Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 7 E 8/01

AOL Notícias

10/01/2006 na edição 363



CENSURA BRANCA

Claudio Tognolli

Crime à brasileira, 9/01/06

‘Chamam árabes de ‘turcos’ (se você for na página do FBI, www.fbi.gov, verá algo tanto pior, que chamam árabes de ‘homens cor de oliva’, ‘olive’ em inglês). Aqui já não se manda matar jornalista: mata-se processando, processo cível, para arrancar o leite das crianças. É a morte ‘técnica’, ‘branca’.

Quando Caetano Veloso chamou o melhor crítico do Brasil, Luis Antônio Giron, de um dos ‘branquinhos da Folha de S.Paulo’, não cometeu crime racial? Claro que sim. Mas aqui se come a janta pela borda.

Nesta primeira segunda-feira do ano recebi o boletim dos Repórteres Sem Fronteiras. Dizem que o ano de 2005 foi o pior, nos últimos dez, para a liberdade de imprensa: pelos menos 63 jornalistas e cinco assistentes de mídia morreram no ano que passou. Pelo menos 807 jornalistas foram presos, 1.308 fisicamente atacados ou ameaçados, e 1.006 birôs de mídia censurados. Os números são da ONG Repórteres Sem Fronteiras.

Ano pior só fora registrado em 1985, quando 64 jornalistas morreram. Pelo terceiro ano consecutivo o Iraque vem sendo o pior país e mais perigoso para jornalistas, com 24 assassinatos de repórteres e cinco de assistentes de mídia. O país com mais jornalistas atrás das grades, em 2005, foi a China, com 32 profissionais, seguido de Cuba, com 24, e em seguida a Etiópia. Os casos de censura em 2005, 1.006 ao todo, representam o maior aumento em relação a 2004, quando registraram-se 622.

Repórteres Sem Fronteiras também registra os 15 países ‘inimigos da Internet’ em 2005: Belarus, Burmas, China, Cuba, Irã, Líbia, Maldivas, Nepal, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Síria, Tunísia, Turquistão, Uzbequistão e Vietnã.

Aqui no Brasil os sacripantas do morro fritaram Tim Lopes. E os sacripantas de terno e gravata fritam demais jornalistas de outra forma. Falo de Lúcio Flávio Pinto e Luis Maklouf Carvalho.

Ano passado o jornalista Lúcio Flávio Pinto foi condenado a pagar indenização de R$ 30 mil ao empreiteiro Cecílio do Rego Almeida.

O motivo da indenização foi um texto publicado no Jornal Pessoal há 18 anos. O juiz afirmou que Pinto fez ofensas grosseiras a Almeida, que nada acrescentaram à reportagem.

Também no ano passado, o jornalista Lúcio Flávio Pinto foi agredido num restaurante por Ronaldo Maiorana, diretor-corporativo das Organizações Maiorana — que edita o jornal O Liberal e retransmite a programação da Rede Globo de Televisão no estado.

O motivo da agressão foi um artigo publicado por Lúcio Flávio, em seu Jornal Pessoal, com críticas à atuação política do grupo de imprensa.

O diretor de O Liberal, que é coordenador da Comissão de Defesa a Liberdade de Imprensa da seccional paraense da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou que deu apenas um tapa no pescoço do jornalista.

O alvo do PT é um dos mais brilhantes jornalistas do Brasil, Luis Maklouf Carvalho, que acaba de lançar pela editora Geração seu cartapácio ‘Já Vi Esse Filme’, em que mostra como há anos já previra a ética petista de dólares no cuecão.

O então candidato Lula chegou a vetar o nome de Maklouf quando deu entrevista no programa Roda-Viva.

Lula, mesmo presidente, interfere ou manda interferir em qualquer mídia (quando se fala em anúncios do governo) toda vez que escuta o nome de Maklouf.

Esse tipo de assassinato não sai nos jornais. Nem nos relatórios dos Repórteres Sem Fronteiras. É o assassinato ‘branco’: é o crime à brasileira.’



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