Terça-feira, 19 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1028
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ENTRE ASPAS >

Carlos Slim, o magnata discreto

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 17/03/2009 na edição 529

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 16 de março de 2009


 


CARLOS SLIM
Marc Lacey, NYT


Magnata da mídia quer distância dos holofotes


‘CIDADE DO MÉXICO – Carlos Slim Helú, o homem mais rico do México, tem um relacionamento complexo com a mídia. Ele investe em diversas empresas de televisão e vários jornais e diz que prevê um futuro róseo para as empresas de mídia que souberem se adaptar.


Mas, quando a mídia volta seus holofotes a ele, Slim às vezes dá a impressão de querer que o deixem em paz enquanto tenta ganhar mais dinheiro.


Leitor ávido de jornais, ele diz que vê a mudança para o noticiário digital, que vem causando dificuldades às empresas jornalísticas, não necessariamente como um indicativo da morte dos jornais.


Slim, que comanda empresas de telecomunicações, do varejo e da construção, ocupa um espaço grande na paisagem de mídia de seu país.


Raymundo Riva Palacio, jornalista veterano da Cidade do México, disse que, após ter escrito no jornal ‘El Universal’ uma coluna tachando Slim de monopolista, em 2006, um assessor do empresário ameaçou deixar de anunciar no jornal.


A ameaça não era pouca coisa. A lista de empresas de Slim é tão grande que ele controla uma fatia significativa de toda a publicidade no México. Eduardo García, jornalista mexicano que dirige um site de notícias financeiras em espanhol e cobre Slim, estimou a fortuna deste em quase US$ 44 bilhões no final de 2008.


‘Interpretei o incidente como parte da dinâmica natural entre a mídia e os poderes instalados no México’, disse Riva Palacio, acrescentando que o incidente foi resolvido sem alarde. ‘É assim que as coisas funcionam aqui.’


Por meio de seu porta-voz e genro, Arturo Elias, Slim se negou a ser entrevistado para esta reportagem. Mas Elias disse que não foram tirados anúncios do ‘El Universal’ e que Carlos Slim não usa seu poder econômico dessa maneira.


‘Somos um anunciante importante, sim, mas isso não nos dá o direito de intervir no lado editorial’, disse Elias.


Slim construiu sua fortuna comprando empresas em dificuldades e fazendo-as voltar a ganhar dinheiro, mas ele entrou de fato para o primeiro escalão no ranking dos bilionários do mundo quando, em 1990, comprou do governo a empresa que exerce o monopólio da telefonia no México, Teléfonos de México, ou Telmex.


Hoje, apesar de o mercado telefônico do país supostamente estar aberto à concorrência, as tarifas cobradas estão entre as mais altas do mundo. Concorrentes dizem que a Telmex cria obstáculos frequentes e que reguladores relutam em agir.


Slim rejeita as sugestões de que ele seja um monopolista que não faz sua parte pelo México. ‘Acho perversa a ideia de que países pobres não devam ter empresas fortes’, disse ele a jornalistas, num almoço no ano passado.


Em matéria de mídia, as empresas familiares de Slim já investiram em diversas redes de televisão e, em 2008, compraram uma participação de 1% no jornal britânico ‘The Independent’.


‘Sua alavancagem é enorme’, disse García, que publica o site de notícias financeiras ‘Sentidocomun.com.mx’, que cobre os muitos empreendimentos de Slim. ‘É assim que ele camufla as críticas que porventura lhe sejam feitas.’


Nos bastidores, Slim emprega uma equipe de advogados para combater os esforços do governo em aplicar leis antitruste contra ele. A Comissão Federal de Competição mexicana está analisando as empresas de Slim. Mas seu poder de fogo supera de longe o do órgão. De acordo com um funcionário da comissão, as empresas de Slim ‘gastam mais em um único processo do que todo nosso orçamento anual’.


Embora Slim enxergue oportunidades de ganhar dinheiro na mídia, o professor de jornalismo Raúl Trejo, da Universidade Nacional Autônoma do México, diz que o empresário não é um magnata que dita a cobertura jornalística.


