Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > IMPRENSA E LEITOR

Balanço favorável

Por Marinida Carvalho em 16/01/2006 na edição 364

A semana passada foi de balanço da participação do leitorado em dois grandes veículos, Veja e Folha de S. Paulo. Em 2005 a Veja recebeu 106.913 mensagens (que os redatores grafam estranhamente à moda anglófona: 106 913, sem ponto…) – 12.118 cartas a mais do que no ano anterior, informa a edição nº 1.938 (11/1/06), pág. 27. No domingo (8/1), o ombudsman da Folha escreveu em sua coluna:




(…) Em 1996, o jornal tinha uma circulação média diária de 519 mil exemplares e o ombudsman recebeu 6.201 mensagens, 19,32% delas por e-mail. Agora, deve ter fechado 2005 com uma média diária de 308 mil jornais e o ombudsman recebeu 10.688 mensagens, 95% por e-mail. O aproveitamento de cartas no Painel do Leitor é pequeno. Em 2005, o jornal recebeu 33.005 cartas (9% a mais do que em 2004) e publicou 2.722 (6% a menos). Em 2004, foram aproveitados 9,1% das cartas enviadas; em 2005, 8,25%.


(…) Fiz um levantamento de cinco semanas, de 28 de novembro a 1º de janeiro. Neste período, o jornal recebeu 2.775 cartas, publicou 254 (9,2%), sendo que 49 (19% das cartas publicadas) referiam-se aos assuntos de maior interesse dos leitores e 60 (24%) eram assinadas por assessores de imprensa ou por pessoas exercendo o legítimo direito de resposta. (…) O jornal recebeu em 2005 cerca de 2.700 artigos e publicou 724. Apenas uns 200 foram encomendados pelo jornal, os demais chegaram por iniciativa de leitores. (…)


O cuidadoso ombudsman da Folha sugere que na reforma gráfica do jornal, prevista para breve, um espaço maior seja reservado aos leitores. Na Veja, o aumento de mensagens de 2004 sobre 2003 foi de 14.824, e de 2005 sobre 2004, de 12.118. Sobre 2001, este aumento foi de 42.364 – ou seja, 65% a mais. Pena que a revista não faça distinção entre mensagens recebidas e mensagens publicadas.


Internet é troca


É uma área extremamente sensível. Seja pela alegada falta de espaço, questão de decisão editorial, seja pela evidente seleção, que muitos leitores consideram sinônimo de dirigismo, a mídia escrita geralmente se sai mal nos levantamentos sobre a participação dos leitores. E há outros agravantes. O público vem reclamando crescentemente do espaço destinado a queixas ou esclarecimentos de autoridades na seção dos leitores, prática que o jornalista Carlos Brickmann, colaborador fixo do OI, chamou de ‘função dupla’ no texto ‘Cartas ao vento’ (2004): ‘São funções opostas: quem escreve para desmentir, ou esclarecer, ou acrescentar, acaba tomando o espaço do leitor’.


Para registro, 40 leitores escreveram ao OI em 1996 – ano em que o Observatório da Imprensa foi criado na internet. Em 2001 publicamos 2.054 cartas, fora os artigos enviados por leitores. No post O leitor participa, em 9 de janeiro, Mauro Malin, editor do programa do OI no rádio e do nosso blog Em Cima da Mídia, escreveu:




Um dos atributos notáveis deste Observatório é a participação dos leitores. Em 2005 foram publicados neste site 5.178 textos e 4.339 cartas no Canal do Leitor (aí não estão contadas as que foram arquivadas por falta de foco, ofensas ou inconsistência nos dados de identificação do remetente). As cartas correspondem a 45% do total de 9.517 textos. Não estão computados os textos inseridos nos blogs e os respectivos comentários. Nesse caso, o número de intervenções de leitores é bem maior do que o número de tópicos que as suscitaram.


