Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 27 E 28/10

Carta Capital

30/10/2007 na edição 457


REDE GLOBO
Alisson Avila


Colosso. Não mais impávido


‘A letra de É Hoje, canção de Didi e Mestrinho eternizada no samba e na música popular brasileira, é sempre lembrada como ‘aquela que fala da luta do rochedo contra o mar’. E é mais ou menos isso o que acontece, guardadas as devidas proporções, na velha guerra da audiência da tevê brasileira. A Rede Globo trata de manter-se impávido colosso diante dos vagalhões projetados por Record e SBT contra o seu rochedo.


Ambos os canais fizeram (SBT) e fazem (Record) todo o possível para reduzir a histórica superioridade que começou a ser construída pela empresa da família Marinho na tevê aberta do País a partir dos anos da ditadura militar. E parece que tanto esforço e energia – e especialmente dinheiro, tratando-se da Record – começam a gerar sinais de erosão na pétrea estrutura da Globo.


A emissora de Faustão, Xuxa e Ana Maria Braga, mesmo sem ver afetada a folga na liderança, perde participação de mercado. Enquanto isso, a Record cresce, e bem, e o SBT segue caindo, mas faz questão de mostrar que ainda não perdeu a batalha. Arma-se assim o cenário para um acirramento muito maior da disputa a longo prazo.


Tais conclusões são resultado da análise dos dados do Ibope Telereport, interpretados em perspectiva de janeiro de 2005 até agosto de 2007, a partir do filtro mais utilizado pelo mercado de propaganda na hora de definir quanto de dinheiro será investido em cada rede: o chamado share de audiência das emissoras. Trocando em miúdos, trata-se da participação de mercado (leia-se quantidade de espectadores), em pontos porcentuais, que Globo, Record, SBT, Band e demais tevês abertas possuem.


A partir dessa métrica, vê-se que, na Grande São Paulo, a Globo sofreu uma queda de 9,5% no chamado horário nobre (das 6 da tarde à 1 da manhã), quando se compara a média de janeiro a agosto de 2007 ao mesmo período de 2006. Em âmbito nacional, a perda foi de 7%.


Estendida a referência para o dia inteiro (das 6 da manhã à meia-noite), descobre-se que o share caiu 10,5% na Grande São Paulo e 7,3% no total nacional (tabelas na edição impressa).


À medida que desce a curva da Globo, outra curva sobe. A Record, mesmo que a partir de uma base muito menor, que facilitaria um crescimento acelerado, avançou 23% no horário nobre na região metropolitana paulista e 22,5% no total nacional nos oito primeiros meses deste ano, na comparação com 2006. No acumulado do dia, sob a mesma referência do cálculo da Globo, a emissora de Edir Macedo ampliou a participação em 28% em São Paulo e 27% no Brasil de um ano para o outro.


Os dados são praticamente públicos: qualquer agência de publicidade ou veículo de comunicação pode comprar os sistemas de pesquisas do Ibope e selecionar determinados filtros, gerando dados que permitam a comparação. O detalhe é que esses números, segundo as regras do mercado, não podem ser divulgados publicamente, ou seja, devem circular apenas à boca pequena.’


 


Mino Carta


Mais uma na história da mídia


‘Colocadas em 20º lugar na classificação das Empresas Mais Admiradas no Brasil, que a pesquisa TNS InterScience realiza e a CartaCapital publica, as Organizações Globo pretendiam inserir um anúncio na edição especial a ser lançada na segunda-feira 29. Rezava o anúncio: ‘De tanto nos investigar, a CartaCapital acabou descobrindo o que você já sabia’.


Não havia como aceitar a mensagem global, sutil como uma Panzer Divisionen da Wehrmacht. Ao recusar o anúncio, em carta dirigida ao diretor de propaganda da Central Globo de Comunicação, José Land, não deixamos de esclarecer as nossas razões. O texto pretendia demonstrar que CartaCapital investigou em vão certas situações a envolver as Organizações Globo. Tentativa obviamente mistificadora.


É do conhecimento até do mundo mineral o currículo da empresa da família Marinho. Apoio ao golpe de 1964 e à ditadura que se seguiu. Crescimento vertiginoso à sombra e com a ajuda do regime fardado. Oposição ferrenha à campanha das Diretas Já. Favorecimento sem conta durante o governo Sarney, com a bênção do ministro das Comunicações Antonio Carlos Magalhães.


E assim por diante, rosário de dezenas de outros episódios nada edificantes, sem excluir a tentativa in extremis de torpedear a reeleição do presidente Lula às vésperas do primeiro turno. Todos hão de lembrar o sinistro aparecimento no vídeo global dos reais do escândalo do chamado Dossiê Serra, diligente e sabiamente empilhados.


