Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 20/8

Classe média impulsiona
jornais, diz Earl Wilkinson

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 20/08/2008 na edição 499


Leia abaixo os textos de quarta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 20 de agosto de 2008


FUTURO DOS IMPRESSOS
Marili Ribeiro


Classe média dá impulso a jornais


‘Os trabalhos do segundo e último dia do 7º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), começaram com uma provocação. O palestrante convidado Earl Wilkinson, diretor-presidente da International Newsmedia Marketing Association (INMA), disse que a organização aboliu a palavra jornal do nome, porque não representa mais o espírito do negócio. No lugar de ‘newspaper’, entrou ‘newsmedia’.


A INMA, presente em 82 países e mantida por mais de 1.500 empresas, vive de fornecer e difundir as melhores práticas a seus associados, entre os quais alguns dos principais jornais brasileiros. Ao todo, monitora mais de 11 mil diários, que produzem cerca de 500 milhões de exemplares por dia.


Tomando como exemplo o setor nos EUA, onde as empresas do ramo perderam valor de mercado com a forte expansão das mídias digitais – a receita publicitária dos jornais impressos caiu cerca de 20% nos últimos dois anos -, ele destacou que está em curso uma virada do padrão do negócio. Os jornais impressos precisam ampliar o foco e contabilizar as diferentes audiências no mundo físico e no digital.


Essa realidade veio para ficar. A sociedade contemporânea vive numa era de abundância, o que muda de forma definitiva a noção de valor. Para endossar a tese, Wilkinson observa que nas residências de famílias de classe média americana há mais aparelhos de TV do que pessoas. ‘Na casa do meu cunhado tem televisor até na garagem.’A abundância de notícias, potencializada pela expansão da tecnologia digital, ampliou a capacidade de oferta, o que tem desnorteado muitas empresas.


O caso do jornal francês Libération é ilustrativo. Com fartura de recursos, resolveu oferecer um caderno extra, repleto de belos gráficos e informações. Surpresa: a tiragem despencou 30%. ‘Os leitores se sentiram culpados por não terem tempo para absorver o volume de informações ofertado. Diante disso, o jornal deixou de lado o projeto e as assinaturas voltaram a aumentar.’


‘Temos que reaprender a defender os valores do negócio.’ Um desses valores está, na opinião do palestrante, no papel que os jornais têm de ‘inspirar as pessoas’. Ele recomenda seguir a classe média. Onde ela cresce, aumenta o consumo de jornais.


No Brasil, assim como em outras economias emergentes, a circulação de impressos cresce. E ele acha essa tendência natural, já que a classe média avança. Mesmo assim, os jornais devem mudar nos próximos cinco anos, porque do contrário pode ser demasiado tarde. Isso significa alterar o tamanho do negócio, diminuir as versões em papel e ampliar as digitais.


Os jornais estão perdendo espaço na forma tradicional, e isso, como já disse o empresário de mídia Rupert Murdoch, vem acontecendo desde a década de 50, lembrou Wilkinson. ‘As mudanças que afetaram o mercado americano acabarão chegando ao Brasil em dez ou 15 anos’, diz ele.


Nelson Sirotsky, presidente do Grupo RBS e que por quatro anos presidiu a ANJ, considerou a apresentação elucidativa e bastante otimista. ‘Nós estamos fazendo a lição de casa. Não há hoje um jornal no Brasil que não tenha sua versão no online.’


FRASES


Earl Wilkinson


Diretor-presidente da International Newsmedia Marketing Association


‘Temos que reaprender a defender os valores do negócio’


‘As mudanças que afetaram o mercado americano recentemente acabarão chegando ao Brasil em dez ou 15 anos’’


 


 


 


Ana Paula Lacerda


O comportamento dos leitores está mudando


‘Um terço do tempo que as pessoas dedicam à mídia é gasto com mais de um veículo de comunicação. ‘Quem nunca observou os filhos na frente do computador, com a TV ligada, ouvindo música e falando ao celular ao mesmo tempo?’, questiona Randy Covington, diretor do Ifra Newsplex, um centro de estudos de mídia da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. ‘O comportamento dos leitores está mudando, e os jornais precisam acompanhar esse movimento.’