Elias comentou recentemente que Slim vê seu investimento mais recente no ‘New York Times’ -US$ 250 milhões, pelos quais ele receberá juros de 14% e garantias conversíveis em ações da Times Company- como apenas um negócio.


Além dos benefícios financeiros, pessoas que conhecem o empresário também veem na transação um esforço para reforçar sua reputação, associando-se a uma marca conhecida.


‘Nós, jornalistas mexicanos, cobrimos tantos vilões, tantos egos inflados, que Slim, apesar de seus defeitos, não parece tão mau assim’, disse Riva Palacio.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Brics vs. ricos


‘A agência chinesa Xinhua despachou ontem longo ‘comentário’ de Ming Jinwei, que abre dizendo que ‘os ministros de finanças de Brasil, Rússia, Índia e China’ cobram mais poder para os emergentes em instituições como o FMI. E alerta que ‘a rota mundial para a recuperação vai passar necessariamente pelos países em desenvolvimento’.


Antes, destaque no ‘China Daily’ do fim de semana, o primeiro-ministro Wen Jiabao havia questionado a insegurança dos títulos do Tesouro americano.


Enquanto jornais americanos voltam a destacar da reunião preparatória do G20, no sábado, as diferenças entre EUA e Europa, ingleses como o ‘Telegraph’ já priorizam o conflito de ‘China, Rússia, Brasil e Índia’ com EUA e Europa. Os brics cobram dos ricos ‘mais informações sobre suas economias’. A agência inglesa Reuters também deu que o G20 ‘sublinha a força crescente dos emergentes’ -e que, na reunião de Londres, ‘eles falaram numa só voz e notadamente mais elevada’.


‘ENCONTRO DE MENTES’


Do primeiro encontro de Lula e Obama, eles que se reúnem mais duas vezes nas próximas semanas, ecoou relato da Reuters -que abriu dizendo que ‘líderes estrangeiros esperançosos de ter uma boa química com Obama devem tomar aulas com Lula’. Ele conquistou [hit it off with] o americano ‘com brincadeiras sobre verborragia’ e até ‘sobre perder-se na Amazônia’.


O site Politico deu no título o ‘maravilhoso encontro das mentes’, como Obama descreveu. O Huffington Post foi mais extensivo, com enunciados cobrando ‘liderança’ dos dois contra o aquecimento global ou afirmando que Obama ‘deve apostar no Brasil’.


Ecoaram também seus gestos, ao passarem pelo novo playground da Casa Branca, ‘orgulho’ de Obama. De modo geral, as reportagens seguiram o relatório do ‘pool’ de jornalistas, que pode ser lido no site The Page, da ABC, com detalhes da descontração dos dois.


DAÍ NADA


Fernando Rodrigues postou no UOL que ‘NYT’ e ‘WP’ não destacaram Lula lá, só o conservador ‘Washington Times’ -em suma, ‘o Brasil é um player mais importante que há 10 anos? Pode ser. E daí? Daí nada’


CHINA ANTES


O ‘New York Times’ noticiou o encontro, mas abrindo o texto pela resposta de Obama ao questionamento chinês dos títulos do Tesouro.


Sobre o Brasil, destacou de Obama o ‘maravilhoso encontro de mentes’.


À BEIRA


O ‘Washington Post’ tratou da reunião na capa, mas um dia antes e sublinhando a disputa por Sean.


Depois, publicou longa reportagem sobre as relações diplomáticas, com o secretário-assistente de Estado para a região, Thomas Shannon, descrevendo o Brasil como um país ‘à beira da grandeza’ -e como ‘o tipo de parceiro que nós queremos’.


ALIANÇA


A revista ‘Time’ se perguntou em análise se ‘o Brasil de Lula é uma ponte para a esquerda da América Latina’ -e sugeriu que sim.


O espanhol ‘El País’ de domingo foi além e, na reportagem ‘Nasce a aliança Obama-Lula’, saudou do encontro o ‘novo modelo de relações no continente americano’.


