Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > CARNAVAL & MÍDIA

Claudio Henrique

02/03/2004 na edição 266

‘Ai de quem comparar Milton Cunha a Madame Satã! Nenhum dos dois gostaria. Milton não usa navalha e nem luta capoeira, óbvio. ‘Atracar-se com homem’, no seu caso, é sempre sinônimo de prazer – e nunca de briga. Mas há, entre eles, pelo menos dois pontos em comum: como o lendário malandro da Lapa, Milton também é gay assumido e sujeito homem na hora de enfrentar desafios e tomar decisões. Foi assim, por exemplo, em 1999, quando o barracão da União da Ilha pegou fogo e ele reconstruiu o carnaval da escola em 36 dias, mantendo-se no Grupo Especial. Ou quando, em 1997, pediu demissão da poderosa Beija-Flor por achar que a escola vitaminada estava ofuscando seu brilho. Mas se há um momento em que este paraense decidido fica hesitante é ao preencher ficha de cadastro pessoal. Em saguão de hotel, por exemplo. É quando surge aquela lacuna incômoda: o espaço em branco em que precisa informar sua profissão. ‘Cada vez eu escrevo uma coisa diferente’, confessa, rindo espalhafatoso.

Formado em Psicologia pela Universidade Federal do Pará, Milton Cunha está fazendo pós-graduação em Moda, já teve confecção própria – a 90° -, inicia uma carreira de apresentador de TV e acaba de estrear como figurinista de teatro, no espetáculo ‘Obrigado, Cartola’, em cartaz no Rio. Comemora ainda um recente convite para voltar a trabalhar como ator. ‘Sou sindicalizado e tudo’, gaba-se. Nas horas vagas, digamos assim, encarna o carnavalesco da São Clemente, escola que abre o desfile do Rio este ano. E faz isso de forma nada discreta. Bem ao seu estilo Satã.

‘Comparo Nassau a Lula’

Será impossível a São Clemente passar em branco na Sapucaí. Ok, ela vai passar em preto e amarelo, as cores do pavilhão. Mas é pelo enredo curioso e pelas críticas sociais que Milton Cunha deve atrair o foco na passarela e se consagrar este ano como o novo grande nome do carnaval carioca. Dificilmente ganhará o título de campeão, pois jurados, infelizmente, não costumam se entusiasmar com escolas pequenas. Mas a repercussão do seu trabalho já está garantida. Dois meses antes do desfile, as alegorias de Milton começaram a causar alvoroço. Até o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, veio de Brasília ao barracão da escola, em São Cristóvão – tudo para convencer Milton a não levar para a pista um boneco do Tio Sam, de calças arriadas, defecando sobre o Congresso Nacional.

Em outra plenária, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, os vereadores aprovaram novo veto a uma criação do carnavalesco: uma imagem que representaria os veadinhos de Pelotas. Espirituoso, Milton anunciou a mudança de nome da ala: ‘Não dou pelota para veadinhos’. Apesar das pressões, as duas alegorias estarão na avenida, mas devidamente amordaçadas, como crítica à censura. Junto a elas, surge agora a representação de um punho cerrado, com mangas de camisa e terno escuro. ‘É a mão do deputado João Paulo, que censurou meu desfile’, avisa Milton, ferino.

Isso tudo é pinto perto do que vem por aí: o Sambódromo vai ver alas inteiras carregando reproduções de fezes nos ombros (alusão à poluição de praias e rios) e componentes com pinicos na cabeça (referência à expressão ‘meu ouvido não é pinico’). ‘Será um carnaval Casseta & Planeta. Provocando o riso, quero fazer o público pensar, retomando a crítica comum nas antigas marchinhas de carnaval’, diz o carnavalesco. Está prevista ainda a passagem da Egüinha Pocotó, da reprodução de um presídio de segurança máxima com celulares e laptops e uma boneca seminua sentada numa garrafa. Totalmente sentada – se é que isso ajuda na descrição da cena.