Segundo levantamento do Ifra Newsplex, entre os 100 maiores jornais americanos, 92 publicam vídeos em suas versões online; 95 têm blogs, 49 utilizam podcasts e 33 permitem que os leitores comentem suas matérias. ‘Esse último é um número que precisa ser melhorado, se os veículos querem aumentar a ligação com o público.’ Ele se mostrou otimista em relação aos jornais brasileiros. ‘Vejo empresas dispostas a tentar coisas novas.’


Covington citou um diário da Áustrália como exemplo de integração com novas tecnologias e leitores. O jornal publicou notícias sobre uma bailarina que havia sido presa e pedia a opinião dos leitores sobre o assunto, via mensagem de celular. No dia seguinte, foram publicadas centenas de mensagens. ‘Pode apostar que todos que enviaram mensagens compraram o jornal para vê-las publicadas.’


Outro exemplo, mais radical, é o do OhmyNews, de Seul, na Coréia do Sul. Os textos são enviados pelos moradores da cidade e passam por revisores na redação do jornal. ‘Os textos recebem um pequeno pagamento do jornal. Mas ao acessar o site, o leitor que gostar da matéria pode clicar na opção ‘dar uma gorjeta ao repórter?.’


DESAFIO


Para Michael Smith, diretor do Media Management Center da Universidade Northwestern, nos EUA, o desafio dos jornais americanos hoje não é a falta de leitores. ‘O que caiu foram os anúncios. Os jornais precisam descobrir novos modelos econômicos para trabalhar.’ Ele acredita que isso poderá ocorrer no Brasil no futuro.


Um levantamento da consultoria PriceWaterhouseCoopers mostra que este ano, o investimento global na mídia jornal deve crescer 2,2%. Em tevê, o crescimento é de 5,9% e na internet, 19,5%.


MULTIMÍDIA


Entre as estratégias apontadas por Smith, o uso de novas tecnologias e a criação de comunidades online de leitores estão entre as mais indicadas. ‘O Diário de Fredericksburg, na Virgínia, criou um fórum de discussão para os leitores comentarem os assuntos do jornal e do dia-a-dia’, conta. ‘Além de espaço de integração, o fórum é uma fonte de pautas.’ Outro caso é do Florida Today, que possui bancos de dados online. ‘No site é possível acessar listas de quem foi preso recentemente.’


Os especialistas americanos defendem que, num futuro próximo, as empresas terão de treinar seus jornalistas para produzir diversos tipos de conteúdo. ‘Hoje o trabalho termina quando o jornal é publicado. No futuro, ele vai estar apenas começando, pois após editar o texto, o jornalista terá de editar o áudio, o vídeo e pensar em outras maneiras para contar sua história em outras mídias’, diz o diretor do Knight Center de jornalismo nas Américas, Rosental Alves.’


 


 


 


Ana Paula Lacerda


‘Informação de qualidade é uma coisa cara’


‘‘Eu sei que vou contradizer a maioria, mas eu acho que boa parte do que se diz aqui é balela, mito ou exagero’. Foi assim que o presidente da Sociedade de Design Jornalístico da Espanha, Javier Errea, começou sua apresentação no congresso. Sua principal crítica foi à insistência de afirmar que o futuro do jornal está na internet e que é necessário criar blogs, fóruns e usar o material criado por leitores como conteúdo. ‘Informação de qualidade é uma coisa rara e cara, não é qualquer um que pode produzi-la’, afirmou. ‘Os jornais investem em tecnologia, mas quais estão investindo em seus jornalistas?’’


 


 


 


Marili Ribeiro


‘O jornal é a âncora do mundo’, diz pesquisadora


‘Para investigar a imagem dos jornais junto aos leitores, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) encomendou à empresa de pesquisas Ipsos Marplan um estudo qualitativo sobre o meio, realizado em julho, com participantes de ambos os sexos e idades entre 18 e 50 anos.


As declarações do levantamento surpreenderam a diretora de Mídia Custom do Ipsos-Marplan, Cinthia D?Auria, pelo grau de prestígio e credibilidade atribuído aos veículos impressos. Ao apresentar as conclusões para uma platéia lotada, ela repetiu um dos depoimentos com ênfase: ‘O jornal é a âncora do mundo’. O resultado da pesquisa soou como música aos empresários e executivos presentes ao 7.º Congresso Brasileiro de Jornais.


