Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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ENTRE ASPAS >

Após vitória, Maradona dispara contra a imprensa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 15/10/2009 na edição 559


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 15 de outubro de 2009


 


FUTEBOL


Ariel Palacios


Maradona desabafa e dispara contra a imprensa


‘A ‘Batalha de Montevidéu’, como foi definida a partida de ontem pela mídia, terminou com um suspiro de alívio dos argentinos, que nos últimos meses assistiram a uma sequência de derrotas de sua seleção. Ao fim do jogo, utilizando a típica expressão argentina ‘vamos, c…!’, Maradona, entre soluços, falava e chorava. No gramado, encontrou o manager Carlos Bilardo, que abraçou efusivamente.


Os jogadores abraçaram-se e entoaram cânticos de vitória, alguns dos quais com ofensas aos jornalistas argentinos.


No gramado do estádio Centenário, quando foi cercado pela imprensa, Maradona disparou com ressentimento: ‘Sabia que tínhamos de esperar. Sabia disso’. Segundo o técnico, seus rapazes ‘suportaram tudo’, e afirmou, em tom de revolta: ‘Eu estou agradecido ao plantel e ao povo. E ninguém mais.’ Depois, disparou contra os jornalistas de forma ofensiva.


Mais tarde, durante a coletiva de imprensa, continuou o ataque: ‘Minhas filhas Dalma e Giannina me disseram quais jornalistas bateram em mim e quais não, e quais foram filhos da p…’.


Sobre uma possível tensão na relação com Bilardo, respondeu. ‘Inventaram que a gente não se falava, sendo que a gente estava o dia inteiro conversando. Se querem criar mentiras, o problema é de vocês.’


E, ao responder se continuaria no cargo após as Eliminatórias, foi seco: ‘É algo que tenho de falar com (o presidente da Associação de Futebol da Argentina, Julio) Grondona’.


O resultado,porém, não acabou com as críticas ácidas da imprensa com o outrora ‘Pibe de Oro’, como era chamado Maradona em seus tempos de glória. Uma pesquisa realizada pelo site do jornal Clarín durante o jogo indicava que os internautas desaprovaram o desempenho da seleção. Segundo a pesquisa, 84,8% estavam insatisfeitos com a forma como a seleção havia jogado.


O site do jornal Crítica publicou: ‘Acabou o suplício: A Argentina tem um lugar na Copa da África do Sul’. Segundo o Clarín, a seleção conseguiu a classificação, embora ‘o nível do futebol tenha estado longe do esperado’. O jornal também criticou o desempenho de Messi: ‘Fez um jogo frouxo’.


A partida, esperada de forma resignada pelos torcedores, provocou somente uma paralisação parcial em Buenos Aires. Algumas das principais avenidas da região central – 9 de Julio, Corrientes, Pueyrredón e Las Heras – mantiveram o movimento durante o jogo. Já a comunidade uruguaia na Argentina, lamentou o resultado. No total, 500 mil uruguaios residem no país, o que a torna a maior comunidade fora do país.


DESABAFO


Diego Maradona


Técnico da Argentina


‘Minhas filhas Dalma e Giannina me disseram quais jornalistas bateram em mim e quais não, e quais foram filhos da p…’


‘Inventaram que a gente não se falava, sendo que a gente estava o dia inteiro conversando. Se querem criar mentiras, o problema é de vocês.’ (sobre sua relação com Carlos Bilardo)’


 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Roberto Almeida


Especialistas: censura atropela Constituição


‘A decisão de anteontem do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), que manteve a censura ao jornal O Estado de S.Paulo e ao site estadao.com.br no caso Sarney, atropelou um princípio básico da Constituição brasileira, ratificado pelo País em três tratados internacionais, alertam especialistas. Segundo eles, trata-se de mais uma derrota da população, que tem o direito fundamental de ser informada.


O princípio básico atropelado pela decisão é o artigo 5º da Constituição, que exalta a liberdade de expressão no Brasil, e as convenções internacionais ignoradas são o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos da Organização das Nações Unidas (ONU), a Convenção Americana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Declaração de Chapultepec, da Sociedad Interamericana de Prensa (SIP).


Os dispositivos nacionais e internacionais, porém, não impediram que a corte do Distrito Federal acatasse a liminar proposta pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que proíbe o Estado desde o dia 31 de julho de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal.


