Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

FEITOS & DESFEITAS > GÊNERO & PODER

As mulheres na imprensa e a igualdade

Por Diogo Molina em 12/09/2011 na edição 659

Olhando para as jornalistas mulheres ocupando cargos de chefia nas redações jornalísticas, é interessante recuar no tempo e perceber que é um avanço e que era impensável essa realidade nas décadas de 1940 e 60 no Brasil.

A jornalista Eleonora de Lucena ocupou os dois principais cargos na direção de Redação daFolha de S.Paulo, sendo subordinada somente ao diretor de Redação, Otavio Frias Filho, tendo sido secretária de Redação e editora-executiva. Hoje é repórter especial do jornal. Um exemplo somente de mulheres nas Redações ocuparem cargos de chefia. Na Folha, as jornalistas Denise Chiarato e Fernanda Mena respondem pela chefia de duas editorias: Cotidiano e Ilustrada. Recentemente, o cargo de editora de política na Folha era ocupado por Vera Magalhães, hoje repórter especial do jornal.

Atual ombudsman do jornal, Suzana Singer quebra uma hegemonia masculina entre os titulares da função. Não que os jornalistas homens que ocuparam a função fossem incompetentes, mas houve um desequilíbrio entre ombudsmans homens e mulheres. Dos dez jornalistas que já ocuparam o cargo, somente três foram mulheres (Junia Nogueira de Sá, Renata Lo Prete e Singer, que já foi secretária de Redação). Dificilmente, se imaginaria uma mulher ser diretora da sucursal de Brasília da Folha, de O Globo e Gazeta Mercantil. Foi o caso de Eliane Cantanhêde, que foi colunista dos jornais Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e hoje é colunista da Folha, jornal mais importante do país, além de repórter especial, entrevistando personalidades políticas importantes como Celso Amorim e Nelson Jobim. O jornal Valor Econômico, especializado em economia, tem sua Redação dirigida por Vera Brandimarte.

Quem disse que elas não podem?

No Executivo, pela primeira vez temos uma mulher na Presidência da República do Brasil: Dilma Rousseff. No Chile, Michele Bacheletfoi presidente, da mesma forma que na Argentina Cristina Kirchner é a primeira mulher a presidir o país.

Os avanços em relação às políticas de direitos iguais destinadas as mulheres se dissecam mais nos direitos, mas se esquecem de informar das obrigações desses direitos. Falar em direitos iguais significa dizer direitos em que estão embutidos os deveres, assumindo a responsabilidade igualmente a exercida aos homens, respondendo a justiça. Mas mesmo ocupando cargos importantes em empresas, a mulher ainda tem salário inferior aos homens, é agredida por seus companheiros e a Lei Maria da Penha não funciona como no papel se determina.

No Brasil, já ocupam cargos no Executivo ao Legislativo, nas Redações e como formadoras de opinião. Lutaram para dizer podiam ter o direito ao mesmo prazer sexual que os homens; revolucionaram a década de 1960 com a pílula anticoncepcional para evitar a gravidez indesejada e já contribuem com o orçamento doméstico. Engoliram muitos sapos para alcançarem seu objetivo sem a imposição masculina. Encorajaram-se pedindo o divórcio se não eram felizes no casamento. São convictas, se assumindo homossexuais. Já assumem suas ideologias, igualmente com os homens. Quem disse que elas não podem? Pelo contrário: podem, sim!

***

[Diogo Molina é estudante]

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