Cinthia relacionou as características dos jornais percebidas pelos leitores como fatores relevantes para suas rotinas. Os jornais mantêm uma tradição que pode ser passada de geração a geração; trazem para o dia-a-dia opiniões de profissionais reconhecidos, o que ajuda na reflexão e tomada de decisões; e são abrangentes, profundos e não superficiais, como interpretam a leitura de notícias no meio digital.


‘A internet tem uma função de síntese, enquanto a do jornal impresso é vista como analítica’, afirmou Cinthia. Há ainda uma visão de que o jornal requer profissionais mais qualificados do que a internet, o que dá segurança para o leitor. Por tudo isso, a executiva da Ipsos concluiu que o jornal não morre, mas se transforma. Para as leitores jovens, o meio pode ter outra perspectiva: ‘A nova geração não processa informação e o jornal terá que ajudar nisso’


Nelson Sirotsky, presidente do Grupo RBS e ex-presidente da ANJ, disse que a pesquisa reforça a tese de que o jornal é um veículo de alta credibilidade no Brasil. ‘Essa constatação ganha relevância para nosso negócios ao vermos que esse atributo é transferido para os anunciantes’, disse.’


 


 


 


TELEVISÃO
Lauro Lisboa Garcia


Cultura rende homenagem a Caymmi


‘Por conta da morte de Dorival Caymmi (1914-2008) no sábado passado, a TV Cultura exibe hoje, às 22h10, um especial em homenagem ao grande mestre baiano. No programa gravado em 1972, Caymmi fala de um ponto crucial em sua trajetória: a mudança de Salvador para o Rio de Janeiro, de onde sua carreira iria deslanchar.


Dentre os clássicos que ele interpreta no programa estão Marina e Só Louco. Referência para uma legião de intérpretes, compositores e violonistas, a música moderna de Caymmi é um exemplo lapidar da busca pelo essencial, que a bossa nova de João Gilberto avalizou. A cada geração, seu cancioneiro renasce nas vozes dos que seguem seus princípios de concisão, como Jussara Silveira, Rosa Passos, Mônica Salmaso, Roberta Sá e Mateus Sartori.’


 


 


 


Alline Dauroiz


FPA fará pesquisas sob encomenda


‘No lançamento de sua nova Unidade de Negócio – a Cultura Data -, a Fundação Padre Anchieta (FPA) anunciou ontem que agora venderá pesquisas por demanda e, no mínimo, dois estudos por ano ao mercado publicitário, governos e empresas. O primeiro produto da casa, à venda por R$ 3 mil, é a pesquisa Sintonia Jovem, sobre perfil dos jovens brasileiros.


O diretor de Marketing e Captação da FPA, Cícero Feltrin, ressaltou porém que a Cultura Data não fará concorrência com nenhum instituto de pesquisa e que o foco serão os estudos comportamentais, voltados à cultura, educação, ecologia, arte e entretenimento. ‘Não faremos pesquisa de audiência nem de intenção de voto. E todos os recursos arrecadados voltarão para produções da Cultura.’


Criada no final do ano passado, a unidade já realizou trabalhos experimentais para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e para a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Com quatro analistas de pesquisa contratados e o apoio do departamento de Marketing da FPA, a proposta da nova unidade é fazer parcerias com institutos de pesquisa e universidades.


Look Joãozinho


Em capítulo previsto para ir ao ar hoje, em Ciranda de Pedra, novela das 6 na Globo, a revoltada Virgínia (Tammy Di Calafiori) cortará o próprio cabelo e adotará visual mais moderninho. Fora de cena, foi o cabeleireiro Tiago Parente quem fez a cabeça da moça.


Entre-Linhas


Apresentada como Lindsay na versão francesa do reality show Ilha da Tentação, uma estudante brasileira em Cannes revelou à imprensa que o programa era cheio de armações. A moça deu uma entrevista ao Le Parisien dizendo que nem ligava para a França, porque quer mesmo é ser famosa no Brasil. E jurou já estar cotada para o próximo Big Brother Brasil.


Consultada por esta coluna sobre a cotação de Lindsay para o BBB 9, a Globo informa que não existe isso. As inscrições acabaram de ser abertas e só é possível dizer que alguém ‘está cotado’ na reta final da seleção.


Gyselle, moça que foi para a final no BBB 8, coincidentemente, também participou da versão francesa do Ilha da Tentação.