‘Cocô e lixo estão muito mais perto da realidade brasileira do que plumas e paetês’, diz Milton, arregalando os olhos verde-amarelados e gesticulando muito. A poucos dias do desfile, ele em nada se parece com aquela imagem clássica que fazemos de carnavalescos na reta final, correndo contra o tempo para finalizar os detalhes. ‘Não entendo essa gente que diz que passa os últimos dias virando noite no barracão e dando chilique na escola’, comenta. ‘Todos os carnavalescos recebem o dinheiro em agosto!’, estranha. ‘Eu termino tudo bem antes e passo os últimos 15 dias só caindo na esbórnia. Vou a feijoadas, festas, ensaios… Eu me acabo.’

A véspera desta entrevista foi exatamente assim: muito samba na quadra da Estácio de Sá até altas horas. Só às três da tarde de quarta-feira, dia 18, Milton chega ao barracão: bermuda estampada, camiseta sem manga e a cara bolachuda levemente amassada. Brincos, pulseira e colar abóbora são inseparáveis. Sereno, orienta seus artesãos nos arremates. Um deles avisa que está chegando ao fim um material com que cobriria alguns carros. ‘Usa tudo num só e bola pra frente’, ensina, confortavelmente sentado sobre uma cobra (que, é bom explicar, será parte da fantasia da comissão de frente). Uma equipe da agência de notícias Reuters faz plantão na porta e quer entrevistá-lo. O cronista Zuenir Ventura também marcou uma visita para o fim da tarde, pois um passarinho lhe contou que o enredo da São Clemente – ‘Boi Voador sobre o Recife, cordel da galhofa nacional’ – vai dar o que falar. Mas de que diabos, afinal, fala esse enredo?

A gênese de tudo é a história de Maurício de Nassau, conde holandês que levou Recife, em Pernambuco, à falência no século XVII. Para sanear as contas, o governante anunciou a apresentação de um Boi Voador àqueles que pagassem pedágio numa ponte recém-construída. ‘Inaugurou-se ali no país o costume de político mentir para o povo’, diz o carnavalesco, que, a partir dessa idéia, apresenta uma série de problemas sociais nunca resolvidos – como tráfico de drogas e saneamento – misturados à capacidade do brasileiro de transformar tudo em galhofa.

‘O político perdeu o bom humor e hoje mente sobre coisas barra pesada, comprometendo a fome e a miséria. O brasileiro, não. Continua levando tudo na esportiva’, analisa. ‘Por isso, o carnaval é o maior exemplo de competência nacional.’ A folia estará representada no último carro alegórico, com o circo. ‘É metalinguagem’, refina. As tais cobras da comissão de frente vão entrar fumando, num alerta: o bicho vai pegar! O segundo carro compara a prostituição na corte holandesa com o atualíssimo tema das garotas de programa em Copacabana. ‘Trago tudo para os dias atuais, mostrando que quase nada mudou. No fundo, comparo Nassau a Lula’, entrega.

‘Queria desfilar como Branca de Neve’

Milton Cunha estreou como carnavalesco em 1994, totalmente por acaso, e, de cara, numa grande escola, a Beija-Flor. Seis anos antes, em 1988, ainda trabalhava como produtor de concursos de mulheres na casa de espetáculos Scala, no Leblon, quando conheceu o patrono da agremiação, Anísio Abrahão David. ‘Ele se apaixonou por uma candidata, a Fabíola, que, por coincidência, dividia apartamento comigo. E eles começaram a namorar’, lembra Milton, que não tem motivos para esconder o romance. ‘Hoje, ela é mãe de dois filhos do Anísio e, este ano, eles finalmente se casaram de papel e tudo’, conta, com vaidade de cupido.

