Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Blogueiro conservador dura três dias no Post

24/03/2006 na edição 373

Durou três dias a tentativa do sítio do Washington Post de fazer um blog conservador. O jornal provocou uma revolta online ao contratar o polêmico Ben Domenech, de 24 anos, para escrever o blog Red America. Ex-funcionário da Casa Branca e co-fundador do sítio Red State, chamado de ‘blog da comunidade Republicana’, o jovem causou controvérsia recentemente ao chamar a viúva de Martin Luther King, Coretta Scott King, de ‘comunista’.


Mais de mil pessoas – incluindo o deputado democrata Pete Stark – escreveram ao jornal para reclamar da escolha por Domenech. O editor-executivo do sítio do Post, Jim Brady, havia justificado a contratação como uma tentativa de dar voz às ‘mais diferentes perspectivas possíveis’. Sobre as críticas iniciais, o editor afirmou que Domenech era uma figura ‘controversa’, por isso as reclamações não deveriam ‘ser um choque para ninguém’.


De sua parte, Domenech afirmou que sua função era opinar. ‘É o que faço. Não sou um jornalista’. Respondendo às críticas sobre a polêmica de Coretta King, ele chegou a admitir que seu comentário – feito no dia do funeral dela – foi infeliz, exagerado, mas completou que a ativista trabalhou com organizações afiliadas ao comunismo na década de 1950.


As críticas ao novo ‘blogueiro’ foram tantas que vieram até de dentro da própria equipe do Post. Em um chat no sítio do jornal nesta sexta-feira (24/3), o repórter Dana Milbank disse que não entendia por que o sítio não contratava alguém mais qualificado para o posto. ‘Esta cidade está cheia de bons jornalistas conservadores’, afirmou.


Suspeita de plágio


Desta maneira, Domenech não durou. Às reclamações iniciais, juntaram-se especulações de que ele teria plagiado textos quando ainda estava na faculdade, em 1999. Na quinta-feira (23/3), blogs liberais acusaram Domenech de ter colocado frases idênticas às de uma matéria da revista Salon em uma resenha de filme de Martin Scorcese. Um texto seu sobre um filme da série James Bond também era bastante parecido com um encontrado no Internet Movie Database, banco de dados online sobre a indústria cinematográfica.


Na tarde desta sexta, Jim Brady divulgou nota no sítio anunciando a saída de Domenech. ‘Nas últimas 24 horas, recebemos alegações de que Ben Domenech plagiou material de diversas publicações antes de ser contratado pelo washingtonpost.com para escrever um blog lançado na terça-feira’. Segundo a nota do editor-executivo, o sítio ainda investigava as acusações quando Domenech pediu demissão. Brady ressaltou que plágio ‘é, talvez, a mais séria ofensa que um escritor pode cometer ou ser acusado de’. Ele agradeceu a rapidez e a eficácia dos leitores e dos blogs que divulgaram as suspeitas. ‘Apesar do caminho que tomou, nós acreditamos que este episódio demonstra o papel positivo e poderoso que a internet pode representar na prática do jornalismo’, concluiu.


O presidente do grupo liberal Media Matters, David Brock, comentou a saída de Domenech do sítio do Post em declaração. ‘Nós do Media Matters estamos satisfeitos que Ben Domenech não será mais empregado do Post, mas ainda restam sérias questões sobre por que ele foi contratado. O Post ainda precisa explicar por que alguém partidário que admite que não é jornalista e que possui uma história de intolerância homofóbica e plágio serial recebeu uma plataforma no washingtonpost.com. Nós aguardamos por uma explicação’. Informações de Howard Kurtz [The Washington Post, 24/3/06] e da Editor & Publisher [24/3/06].

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