Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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Berlusconi lança revista na França

Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 08/09/2009 na edição 554

O grupo Mondadori chegou a Paris em alto estilo. No sábado (29/8), o grupo de Silvio Berlusconi lançou no mercado francês Grazia, revista semanal que tem um conceito próximo das bem-sucedidas Elle, Vogue, Marie-Claire e Cosmopolitan. Grazia faz uma bem dosada mistura de moda, celebridades e reportagens da atualidade política e social.

A Grazia francesa é a 13ª edição da revista que nasceu na Itália em 1938 e, a julgar pelo primeiro número, não vai lhe faltar o apoio das grandes marcas. Com 180 páginas, o número 1 tem 56 páginas de publicidade de pesos-pesados como Dior, Lancôme, Kenzo, Dolce e Gabbana, Gucci, Longchamps e Louis Vuitton, para só citar alguns.

Vincent Soulier, autor de Presse féminine, la puissance frivole (Imprensa feminina, o poder frívolo) ressalta o peso dos anunciantes de grandes marcas: ‘A imprensa feminina é mais do que nunca uma ilha onde tudo é luxo, beleza e volúpia, onde são os valores hedonistas que dominam.’

No seu editorial, a diretora de redação de Grazia, Yseult Williams, diz que as páginas de atualidade internacional da revista são escritas para mulheres que ‘têm vontade de saber tudo sobre todas as coisas e de preferência antes de todo mundo’.

Duas grandes concorrentes

Paris ganhou grandes cartazes de publicidade da revista nos locais específicos para outdoors, as famosas colunas Morris. Como argumento de venda, um preço convidativo, apenas 1 euro – mais barato que o jornal Le Monde, que custa 1,40 euro ou o Libération, a 1,30 euro.

Sem textos muito longos nos itens destinados a tendências de moda e celebridades, a revista traz, no entanto, textos mais elaborados e extensos em reportagens como a de capa, com a modelo Kate Moss, que descobriu seu lado rock and roll e se empenha seriamente na carreira de cantora, segundo a revista. Ou na reportagem sobre a discussão da legalização da maconha na Califórnia, uma idéia do governador Arnold Schwarzenegger para salvar as finanças do estado. ‘Le cannabis va-t-il sauver la Californie?’ (O cannabis vai salvar a Califórnia?) é o título da matéria que discorre em quatro páginas sobre o mercado de produtos derivados e dá a palavra a defensores da legalização.

A terceira grande reportagem do número 1 trata das dificuldades financeiras da fotógrafa americana Annie Leibovitz, metida numa enrascada que ameaça sua carreira. Mas nem tudo é glamour e frivolidade na revista. Para provar que também faz jornalismo político, Grazia trata em reportagem de quatro páginas das crianças filhas de imigrantes ilegais, abrigadas em um centro de retenção, vítimas da política de imigração sem concessão de Nicolas Sarkozy.

Dirigida a um público alvo de mulheres entre 25 e 45 anos, a revista tem na França duas grandes concorrentes: Elle, com uma tiragem de 357 mil exemplares, pertencente ao grupo Lagardère (principal editor francês, dono de editoras e títulos como o Journal du Dimanche e a revista Paris Match, além da empresa EADS, que fabrica os aviões Airbus); e a revista Femme actuelle, do grupo Prisma, que vende 983 mil exemplares de sua edição semanal.

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