como o do presidente Lyndon B. Johnson e o secretário de segurança da época. Era um pouco difícil ler cada história com calma no fim de semana de abertura, quando muitos visitantes disputavam o espaço dessa quina do museu.


Encontrar a pequena mostra de George Lois também não era tão fácil. ‘Está todo mundo me perguntando dessa exposição, mas não sei onde é’, dizia uma funcionária.


Não que se perder pelo MoMA seja desvantagem, é claro. Pelos corredores do museu, há telas de artistas como Pablo Picasso e com intervenções divertidas, como dois ambientes com luz especial em que se enxerga tudo em preto-e-branco.


Já a exposição em si acaba por aguçar a vontade de voltar para casa e acessar a página www.esquire.com/coverarchive, onde estão todas as capas da história da revista.’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 29 de abril de 2008


EVENTO
Marcelo de Moraes


Unesco e ANJ debatem liberdade de imprensa


‘Revogação da Lei de Imprensa, discussão da lei de acesso à informação e censura prévia aos meios de comunicação por decisões judiciais. Esses são três dos assuntos na pauta da 3ª Conferência Legislativa sobre a Liberdade de Imprensa, organizada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A conferência será realizada hoje, a partir das 9h30, no auditório da TV Câmara, no Congresso Nacional.


Um dos palestrantes do evento, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, considera importante uma ampla discussão sobre a liberdade da atividade da imprensa no Brasil.


‘Mede-se o índice democrático de um país pela possibilidade do seu cidadão se exprimir e dos jornais e demais veículos de comunicação exprimirem essa vontade do cidadão. Não há democracia com liberdade de imprensa cerceada ou tolhida. Eis um dos grandes acertos da Constituição Federal: reconhecer a autonomia do pensamento e garantir a liberdade de expressão. Esse foi um dos grandes avanços constitucionais. Espero que ele chegue às mentes dos magistrados, quando estes decidem o tempo todo sobre a questão da liberdade de expressão, alguns chegando ao absurdo de entender que ainda existe no Brasil a censura prévia’, diz Britto.


O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), outro dos palestrantes, quer ampliar ainda mais essa discussão. Autor do pedido de revogação da Lei de Imprensa no Supremo Tribunal Federal (STF), que serviu para suspender boa parte de seus efeitos, Miro defende a tese de que o Brasil aprove o mais rapidamente possível a lei de acesso à informação. A partir de sua adoção, qualquer pessoa poderá ter acesso a informações disponíveis em órgãos públicos pelos quais tenha interesse particular. A Organização das Nações Unidas (ONU) defende a adoção dessa norma e mais de 70 países já se comprometeram publicamente a apoiar esse termo. O projeto ainda está sendo examinado pela Casa Civil.


AVANÇO


‘Será um grande avanço para o Brasil adotar a lei de acesso. Até a Albânia já assinou o termo comprometendo-se com a ONU. Farei na conferência uma convocação para que as pessoas lutem pelo direito de informação. Pelo direito de poder requisitar documentos do governo. Hoje, existem muitos mecanismos de intimidação. Só que o povo é soberano. O poder de censura é do povo sobre os governos, e não dos governos sobre o povo. E hoje é zero a soberania no Brasil do direito à informação’, disse Miro ao Estado.


Além de defender a extinção completa da Lei de Imprensa, o deputado também propõe que sejam excluídos de qualquer lei mecanismos que sirvam para restringir o acesso à informação livre no País.


‘A Lei de Imprensa era o cancro mais visível disso tudo. Mas isso é só a ponta. Hoje existem muitos mecanismos de proteção aos homens públicos que impedem o direito de informar. No meu entender, não pode haver nenhuma lei geral, nem artigo de Código Penal ou de outra coisa qualquer que possa ser utilizado para restringir o direito do cidadão à informação.


PAINEL


A conferência terá painel de discussão sobre a Conquista do Direito à Liberdade de Imprensa, em que serão palestrantes Júlio César Mesquita, do Conselho de Administração de O Estado de S. Paulo; Luís Frias, presidente do Grupo Folha; João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo; e Roberto Civita, presidente da Editora Abril. O moderador desse painel será o presidente da ANJ e também presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky.


Outro painel discutirá a Imprensa na História Política do Brasil, em que serão debatedores os senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Jefferson Péres (PDT-AM), o deputado Miro Teixeira e o presidente nacional da OAB, Cezar Britto. O moderador dessa mesa de discussões será o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo.’


