Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

FEITOS & DESFEITAS > TV GLOBINHO

Apresentadora fala o que não deve

Por Jorge Eduardo Padilha em 29/03/2005 na edição 322

Mais uma vez nos vemos diante de um disparate oriundo da banda lateral do meio artístico. Aquela que sempre visa chamar atenção da mídia e do público pelas maneiras mais rasteiras possíveis. Quando se trata de apresentadoras ou cantoras infantis que querem subir a todo custo, a tática já é conhecida: tirar a roupa para alguma revista masculina. Desta vez, houve quem conseguisse apelar mais.

Há duas semanas fomos brindados na revista IstoÉ Gente com um perfil sobre a dublê de atriz Maytê Piragibe que vêm atuando como apresentadora do programa matinal da Rede Globo TV Globinho e preenche o resto de seu tempo fazendo pontas numa novela da casa. No texto, um pouco sobre a vida e a criação de Maytê, suas aspirações, objetivos profissionais e filosofias religiosas. Um realce foi dado ao fato de ter namorado um homem de 30 e tantos anos de idade quando tinha 19. Mas o que viria depois causaria mais surpresa do que a informação de que ela é uma menininha ‘pegadora’ de homens mais velhos. Um parágrafo foi dedicado a reverberar opinião muito pessoal da apresentadora tatibitate: ela é favorável legalização da maconha – embora não tenha gostado muito do entorpecente nos tempos em que era usuária, acrescenta a revista.

A simples premissa de se escrever sobre a vida pessoal de uma apresentadora que se dirige ao público infantil não tem nada de reprovável – a não ser pelo fato de a personagem em questão ter externado opiniões pessoais nada aconselháveis, por se colocar a favor da liberação do consumo de maconha no Brasil e também por se revelar usuária da droga. Será que Maytê Piragibe desconhecia a dimensão do fato de externar um pensamento destes? Claro que sabia. A atitude politicamente nada correta foi tomada com o objetivo de gerar curiosidade sobre seu nome e fazer com que haja mais divulgação de seu trabalho.

Ninguém conhece

Ou então foi uma atitude daquelas ‘agora já sou mulher e vou mostrar aos adultos o que penso’. A situação certamente gera saia justa para a Globo, que subitamente tomou conhecimento de que uma pessoa que empresta sua imagem à linha de programação infantil da emissora ostenta opinião da qual a imensa maioria dos pais gostaria de manter os seus filhos pequenos afastados. Se uma criança de 8 anos que assiste diariamente à TV Globinho pega a revista para ler uma reportagem sobre a apresentadora de quem gosta fica automaticamente com a impressão de que fumar maconha é legal, porque a apresentadora da TV Globinho defende sua liberação.

Pode ser uma tentativa aberta de buscar os holofotes pela provocação de polêmica. Cabe lembrar que os exemplos em nosso meio artístico de pessoas que gostam de provocar barracos para chamar atenção caracterizam inexistência de talento e capacidade. É aquela teoria do Andy Warhol mais uma vez concretizada: todo mundo tem seus 15 minutos de fama. E Maytê Piragibe percebeu que criando uma fogueira faria seu nome circular mais. Creio que cabe da parte da Globo uma explicação a respeito.

E à moça, com todo o respeito, a devida punição por ter falado o que não devia. Onde já se viu uma apresentadora que lida com crianças enaltecer o uso de drogas? Por outro lado, pode-se dar um desconto… Você não conhece Maytê Piragibe? Não se preocupe. Ninguém conhece.

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Gerente de comunicação, Novo Hamburgo, RS

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/04/2005 Gil Horta Rodrigues Couto

    A preocupação maior, nestes dias de midía superficial, é aparecer. Não importa como. Vale um comentário maldoso, um papagaiozinho de pirata, uma foto aqui outra acolá, um programa da tarde aqui um outro no domingo, se for no domingo, melhor.
    A estética. Tudo pelo BELO, mas tudo fica MALDITO quando: Vale aparecer a qualquer preço, vale falar qualquer coisa, toca-se um tambor (usei essa palavra para não mandar um palavrão iniciado com a letra F)nada amistoso e de barulho ensurdecedor nos ouvidos dos pobres diabos atingidos pelos meios de massa.
    Jovens atrizes ou atores, recém saídos de algum curso para jovens atrizes ou atores, dão declarações de jovens atrizes ou atores. Apologia a maconha, a homens mais ‘idosos’, ‘garotões de meia idade’ e o uso indiscriminado da metralhadora giratória das declarações equivocadas. Ler e ouvir, fazer o quê? Tomara que nossas crianças estejam na escola.

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