‘BYE, BYE, MÉXICO’


No ‘Miami Herald’, o colunista conservador Andres Oppenheimer afirmou que, ‘De propósito ou por ausência, o Brasil emerge como líder’. O texto abre com a frase ‘Bye, bye, México’ e diz que, com o encontro, ‘o Brasil se torna o porta-voz de fato da América Latina nos EUA’.


LINGERIE SEM CRISE


O correspondente Seth Kugel, escrevendo de Juruaia (MG) para Global Post e Huffington Post, relata que a indústria de lingerie ‘mantém a cidade à tona durante a crise’, com 141 fábricas’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo tira futebol da Record e dá à Band


‘A Globo deve ser anunciada hoje como nova dona dos direitos de transmissão da Copa dos Campeões da Uefa, campeonato interclubes da Europa.


A informação ainda não é oficial. Na última sexta, a Team, empresa que negocia os direitos, informou à Globo, Esporte Interativo e ESPN que elas foram vencedoras da concorrência para as próximas três temporadas da Copa dos Campeões (as temporadas vão de setembro a maio). Mas pediu sigilo às TVs, que, até sexta à noite diziam desconhecer o resultado.


Segundo anunciou a Team, a Globo ganhou os jogos de quarta e a Esporte Interativo, os das terças. A ESPN manteve a exclusividade em TV paga. A Esporte Interativo opera em parabólicas e em parcerias.


Se for confirmada a vitória da Globo, a rede imporá uma derrota à Record, atual exibidora do torneio, em represália às disputas travadas nos últimos anos pelos campeonatos nacionais e pela Copa do Mundo, que encareceram os direitos.


A Globo não tinha interesse e poderá até não exibir nenhum jogo da Copa dos Campeões. Seu maior compromisso com a Uefa é o de promoção, o que fará nos programas esportivos. A emissora já negocia com a Band o repasse dos direitos dos jogos.


Um dos problemas para a Globo é que as imagens geradas pela Uefa vêm com publicidade da cerveja Heineken, o que gera conflito com a AmBev, patrocinadora de seu futebol.


CACHIMBO DA PAZ


A TV Cultura tirou do ar sexta à noite os dois canais digitais que lançou na semana passada em São Paulo, contrariando norma do Ministério das Comunicações. Amanhã, Paulo Markun, presidente da emissora, se reunirá com o ministro Hélio Costa, que deverá lhe conceder uma autorização especial para reativar os canais.


CORRIDA


De olho no crescimento do mercado de corridas de rua, a ESPN Brasil lança dia 27 o ‘Vamos Correr’, um programa semanal com dicas para corredores, perfis de atletas e cobertura de eventos relacionados.


UFA!


Duas participantes de ‘Big Brother Brasil 9’, Josi e Milena, fizeram teste de gravidez anteontem. Deram negativo.


NEGÓCIO DE RATO 1


Outrora um dos maiores salários da TV (ganhava R$ 1,8 milhão no SBT), Carlos Massa, o Ratinho, acertou com Silvio Santos novo contrato em que não só não terá salário, como também arcará com os custos de produção de seu programa.


NEGÓCIO DE RATO 2


Ratinho só não ficará no prejuízo se o programa, a princípio um telejornal popular, como o ‘190 Urgente’ que o projetou na CNT/Gazeta, tiver boa receita publicitária. Ele dividirá os intervalos com o SBT.


DEGELO


Contratado pela Record em outubro, Luiz Carlos Braga finalmente estreará como apresentador do ‘DF Record’, jornal local de Brasília, dia 23. O jornalista teve de esperar seu contrato com a Globo vencer.’


 


 


Fernanda Ezabella


Criador de ‘Lost’ estreia ‘Fringe’ no país


‘‘Que tipo de terrorismo é esse?’ ‘Mas quem disse que é terrorismo?’ A dúvida voltará a rondar a vida dos telespectadores fanáticos por mistério com a nova série ‘Fringe’, do mesmo criador de ‘Lost’, J.J. Abrams, que o canal pago Warner passa a exibir amanhã.


No primeiro episódio, um avião faz um pouso de emergência no aeroporto de Boston, mas chega no horário, intacto.


