Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Baixaria no Triângulo

Por Robson Santos Carvalho em 09/10/2007 na edição 454

Como paulistano já vi diversos programas ‘jornalísticos’ policiais bizarros, porém quando me mudei para Uberlândia descobri que a pior capa do antigo Notícias Populares não passa perto do nosso principal noticiário matutino na TV.

A filial do SBT no Triângulo Mineiro, a TV Vitoriosa, tem uma programa denominado Chumbo Grosso. Ela é líder de audiência na cidade, abordando uma programação tão horrenda que faria Gil Gomes vomitar. Como urubus, com seus rádios conectados com a polícia (principais colaboradores), quando tem um cadáver dilacerado na cidade eles chegam antes de seus amigos: filmam, dão zoom no corpo, mostram ferimentos, enfim… é notícia madura, quase em decomposição.

Pergunto: cadê a regulação para esse tipo de programa? Anatel? Como faço para denunciá-los? Tenho três primos na faixa dos 12 anos que moram aqui, eles nem querem saber mais do desenho do Pica-Pau, só comentam sobre as filmagens. No domingo (30/9) morreu uma pessoa nas proximidades do meu bairro com seis tiros e filmaram orifício por orifício, com bonûs de boca ensangüentada e tudo. Meus primos adoraram. E tudo isso às 7 horas da manhã. E eles saíram loucos para debater sobre o fato com seus coleguinhas na escola. Estou preocupado com o futuro emocional de meus primos. Como devo proceder sobre esse fato?

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Sobre a decisão do Supremo com relação ao tema, nós brasileiros deveríamos lastimar e não comemorar. Creio que a imprensa neste país, ao querer ser formadora de opinião, tem cometido erros absurdos e perde a oportunidade de ensinar a todos que ao Legislativo cabe elaborar as leis e ao Judiciário fazê-las cumprir.

No domingo (7/10), no jornal A Tarde (de Salvador, BA), Samuel Celestino reconhece ‘quem trocou de partido o fez em razão de não existirem regras que impedissem a movimentação interpartidária’. Mais adiante, afirma que o Supremo ‘iniciou uma reforma política que o Congresso nunca desejou fazer’. Logo, é o Supremo se arvorando a legislar! E a imprensa não diz nada, até aplaude! Justiça seja feita ao ministro Eros Grau, que mostrou que isto não está na Constituição, não está em lei! Parabéns aos dois que seguiram seu voto.

Eleições proporcionais são as da Câmara Federal, assembléias estaduais e municipais, mas, mesmo assim, tais vagas são das coligações e, em sendo assim, o deputado ou vereador poderia migrar livremente dentro dos partidos da coligação, quantas vezes desejassem. Absurdo colocar ‘a partir de 27 de março’; se a decisão já estaria respaldada em lei, deveriam citar número e artigo. Em nenhum lugar do mundo não se cumpre a Lei por desconhecê-la. (Paulo R. F. de Moura Bastos, professor universitário, Salvador, BA)

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Quero solicitar informações de como mais podemos intervir, enquanto cidadãos, frente à denúncia abaixo reproduzida. Já encaminhei tal denúncia à própria TV, aos meus deputados, ao Ministério Público e o problema persiste:

‘A denúncia refere-se ao uso da TV Assembléia de Mato Grosso como púlpito evangélico. No dia 16/08/2007, em torno das 22:30 horas, a programação da TV Assembléia tinha uma pregação da igreja assembléia de Deus do bairro Santa Cruz de Cuiabá (ADNA). O Estado é laico. As TVs são concessões públicas, portanto, a TV deveria também ser laica. Contudo, vemos no país a concessão de canais de TV para grupos religiosos, católicos e evangélicos, inclusive tecendo críticas agressivas às expressões religiosas espíritas ou de origem africana (candomblé ou umbanda). É inaceitável e já existe um debate nacional. Assim, não é admissível o uso da TV Assembléia de MT (que é parte do Estado) promover programação religiosa.’ (Rosa Lucia Rocha Ribeiro, enfermeira, Cuiabá, MT)

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Em 1821, Dom Pedro I (1798- 1834) decreta o fim da censura prévia. Em 2007 ainda há espasmos de censura em meios de comunicações controlados por religiosos ou caciques políticos, especialmente no Norte e no Nordeste. Acusam a imprensa (livre, curiosamente) de ser o quarto poder. Isso é uma injustiça, pois revelaria confronto entre ‘poderes’. A imprensa atua intrapoderes, o que a legitima e aproxima esse trabalho diuturno de busca pela democracia que esperamos. (Luiz Serra, professor de literatura, Brasília, DF)

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Parlamentares na mídia: trata-se de legislar em causa própria. Formar patrimônio sem causa, a custa da informação idônea e isenta. Dizem que a mídia quer ter os poderes da República. Eu digo: há uma promiscuidade entre ambas. O povo acaba conhecendo a opinião ‘publicada’ no lugar da ‘opinião pública’. Que falta que o Rui Barbosa faz! A mídia deve ser o eco da nação e não o eco do que o político quer que seja. (Gilberto José Muniz, diretor da Associação de Moradores C A C Grande, Rio de Janeiro, RJ)

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Recentemente a TV O Povo fez um contrato em parceria com a TV Assembléia no Ceará para a transmissão do programa Jogo Político, com apresentação do colunista político Fabio Campos. Seria normal a parceria entre as duas TVs públicas (isso mesmo, apesar da TV O Povo ser de um grupo privado, ela é uma concessão educativa) se não fosse o programa Jogo Político uma mesa de debates sobre a classe política cearense. Como pode, então, o programa ter uma parceria com a TV da classe? Isso não interfere na linha editorial do programa? Essa relação não é perigosa? (Eduardo Silva, professor universitário, Fortaleza, CE)

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Estudante de filosofia; Uberlândia, MG

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