Na edição passada do OI (nº 363), 231 leitores escreveram ao Observatório: 218 cartas foram publicadas. Afinal, internet é troca, e nisso o OI aposta há 10 anos. ‘O fazer jornalístico – aqui, jornalismo sobre o jornalismo – é alterado o tempo todo por essa participação crescente dos que, não muito tempo atrás, apenas recebiam o fluxo de informações e opiniões’, lembrou Mauro.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/11/2006 Hugo de J L Mancin Mancin

    Hugo
    hmancin@superig.com.br

    O SR: Fernando Gabeira acha que a oposição está mais fria, porém não é isso que eu tenho observado, ele deve estar é querendo colocar mais lenha na foqueira.Senão vejamos o sr: Heráclito continua usando a ironia costumeira e tentando fustigar ainda mais a imprensa contra o governo, o sr: Bornhausem com a impáfia e a arrogancia de sempre propôe fazer uma oposição responsável porém implacável como que se realmente não fosse este o papel da oposiçãoo sr : Mão Santa usa sempre a tribuna para denegrir cada vêz mais a imagem do governo, e todos justificam sua agressividade, ironia, sarcasmo e reatividade dizendo que o pôvo os elegeu para colocarem-se na trincheira, e que não darão um passo em direção ao palácio do planalto.Realmente eles foram elegidos como oposição, porém mesmo seus eleitores não acredito que não queiram o bem do país, não acredito que não queiram melhorar a questão dos empregos, da saúde, da educação, da corrupção, da economia, da segurança e do desenvolvimento de uma forma geral.Tenho a impressão que seus eleitores mesmo que insatisfeitos com o atual governo, os colocaram lá para trabalharem em prol do país como um todo, sendo oposição porém uma oposição responsável, proativa,madura, eficás, equilibrada, que tenha principios, Hábil, e que saiba que é necessário o envolvimento, mudando os paradigmas e comportamentos para que o país em geral e até os políticos obtenham resultados melhores em todas as carências.Não defendo o governo por ser deste ou daquele partido, defendo sim porque eles foram eleitos para governar com tranquilidade e responsabilidade para todos os brasileiros, e quem foi colocado lá deve ter a responsabilidade em exercitar os dons humanos através de escolhas conscientes em tomadas de decisão em todos os sentidos e assuntos à favor do brasil.Uma oposição reativa está sempre permitindo que influencias externas(sentimentos, circunstâncias ou humores)controlem suas atitudes ou respostas, por isso digo que a oposição pode e deve ser atenta, porém proativa não simplesmente reativa, garanto que o senador Arthur Virgillio também pensa desta forma porque tem demonstrado mesmo sendo da oposição,um que demonstra acima de tudo querer o bem de seu pôvo por suas atitudes e seus atos.
    Abraço.
    Hugo.

  2. Comentou em 18/01/2006 Maria Isabe Lopes da Costa

    Após ter sua tese de doutorado inicialmente recusada, um jovem físico, submeteu suas idéias novamente baseada em experimentos pensando que isso poderia vir a ajudá-lo na ascensão no escritório de patentes em que trabalhava como técnico de terceira classe e abriria a chance de uma carreira acadêmica, que veio 3 anos depois. Este acontecimento se deu a 100 anos atrás. Seu nome Albert Einstein. A tese recusada: a Teoria da Relatividade que destruiria o caráter absoluto atribuído, durante séculos, ao tempo e ao espaço (Revista Ciência Hoje 212 – janeiro/fevereiro de 2005).