Dentro, porém, todos os passageiros e tripulantes estão mortos, putrefatos. Entra então em cena uma agente especial do FBI (Anna Torv, atriz revelação), que contará com o misterioso Peter (Joshua Jackson, o Pacey de ‘Dawson’s Creek).


Para ajudar na investigação, os dois vão atrás do Dr. Walter Bishop, pai de Peter, um cientista que esteve internado numa clínica psiquiátrica pelos últimos 20 anos.


Flertando com o sobrenatural, a nova série quer arrebanhar os ‘órfãos de ‘Arquivo X’, como diz o próprio material de divulgação. O mesmo texto avisa que o piloto da série foi um dos mais caros da história da TV, feito com US$ 10 milhões.


Para os fãs de ‘Lost’, há boas surpresas, como a presença do ator enigmático Lance Reddick e a música cheia de suspense de Michael Giacchino.


FRINGE


Quando: estreia amanhã, às 22h


Onde: canal Warner


Classificação indicativa: não informada’


 


 


MARISSA MAYER
Laura M. Holson, NYT


O nome responsável pelo visual ousado do Google


‘MOUNTAIN VIEW, Califórnia – Marissa Mayer estava de férias na África, em dezembro, quando seu chefe, Jonathan Rosenberg, lhe enviou um e-mail para perguntar se ela estava deixando o Google.


Como guardiã da home page do Google e um dos mais conhecidos rostos públicos da empresa, Mayer controla o visual, o jeito e a funcionalidade do motor de buscas mais utilizado da internet. Rumores sobre sua possível saída da empresa tinham se espalhado pela blogosfera e por escritórios em todo o Vale do Silício.


Ela garantiu a Rosenberg que os boatos não tinham fundamento. E Mayer, que é a funcionária número 20 do Google e a primeira engenheira mulher da companhia, ainda diz que não pretende deixar a empresa. ‘Nada poderia estar mais distante da verdade’, diz ela, falando dos rumores sobre sua saída. ‘Isso me fez perceber que as pessoas não me entendem.’


As pessoas podem não entendê-la, mas Marissa Mayer dificilmente passa despercebida. Convidada frequente a programas de jornalismo e ‘talk shows’ na TV, frequentemente citada na mídia impressa elogiando o Google e presença constante no cenário social de San Francisco, ela é uma executiva que virou celebridade.


No último ano ela chamou a atenção pública -e, em alguns casos, foi ironizada- por ações como criar planilhas para encontrar a receita perfeita para bolinhos, comparecer a eventos de gala de balé, arte e moda, pagar US$ 60 mil num leilão de caridade para almoçar com Oscar de la Renta e promover festas em seu apartamento de US$ 5 milhões na cobertura do hotel Four Seasons, em San Francisco.


‘Eu me recuso a ser estereotipada’, diz. ‘Acho que, para as pessoas, é tranquilizador me enquadrar em categorias. ‘Oh, ela é uma mulherzinha feminina que curte roupas e bolinhos. Mas, espere aí, ela passa os fins de semana trabalhando com hardware eletrônico’.’


Apesar das frivolidades associadas a seu nome, Mayer, 33, desempenha papel importante no Google. Quase todos os dispositivos ou designs novos, desde as palavras usadas numa página do Google até as cores de uma barra de ferramentas Google, passam por seu crivo.


Engenheira por profissão, ela tinha algo que muitos de seus pares, nos primórdios do Google, não tinham: um senso aguçado de estilo e design. Ela adorava blocos de cores fortes contra um fundo branco.


A home page do Google -em branco com toques de azul, vermelho, amarelo e verde- espelha o estilo do apartamento de Mayer. ‘As pessoas vinham à minha casa e diziam: ‘É seu apartamento que parece o Google ou é o Google que lembra seu apartamento?’, ela conta. ‘Não sei mais dizer. Eu adoro cores.’


Desde que entrou para o Google, Mayer já lançou mais de cem produtos e dispositivos, muitos dos quais têm dado muito certo. É o caso, por exemplo, do Google News, do Gmail e da busca por imagens.


