Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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BBC luta contra divulgação de relatório

18/10/2006 na edição 403

A BBC apela na justiça, em um processo sem precedentes, para evitar a divulgação de um documento com base do Ato de Liberdade de Informação. Acredita-se que o chamado Relatório Balen contenha duras críticas à cobertura da rede sobre o Oriente Médio e evidências de inclinação anti-Israel na programação.


Como qualquer órgão público, a BBC – financiada por dinheiro da população britânica – é obrigada a liberar informações sobre si própria sob o Ato. Entretanto, a rede pode reter material relacionado à produção de arte, entretenimento e jornalismo.


Batalha


A apelação no Tribunal Superior é o último estágio de uma longa e dispendiosa batalha travada pelo advogado Steven Sugar para obter acesso ao documento, que foi compilado pelo conselheiro editorial da BBC Malcolm Balen em 2004. Em primeira instância, o comissário de Informação Richard Thomas, responsável pelas aplicações do Ato, foi favorável à rede, afirmando que o relatório, que contém a análise de centenas de horas de programação de rádio e TV, poderia ser preservado longe do público. Sugar apelou da decisão e, após uma audiência que durou dois dias, o Tribunal de Informação decidiu a seu favor.


O advogado justifica a batalha legal contra a BBC dizendo que ‘este é um sério relatório sobre uma questão séria e foi feito com o dinheiro público’. Ele afirma que sua preocupação inicial era de que a cobertura da BBC sobre a segunda intifada fosse ‘seriamente desequilibrada contra Israel’, mas, após a reação da rede, ele acredita que ‘há outras questões envolvidas’.


Críticas


A cobertura da BBC sobre os conflitos no Oriente Médio é freqüentemente condenada por analistas políticos e de mídia. Em um controverso episódio no fim de 2004, a correspondente da rede no Oriente Médio afirmou, durante uma transmissão de rádio, que chorou quando soube da morte do líder palestino Yasser Arafat.


Dados divulgados pelo Information Commissioner´s Office, órgão independente responsável pelo acesso a informações oficiais, revelam que foram recebidas 105 reclamações sobre a reação da BBC à tentativa de divulgação do relatório desde janeiro de 2005, quando o assunto veio à tona. Apenas quatro destas reclamações foram descartadas; as outras estão sendo examinadas. A rede se recusa a dizer quanto está sendo gasto com o processo legal, e afirma que apelou da decisão do Tribunal de Informação porque ‘este caso tem maiores implicações relacionadas a como o Ato é aplicado a emissoras públicas’. Informações de Chris Hastings e Beth Jones [The Sunday Telegraph, 15/10/06].

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