    Tendo com base de informações dados relativos, hoje somos mais de 180 milhões de brasileiros (www.ibge.gov.br), onde mais de 1/3 do total trabalhadores ocupados recebe até um salário mínimo, ou seja R$300,00 (Carta Social e do Trabalho,www.mte.gov.br). Este número sobe quando a faixa vai para dois salários mínimos somando-se a ele a informalidade. De acordo com a nossa Constituição este salário mínimo deverá ser capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Este brasileiro gasta com alimentação, tomando como base o valor da cesta básica para o Estado de São Paulo, R$183,43 (www.dieese.org.br). Este valor equivale a aproximadamente 61% deste salário. Esta dita cesta corresponde a 6k de carne, 7,5l de leite, 4,5kg de feijão, 3 kg de arroz, 1,5 kg de farinha, 6kg de batata, 9 kg de tomate, 6kg de pão (corresponde a 300 pães de 20 gr), 600g de café, 7,5 dz de banana, 3kg de açucar, 900 ml de óleo e 750 g de manteiga .
    Restam R$ 116,57, 39%, para os 8 ítens restantes que provavelmente deverão ser cobertos pelos serviços públicos. Com este perfil os filhos deste brasileiro, se não estiverem colaborando com o orçamento doméstico, estudam em colégio público, como ele o fez (se…), e recebe os livros didáticos de mesma fonte. Se este brasileiro, que não será denominado aqui como estatisticamente “médio”, porque é maioria, tivesse adquirido o hábito pela leitura e comprasse um jornal ao custo de R$1,00 diariamente, gastaria 10% do seu salário lhe sobrando R$86,57 para os 8 itens restantes. Assinar o JB semestralmente ficaria mais caro. Custaria R$46,50 o que representa 15,5% do dito salário. Já com a assinatura semestral de uma revista como a Veja lhe sobraria R$44,57 para os 8 itens restantes. Bem a questão é que não dá para o brasileiro médio-maioria ler!!!
    Quando parte desta mídia critica o Presidente, de forma cínica e jocosa,de não ler, etc e tal, está criticando este brasileiro médio-maioria. Este brasileiro médio-maioria não se vê representado nestes artigos, para esta “grande mídia impressa” ele é minoria, no processo de tomada de decisão,ou melhor nem existe, pois não é consumidor do tal jornal ou revista que se auto proclamam representantes da voz do povo. Então estes artigos só não são letras jogadas ao léu porque recebem eco de uma parcela da sociedade. Maioria ou minoria dependendo do referencial. TVs e Rádios, estes últimos com o alcance ainda maior do que os primeiros, para este brasileiro médio-maioria-minoria, são mídias que fazem mais efeito (vide eleição CollorxLula).
    Em que meio mesmo que o migrante promovido a líder de massas (coluna de Augusto Neves, JB intitulada Leia, Lula, leia. (http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/augusto/) se comunica com a nação??? Ops, adotei um discurso cívico através de uma pergunta!

    Observar, relacionar dados fidedignos e tomar decisões parece ser a palavra de ordem para este ano. Não sou jornalista, por isto o hábito de citar as fontes de dados que são as chamadas referências bibliográficas e que traz credibilidade e seriedade ao meio científico. Relativizando, relacionando e adotando uma visão em perspectiva a análise de informações pode ter um contexto positivo ou negativo dependendo do referencial no tempo ou no espaço. Os acontecimentos que se acreditam estarem sendo vividos no passado se tornaram histórias diferentes no presente e provavelmente os acontecimentos que vivemos no presente formarão um contexto histórico diferente no futuro. Este processo é dinâmico, pois a cada dia novas informações afloram e o que faz pontos de vista se tornarem história é a verdade. E esta história, mesmo assim, não é absoluta!

    Para não terminar com uma pergunta, e como faço parte dessa massa, duas sugestões de conotação cívica-democrática, respecctivamente, para os Diogos Mainardis e institutos de pesquisa: um programa de rádio para colocarem para o povo OUVIR os adjetivos que direcionam ao Presidente da República e uma pesquisa para saber quantos brasileiros têm e escutam rádio X compram jornais e revistas. E aí sim fazerem frente a este, agora doutor em comunicação (que acinte!), que redescobriu este meio de comunicação de massas!!! Seria um teste de fogo!

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