O andamento processual tampouco eliminou a censura. O desembargador que acatou a liminar, Dácio Vieira, foi declarado suspeito e acabou afastado do caso. Em seguida, o TJ-DF se declarou incompetente para julgar a ação e decidiu remeter o caso para a Justiça do Maranhão.


Além disso, Fernando, autor do pedido de censura e gestor dos negócios da família Sarney, já foi indiciado pela PF por lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Tratou ainda da distribuição de cargos no Senado.


‘Não há que se falar em privacidade do acusado quando o que está em julgamento são bens e recursos do Estado’, assinala o constitucionalista João Antônio Wiegerinck. De acordo com ele, essa é a interpretação corrente no mundo inteiro – menos em países autoritários.


‘A decisão tem cara de Irã, de Venezuela, de Honduras, onde há interpretação restritiva dos direitos humanos. Todo magistrado deve fazer com que os direitos protegidos se estendam a maior número de indivíduos, e o povo tem direito sim de receber a informação’, continua Wiegerinck.


Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, também constitucionalista, tem a mesma opinião,. ‘De um lado você tem uma pessoa que se alega prejudicada, mas do outro lado estão valores muito mais amplos. São valores coletivos. Como a sociedade será ressarcida? In dubio pro reu? In dubio pro liberdade de imprensa’, afirma.’


 


 


EUA


Gustavo Chacra


Declarada inimiga, Fox News reage a Obama


‘Logo depois de receber o Prêmio Nobel da Paz e em meio a consultas para decidir se envia mais 40 mil militares americanos para o Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, passou a liderar um governo que entrou numa guerra aberta contra a Fox News, a mais conservadora entre as grandes redes de TV americanas.


Tudo começou com as críticas da diretora de comunicações da Casa Branca, Anita Dunn, que acusou a Fox News de atuar como ‘braço armado do Partido Republicano’. A assessora de Obama ainda afirmou que a rede de TV deveria agir com mais correção, citando como exemplo a CNN, sua principal concorrente. A partir de agora, disse Anita, o governo tratará a Fox ‘como um oponente’. O porta-voz do presidente, Robert Gibbs, acrescentou ter assistido a ‘muitas reportagens nessa emissora que não são verdadeiras’.


Era tudo o que os apresentadores da conservadora rede TV do bilionário australiano Rupert Murdoch queriam. Nos últimos dias, os programas de comentaristas como Glenn Beck e Bill O’Reilly aproveitaram para atacar ainda mais o governo de Obama e elevar a audiência, o que serve também para alfinetar a CNN. Também dizem que Obama tem em seu favor as três grandes redes abertas – ABC, CBS e NBC -, que ‘não conseguem encontrar uma falha em sua administração’.


Beck, em seu programa vespertino, tem sido o mais ativo na guerra contra a Casa Branca, instalando, como provocação, um telefone vermelho no seu estúdio ‘dos tempos em que o governo dos EUA tinha verdadeiros inimigos, como os soviéticos, e não uma simples rede de TV’. ‘Demos o número para a Casa Branca, assim eles podem nos ligar assim que cometermos um erro no ar’, ironizava o apresentador.


Em outro programa nesta semana, Beck colocou um mapa de Manhattan com o prédio da Fox News no centro e tanques o cercando. Segundo o apresentador, essa é a guerra com a qual o governo Obama está preocupado. ‘Eles pretendem nos isolar e destruir’, disse Beck, acrescentando que o ‘presidente é um radical revolucionário comunista’. Beck ainda comparou a administração de Obama à dos nazistas.


Recebendo críticas por todos os lados, a Fox News defende-se ao dizer que existe uma diferença entre programas de opinião e de informação.


O problema é que, apesar da guerra e do crescimento da audiência, comentários como o de Beck já teriam levado ao boicote de algumas empresas, o que pode provocar uma intervenção de Murdoch, mais preocupado com os negócios.


O bilionário, apesar de ideologicamente republicano, diz que simpatiza com Obama.


No ano passado, ainda candidato, o atual presidente deu uma entrevista para O’Reilly. Mas, neste ano, o chefe da Casa Branca concordou em conceder entrevistas para os principais canais há um mês, menos para a Fox News.