Em 1993, já amigo do casal, foi convidado às pressas para fazer, em dois dias, 70 fantasias para a ala das passistas. E resolveu bem a encrenca. No ano seguinte, incentivado pela turma, concorreu ao posto de carnavalesco, disputando a vaga com outros nove nomes, como Max Lopes e Miguel Falabella. Venceu e levou para a avenida um enredo rebuscado, sobre Margareth Mee. ‘Um mês depois da minha contratação, o Anísio foi preso e acabaria ficando três anos na cadeia’, conta. ‘Passei esse período indo todo sábado à penitenciária para mostrar meus desenhos a ele’, lembra, espantado com a própria façanha. Hoje, relembrando tudo isso, sabe que a ausência do patrono favoreceu seu espírito ousado. ‘Eu tinha muita liberdade, podia brincar de fazer carnaval.’ Em 1998, por exemplo, ao homenagear Bidu Sayão, inovou ao levar um naipe de violinos para a avenida.

‘Desde os 5 anos de idade, eu ouço as pessoas dizerem que sou maluco’, diverte-se o carnavalesco. Nascido em Soure, capital da Ilha de Marajó, Milton foi menino estudioso. ‘Eu me interessava por Godard, ia a cineclube e fazia teatro’, descreve. Conta que descobriu seus desejos homossexuais e também os sonhos de grandeza ainda criança. ‘Eu não tinha como esconder nada, pois eu era aquilo. E Marajó parecia pequeno demais.’ Mal acabou a faculdade de Psicologia, cumprindo desejo do pai, Milton embarcou, em 1982, para o Rio – com maleta, cara e coragem.

Sua história de migração em busca do sonho é muito parecida com a do maranhense Joãosinho Trinta, ao mesmo tempo ídolo e fã. ‘Milton Cunha é muito criativo e vai longe’, elogia o mestre dos carnavalescos. Se Joãosinho conseguiu seu primeiro emprego no Teatro Municipal, o jovem paraense, então com 19 anos, se juntou a um grupo do Teatro Cacilda Becker, no Largo do Machado. E foi dali que acabou sendo pinçado pelo empresário da noite Chico Recarey, dono do Scala. ‘Com o espetáculo sobre Cartola estou voltando ao teatro após 20 anos de separação’, suspira.

Na TV também tem fuçado seu espaço. É um dos debatedores do programa ‘Primeiro Time’ e também do ‘Sem Censura’, ambos exibidos pela TVE. ‘Milton Cunha é um grande achado’, enaltece o diretor da emissora, Fernando Barboza Lima. Milton ainda dá pitacos no ‘Comentário Geral’, de Miguel Paiva e, na TV Estácio (canal universitário), apresenta o ‘Ilustres Anônimos’, em que sai às ruas entrevistando figuras desconhecidas. Para o carnaval, já assinou dois contratos: no sábado, comenta o desfile do Grupo de Acesso pela CNT; e na semana seguinte, participa da transmissão que a Bandeirantes faz do Desfile das Campeãs. ‘Eu queria também desfilar como Branca de Neve na Acadêmicos da Rocinha, mas a CNT não deixou’, lamenta, cheio de fôlego.

Aos 41 anos, essa espécie de Jorge Fernando do carnaval carioca mantém múltiplas atividades, mas, ao menos no discurso, continua com a idéia fixa de ser ator. ‘É meu maior sonho.’ Em 2000, depois do incêndio no barracão da União da Ilha, recolheu-se por um ano numa casa em Ilha de Guaratiba, com vista para a Restinga da Marambaia, onde assistia aos exercícios militares. ‘Foi neste período que descobri minha maturidade’, conta, lembrando que o ano sabático também o levou aos 100 quilos de hoje. ‘A cada explosão na Restinga, eu me compreendia mais. Por isso, minha biografia vai se chamar ‘Tiros na Marambaia’, anuncia.