 


BRINQUEDOS
O Estado de S. Paulo


Irã adverte contra importação de Barbies


‘O promotor-geral do Irã, Dori Najafabadi, advertiu contra a importação de Barbies e de bonecos de super-heróis como Batman e Homem-Aranha, alertando para ‘as conseqüências negativas sobre a sociedade’. Apesar de o Irã ter lançado há seis anos uma boneca alternativa, os brinquedos ocidentais voltaram a invadir o mercado iraniano.’


 


TELES
Mônica Ciarelli, Nilson Brandão Junior e Natália Gómez


Ações da Oi e BrT desabam na Bolsa


‘No primeiro pregão da bolsa depois do anúncio da compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, as ações das duas empresas despencaram na bolsa – as ações ordinárias (com direito a voto) da Oi, por exemplo, caíram 11,26%. Para analistas, as quedas refletem a realização de lucro de investidores que decidiram se desfazer dessas aplicações depois do anúncio, alguma incerteza sobre a aprovação por parte dos órgãos competentes e até mesmo dúvidas com relação à negociação dos papéis da nova empresa.


Segundo o analista Carlos Constantini, da Unibanco Corretora, o mercado não viu com bons olhos a relação de troca estabelecida entre as ações. De acordo com o analista, essa relação foi calculada com base nos 90 dias anteriores ao acordo, quando o mercado ainda não sabia que a operação incluiria o pagamento de R$ 3,9 bilhões em dividendos extras, R$ 3,6 bilhões na compra de um terço das ações preferenciais e outros R$ 9,3 bilhões na compra do controle o no tag along – que consiste no direito dos minoritários de receber por suas ações um valor próximo ao que foi pago aos controladores, caso haja mudança no bloco de controle.


‘O acionista da BrT vai entrar em uma empresa que acabou de gastar R$ 17 bilhões e, por isso, tem um potencial muito menor de pagar dividendos’, afirmou. Outro analista, que preferiu não se identificar, explica que, provavelmente, investidores que costumam especular com grandes negócios aproveitaram o momento para vender suas ações e realizar lucro. ‘Eles compram no rumor e vendem no fato. É altamente especulativo’, comentou.


Ontem, além da queda de 11,26% nas ordinárias, as ações preferenciais (sem direito a voto) da Oi caíram 9,35%. Já a ação ordinária da BrT Participações caiu 3,36%, enquanto a preferencial recuou 0,68%.


A queda nos papéis reflete em parte a reação dos investidores a informações dadas pela Oi durante uma teleconferência. Segundo o analista, a Oi informou que iria listar as ações da operadora na Bolsa de Nova York – onde a holding já é listada. ‘Isso divide a liquidez, o investidor fica em dúvida sobre que papel comprar’, afirma ele.


MUDANÇA DE CONTROLE


Em seu primeiro encontro com analistas financeiros após o anúncio oficial da compra da BrT, o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, precisou descartar com veemência a possibilidade de a operação resultar em uma mudança no bloco de controle. O tema, alvo de vários questionamentos dos analistas, preocupa porque pode encarecer a operação, já orçada em cerca de R$ 12,4 bilhões.


Isto porque, se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entender que houve uma mudança no bloco de controle, a empresa terá de oferecer aos demais acionistas detentores de ações ordinárias, em oferta pública, 80% do valor pago por ação aos controladores – o tag along.


‘Não vemos o menor risco de isso acontecer’, afirmou Falco. Segundo ele, a possibilidade de a operação ser interpretada como uma mudança no bloco de controle é tão remota que nem entrou no ‘radar’ da companhia durante os meses em que foi negociada. Por isso, a Oi não tem um plano para financiar uma oferta de tag along para esses acionistas.


Enfático, o presidente da Oi explicou que a operação acarretou apenas uma reorganização entre os sócios que já participavam do bloco de controle. Lembrou que já houve casos semelhantes e que a CVM entendeu não haver mudanças.


O anúncio de um pagamento extra de dividendos no valor de R$ 3,896 bilhões foi outro ponto muito questionados pelos analistas financeiros durante a teleconferência. O bombardeio de perguntas se concentrou basicamente no momento da divulgação dos dividendos extras, que já vinham sendo cobrados pelo mercado há um bom tempo. Tanto Falco quanto o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da companhia, José Luiz Salazar, fizeram questão de ressaltar que a decisão levou em conta o caixa confortável da empresa.’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Longe do adversário


‘Sete meses após sua prestigiada estréia, contratações e investimentos bombados e muito alarde, a Record News ainda não conseguiu emplacar.


Anunciado como concorrente de Globo News e BandNews, o canal de notícias da Record não aparece nem entre os 20 mais assistidos da TV paga em fevereiro. A Globo News, por sua vez, está entre as dez maiores audiências da TV por assinatura no início do ano.