Como dizem nos EUA, ‘seriam as sanções’. Como elas não funcionaram, eles partiram para a ‘guerra’ na semana passada. O problema é, que diferentemente da Al-Qaeda, do Taleban ou do Iraque, eles possuem a rede de TV a cabo com a maior audiência no território americano.’


 


 


TENDÊNCIA


Andrei Netto


Ameaça da internet à televisão fica mais próxima


‘Um estudo divulgado ontem, em Paris, pela consultoria Idate alerta que, depois da mídia impressa, da indústria fonográfica e do cinema, a TV será a próxima mídia a ter seu modelo de negócios totalmente modificado pela internet. Segundo o estudo, em três anos, 40% dos lares de países europeus poderão conectar a TV diretamente à internet, o que acelerará a interação e a oferta de vídeos e filmes sob demanda, reduzindo a dependência do telespectador da programação das TVs aberta e fechada.


Para o Idate, vem aí a revolução da TV pela internet. A transformação no modelo de negócios será causada pela chegada ao mercado de televisores equipados com plugs para conexão Ethernet, que permite a ligação ao modem residencial. Essa adaptação técnica transformará a TV em aparelho online, sem a intervenção de computadores. O resultado disso será a abertura da TV aos vídeos hoje presos à tela dos PCs.


‘Este televisor vai facilitar a vida dos consumidores que querem ver as imagens da internet na televisão’, afirma Gilles Fontaine, diretor-geral adjunto do Idate. A partir de então, empresas de alta tecnologia, como a Amazon ou a Apple, poderão fornecer programação ao consumidor, que não dependerá mais das emissoras de TV clássicas, cuja programação é presa a horários fixados pelo canal.


‘Os detentores de direitos se encontrarão em posição de força, já que vão distribuir seus programas sem passar pelas emissoras de TV’, diz Fontaine. Para o executivo, a transformação já está em andamento nos EUA, onde o site Hulu oferece online, no dia seguinte, a programação de empresas de mídia como NBC, Universal, News Corp e Walt Disney. O YouTube, do Google, também vem assinando acordos de veiculação de programas de TV de forma legal, pagando direitos autorais.


Para Fontaine, ‘a indústria da televisão se prepara para anos difíceis’. De acordo com o Idata, o mercado publicitário de 2020 em um país como a França será igual ao de 2008.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Desculpas a Cabral


‘Um pedido de desculpas na internet, na TV, comunicados oficiais e muito burburinho. Esse é saldo de um vídeo de arquivo pessoal, de 2007, exibido pelo Saia Justa, em que Maitê Proença faz piada de sua visita ao país e do jeitinho português. ‘Tive problemas com a internet do hotel e pedi um técnico para arrumar. Mandaram um técnico que não sabia nada de informática. Ele olhava para o meu mouse como se fosse uma capivara’, diz a atriz em um trecho do vídeo, no qual também imita o sotaque dos portugueses.


Exibido no quadro Saia de Vídeo, a brincadeira, que sumiu do site do canal, rendeu uma enxurrada de protestos na web, abaixo-assinado em um jornal lusitano e um pedido de desculpas gravado anteontem pela atriz, que deve ir ao ar hoje no Brasil e ainda este mês em Portugal. Assim como outras atrações do GNT, o Saia Justa é exibido por lá pelo canal pago GNT Portugal. Daí a confusão.


Apesar de o GNT negar, nos bastidores do programa é fato que o incidente compromete a participação de Maitê Proença no Saia Justa na temporada de 2010 – que já estava ameaçada -, e a continuação do quadro Saia de Vídeo.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 15 de outubro de 2009


 


PROPAGANDA


Edinho Silva


Uma fumaça sobre o governo Serra


‘O ARTIGO do deputado Samuel Moreira sobre as propagandas do PT paulista, publicado no último dia 12 neste espaço, quer criar uma cortina de fumaça sobre o governo Serra, evitando o verdadeiro debate: a disputa de dois projetos antagônicos colocados no seio da sociedade.


Mas, para não dizer que estamos fugindo do tema, vamos às veiculações.


Os dados que subsidiam nossa publicidade são oficiais e em nenhum momento foram questionados pelo governador Serra.


