Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & POLÍTICA

Cartão e especulação

Por Wemerson Augusto em 19/02/2008 na edição 473

As famílias geralmente enviam um cartão convite aos amigos e parentes para convidá-los para uma ocasião especial. Com este simples objeto, as pessoas podem ter acesso a uma festança ou evento social. Ele é uma espécie de passaporte para a entrada dos convidados a um determinado recinto.

Já o cartão corporativo, aquele que nem eu nem você tem, embora sejamos os responsáveis pela conta, é restrito apenas a alguns dos nossos representantes políticos. Desta forma, os titulares dos magnéticos podem, por exemplo, pagar a conta da rodada de picanha com birita ou adquirir um bem para uso particular, sem o povo ter conhecimento.

Com este cartão, é dispensável a formalidade social. Não é preciso informar ninguém, basta pagar as contas. Se possível, alguns não poupam esforços para quitar contas alheias. As revelações foram feitas pela imprensa brasileira, que retomou a discussão do assunto nos últimos dias. Nas reportagens, entre muitos desvios de conduta de alguns parlamentares com o cartão, consta a quitação débitos, que vão desde churrasco a compra de mesa de bilhar.

Reportagens patinaram

Os posicionamentos e angulações das matérias dos principais jornais do país são diversos. Uns culpam o atual governo pelo uso indevido do cartão, outros vão mais além, apontando para o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na confusão dos números e dos anos do nascimento do cartão, esqueceram de mencionar que o mecanismo pode ser útil, se for aplicado na iniciativa pública e com transparência. No entanto, a maioria dos jornais do país, na última semana, limitou-se a discutir de quem é a culpa. Muitos leitores, provavelmente ficaram irritados com tanta especulação e pouca informação. Em linhas gerais, procurou-se um culpado, sendo que os prejudicados todos já sabiam quem eram.

A sintetização de informações, que pode ter levado muitos leitores, mais uma vez, a compreenderem este panorama político agitado pela imprensa, semelhante a outros temas, foram principalmente as charges.

Sem especificar nenhum cartunista ou jornal, no geral as charges e tiras da quinzena demonstraram com humor e criticidade a patética política feita por alguns de nossos eleitos. Enquanto muitas reportagens patinaram e perderam o foco da questão.

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Jornalista, pós-graduando em Linguagem, Cultura e Ensino pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR

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