Na carta a José Land sublinhávamos também que a pesquisa da TNS InterScience junto a mais de 1.200 executivos registra as preferências de um público especial, que não representa a maioria dos brasileiros. Aspecto importante que, se não desqualifica o prêmio, desqualifica inapelavelmente o anúncio. E assim concluímos a carta: ‘Aceitaríamos de bom grado outro anúncio, que não nos ofendesse’.


Dois dias depois, recebemos a resposta de José Land. Sustenta que o anúncio ‘nada tem de ofensivo’, enquanto ‘nós é que poderíamos nos sentir ofendidos pelo tratamento invariavelmente hostil’. E aí volta à cena a Divisão Panzer. ‘Estamos reagindo com bom humor’, escreve o diretor de propaganda, ‘e esperávamos que vocês tivessem tido o mesmo comportamento cordial, compatível com a liberdade de expressão que tanto defendem’.


Bom humor? Cordialidade? Resta entender até onde vão a falta de senso de oportunidade e a desfaçatez de quem se acostumou a pontificar sem contraditório. Mas tudo não passa de mais um episódio na história de uma mídia sempre a serviço do poder, por ser, ela própria, um dos seus rostos mais evidentes.


Quanto à liberdade de expressão, ocorre-me a liberdade de que alguns cidadãos dispõem para caluniar os semelhantes. De sorte que não nos surpreenderia ver o anúncio da Globo em outros veículos.’


 


POLÍTICA NA REDE
Felipe Marra Mendonça


Austrália tem 1º partido 100% virtual


‘Políticos em campanha fazem promessas e se comprometem a cumprir o que foi dito em comícios se eleitos. Isso raramente acontece, mas um novo partido australiano quer mudar essa dinâmica. O Senator On-Line (SOL), primeiro partido completamente virtual, quer que todas as decisões sejam submetidas a votos na internet.


O SOL tem 512 membros e foi aprovado pela Comissão Eleitoral da Austrália em agosto. Deve nomear dois candidatos para cada estado do país. Se eleitos, os senadores votarão de acordo com os resultados obtidos na internet. Qualquer eleitor australiano pode participar da votação no site do partido, que garante seguir normas de segurança. Todo interessado vai precisar se registrar, criar uma senha, e nomes e endereços serão checados com o registro eleitoral do país.


Um detalhe importante é que os senadores só precisam seguir o resultado da votação virtual se houver 100 mil votos. E a maioria para aprovar-se uma decisão é de 70% dos eleitores. Se essas condições não surgirem, a executiva do partido pode decidir entre seguir o resultado ou se abster da votação no Senado, mas não pode votar contra o resultado obtido.


Cientistas políticos australianos observaram que a maioria dos projetos no Senado não recebe atenção nacional e por isso os políticos do SOL devem se abster da maioria das votações. Mas os criadores do movimento argumentam que o objetivo principal é educar os australianos e incentivá-los a se envolver na política. Ainda assim, segundo Antony Green, analista eleitoral da Australian Broadcasting Corporation (ABC), a idéia é ‘completamente impraticável’. ‘O Senado nunca discute a fundo as leis, mas abrir a legislação para muitos eleitores não cria subitamente uma discussão profunda.’


Assim que surgir uma nova proposta para votação no Senado, o partido deve colocar em sua página (http://senatoronline.com.au/) o texto completo, um histórico da proposta e os argumentos a favor e contra, além da opinião do senador sobre a medida em questão. Munidos de tais informações, segundo o SOL, os cidadãos poderiam fazer a escolha certa.


O principal candidato do partido é Pat Reilly, prefeito da cidade de Willoughby e sósia profissional de Elvis Presley. Reilly esteve no governo local por 30 anos, 10 dos quais como prefeito da cidade, e será candidato do SOL no estado de New South Wales.


Em resposta ao Sydney Morning Herald sobre se a escolha era apropriada em uma eleição para o Senado, Berge Der Sarkissian, presidente do SOL, admitiu que o calibre dos candidatos não é importante para um partido que se baseia em enquetes na internet. ‘Mas o prefeito Reilly nos dá uma certa visibilidade e um pouco de credibilidade’, disse. ‘Queremos trazer alguns senadores que façam com que a casa se torne mais analítica, não simplesmente uma caixa de carimbos.’ Der Sarkissian argumentou que muitos senadores simplesmente seguem a linha do partido em muitas questões, como a lei sobre a eutanásia, que foi obstruída, por causa de uma minoria atuante ou por alguns grupos de lobistas.’


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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.


Folha de S. Paulo – 1


Folha de S. Paulo – 2


O Estado de S. Paulo – 1


O Estado de S. Paulo – 2


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