É isso mesmo, leitor: Milton Cunha também tem planos de escrever um livro. Nas próximas horas, vai dar seu espetáculo no Sambódromo. Não com aquele ar preocupado e tenso de alguns carnavalescos, que atravessam a pista gritando e gesticulando com as alas. Uma das marcas de Milton é justamente desfilar à frente de sua escola, sambando mais do que qualquer componente e disputando atenção com a rainha da bateria. Se o enredo vai ou não ser compreendido por platéia e público, só o domingo dirá. Milton Cunha mostra este ano na avenida sua maturidade como carnavalesco. A maturidade daquele menino ‘maluco’ que saiu da ilha de Marajó.’



Daniel Castro

‘Audiência do Carnaval aumenta até 61%’, copyright Folha de S. Paulo, 27/02/04

‘Aumentou o interesse do telespectador paulistano pelo Carnaval. As transmissões da Globo tiveram crescimento de até 61,2% em relação ao ano passado. Esse aumento foi registrado nas exibições dos compactos dos desfiles das escolas de samba do Rio, na segunda e na terça à tarde.

Neste ano, os dois compactos deram média de 21,6 pontos, contra 13,4 em 2003. Cada ponto no Ibope da Grande SP equivale a cerca de 48,5 mil domicílios.

A maior audiência foi a da transmissão da apuração do Carnaval de São Paulo, na terça. Deu média de 29,3 pontos, contra 22,4 no ano passado. Um dos fatores que podem explicar esse crescimento, de 30,8%, era a expectativa de rebaixamento da popular Gaviões da Fiel. A apuração do Rio, na quarta, rendeu 25,7 pontos, 23% a mais do que em 2003.

O fato de ter chovido durante quase todo o feriado não foi determinante no crescimento da audiência da Globo. As transmissões de sexta a terça, incluindo os compactos e a apuração de São Paulo, tiveram média de 28,5% de televisores ligados, praticamente a mesma do ano passado (28,4%).

O único dia em que não houve aumento foi na sexta, com 13,2 pontos (queda de 8,3%). O desfile de São Paulo no sábado registrou 14,4 pontos (4,4% a mais). Os desfiles do Rio, no domingo e na segunda, marcaram, respectivamente, 13,6 pontos (mais 19,3%) e 14,6 pontos (mais 12,3%).

OUTRO CANAL

Mofo

Há anos na gaveta do SBT, a badalada série ‘Friends’ vai finalmente estrear na emissora, na próxima quarta, às 23h30, após o ‘Show do Milhão’, que volta à grade. Será exibida a primeira temporada do seriado. E ‘Without a Trace’ (como ‘Desaparecidos’) entra aos domingos, às 12h30.

Pernas

Cintia Benini e Analice Nicolau, que estrearam no SBT em setembro, apresentando telejornal às 19h30, migraram em janeiro para a 0h30. Segunda, passam a comandar ‘TJ Manhã’, às 6h.

Reviravolta

Já o ‘Casos da Vida Real’, de Silvia Abravanel, passa a ser semanal, aos sábados, às 19h. Cede espaço na grade diária para a série ‘Smallville’, às 17h30. E ‘A Praça É Nossa’ deixa os domingos e volta para os sábados, às 21h45, já amanhã.

Inovação

A novela ‘Metamorphoses’, que terá cirurgia plástica real e desvendará na própria trama o ‘mistério’ sobre sua fictícia autora, vai estrear num domingo, dia 14 de março, às 20h.

Corte

As séries ‘Os Assumidos’ (Cinemax), ‘Oz’ e ‘A Sete Palmos’ (ex-HBO) passarão a ser exibidas pelo novo canal HBO Plus, que estréia na TVA segunda. Mas o HBO Plus, em São Paulo, só estará no pacote Total e no Inicial + Família HBO da operadora. Antes, as séries estavam em todos os pacotes. Seus fãs saem perdendo.’



O Estado de S. Paulo

‘Da pura celebração da alegria à análise social’, copyright O Estado de S. Paulo, 28/02/04

‘O ‘gancho’ óbvio para esta mostra do Centro Cultural São Paulo é o período dito de folia. Se nem todo mundo brinca o carnaval, a grande maioria pelo menos se interessa pelo assunto. Assim, a retrospectiva Os Foliões Invadem o Cinema Brasileiro mostra a diversidade desse interesse, trazendo títulos de épocas, autores e vocações diferentes.