Nas reuniões da empresa, ela apresenta a gerentes diretrizes relativas a diversos produtos e dispositivos Google. Diz que as diretrizes são traçadas com a ajuda de diversos experimentos internos feitos para avaliar a preferência dos internautas. Evitar pronomes da primeira e segunda pessoa. Sempre escrever ‘Google’ em lugar de ‘nós’. E evitar o uso de itálicos, porque são difíceis de ler na tela de computador.


Ela e uma equipe de designers estão criando um guia de estilo, diz, para que ela possa parar de repetir-se.


‘É só eu me distrair para algo passar despercebido’, comenta. ‘Se empregamos a palavra ‘nós’, os usuários pensam que estamos escolhendo suas palavras. É preciso tentar fazer as palavras serem menos humanas, mais uma parte da máquina.’’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 16 de março de 2009


 


TECNOLOGIA
Marili Ribeiro


Smartphone entra no planejamento de mídia das empresas


‘A varejista online americana Amazon vai vender livros para serem lidos no iPhone. Ao baixar o aplicativo, o dono do aparelho terá acesso a 240 mil títulos. Pode soar exagerado imaginar alguém lendo um romance na minúscula telinha, mas esse é só um exemplo de como as grandes empresas apostam na infinidade de usos dos celulares. O presidente da operadora de telefonia TIM Brasil, o italiano Luca Luciani, decreta que os telefones móveis são extensões das pessoas: ‘Há 4 bilhões de usuários de celulares no mundo, e ninguém sai de casa sem ele, enquanto temos apenas 1 bilhão de computadores.’


Estimativas do mercado apontam a existência de mais de 10 mil aplicativos para os celulares de última geração, os chamados smartphones, ou celulares inteligentes. No Brasil, os usuários desses celulares somam algo em torno de 3 milhões de pessoas. São consumidores de alto poder aquisitivo, que têm gastos médios mensais de R$ 200. O grande público, entretanto, se concentra nos serviços pré-pagos, com gastos médios mensais de R$ 32.


‘O universo dos que têm recursos para melhor aproveitar as ações de marketing, ainda é pequeno, mas não se sabe que tamanho terá daqui a alguns anos, com o barateamento da tecnologia’, diz César S. César, diretor da empresa Hands Móbile Marketing & Advertising, que há 10 anos se dedica a desenvolver sites e serviços adequados às telas dos celulares.


O custo é alto para um usuário baixar um site diretamente da web, porque é demorado e ele paga por isso. A Hands adapta o site diminuindo seu peso e tamanho das telas. Faz isso sob patrocínios de marcas ou para explorar o canal como mídia, por meio de veiculação de banners. Entre seus clientes estão bancos, montadoras e prestadores de serviços.


O avanço desse mercado, com rápido crescimento do setor de publicidade móvel em geral, fez o Interactive Advertising Bureau Brasil (IAB) se juntar à Mobile Marketing Association (MMA) para lançar hoje instruções e normas para a exploração de serviços na categoria por empresas e agências de publicidade.


Para o grande público de donos de aparelhos mais simples, há iniciativas publicitárias que utilizam o celular como escada para uma promoção. Como a adotada pela Kraft Foods Brasil para aumentar as vendas de ovos de Páscoa. O consumidor acha dentro do produto um código, que envia por mensagem de texto para se cadastrar e, com isso, concorre a sorteios de prêmios pela loteria federal. Ação semelhante foi usada no ano passado pelo Grupo M. Dias Branco, do setor de alimentos, também para estimular vendas.


PATROCÍNIO


Os publicitários acham que a melhor perspectiva para esse segmento de mídia móvel está nos aparelhos mais sofisticados, que permitem, entre outras coisas, baixar jogos sob patrocínio. É o caso da ação que vem sendo desenvolvida pela agência BG Interativa para a Honda, feita diretamente para donos de iPhones. ‘Os usuários gostam de ganhar de presente entretenimento, e isso ajuda na construção do relacionamento com a marca’, explica Luciano Vaz, diretor de interatividade em mídia da agência de publicidade Fischer América.


