Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

FEITOS & DESFEITAS > QUESTÕES VERNÁCULAS & FONÉTICAS

Chamem o professor Bechara!

Por Alberto Dines em 13/01/2009 na edição 520

Já que a nova ortografia tirou do ostracismo velhas letras como o ‘K’ e o ‘W’, conviria cobrar explicações dos especialistas sobre a pronúncia correta de nomes estrangeiros, sobretudo orientais. Ou adotar certas convenções na base do decreto.

No português (europeu ou americano) jamais tivemos sinais capazes de emitir corretamente um nome como Mahmoud ou Muhamad. O nosso ‘h’ é insuficiente para reproduzir a sonoridade gutural dos idiomas orientais. Não adianta aspirar o início de Hamas como se faz com o ‘h’ em inglês – o correto seria usar, como o fazem franceses e anglo-saxões, algo parecido com o ‘j’ em espanhol, bem rascante, no caso o ‘kh’.

Antes do revival do ‘k’ alguns usavam o ‘ch’ mesmo correndo o perigo de confundir seu som com o do antigo grupo ‘ch’ (igual ao ‘x’). A solução seria o ‘kh’ como se faz na Europa para pronunciar o nome da poeta russa Akhmatova, ou do antigo secretário-geral do Partido Comunista soviético, Khrushev.

A mesma coisa

Então, para complicar, aparecem nomes hispânicos como Alejandro com o ‘j’ arranhando a garganta. Se vamos usar pronunciá-lo como ‘janela’, teremos que enfrentar a fúria de todos os Alejandro castelhanos. E também os Jaime.

Convém chamar o professor Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras. Aproveitem para pedir as suas luzes para a pronúncia do recém-renascido ‘w’: Anwar deve ser pronunciado como ‘Anvar’ ou ‘Anuar’? Awila lê-se como Auila, Avila ou deve ser iberizado como Ávila?

Wiliam pronuncia-se Uiliam ou Viliam? Washington é Uashington ou Vashington?

O professor Bechara tem a sabedoria, a ponderação e a paciência para dirimir qualquer controvérsia. No Oriente Médio não teria problemas: Shalom e Salaam significam a mesma coisa, não têm problemas de grafia e pronúncia. Infelizmente, ninguém pensa nela.

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/01/2009 Jorge Granja de Oliveira

    Não sou do tipo que questiona os comentários de outros internautas. Afinal, este é um espaço democrático, onde cada um tem o direito inalienável de expor suas idéias da forma que achar conveniente. Entretanto, no papel de quem se esforça ao máximo para falar e escrever corretamente, tive a curiosidade aguçada pelo comentário do leitor Ubirajara Sousa. Ou eu não entendi ou o sr. está sugerindo ser equivocado o uso da palavra ‘tripla’ como feminino de ‘triplo’, pondo em xeque uma possível flexão de gênero. Então, qual seria a forma correta para, usando tal adjetivo, qualificar um substantivo feminino? Explico: supondo que se queira dizer que uma pessoa trabalha em três empregos distintos. A frase ‘Fulano cumpre uma tripla jornada de trabalho’, estaria errada? Desculpe-me se eu estou sendo pretensioso, mas solicito gentilmente que o sr. esclareça minha dúvida. Saudações, Jorge Granja.

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