Vejam alguns exemplos: Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle, e Samba em Brasília (1960), de Watson Macedo, celebram simplesmente a alegria da paródia, do mundo ao contrário e da música, que caracterizam o carnaval.

Já um filme de Cacá Diegues como Escola de Samba: Alegria de Viver (1962), integrante de Cinco Vezes Favela, revela intenção crítica, lendo o fenômeno em sua chave social.

A Lira do Delírio (1973-1977), de Walter Lima Jr., celebra, em plena ditadura, a liberação pessoal, a saída pelos sentidos, pela alegria, de um sufoco político sentido como insuportável.

Há um interessante contraponto presente na retrospectiva. De um lado, programou-se Orfeu do Carnaval (1959), de Marcel Camus, baseado numa peça de Vinícius de Morais que recicla o mito órfico nos morros cariocas. Vencedor do Oscar de filme estrangeiro, este Orfeu retrata o Brasil, o Rio em particular, de maneira idealizada, folclórica, às vezes.

De outro, a refilmagem de Cacá Diegues, de 1999. Se em Camus o morro era um lugar idílico e romântico, o Orfeu de Cacá revela também seu lado violento.

Há nele o lirismo, a música e a alegria, mas também violência e morte, causadas pela guerra do tráfico de drogas. O Orfeu brasileiro é mais completo. Fala da vocação artística da organização popular, mas não esconde os problemas e misérias que todos conhecem. Enfim, é, mais do que o homônimo francês, um retrato fidedigno da realidade brasileira em qualquer época, incluindo a do carnaval.

De interesse particular são os títulos dedicados a personagens do carnaval de São Paulo. Temos aqui Catedrático do Samba (1999), de Noel Carvalho e Alessandro Gamo, sobre o sambista Germano Mathias. E também Geraldo Filme (1998) e Seu Nenê da Vila Matilde (2001), ambos de Carlos Cortez, que se dedicou a resgatar essas figuras do samba paulistano.’



SBT
Daniel Castro

‘SBT cria ombudsman para anunciantes’, copyright Folha de S. Paulo, 25/02/04

‘O SBT vai criar em março o cargo de ombudsman da área comercial. Segundo Antonio Athayde, superintendente comercial, será contratado alguém de fora da emissora, bom conhecedor do mercado publicitário, provavelmente algum consultor.

O profissional terá ‘total independência’ e mandato de um ano renovável por mais um. ‘Ele irá ouvir os anunciantes e agências e nos trará as reivindicações do mercado. Fará relatório mensal e participará de um conselho formado por clientes’, diz Athayde.

A criação do ombudsman é uma das iniciativas do SBT para melhorar seu desempenho comercial e aumentar em 20% sua participação no bolo das receitas publicitárias. O SBT tem atualmente 20% da audiência nacional, mas detém apenas cerca de 12% das verbas de publicidade.

Outra iniciativa é a informatização dos canais entre emissora e agência. O SBT está investindo R$ 1 milhão em projeto que inclui a conexão em tempo real, via internet, com as agências.

A partir de março, de acordo com Athayde, as agências poderão reservar espaços nos intervalos do SBT pela internet. Atualmente, isso é feito em ‘mapas’ de papel, o que resulta em perdas por ineficiência do sistema.

‘Antes, a programação de toda uma campanha no SBT levava até dez dias. Agora, a programação e a negociação poderá ser concluída em 24 horas’, diz.

OUTRO CANAL

Ofensiva 1 A Record prepara uma campanha contra a possibilidade de o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vir a financiar 50% das dívidas das empresas de comunicação, com juros de 1,5% ao ano. O alvo é a Globo, que seria a principal beneficiada com a linha de crédito. A holding Globopar deve R$ 5,6 bilhões.