O novo canal, que teve investimento inicial de R$ 7 milhões, também não seduziu muitos anunciantes até aqui. E olhe que, ao contrário dos demais canais do gênero, a Record News tem sinal aberto. A programação é exibida na faixa anteriormente ocupada pela Rede Mulher em UHF.


Outro obstáculo para a Record News é a perda de interesse das grifes da Record aberta por espaço na grade paga. À época da inauguração, âncoras e jornalistas da Record cobiçavam programa próprio na Record News. Brito Júnior foi um dos primeiros a anunciar que teria um talk-show, mas logo pulou do barco. Outros já estão pedindo para deixar o canal de notícias. Motivo: os baixos incentivos financeiros oferecidos às estrelas.’


 


Flávia Guerra


A hora e a vez dos Manos e Minas


‘Na platéia do Manos e Minas, o clima é ‘mil grau’. Vários manos, atitude, responsa, Zona Sul, Zona Norte, Zona Oeste, e, claro, ‘Zona Leste somos nós’. A animação é total enquanto Rappin Hood conduz a galera, que samba ao som de Jorge Aragão (tem samba, sim, sinhô) e cala em solidariedade quando o assunto é a falta de trabalho na periferia. Na tela, um jovem rapper fala do drama de procurar emprego – enquanto distribui currículos, faz seu rap. Na platéia, depois de assistir ao vídeo, um ex-presidiário solta o verbo: ‘Fui enquadrado no artigo 157. Cumpri minha pena. Tô livre e quero trabalhar. Mas quem vai dar emprego para um ex-presidiário?’ Jorge Aragão quebra o silêncio solene: ‘Quem quiser trabalhar comigo procure minha equipe. Tem vaga para ajudante geral na turnê que estou fazendo. Não é muito, mas é um começo.’


Assim foi dada a largada de Manos e Minas, que estréia na TV Cultura no dia 7, às 19h30, e promete fazer jus ao bordão ‘tá tudo dominado’. Mas, afinal, o que é Manos e Minas? Com exclusividade, fomos acompanhar a primeira gravação.


Programa de auditório? Show? Jornalismo? É tudo ao mesmo tempo – e agora. É o primeiro programa da TV nacional que não é só pensado mas também produzido pelo morador da periferia. ‘Não é show. A vybe aqui é diferente. Na TV, você troca energia com o público, mas nunca sabe como vai voltar. Está sendo ótimo. O pessoal troca idéia legal. É o espaço que faltava. Até hoje, quase sempre, quando falam de nós, é só na página policial’, reflete Rappin Hood. Em Manos e Minas, ele é mais que apresentador. É mestre-de-cerimônias. ‘Não tem personagem. Sou eu mesmo’, brada ele, que fez sua estréia na TV em 2007 no quadro Mano a Mano, do Metrópolis, em que fazia reportagens sobre temas da cena periférica de São Paulo. ‘No Metrópolis, era mais concentrado na cultura. Fomos formatando uma linguagem e amadurecemos a idéia de criar um programa novo’, comenta o diretor artístico de Manos e Minas, Ricardo Elias.


Mas quem manda na pauta da periferia? Um coletivo criativo formado pelo diretor do Núcleo de Cultura e Arte Hélio Goldstein, pelo editor-chefe Ramiro Zwetsch, o diretor de cena Dinho e por Elias. O motorista do ‘busão’ cultural é Rappin Hood.


Por falar em coletivo, um dos destaques do programa é o quadro Buzão – Circular Periférico. Já tradicional das quebradas, o Buzão é conduzido pelo agitador cultural Alessandro Buzo, que percorre em um ônibus os caminhos da periferia do Brasil. Para completar o time, a DJ Juju Denden faz reportagens com o toque das minas sobre assuntos diversos. Cabelo afro, comida de porta de estádio e, claro, moda. O escritor Ferrez fala da cena cultural que pulsa nas quebradas. Rappin também vai a campo em busca de reportagens sobre esporte e comportamento. E arremata: ‘Satisfação! Tamo junto!’’


 


***


‘Quero ensinar o mano a ser cidadão do mundo’


‘Rappin Hood não se ilude. Tem de ter muita atitude. Sempre cordial e nunca rude, diz: ‘Estou me habituando à função de apresentar um programa. Mas já adianto que a gente já tá a fim de pôr umas pimentinhas neste rango. Tem de pôr o dedo na ferida. Tipo esgoto que tá faltando. Falar da falta de emprego. Tá ligado?’