O PSDB sabe que tem dinheiro do PAC em São Paulo: dos investimentos em reurbanização, como em Heliópolis e Paraisópolis, do subsídio à expansão do Metrô e do Rodoanel, dos recursos para a revitalização da Billings-Guarapiranga, além das verbas para saneamento, moradia e infraestrutura e da redução de contrapartida nas obras, que beneficiou em mais de R$ 400 milhões o Estado.


Antes de atacarem, os tucanos deveriam consultar os prefeitos, inclusive seus filiados. Dessa forma, saberiam que os municípios hoje são entes federados, parceiros da União não só nas obras estruturantes mas também nos programas sociais.


Vejamos: em São Paulo, são mais de 1,1 milhão de famílias atendidas pelo Bolsa Família, 172 mil jovens no ProUni e 26 mil no Projovem; cerca de 11 milhões assistidos por equipes do PSF (eram 5,9 milhões em 2002) e 7,8 milhões por equipes de saúde bucal (1,4 milhão em 2002); sem falar de Luz para Todos, farmácia e restaurante popular, Peti e outros. O sectarismo turva os olhos! Qual o interesse em atacar o PAC?


O programa está consolidado em meio ao povo brasileiro. Não porque queremos, mas por simbolizar um projeto com a concepção do Estado fomentador do desenvolvimento econômico e social -o que permitiu ao Brasil fortalecer sua economia e criar paradigmas internacionais- e, principalmente, por promover a inclusão de 30 milhões de brasileiros.


O que existia antes, quando Serra era importante ministro de FHC?


Outra pergunta: por que atacar o Minha Casa, Minha Vida? O Secovi mostra que, em plena crise, o mercado imobiliário teve seu melhor desempenho: em maio, 21,3% dos imóveis disponíveis na cidade de São Paulo foram comercializados. No mesmo mês, segundo o Ipea, a construção civil somou 17,4 mil empregos, o melhor saldo da década. Tanto empresários quanto o Ipea reconhecem o papel do programa nesses resultados.


Portanto, não se pode atacar um programa que mantém empregos e representa o sonho da casa própria para milhões de famílias.


Quando o deputado pergunta pelas casas do programa federal, deveria questionar a CDHU sobre as últimas iniciativas que geraram um protocolo de 30 mil unidades, 17 mil em construção. No Estado de São Paulo são 84 mil unidades do programa, 19.876 em fase avançada de edificação. E o projeto só tem seis meses.


O PSDB deveria reconhecer que vivemos um novo momento. Que as transformações são profundas e que estamos interferindo nos modelos de gestão no mundo. Isso só é possível porque o governo Lula reestruturou o Estado brasileiro.


Hoje temos instrumentos, como BNDES, Banco do Brasil e Petrobras, que fomentam o desenvolvimento e democratizam a riqueza e as oportunidades. Não nos sujeitamos ao FMI e a outros organismos internacionais.


Estabelecemos metas econômicas e criamos condições para o avanço do crédito e dos investimentos, propiciando ao Tesouro nacional, inclusive, autorizar e ser garantidor, quando precisou, do endividamento de mais de R$ 7 bilhões do governo Serra.


O deputado, tão afoito nos ataques, deveria consultar a execução orçamentária de Serra. Ela explicita outro modelo de organização social, de concepção do Estado.


Os dados demonstram que 56% das ações previstas ficaram abaixo da média empenhada e 23% das iniciativas tiveram 0% de empenho. O governo Serra retirou R$ 88 milhões da habitação, R$ 53 milhões do ensino superior, R$ 26 milhões do meio ambiente, R$ 158 milhões do Metrô, R$ 17 milhões do Ação Jovem e R$ 9,6 milhões da saúde, e não empenhou um centavo sequer no projeto universidade virtual e na agência de fomento.


A comparação mostra que temos, de um lado, o governo Lula estabelecendo o desenvolvimento econômico e social, tendo o Estado como instrumento indutor de um projeto nacional, e, de outro, a inexistência de um projeto para São Paulo, a desorganização dos programas e projetos e a fragilização do papel do Estado nas relações econômicas e sociais.


O motivo para tantos ataques, além dos anseios eleitorais, é a defensiva política em que se meteu o PSDB, apostando suas fichas no ‘projeto neoliberal’, no mercado como Deus supremo, no desmonte do Estado como ‘caminho para o futuro’.