A TV Gazeta cancelou o debate entre os prefeituráveis de São Paulo. A falta de confirmação de Marta Suplicy, do PT, provocou reação similar em Geraldo Alckmin, do PSDB, incentivando a emissora a cancelar o evento.


A Gazeta agora tentará agendar entrevistas individuais com todos no Jornal da Gazeta.


O Warner Channel exibe, a partir de 6 de outubro, a premiada série da HBO Família Soprano, sempre com dois episódios aos domingos, às 21 horas.


Ídolos tinha até ontem, dia previsto para sua estréia na Record, duas das três cotas de patrocínio em aberto. Carlos Gonzalez, presidente da Fremantle – dona do formato Ídolos – espalhou que negocia mais dois programas com a Record.’


 


 


 


FOTOJORNALISMO
Camila Molina


‘Estado’ abre seu acervo fotográfico


‘É um prazer e, ao mesmo tempo, uma tarefa extremamente difícil fazer uma seleção de fotografias do imenso acervo do Grupo Estado, com mais de 130 anos de atuação na área de comunicação. ‘Como num álbum de família, O Estado de S.Paulo e o Jornal da Tarde fotografaram a sociedade brasileira, mas são imagens de valor histórico nacional’, diz Aparecido Marcondes, da Agência Estado. Ele é o curador da mostra Nossas Eternas Imagens, que será inaugurada hoje para convidados e amanhã para o público no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE). A partir de milhares de imagens foram selecionadas 140 fotografias para formar a exposição que perpassa uma linha histórica que vai do início do século 20 aos dias de hoje, por meio do olhar acurado, sensível e oportuno de tantos repórteres fotográficos que trabalham ou já trabalharam no Grupo Estado – alguns deles, agraciados com o Prêmio Esso de Jornalismo e até o prêmio internacional da World Press Photo, concedido a J.F. Diorio em 2005 pela imagem do incêndio na favela do Buraco Quente, em São Paulo.


‘Uma exposição feita de um acervo tão grande é algo que quase não acontece, ela fala de um coletivo e não de indivíduos’, continua dizendo Aparecido Marcondes. A exposição Nossas Eternas Imagens marca o lançamento do banco de imagens da Agência Estado na internet (leia ao lado), uma ação que vai facilitar o trabalho de profissionais interessados em adquirir as imagens do rico acervo.


Como o material expositivo são fotografias publicadas nas páginas dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde – e também nas versões online dos veículos -, um dos critérios que norteou a concepção da exposição foi abrigar as imagens em grupos e áreas de interesse como editorias: Política, Economia, Cidades, Cultura, Esportes, etc., diz Marcondes. Mas esses nichos temáticos não engessam certos assuntos que tanto marcaram a história do País, como a construção de Brasília; os registros das vibrantes vitórias da seleção brasileira de futebol em cinco edições da Copa do Mundo e das comemorações do povo nas ruas; o episódio do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello; a passeata dos 100 mil no Rio de Janeiro, em junho de 1968; ditadura militar; e as mazelas nacionais como o recente apagão aéreo, rebeliões, incêndios e o trabalho escravo infantil, como enumera o curador.


Nos painéis, também ganham destaques personalidades e eventos com a realização de galerias de fotos. Entre elas, os ídolos esportivos Pelé – em cinco imagens clássicas, ele é representado em movimento parado no ar, fazendo bicicleta e com uma ‘auréola’, registro de 1960 – e o piloto Ayrton Senna; o meio ambiente (uma seleção com enfoque na Amazônia e no desmatamento); funerais – entre eles, a morte de Getúlio Vargas e de Tancredo Neves; e o amplo segmento de Cultura, com retratos históricos e recentes de escritores, músicos, atores. ‘Há um painel especial com imagens de cantores tocando violão tendo João Gilberto no centro’, conta Marcondes. Bem, a lista de tantos temas importantes marcados na mostra e que fazem o diálogo entre o passado e o presente parece não ter fim: há também uma galeria de retratos de presidentes, de Getúlio, na década de 1930, até a imagem de Fernando Henrique Cardoso passando a faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva.


Serviço


Nossas Eternas Imagens. MuBE. Rua Alemanha, 221, Jd. Europa, tel. 2594-2601. 10 h/19 h (fecha 2.ª). Grátis. Até 14/9. Abertura hoje, às 20 h, para convidados.’