Ligados estão os radares do público das classes C e D do Brasil. Um público que assiste à TV vorazmente, o morador das periferias nunca recebeu tamanha atenção de alguém que fala sua própria língua no horário nobre. E, a julgar pela platéia que tem lotado o Auditório Franco Zampari (que já foi ponto nobre da TV Cultura, ficou por muito tempo sem grandes funções e agora volta à boa forma com a nova programação da emissora), tem aprovado. ‘Até hoje, teve várias pessoas que tentaram falar com a perifa, mas não rolava o ‘mano a mano’. Para falar com esta galera, tem de ter identificação’, defende Hood.


Ele sabe do que está falando. O rapper fala a língua do jovem que vive nos arrabaldes das grandes cidades. ‘Venho da mesma origem. A gente quer levar esta verdade para o mundo. Hoje, no fim da gravação, teve nego que veio me dizer: ‘Poxa, Rappin, a periferia invadiu o bagulho. Invadiu, mano!’, continua ele, cujo próximo passo é estender o programa à periferia de outras capitais. ‘Belo Horizonte e Rio de Janeiro estão nos próximos programas. Em breve, vamos achar uma solução para falar da periferia de todo o Brasil’, diz. ‘É uma questão importante de produção que teremos de resolver. Manos e Minas não é barato. Não é um programa de uma sofá e uma mesinha’, acrescenta Goldstein.


A tarefa é dura, mas recompensadora. Até hoje, poucos conseguiram falar da periferia, e para ela, sem adotar o tom didático ou menosprezar o espectador. Regina Casé fez um belo ensaio de orquestra com Central da Periferia, em 2006. Mas nada se compara ao olhar que surge em Manos e Minas. ‘As equipes de produção dos quadros são da periferia. E têm o ponto de vista de quem vive o contexto. Isso faz toda diferença’, comenta Ramiro Zwetsch. ‘Por isso é que a gente não quer falar só do bom. Quer falar do que também é problema. Falar de saúde, moradia, violência, emprego. Mostrar outras opções, que dá para ser mais que jogador de futebol ou cantor. O garoto tem de entender que o pai dele, que sustenta a família com o salário de metalúrgico, é digno também.’


Rappin, provando por que tem a justa fama de ter sorriso largo, coração grande e não dar bola para a lenda de que rapper tem de ser carrancudo e se fechar em seu gueto, vai além: ‘Quero fazer os moleques transcenderem como a gente transcendeu. Aprender a ser cidadão do mundo.’’


 


LITERATURA
O Estado de S. Paulo


Homenagem à obra de Machado de Assis


‘O centenário da morte de Machado de Assis também será homenageado durante a 34ª Feira Internacional do Livro, que acontece em Buenos Aires, até o dia 12. Como hoje é considerado o dia do Brasil no evento, o autor de Dom Casmurro será lembrado por uma palestra de Daniel Piza, escritor e editor-executivo do Estado. Ao longo de sua conversa, serão projetadas imagens do Rio de Janeiro do fim do século 19 e início do 20, justamente o período em que Machado viveu seu momento mais criativo e genial.


Autor de Machado de Assis – Um Gênio Brasileiro (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), livro no qual demonstra a imprevisibilidade e o universalismo do escritor carioca, Piza acredita que a platéia será formada tanto por iniciados como por pessoas que não conhecem a obra de Machado. ‘Quem não conhece, terá um panorama o sobre a obra, o autor, o ambiente em que viveu, as influências literárias. Quem conhece encontrará informações e interpretações novas’, comenta Piza.


Ontem, estava prevista a exibição do documentário Liberdade de Imprensa, de João Batista de Andrade, que também lançou o roteiro do filme (editado pela Imprensa Oficial) durante a feira de Buenos Aires. ‘A melhor mostra dos meus documentários aconteceu na Argentina, há três anos, promovida pela Funceb’, comentou o cineasta. ‘Os filmes foram digitalizados, legendados e exibidos em universidades de Buenos Aires e Rosário. Depois, fui para lá debater com o público, que já conhecia os filmes, sempre com sala cheia e grande repercussão de mídia. Na ocasião, faltou o Liberdade de Imprensa, que ainda não estava digitalizado. Por isso é ótimo voltar a Buenos Aires para lançar o livro com o roteiro e apresentar o filme restaurado.’


A Feira Internacional do Livro começou na semana passada em meio a uma polêmica: a organização Centro Simon Wiesenthal, criada depois da 2ª Guerra Mundial, qualificou como ‘provocadora’ a instalação de uma maquete do muro que separa Israel da Autoridade Nacional Palestina, no estande da literatura árabe.’


 


 


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