Como não conseguem apresentar propostas articuladas em um projeto, só sobra o apego ao varejo. Daí o desespero com a possibilidade de perda do protagonismo nas ações isoladas.


EDSON ANTÔNIO DA SILVA , o Edinho Silva, 44, é presidente do PT no Estado de São Paulo e ex-prefeito de Araraquara (2001-2008).’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Vaivém golpista


‘Não se confia no que vem de Honduras e os títulos dos sites e telejornais brasileiros foram cautelosos. ‘Representante de Zelaya diz que acordo foi fechado’, postou a Folha Online às 18h. ‘Governo interino nega acordo’, postou a mesma Folha Online, também em manchete, duas horas depois.


O espanhol ‘El País’ passou de ‘Primeiro acordo para a restituição de Zelaya’ para ‘Micheletti nega acordo para restituir Zelaya’.


Até sites de jornais hondurenhos que apoiaram o golpe deram manchetes como ‘Alcançado consenso sobre retorno de Zelaya’ (‘El Heraldo’ ) e ‘Consenso sobre restituição’ (‘La Tribuna’) para depois entrar com ‘Micheletti diz que a restituição será tratada’ hoje, em novas reuniões.


RALI OLÍMPICO


Em meio às manchetes sobre a alta na Bolsa de Nova York, o ‘Wall Street Journal’ descreveu o ‘rali olímpico do Brasil’ no mercado de ações.


‘Não foram apenas os cidadãos do Rio que festejaram a escolha para os Jogos. Desde então, a Bovespa subiu 7% para um novo recorde em 2009. É um desempenho digno de medalha se comparado aos mercados dos perdedores’ espanhóis, japoneses e americanos.


5%, 6%, 7%


Valor Online e outros sites entrevistaram Jim O’Neill, ‘que criou o termo Bric’ e arrisca que o Brasil pode ter crescimento de mais de 5% nos próximos anos, mas não vai a dois dígitos:


‘Devemos ficar contentes com 5%, diante dos últimos 30 anos. Após um tempo nos 5%, podemos pensar nos 7%. Mas 10%? O Brasil não tem nem gente para isso.’. Ontem na Folha, ecoando on-line, Delfim Netto apostou que o país está ‘virando a página’ para ‘recuperar’ os 6% ou 7% de crescimento.


A CRISE ACELEROU


Já Antoine van Agtmael, que ‘cunhou a expressão mercados emergentes’, diz no ‘Financial Times’ que ‘os investidores foram rápidos demais com o cenário de um Apocalipse global’. A crise ‘não descarrilhou a ascensão dos emergentes, só acelerou’. A retomada nos emergentes ‘já está em V’.


Avisa que o ‘entusiasmo corrente dos investidores’ deve baixar um pouco, ‘mas não seria inteligente ignorar a ascensão liderada pelos quatro Brics e seu potencial de longo prazo’.


10.000, MAS AINDA ATRÁS


Nas manchetes do ‘New York Times’ aos sites de finanças e aos agregadores como Huffington Post, Wall Street passou dos 10.000 pela primeira vez em um ano o que o ‘WSJ’ credita ao maior ‘apetite de risco’.


Num texto de análise, porém, o mesmo ‘WSJ’ avisa que, sobre os 20% de alta registrados pela Bolsa de Nova York no ano: ‘Contenha sua festa. As ações subiram 63% em Xangai. Na Índia, 92%. Rússia, 128%, e Brasil, impressionantes 138%. Até na velha Europa subiram mais.’


REPAGINADO


Wall Street sobe, mas o dólar, noticia o ‘FT’, ‘perde mais terreno’. A Slate, enquanto isso, destaca um esforço iniciado por blog para relançar o dólar com novo desenho. Entre as efígies, referências culturais americanas como Mark Twain e até Jack Nicholson


DO SÉCULO 21


Ecoou pelos sites e portais brasileiros, em relato da BBC Brasil. O francês ‘Le Monde’, ontem, deu página inteira para longa reportagem sobre a federal do ABC, dizendo que a instituição exemplifica como ‘Lula inventa a universidade brasileira do século 21’ a partir da ‘região operária onde ele começou sua carreira’:


‘Na universidade não há departamentos de disciplinas, mas centros de pesquisas multidisciplinares para facilitar a cooperação… O governo não economizou. Meio bilhão de euros foi injetado, 280 professores foram contratados, todos titulares de um doutorado.’