 


 


 


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Agência agora disponibiliza suas imagens na internet


‘Nossas Eternas Imagens!, no MuBE, marca o lançamento do banco de imagens da Agência Estado (AE) na internet. ‘É um projeto que vem sendo feito há anos, mas há cerca de 8 meses estivemos desenvolvendo a estrutura tecnológica e conceitual do banco’, diz o curador da exposição Aparecido Marcondes. No primeiro momento da disponibilização das imagens no novo formato, já será possível ter a oportunidade de consultar mais de 20 mil imagens digitalizadas do acervo do Grupo Estado, segundo Marcondes, da AE.


‘Este é um projeto longo porque é complexo’, diz Adriane Castilho, uma das editoras-executivas da Agência Estado. ‘Digitalizar um acervo que tem mais de 133 anos seria um trabalho de muitos anos. Olhamos a coleção e selecionamos uma amostra dos assuntos mais relevantes e marcantes. É apenas um extrato e a idéia é a de sempre alimentar esse banco de imagens’, afirma ainda Adriane. O banco de imagens não tem apenas fotografias, mas também ilustrações, caricaturas e fac-símiles de edições históricas de primeiras páginas do Estado.


Segundo a editora-executiva, há certos parâmetros que devem ser levados em conta para a realização de um banco de imagens de qualidade: variedade de temas, relevância jornalística, acuidade técnica dos produtos; e a contextualização apurada das fotografias e ilustrações. ‘Fizemos a contextualização das imagens juntamente com pessoas da equipe do Arquivo do jornal. Também entramos em contato com fotógrafos antigos – foram muitas colaborações.’


Profissionais da área de edição de fotografias e outros interessados terão disponível um sistema de busca que permitirá fazer investigações precisas sobre diversos assuntos. Outro ponto importante é o cuidado de colocar no banco material variado de opções de corte e ângulos das imagens. Os interessados no banco de imagens da AE devem solicitar senhas pelo telefone (11) 3856-2079 ou e-mail midia.ae@grupoestado.com.br.’


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 20 de agosto de 2008


MÍDIA & POLÍTICA
Fernando Rodrigues


A farra na TV e no rádio


‘É fácil falar mal do horário eleitoral no rádio e na TV.


Difícil é dizer qual a melhor solução numa democracia estável e justa.


O publicitário Washington Olivetto opinou a respeito na Folha: ‘Sou contra a obrigatoriedade. O eleitor deveria escolher o candidato pela cobertura da imprensa’.


É uma fórmula idílica. Parte da grande mídia até já se ocupa de noticiar com imparcialidade candidaturas de interesse nacional. Mas haveria carnificina no interior do país, onde muitos políticos dominam os meios de comunicação.


Na vigência de um sistema com liberdade de expressão, é lícito que os políticos queiram se expressar por meio de propagandas quando começa a temporada de eleições. O problema é como regular esse direito. Certamente o melhor modelo não é o de países como os EUA, onde o tempo de TV precisa ser comprado pelos candidatos. Quem tem mais dinheiro prospera. Quem não tem, some do mapa.


No Brasil pós-ditadura, criou-se uma jabuticaba. Democratismo puro. Concedeu-se tempo amplo de TV e rádio a todas as siglas. Havia uma lógica inicial. A estrutura partidária estava em frangalhos. Era necessário dar oportunidade para que, à la Mao Tsé-tung, florescessem as mil flores.


Mas já se passaram 23 anos desde a volta do Brasil à democracia.


Há hoje 27 partidos registrados.


Fazem uma farra no horário eleitoral. É um desrespeito com os eleitores. Em 2004, seis siglas tiveram 72,7% dos votos para prefeito (PT, PSDB, PMDB, DEM, PP e PDT).


Agora, pela enésima vez, o Planalto sugere uma cláusula de desempenho eleitoral. Os nanicos teriam um tempo de fato limitado.


Será o maior legado de Lula para a política. Mas, como é praxe nesses casos, é melhor ver para crer.’


 


 


 


Laura Mattos


Início do horário eleitoral de SP tem novas e velhas bizarrices


‘‘Meu nome é Havanir.’ Havanir Ribeiro, herdeira do hit ‘meu nome é Enéas’, foi a primeira candidata a se apresentar ontem, com seu slogan estridente, na estréia do horário eleitoral de São Paulo.


