Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Canais pagos em confronto na Suíça

Por Silvia Chiabai em 30/05/2006 na edição 383

Pela primeira vez na história das copas está havendo no Brasil concorrência na transmissão do evento: a ESPN Brasil, que em nível mundial tem em seu braço americano um líder de audiência em canais esportivos (ao contrário do que ocorre no país, onde o Sportv é o favorito do público), deslocou um pequeno exército de técnicos e conceituados comentaristas para Weggis, disposta a enfrentar o sempre poderoso aparato global para permitir ao público uma opção em imagem e opinião.


As diferenças são flagrantes e os choques, inevitáveis. Enquanto a Globo adota um tom ufanista do ponto de vista editorial, e ubíquo do ponto de vista técnico, a ESPN Brasil, por oposição, apela para a cautela e, à falta de maiores recursos, à interatividade. De permeio, as rasteiras burocráticas, como a que está impedindo a ESPN de transmitir adequadamente os treinos da seleção. Um contrato secreto entre Globo, CBF e a empresa que organiza a estada do Brasil na Suíça permitiu a exclusividade ao Sportv, o que fez José Trajano, diretor da ESPN Brasil, disparar: ‘A verdade é que as relações da Globo e seu filhote com a CBF fazem com que ela tenha esses privilégios’.


Festejando


Ambos os canais têm comentaristas respeitáveis: Armando Nogueira, Telmo Zanini e Paulo César Vasconcelos, no Sportv; José Trajano, Fernando Calazans, Paulo Vinícius Coelho na ESPN Brasil, que tem também o auxílio luxuoso de Tostão. O que não impediu que se desencadeasse uma polêmica sobre o estado de espírito de Parreira. Quem levantou a bola foi Calazans, ao afirmar que o técnico demonstrava nervosismo nas coletivas. Especulou-se que estava sob pressão, derivada do fato de ter conquistado um título em 1994 sem brilho suficiente, e agora, com uma seleção tão superior, vê-se obrigado a vencer. Os comentaristas do Sportv responderam imediatamente com a impressão de que o técnico parecia tranqüilíssimo. A fidelidade à linha editorial otimista, de que tudo vai muito bem, obrigado, e nada dará errado, produziu uma profusão de matérias sobre Parreira e a ioga, tipo seleção ‘quando samba, o resto do mundo dança’.


Por seu turno, a ESPN Brasil adverte: ‘Parreira não viu a Croácia. Será que ela não preocupa? Cuidado com a Croácia. Nunca ganhamos da Croácia. Será que o assédio não vai prejudicar a preparação? Empatamos com o Japão e tivemos dificuldade’. Essa linha, auto-intitulada realista, pode soar pessimista aos entusiastas da seleção, tem seus adeptos fervorosos (muitos escrevem ao programa Bate Bola dizendo que finalmente vão poder assistir aos jogos sem abaixar o som). Num país festeiro como o Brasil, no entanto, pode mais afugentar do que atrair. Aqui, nunca vigorou tanto a máxima de que o melhor da festa é esperar por ela… festejando.

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Jornalista, professora da Universidade Federal do Espírito Santo e integrante da Rede Nacional de Observatórios da Imprensa (Renoi)

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