MAIS UM PASSO


No alto da busca de notícias, da agência espanhola Efe, ‘Brasil tem quase assegurada sua entrada no Conselho de Segurança da ONU’. É só a eleição, hoje, do representante da América Latina, na vaga ‘não permanente’ de 2010/11. De qualquer maneira, ‘a eleição é vista como mais um passo na consolidação do gigante sul-americano como um dos grandes do cenário internacional’ etc.’


 


 


PRESIDÊNCIA


Folha de S. Paulo


Jornalistas sobrevoam obras em avião da FAB


‘Um grupo de 25 repórteres de revistas, portais de internet e TVs de Brasília viajou para a região das obras do São Francisco a convite da Presidência na segunda-feira, retornou anteontem à capital federal e voltou ontem a Pernambuco. Jornais impressos que cobrem diariamente Lula, como a Folha, não foram convidados.’


 


 


PEQUIM


Raul Juste Lores


Cerco ameaça revista independente na China


‘Demissões em massa na revista mais influente da China colocam em risco a sobrevivência da tentativa pioneira de jornalismo independente no país.


Após pressões do governo e uma disputa que envolve controle comercial e autocensura, oito editores e 60 funcionários da quinzenal ‘Caijing’ (finanças, em chinês) pediram demissão nos últimos dias. Sua fundadora e diretora de Redação, Hu Shuli, 56, deve ser a próxima a abandonar a publicação.


A disputa envolve o grupo proprietário da ‘Caijing’, uma empresa mista de capital privado e público, e a jornalista Hu Shuli. Segundo jornalistas da revista ouvidos pela Folha, a empresa tem pressionado Hu a deixar denúncias e reportagens investigativas de lado e a aceitar produzir material jornalístico simpático a anunciantes.


Especializada em negócios, a ‘Caijing’ é uma raridade por seu jornalismo investigativo e cobertura crítica num país em que boa parte da imprensa é de propriedade estatal e há censura nas Redações.


A ‘Caijing’ foi a primeira a revelar a epidemia da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e a denunciar a precariedade de centenas de escolas que desabaram no terremoto de Sichuan no ano passado.


Editoriais críticos ao pacote de estímulo econômico ou ao nacionalismo desenfreado durante a Olimpíada destoavam do resto da imprensa chinesa.


Em 11 anos de vida, a revista nunca foi fechada nem Hu presa (como já aconteceu com publicações e jornalistas que desafiaram a linha oficial) devido aos bons contatos de Wang Boming, diretor da empresa que publica a revista, filho de um figurão do Partido Comunista.


Mas num ano de datas sensíveis ao regime (50 anos do levante no Tibete, 20 anos do massacre na praça da Paz Celestial, 60 anos da Revolução Comunista), as pressões contra a revista aumentaram, assim como a autocensura.


Com circulação de 250 mil exemplares e consumida pela elite chinesa, a revista é considerada a mais lucrativa do país.


Desde o início, Hu proibiu seus repórteres de receber propinas para escrever sobre empresas, algo comum na imprensa chinesa, onde se distribuem envelopes com dinheiro até em entrevistas coletivas.


Com 300 funcionários, a ‘Caijing’ começou a reproduzir várias iniciativas da revista britânica ‘Economist’, como lançar ao fim de cada ano edição especial com perspectivas para o ano seguinte e organizar conferências pelo mundo.


Hu também preparava o lançamento de um serviço de notícias sobre a China para competir com Bloomberg e Dow Jones. Na disputa com a empresa, ela exigia maior controle da parte publicitária e da receita da publicação.


Segundo fontes da própria revista, a demissão em massa é uma última tentativa de Hu impor suas condições para seguir à frente da ‘Caijing’. Como plano B, ela abriria outra publicação com a equipe que deixou a revista. Mas não se sabe se, sem padrinhos influentes, Hu conseguirá continuar a fazer jornalismo crítico.’


 


 


CIRCULAÇÃO


Folha de S. Paulo


‘Wall Street Journal’ passa a ser o jornal mais vendido dos EUA


‘O ‘Wall Street Journal’ superou o ‘USA Today’ como o jornal mais vendido nos Estados Unidos.