Ofensiva 2 A Record já vem atacando a iniciativa no ‘Fala que Eu Te Escuto’. É só o começo. ‘Vamos bolar uma estratégia para explicar ao contribuinte o que está acontecendo’, diz Dennis Munhoz, presidente da emissora. A Record avalia que a ajuda do BNDES permitiria à Globo pagar US$ 240 milhões pela Copa de 2006. E a Record quer pelo menos dividir a transmissão do Mundial.

Traço A Cultura até tentou dar maior conteúdo e profundidade às transmissões do Grupo de Acesso, a segunda divisão do Carnaval de São Paulo. Mas quase ninguém viu. Entre 21h30 de domingo e 1h30 de segunda, sua média foi de 0,3 ponto no Ibope da Grande SP.

Oportunidade A Rede TV! faturou R$ 100 mil com o patrocínio à transmissão de Irlanda x Brasil, quarta-feira passada, cujos direitos a Globo cedeu de graça. Teve três patrocinadores. E ainda lamenta que poderiam ser cinco se Globo e Record também não tivessem mostrado o jogo.’



Cidade Biz

‘SBT lança software para aproximar agências e anunciantes’, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 26/02/04

‘O SBT decidiu encurtar a distância entre os mídias das agências e a emissora, e lança neste mês o projeto Módulo Mercado Anunciante, mais conhecido como MMA. Trata-se de um software desenvolvido por parceiros da área de tecnologia do canal com a participação de algumas agências.

O projeto recebeu investimento de R$ 1 milhão do SBT e contou com o apoio de 13 agências: Ogilvy, Leo Burnett, McCann-Erickson, JW Thompson, DM9DDB, Grey, FischerAmérica, Lowe, Young & Rubicam, Publicis, DPZ, Talent e Giovanni, FCB.

As agências, segundo nota do MM online, foram escolhidas com base no volume de material de mídia enviado ao canal. Todas participaram da fase de criação da solução, buscando a integração de seus sistemas de trabalho, como o Mídia Log e o AD Solution, com o MMA do SBT.

O canal criou também uma ferramenta de e-learning, que permite aos mídias das agências se familiarizarem com o programa. O MMA deve entrar em funcionamento na primeira semana de março para as 13 primeiras agências. A partir da segunda quinzena de março, o programa estará aberto para outras agências de São Paulo que mostrarem interesse.

Somente a partir de abril é que o sistema MMA estará disponível para agências de todo o país.’

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PRIMEIRAS EDIçõES > CELEBRIDADE

Claudio Henrique

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

CELEBRIDADE

“Celebridade tem preço”, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 13/10/03

“O Fashion Mall, no bairro de São Conrado, tem a fama de ser o mais chique e tranqüilo shopping do Rio de Janeiro. Seus corredores cintilantes estão sempre semi-vazios e sem o burburinho comum do consumo desatinado e aflito. As mulheres que fazem compras ali, por exemplo, jamais andam apressadas: passeiam diante das vitrines em ritmo lento, certas de que nenhum compromisso ou tarefa as espera. Mas na noite da terça-feira dia 7, parte do segundo andar do shopping era uma algazarra só. Duas centenas de pessoas – 195 delas, mulheres – se aglomeravam diante da Shop 126, grife de roupas femininas que inaugurava ali sua nova loja. Há 26 anos no ramo, a Shop 126 já soma 18 filiais e tem faturamento que lhe permitiria perfeitamente pagar R$ 50 mil por um anúncio numa revista como a Caras, com circulação nacional e muito lida pelo público feminino. Em vez disso, optou por um investimento alternativo, hoje cada vez mais comum no mercado: contratou o ator Rodrigo Santoro e a apresentadora de TV Fernanda Lima para que dessem o ar de sua graça na festa.