A abertura deixava claro que a nova versão do programa político será mais do mesmo: candidatos fazendo de tudo, até bizarrices constrangedoras, para chamar a atenção do eleitor.


Depois de Havanir, lá vem outro clássico fanfarrão, Osmar Lins, o ‘peroba neles!’. E sobrou para Lula: ‘O senhor criou o ministério do longo prazo, o Ministério da Pesca, vâmo criar o Ministério da Falta de Vergonha e a usina de óleo de peroba pra passar na cara de pau’. Voltou Dinei ‘corintiano vota em corintiano’, ‘uuí’, encerrou.


‘Êeeita, Deus’, berrou depois o Reverendo Dinarte.


Na seara celebridades-caem-de-pára-quedas’, teve a atriz Aldine Müller (famosa por filmes como ‘Socorro! Eu não Quero Morrer Virgem’, ‘Ninfa Diabólica’ e ‘Bem Dotado, o Homem de Itu’), Salete Campari (drag queen cover de Marilyn) e Marcelo Frisoni (marido de Ana Maria Braga).


Houve quem fizesse dos filhos cabos eleitorais, como a ‘advogada e mãe de homossexual’ Nice Mendes, e Dário, que colocou a filhinha dizendo ‘vote no meu pai’. Nem Isabella Nardoni descansou em paz. Carlos Bezerra Jr. explorou o nome da garota morta para citar projeto contra a violência.


Entre os apelidos pérolas estão Dr. Calvo, Faustão, Ronie Von, Cabra Bom. E Betão do Lava Rápido citou Legião Urbana (‘nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado’) e Titãs (‘o pulso ainda pulsa’). Mas a medalha de ouro trash vai para Concci Marco, que conclamou o eleitor, ‘vamos arrebentar a boca do balão’, e com uma agulha, estourou, um a um, três balões diante das câmeras.


O programa do PT foi bem produzido, e o PSOL trouxe no rádio um rap que pode pegar, ‘Fala, periferia, 50, vote, anote…’ A estréia também marcou o fim de uma era: Eymael abandonou o jingle ‘ei, ei, Eymael, um democrata cristão’…’


 


 


 


TODA MÍDIAS
Nelson de Sá


Eleições armadas


‘Começou o horário eleitoral também no Rio, mas a questão militar prossegue, prioridade de cobertura na campanha que opõe Marcelo Crivella, ligado à Record, e Eduardo Paes, ligado ao governador e agora próximo da Globo. Na manchete do Globo Online e em reportagens na Folha Online, à noite, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, da legenda de Sergio Cabral, precisou afirmar que ‘as tropas não ficarão a serviço de candidatos’. Sobre Cabral e o Comando Militar do Leste, amenizou que não há ‘conflito’, somente ‘divergência de opiniões’.


O VILÃO


O ator Milton Gonçalves, um dos vilões da novela das oito na Globo, no papel de um político corrupto, protagoniza também uma campanha da associação de magistrados que criou a seletiva ‘lista suja’, em operação conjunta com a Rede Globo.


A VILÃ


Outra campanha eleitoral de caráter privado, paralela à propaganda com financiamento público aberta ontem, é do Movimento Nossa São Paulo, que no rádio tem a locução da atriz Beatriz Segall, ela que já foi Odete Roitman, ‘a maior vilã da TV’.


‘O PRÉ-SAL É NOSSO’


Garibaldi Alves, do PMDB do Senado, deu entrevista ontem à Bloomberg TV e ecoou em despachos pelo mundo, afirmando que o ‘Congresso pode apoiar uma nova estatal para o pré-sal’, nos enunciados. Ele declarou também que os senadores poderiam aprovar nas próximas semanas a Venezuela no Mercosul.


E o ministro Edison Lobão, também do PMDB do Senado, falou à Associated Press que ‘o Brasil está estudando’ criar não só a nova estatal, mas um segundo fundo soberano com os recursos do pré-sal.


ENTRE ELES


Está para aparecer mais um livro de Bob Wodward, célebre por Watergate, e a cobertura das eleições americanas especula há semanas sobre seu conteúdo e impacto.