Os dados oficiais de circulação ainda não foram divulgados, mas o ‘WSJ’ informou ontem que teve uma alta de 12 mil assinaturas entre abril e setembro. Com o acréscimo, sua circulação média diária de segunda a sexta-feira passa para 2,02 milhões de exemplares.


Na semana passada, o ‘USA Today’ afirmou que teve sua pior queda na circulação, que recuou 17%, para 1,88 milhão de exemplares, o que fez com que o jornal perdesse a liderança.


As regras de auditoria permitem que os jornais contem também as assinaturas de sua versão on-line. O ‘USA Today’ diz ainda ter a maior circulação impressa do país.


‘Boston Globe’


A New York Times Co. anunciou ontem que não irá mais vender o ‘Boston Globe’. A decisão deve-se à melhora na receita da empresa.


‘O ‘Globe’ teve significativa melhora em sua condição financeira ao seguir o plano estratégico que fora estabelecido’, disseram o presidente do conselho, Arthur Sulzberger, e a presidente da empresa, Janet Robinson.’


 


 


INTERNET


Folha de S. Paulo


Lan houses terão de identificar seus clientes


‘Estabelecimentos que oferecem acesso à internet, como lan houses e cybercafés, terão de produzir cadastros com nome e número de identidade de usuários. Projeto sobre o assunto foi aprovado ontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A proposta será enviada diretamente para apreciação da Câmara.’


 


 


TELEVISÃO


Rodrigo Russo


TV Brasil é conhecida por quase um terço da população


‘Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha constatou que aproximadamente um terço da população brasileira (34% dos entrevistados) conhece a TV Brasil -emissora ligada ao governo federal e criada no fim de 2007 para servir como rede pública. Ainda segundo a pesquisa, que ouviu 5.192 pessoas em todas as regiões do Brasil, 10%da população assiste regularmente à programação do canal. Esse número corresponde a 19.150 milhões de habitantes, conforme a estimativa de população divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)neste ano.


A margem de erro da pesquisa, feita em agosto, é de dois pontos porcentuais. Outro ponto positivo para a Empresa Brasil de Comunicação, responsável pela TV Brasil, é o índice de 80% de aprovação da programação do canal -embora os filmes tenham o maior grau de satisfação. Vista pelos movimentos sociais como uma esperança de democratização da comunicação, a TV Brasil ainda é majoritariamente vista (64%) em casa por quem tem antena parabólica ou TV por assinatura.


As dificuldades de sintonização foram apontadas por 42% dos entrevistados como motivo para não assistirem à emissora. Porém, no que diz respeito ao Ibope, como mostrou matéria publicada na Folha em 30 de julho deste ano, apesar de a emissora não divulgar os dados de audiência, sabe-se que eles estão na zona do ‘traço’. No fim do mês, deve ser definida a renovação de metade do conselho da emissora, composto de indicados por Lula.


‘MERCHAN’ NOVO


Não há mais limites entre publicidade e conteúdo: o ‘Pânico na TV’ lança neste domingo o quadro ‘Gladiadores da Verdade’. Para promover um novo ‘energético diurno’da Coca- Cola chamado Gladiator, os humoristas encarnarão personagens como ‘Motoboy Maurinho’, como desafio de combater inimigos do calibre de ‘Patrão, o Impiedoso’e ‘Salário Merreca’.


AMOR E SEXO EM SP


A apresentadora Fernanda Lima, que comanda o programa ‘ Amor e Sexo’, deve gravar amanhã cenas nas ruas de São Paulo. A atração, comandada no Rio de Janeiro, recebe nesta semana os humoristas Leandro Hassume Fabiana Karla.


FORA DO ESTÚDIO


O ‘Roda Viva’, programa de entrevistas da TV Cultura,grava amanhã entrevista especial, fora do estúdio. O convidado é Jon ‘mad dog’Hall (o apelido significa cachorro louco), presidente da Linux International, instituição sem fins lucrativos que trabalha para promover o uso de software livre e código aberto. O programa vai ao ar nesta segunda, dia 19.


O EX-PATRÃO GANHOU


No Rio de Janeiro, Silvio Santos levou a melhor na audiência contra seu ex-funcionário Gugu no domingo passado. No horário em que os dois programas concorreram, o programa de Silvio, no SBT, teve14 pontos no Ibope, enquanto o de Gugu, na Record, teve dez.’


 


 


 


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