Lá fora, empresas como a FedEx, de serviços de entregas, ou Nike, de artigos esportivos, exploram o relacionamento com clientes oferecendo aplicativos que podem ser baixados sem custo sob seu patrocínio, ou desenvolvem peças exclusivas como programa para prática de esportes. Tudo pelo iPhone. Em média, os aplicativos baixados no portal da Apple custam US$ 3,5, e os mais procurados são os que oferecem mapas e programação cultural.


Para especialistas, o sucesso dos iPhones nesse segmento se explica pela sua tecnologia, que permite usar as áreas de acesso livre – o que torna fácil e sem custo baixar programas. A maioria dos smartphones não tem essa facilidade. Resultado, o usuário se vê obrigado a pagar às operadoras o período em que usou a linha telefônica.’


 


 


CINEMA
Luiz Carlos Merten


Segredos da dona da bilheteria


‘Ela é uma locomotiva, define Daniel Filho, referindo-se a Walkiria Barbosa, da Total Entertainment. ‘Walkiria puxa os carros com um entusiasmo que contagia’, ele acrescenta. Embora sejam quatro os sócios proprietários da Total – os outros três são Iafa Britz, Wilma Lustosa e Marcos Didonet -, Walkiria dá uma cara à Total, como Ilda Santiago e ela também dão uma cara à Cima, empresa que organiza o Festival do Rio. A princípio, pode parece estranho – e até esquizofrênico – produzir filmes comerciais, com o o objetivo de divertir (o Entertainment do nome não nega), e organizar um grande festival que contempla a produção artística internacional.


‘Não tem esquizofrenia nenhuma’, esclarece Walkiria. ‘Quando produzo Se Eu Fosse Você , 1 e 2, nunca penso que estou fazendo alguma coisa menor, ou menos relevante, porque não é verdade. É tão difícil acertar num filme comercial bem-feito quanto num artístico. E, no fundo, é mais difícil. Desde que a Total surgiu, nosso objetivo tem sido fazer o cross-over, ou seja, filmes para todas as idades e todas as classes sociais. Tenta fazer isso, para ver como é. É muito mais fácil falar para as classes A e B, ou C e D, para os jovens ou para um público mais maduro. Claro que é preciso relativizar esse ?fácil?, porque fazer cinema nunca é fácil. Mas é mais complicado querer acertar para muita gente.’


O ranking da Total (veja quadro nesta página) contabiliza mais de 12 milhões de espectadores em seus filmes produzidos (e distribuídos) em parceria com a Fox do Brasil. A cereja do bolo é Se Eu Fosse Você 2, de Daniel Filho, que ultrapassou a bilheteria de 2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira e, com 5,6 milhões de espectadores pagantes, é hoje o maior sucesso da Retomada, o período da produção brasileira que começa com Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, em 1995. Se Eu Fosse Você 2 já ultrapassou, em quase 2 milhões, a bilheteria do primeiro filme da série, um sucesso para ninguém botar defeito – e com o qual sonham até os magnatas de Hollywood, cujas superproduções a Total ultrapassa nas bilheterias brasileiras.


Vale conferir o que pensa Daniel Filho, o dono da bilheteria. Daniel nunca duvidou do potencial de seu filme – estamos falando do segundo -, mas até ele se surpreendeu com a extensão do sucesso. ‘As pessoas me cumprimentam na rua, gente desconhecida, mas que sabe quem sou. Me abraçam, dão tapinhas nas costas, felicitam como se o filme fosse deles. É muito legal essa relação calorosa do público com o cinema brasileiro. Se a gente faz um filme para elas, se a gente se dedica e faz bem, as pessoas correspondem.’ Daniel disse isso na sexta-feira, em São Paulo. Ele estava trabalhando na dublagem de seu novo filme, Tempos de Paz, adaptado da peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil. Dan Stulbach, que divide a cena com Tony Ramos, faz um polonês. ‘Tivemos de corrigir o polonês dele’, explica o diretor, que espera ter uma cópia pronta em meados de abril.


