Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > OI NO RÁDIO

Cachoeira e mensalão, a imprensa e a investigação

Por Mauro Malin em 08/08/2012 na edição 706

Comentário para o programa radiofônico do OI, 8/8/2012

 

O senador Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso, é titular da CPI do Cachoeira. Ele avaliou para o Observatório da Imprensao trabalho dos jornalistas na cobertura da CPI – na verdade uma CPMI, Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

Pedro Taques – Está sendo feito de uma forma correta. Agora, o interessante é que nós possamos ter uma imprensa investigativa. Eu defendo a imprensa investigativa, já participei de seminários na Abraji [Associação Brasileira Jornalismo Investigativo]. Infelizmente, nós damos muito valor à testemunha, testemunha é importante, agora, o mais importante são os documentos, por isso uma imprensa investigativa é muito interessante pra auxiliar nessa investigação dos documentos, trazer furo. Eu confio muito nesse trabalho.

Esse trabalho de investigação propriamente dito não cabe à polícia, ao Ministério Público?

P.T. – Eu não estou dizendo que é a imprensa que vai nos dar tudo. Cabe à polícia, cabe ao Ministério Público, e cabe à própria CPI. Nós estamos discutindo a imprensa, não estamos discutindo que só a imprensa faça isso. A pergunta que você me fez é sobre a cobertura da imprensa, e que eu estou dizendo é minha opinião. A imprensa investigativa é muito boa, muito interessante para a consolidação da democracia, por isso que eu estou fazendo referência a ela. Uma imprensa investigativa é muito mais interessante do que uma imprensa que fica mostrando se é a mulher do Cachoeira que veio depor ou não.

***

O senador Fernando Collor voltou a propor a convocação de jornalista da revista Vejapara depor na CPMI, assunto que será resolvido na terça-feira (14/8). Eis a opinião do senador Pedro Taques:

P.T. – Eu sou [contrário] até agora, não vejo elementos para ouvir jornalistas – nós estamos aí querendo vender o sofá porque o crime foi praticado em cima do sofá. Eu entendo que neste caso a Veja está a investigar. Eu não vejo nenhuma – nenhuma ainda – possibilidade de existir interesse da CPMI para ouvir esse jornalista. Isso não significa que não possa aparecer daqui para frente. Tem que entender que a imprensa tem que ser livre, tem que investigar. A imprensa não vai conversar só com bispo com pastor, tem que conversar com quem comete o crime.

 

Muito além do STF

No programa de terça-feira (7/8) do Observatório da Imprensa na TV, Alberto Dines debateu a cobertura jornalística do julgamento do mensalão com três convidados: o professor Dalmo Dallari, o jornalista Luiz Gutenberg e o cientista político Renato Lessa.

Eis as falas finais dos três convidados de Dines, que repassa pergunta feita pela internet: “Com tanta cobertura feita pela imprensa, vocês acham que o julgamento pode mudar algo no país?”

Dalmo Dallari – Acho que é exagerado dizer que se trata do julgamento do século, porque de fato não existe uma tese jurídica nova, a possibilidade de uma nova jurisprudência, mas de qualquer maneira eu acho que é positiva a cobertura feita pela imprensa, e que as pessoas tomem conhecimento até da existência do STF, de julgamentos, da possibilidade de acusação e defesa, isso tem de certo modo um efeito educativo. É bom que a imprensa dê essa cobertura, apenas com esta ressalva: que ela não tente induzir o pensamento, adiantar conclusões, e colocar isso, [que] só é educativo se houver condenação.

Luiz Gutenberg – A imprensa está fazendo uma cobertura muito interessante. Está ouvindo as pessoas, está usando técnicos e advogados, professores de direito, com muita competência, eu diria até com muita correção. Agora, o que não se pode esquecer é que houve uma conspiração e o problema de financiamento de campanha. Seja qual for o resultado desse julgamento – espero que haja condenações, como deve haver absolvições –, eu espero que isso fique definitivamente esclarecido, denunciado e qualificado.

Renato Lessa – O Brasil é uma república democrática com predomínio do Supremo [Tribunal Federal]. É uma forma específica de democracia na qual o papel do Supremo é fundamental para a armação dos demais poderes. Isso transparece nesse momento dramático desse julgamento. Como nós temos muitas cláusulas pétreas que garantem direitos substantivos, tem que haver um poder que cuida da adequação das leis e dos atos administrativos do Executivo às normas constitucionais gerais. Isso é um traço estrutural da democracia brasileira. O que não é necessariamente ruim. Vai depender de como o Poder Legislativo vai conquistar a sua dignidade, a sua relevância nesse cenário.

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