Deu no que deu: corre-corre, empurra-empurra de mulheres de todas as idades (muitas delas vendedoras de lojas vizinhas) tentando chegar perto do ídolo e, mais importante, dezenas, mas bota dezena nisso, de fotógrafos disputando o melhor flagrante de Rodrigo Santoro. Com uma tacada só, a Shop 126 garantiu espaço de mídia em várias revistas de celebridades, colunas sociais e sites de fofocas, sem falar nos programas de TV que perseguem estrelas. Para ter Rodrigo e Fernanda na nova loja por apenas duas horinhas, pagou algo em torno de R$ 50 mil – o mesmo valor que desembolsaria por aquela única página na revista de circulação nacional. Ou seja: mandou bem a Shop 126! E antes que alguém repare, vale confessar: mesmo que por outros motivos, até aqui, nesta reportagem, a loja acabou conseguindo também o seu espaço.

A estratégia de marketing não está em julgamento. As donas do negócio estão apenas trabalhando em benefício da marca. ?Achamos que Rodrigo Santoro e Fernanda Lima encarnam o tipo de moda que a Shop 126 faz: jovem, bela e moderna?, diz a sócia Uilse Alt. Ela não esconde, porém, outras qualidades das estrelas com que a Shop 126 se identifica e muito: ?É claro que a presença deles expõe a festa na mídia. Onde está o Rodrigo Santoro, está toda a imprensa.? Uilse merece parabéns por produzir evento tão explosivo, mas não inventou a pólvora. A estratégia de contratar celebridades para badalar eventos e lançamento de produtos anda largamente difundida no mundo das pequenas, médias e grandes empresas. E já tem até nome: presença vip. Mais uma curiosidade deste mundo que, a partir de hoje, será retratado no horário nobre da TV Globo, na novela Celebridade, de Gilberto Braga.

A presença vip é uma prática comercial tão em voga que já, já ganha as salas de aula dos MBAs de gestão de negócios e marketing. Este mercado paralelo fez surgir empresas especializadas na negociação entre clientes e artistas, como a H2M, de propriedade de Rodrigo Paiva, o eterno-assessor de Ronaldinho e hoje trabalhando na CBF. Esses escritórios mantêm listas de celebridades com os respectivos cachês que cobram para dar as caras nesse ou naquele evento. Os preços podem chegar a R$ 40 mil, no caso de mega-estrelas, como Vera Fischer e Maitê Proença. Mas tem gente que pinta numa inauguraçãozinha qualquer por mil reais, ou mesmo em troca de uma calça jeans último modelo. Geralmente jovens atores do seriado Malhação ou um daqueles ex-Big Brothers menos badalados, que já não conseguem mais convite nem para os debates da Luciana Gimenez ou o corpo de jurados do Raul Gil.

A repercussão que a presença de um artista em evidência pode ter na mídia e o preço que a garantia desta presença chega a alcançar no mercado é mais uma prova de como a fama tornou-se, antes de tudo, profissão. Ser famoso hoje pode garantir, no mínimo, alguns bons trocados em festas no interior do país. ?Este mercado de presença vip é imenso, em todo o Brasil. Tem evento para todo qualquer tipo de estrela, de qualquer estatura?, diz a promoter Liége Monteiro, a mais requisitada e badalada profissional do Rio de Janeiro na arte de montar listas de vips. ?Normalmente as listas para festas são de artistas convidados. Se o dono do evento quer garantir a presença deste ou daquele ator ou atriz, pode optar por pagar por isso? diz Liége.

?Há artistas que chegam a ganhar com presen&ccccedil;a vip dez vezes mais do que o salário que têm na Globo?, diz Marcos Montenegro, da emprega Montenegro e Raman, que cuida de interesses de famosos tão diferentes como Tônia Carreiro, Carla Marins e Ricardo Macchi. Produtor de eventos e agente de artistas há 12 anos, Montenegro conta que, em 80% dos casos, o empresário, na hora de escolher a estrela contratada, se deixa levar por preferências pessoais. ?Às vezes é uma fixação do executivo conhecer este ou aquele artista.? Tirando as super-estrelas, o preço para a contratação de um ator de TV com médio destaque na mídia fica entre R$ 7 mil a 10 mil (Veja quadro ?Quanto custam os astros? no pé da página).