Nos bastidores do cinema brasileiro, o comentário é que Daniel e a distribuidora Downtown estão empenhados numa guerra para levar Tempos de Paz ao Festival de Cannes, em maio. Daniel Filho é blasé. Diz que o tapete vermelho de Cannes não é sua prioridade. ‘Minha meta, agora, é fazer 6 milhões de espectadores.’ Tempos de Paz talvez não seja o filme mais indicado para isso, mas Daniel começa a filmar, no fim de maio, sua versão da vida do médium Chico Xavier e este, sim, tem potencial para chegar aos 6 milhões de espectadores. O filme sobre Chico Xavier será uma produção da empresa de Daniel, a Lereby, com apoio da Total. A própria Total tem pronto para lançamento O Divã, com Lilia Cabral, em cujo potencial Walkiria acredita. ‘Nossas sessões-testes têm tido excelente acolhida de todos os públicos.’ Ela esclarece que as tais sessões não visam a mudar o filme, para agradar ao público e, sim, ajudam a definir estratégias de lançamento. Se O Divã não estourar – ‘Toc-toc (ela bate na madeira), vira essa boca para lá’ -, a Total filma, em seguida, outro filme também de olho nos 6 milhões – a versão brasileira de High School Musical (leia abaixo).


A Total já tinha currículo quando lançou Avassaladoras em 2002. O filme fez o que parece hoje uma bilheteria modesta, mas originou uma série de TV e os tempos, afinal, eram outros. Walkiria lembra-se que o filme foi feito no capricho, já de olho no cross-over, mas a empresa ainda era inexperiente e a parceria com a Fox engatinhava. Olhem o que diz Daniel Filho: ‘Walkiria consegue maravilhas com o pouco dinheiro de que a gente dispõe. Ela satisfaz meus caprichos de diretor como eu próprio não faço como produtor.’ E ela não intervém no processo criativo. A própria Walkiria conta que os roteiros de Se Eu Fosse Você e Se Eu Fosse Você 2 foram muito trabalhados, mas ela é incapaz de citar uma idéia sua que esteja nos filmes acabados. Em compensação – ‘Acho que minha maior contribuição está no lançamento. Modéstia à parte, eu sei lançar um filme. Aprendi.’


O primeiro Se Eu Fosse Você, segunda maior bilheteria da Total, deveria ter sido dirigido por Jorge Fernando, que teve de abrir mão do projeto, sendo substituído por Daniel Filho, que já era supervisor artístico (pela Globo Filmes). A produção, inclusive, parou para que Daniel redesenhasse o seu filme, com troca de elenco e tudo. Os custos dispararam. Walkiria, a locomotiva, segurou as pontas. Agora, ela pode ser a dona da bilheteria, mas foi um longo caminho. E ela contribui no processo criativo, sim, mas de forma que o público nem percebe. Walkiria começou na área de ciências exatas, trabalhando com física, sua especialidade, num centro de pesquisa. O cinema veio depois. Ela sempre foi atraída por design. Adora assessorar o diretor de arte Marcos Flaksman. ‘Marquinho tem sido muito generoso comigo. Essa é a área que me atrai. Definir as cores no cenário, um livro que estará na estante, tudo aquilo que ajuda a definir o personagem sem chamar a atenção. É meu chão’, ela diz.’


 


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Vende-se o formato


‘O Domingão do Faustão tem dois formatos de game show na manga para este ano. Um é o Faustolândia, que estreia dia 19 de abril – ideia comprada da Freemantle, mereceu a construção de um circuito indoor para competições no Projac.


Outro, ainda em fase de projeto, o Wipe Out, cujo formato a Globo acaba de adquirir da Endemol. ‘É um tipo de Olimpíadas do Faustão, mas mais divertida’, diz a diretora Paula Cavalcanti, da Endemol Brasil. Cenas no youTube (http://migre.me/8ua) não a desmentem.


A Endemol, no entanto, quer vender mais formatos para outras emissoras. Daí a criação, há dois meses, da Endemol Brasil, 100% filiada à matriz holandesa, diferentemente da Globo Endemol, que assina o Big Brother Brasil. A Globo continua sendo a primeira a quem a Endemol oferece suas ideias, mas tem curto prazo para mostrar interesse ou liberar a bola.