Ontem, enfim, o site Politico avançou um pouco, postando a capa (acima). A AP já havia adiantado o título, também ontem: ‘A Guerra Interna: Uma História Secreta da Casa Branca 2006-2008’. O jornalista do ‘Washington Post’, relata o Politico, ‘passou duas manhãs’ com George W. Bush e entrevistou também o vice, Dick Cheney, os secretários de Estado e Defesa, mais ‘uma série de funcionários graduados’. O livro sai em três semanas, às vésperas da eleição, e a expectativa é que leve ao ‘reexame da guerra do Iraque’.


NOVA VELHA GUERRA


Nas manchetes dos sites de ‘New York Times’ e ‘Washington Post’, ontem ao longo do dia, ‘Forças do Taleban matam dez soldados franceses e realizam incursão em base dos EUA’. Estaria entre as operações ‘mais sérias organizadas pelo grupo em seis anos de combate’.


‘GUERRA AO TERROR’


Na França, o site do governista ‘Le Figaro’ abria ontem à noite com ‘lágrimas pelos soldados’ e, num segundo destaque, ‘Os franceses tombaram pela liberdade do mundo’. No ‘Le Monde’, destaque para Nicolas Sarkozy e sua ‘determinação intacta’ de lutar ‘contra o terror’.


‘BIG ONE’


Deu no ‘Times’ de Londres e outros, com destaque no Drudge Report, mas nem tanto nos sites de jornais americanos: para Kenneth Rogoff, que foi economista-chefe do FMI, ‘os EUA não estão livres, a crise financeira está no meio do caminho’. Aliás, ‘o pior está por vir’. Ele soltou a previsão de que a próxima vítima no sistema financeiro, ‘nos próximos meses’, não será um ‘banco médio’ e sim um ‘whopper’ ou, em tradução livre, um bem grande. ‘A big one’, um dos grandes.


Na manchete do site do ‘Wall Street Journal’ e também do ‘Financial Times’, fim do dia, a queda na Bolsa pelo ‘desconforto financeiro’.’


 


 


 


TELECOMUNICAÇÕES
Elvira Lobato


Cobrança de ponto extra de TV tem parecer favorável


‘O CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) deu parecer técnico favorável à cobrança do ponto extra da TV a cabo, o que fortalece a posição das empresas na queda-de-braço com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).


De acordo com o CPQD -instituição que pertenceu à Telebras e que atualmente se mantém com a venda de serviços ao governo e a empresas privadas-, se a Anatel mantiver a proibição da cobrança do ponto extra, as operadoras repassarão os custos para os demais serviços, onerando a todos os assinantes. Segundo as empresas, 70% dos assinantes não têm ponto extra de televisão a cabo.


O parecer foi encomendado pela ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), que se opõe à suspensão da cobrança pretendida pela Anatel. A associação usará o estudo para contestar a posição da Anatel na consulta pública sobre o Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes dos Serviços de Televisão por Assinatura, que termina na segunda-feira.


Exemplo nos EUA


Além das alegações técnicas, o parecer do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações sustenta que a cobrança do ponto extra da TV a cabo e do aluguel do conversor -que a Anatel também quer eliminar- são práticas adotadas adotadas no exterior. Cita como exemplo a tabela de preços da Cox Communications, de Las Vegas, nos Estados Unidos, que cobra o valor de US$ 10 por mês por ponto extra -menos do que o valor cobrado pela Net, de R$ 25 mensais- e US$ 5,25 de aluguel do conversor digital.


No Canadá, de acordo com o estudo, o ponto extra de televisão paga custa 6,99 dólares canadenses. No Reino Unido, o preço é de 9,50 libras mensais. Na principal empresa de TV paga de Portugal, a CATVP, o ponto extra não é cobrado, mas o aluguel do conversor custa 2,75 euros mensais.


A cobrança do ponto extra deveria ter terminado em junho, com a entrada em vigor do texto do regulamento, que havia sido aprovado em dezembro do ano passado pela agência reguladora.


Com texto confuso, o regulamento dava margem a diversas interpretações e, por isso, as operadoras de TV por assinatura não suspenderam a cobrança. Reconhecendo as ambigüidades do texto, a Anatel, no dia 6 de junho, resolveu suspender a eficácia dos artigos que davam margem a cobrança até a edição de novo regulamento, que deveria sanar os problemas do texto original.


No dia 26 de junho, no entanto, a ABTA conseguiu uma liminar na Justiça permitindo a continuidade da cobrança.