O novo escritório também atende agências de publicidade e interessados em marketing. Mira ainda o mercado de multimídia aberto com a TV digital no País, além de tentar criar novos produtos para um catálogo que hoje soma 3 mil formatos, 400 deles ativos no mundo todo.’


 


 


Patrícia Villalba


Índia do Projac pulsa em cores


‘Era pouco mais de meio-dia da última quinta-feira quando a graciosa Anusha (Karina Ferrari) surgiu liderando um grupo de bailarinos pela rua principal da cidade cenográfica da novela Caminho das Índias, no Projac, a central de produção da TV Globo em Jacarepaguá. Elenco e figurantes estavam escalados desde às 8 horas, para gravar a série de cenas do casamento dos protagonistas Maya (Juliana Paes) e Raj (Rodrigo Lombardi) sob a direção de Fred Mayrink. É um momento esperado da trama de Glória Perez, que foi acompanhado pelo Estado.


‘Alegria, gente, que isso aqui não é enterro. Vamos lá, que até essa banda está parecendo que saiu de uma funerária’, gritava um dos produtores, no meio-fio de uma das calçadas fictícias. ‘Se música parar, continuem dançando!’, avisa ele.


O local onde se desenvolve a trama principal e ‘moram’ as famílias de Maya e Raj é hoje a maior cidade cenográfica do Projac, com uma área de 6 mil metros quadrados. O diretor de arte Mário Monteiro esteve na equipe da novela que viajou para a Índia em outubro do ano passado para colher os elementos que hoje reproduzem o clima de Jaipur. Além das casas das quatro principais famílias do núcleo indiano, foram construídas 42 lojas e um templo para o deus Shiva. Há ainda a fachada de um charmoso cinema e barraquinhas de comércio de calçada – de chá a dentista. Uma vaca anônima circula por ali, já que Emília, a que sempre aparece contracenando com Tony Ramos, está de folga.


Além de Jaipur, foram construídas duas cidades: numa área de 2,5 mil metros quadrados, está uma das escadarias do Rio Ganges, ao lado de um lago artificial que já existia; e, em 3 mil metros quadrados, foram recriadas as ruas da Lapa.


Casamento é o tipo de festividade que dura vários dias na Índia – em Caminho são quatro. As cenas vão ao ar nesta sexta-feira. ‘Em geral, os casamentos duram três dias, tanto para ricos quanto para pobres. Aqui, a noiva será levada para casa no quarto dia da festa. Então, ela será testada pela sogra, para provar que sabe fazer trabalhos domésticos’, explica a indiana Mallika Rajagopal, consultora em ‘assuntos indianos’. Até mesmo os figurantes foram treinados por ela, num curso de três dias.


Segundo a tradição, o noivo, acompanhado de sua família, sai num alegre cortejo pelas ruas, para buscar a noiva em casa. No pacote, tem balé, dança, muita seda e muito ouro. O desfile de trajes preparado pela figurinista da novela, Emília Duncan, é de parar o trânsito dos 12 riquixás – os táxis-bicicletas indianos – que circulam pelas quatro ruas da cidade cenográfica.


Logo atrás da Anusha e seu corpo de baile, vem o ator Rodrigo Lombardi, como um príncipe, montado num cavalo branco.


O calor no set é insuportável, a roupa que ele usa é pesada. E, ainda bem, o ator não precisa fazer cara alegre, já que seu personagem se casa obrigado. ‘Eles são dois desiludidos que, agora numa nova fase na trama, se encontram’, observa.


A novela é frequentemente apontada como uma reunião dos grandes clichês indianos. Mas não deixa de ser uma ousadia divertida e oportuna, em tempos do grande vencedor do Oscar Quem Quer Ser Um Milionário? Mallika tem uma explicação sobre esse interesse mundial pela Índia. ‘É um país que prega a alegria e a paz, a vida deve ser vivida como um festival. É daí que vem a moda.’’


 


 


 


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