Para o consumidor, o vaivém de decisões não teve efeito prático, porque a maioria das empresas continuou cobrando pelo ponto extra durante toda a polêmica.


Em 31 de julho, a agência reguladora anunciou que colocaria em consulta pública outra versão do regulamento, mantendo a proibição da cobrança, porém com o texto mais claro.


O documento, que está em consulta pública até o dia 25, estabelece que ‘a programação do ponto principal, inclusive programas solicitados individualmente pelo assinante, deve ser disponibilizada, sem cobrança adicional, para pontos extras e para pontos de extensão, instalados no mesmo endereço residencial, independentemente do plano de serviço contratado’.


Ainda de acordo com o texto do documento, as operadoras só podem cobrar por ‘instalação’ e ‘reparo da rede interna e dos conversores/decodificadores de sinal ou equipamentos similares’. Até a aprovação final do texto, no entanto, a Anatel liberou a cobrança do ponto extra.’


 


 


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Livraria Cultura assina acordo com Google


‘A Livraria Cultura se uniu ao Google para disponibilizar um serviço de ‘degustação on-line’ de livros. O usuário poderá acessar o site www.livrariacultura.com.br e ler trechos de obras literárias, por meio da ferramenta batizada de Google Preview. Segundo a livraria, trata-se da primeira loja do mundo a oferecer o mecanismo, que permitirá acessar o conteúdo dos mais de 1 milhão de livros já digitalizados pela ferramenta do Google.’


 


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TV paga quer excluir audiência de pobres


‘Está em discussão na ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) proposta de excluir da amostra do Ibope para medição de audiência da TV paga todos os domicílios com menos de 15 canais fechados.


Isso significa ignorar o que os mais pobres (da classe C) pagam para ver e vai na contramão dos novos pacotes.


A mudança, acredita-se, estancaria a queda no consumo de canais _no ano passado, o brasileiro viu TV paga quase dez minutos a menos do que em 2006. A lógica é a seguinte: quanto mais canais o assinante compra, mais TV paga ele vê.


A proposta integra estudo do Ibope que aponta o trânsito e a internet como co-responsáveis pelo declínio da TV paga.


No total da amostra nacional de TV paga do Ibope, seriam eliminados 13% dos atuais domicílios. Mas a exclusão afetaria, principalmente, o Rio, onde 32% dos domicílios têm menos de 15 canais. Os canais da Globosat seriam favorecidos.


Em nota à Folha a ABTA minimizou a queda de audiência da TV paga. ‘O critério para aferir público na TV por assinatura não deve ser quantitativo, mas sim qualitativo, pois se trata de audiência segmentada, qualificada. A base de assinantes cresce ano a ano no Brasil, portanto a mera audiência quantitativa não é critério para a definição de investimentos na TV paga ou parâmetro para medir seu desempenho no país’, diz a nota.


ESFRIOU


Está passando o efeito de alta de audiência de ‘A Favorita’ provocado pela revelação de que Flora (Patrícia Pillar) é a vilã. Após cravar média de 41,4 pontos na primeira semana de agosto, quando o capítulo ‘decisivo’ cravou 46, a novela das oito da Globo recuou para 39,3 na semana passada. No sábado, deu só 32,8 pontos.


BLONDOR


Continua ladeira abaixo o programa de Hebe Camargo, agora às 20h. Anteontem, deu só 2,9 pontos na Grande São Paulo. A rigor, menos do que a novela ‘Água na Boca’ (Band), que marcou 3.


ASSÉDIO


O SBT anda investindo sobre diretores da Globo. Silvio Santos quer uma grife global dirigindo suas novelas.


COTAÇÃO


Caíram as chances de a Record vir a transmitir, ao vivo, um dos dois shows que Madonna fará no Brasil, em dezembro. As negociações só devem avançar após a venda dos ingressos.


PÓDIO


O SporTV, como era de se esperar, tornou-se líder de audiência entre os canais pagos com a Olimpíada de Pequim. Na primeira semana, o esporte que mais deu público ao canal foi o vôlei de praia, à frente do futebol e da ginástica.


TIGRESA


A Globo está dublando suas novelas em malaio, hindi e bahasa-indonésio. É a estratégia da emissora para conquistar mercados asiáticos. Lançará títulos nessas línguas em feiras em Cannes (outubro) e Cingapura (novembro).’


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