Montenegro vê outras vantagens da empresas ao optar pela presença vip. ?Contratando um artista querido do público, a marca quer agradar o fã, que é leitor de revista de celebridade e também consumidor?, diz. Como tudo no maravilhoso mundo do marketing, a teoria nem sempre se confirma na prática. Na inauguração do Shop 126, por exemplo, as estudantes Letícia Moraes, de 18 anos, e Sthephany Rosa e Silva, 16, fincaram em pé diante da loja porque leram numa revista que o galã Santoro estaria lá. Elas disseram que, apesar do evento, não mudariam a imagem que têm da loja. ?Não vou usar a roupa da Shop 126 porque Santoro participou do lançamento?, desdenha Sthephany. Perto dela, num outro bolo de mulheres apaixonadas, Fernanda Moreira, 17 anos, discordou: ?A maioria das pessoas que estão aqui, como eu, vieram por causa do Rodrigo. Isso é bom para a imagem da loja.?

As cenas de tietagem frenéticas testemunhadas no Fashion Mall são, no entender do jornalista Xico Sá, fruto da ?vulgarização da palavra celebridade?. Sá está dando os último arremates no livro A Divina Comédia da Fama, lançamento da Objetiva que se pretende um raio-x deste mundo, mostrando como se alcança a notoriedade nos dias de hoje, as regalias de quem está neste Olimpo de privilégios e como ficam os que perdem os 15 minutos de fama ainda nos primeiros segundos. ?As pessoas hoje têm fascínio pela exposição pública. Aparecer na TV basta para tornar alguém famoso?, diz o jornalista, que gosta de citar um conto de Machado de Assis, O Homem Célebre, em que o escritor descreve um exímio pianista de polcas. ?A idéia de celebridade, no passado, trazia, implícita, a questão do talento especial?, explica. ?Hoje o sujeito está no aeroporto e vem um fã e começa a abraçá-lo, a pedir autógrafos, para depois dizer: Quem é você mesmo??.

A promoter Ana Maria Tornaghi, que acompanhou de perto a noite carioca dos anos 70, 80 e 90, acha que a presença vip transformou em negócio lucrativo um hábito que existia desde o início do século passado. ?O fascínio pela pessoa notável e famosa sempre houve. A Maria Callas, por exemplo, era muito solicitada para prestigiar eventos, mas não recebia por isso?, exemplifica. Ana Maria conhece bem o assunto: ?Houve um tempo em que era o político quem emprestava prestígio a eventos. Era chique, por exemplo, a debutante dançar com o governador.? Ela continua: ?Nos anos 50 e 60, os cantores estavam em alta. De uns 30 anos para cá, com a TV, atores e atrizes passaram a dar este glamour.? A promoter lembra que a contratação de artistas para eventos fechados ganhou força há 20 num hábito comum em municípios do interior: formar times de galãs para disputar partidas de futebol. ?Quem organizava isso na Globo era a falecida Guta, que cuidava dos artistas da casa.?

A TV Globo não impõe restrições a seus artistas contratados na cobrança da presença vip. ?Só não pode prejudicar as gravações da emissora?, diz o diretor da Central Globo de Comunicação Luiz Erlanger. O editor executivo da revista Caras no Rio, Sérgio Zalis, faz um trocadilho e traz a discussão para o que ele chama de ?outro preço da fama?. ?Atores de TV entram na casa das pessoas sem pedir licença, passam a fazer parte da família. Por isso o público quer saber detalhes de sua vida pessoal?, defende. Zalis não entende porque os artistas reclamam de invasão de privacidade quando a imprensa quer informações sobre sua vida amorosa, por exemplo. ?Se eles têm o direito de explorar comercialmente a fama, não deveriam entender o direito que o público, que os admira, tem de saber detalhes de sua vida?? Uma ilação que dá o que pensar. Com a palavra, Gilberto Braga…”

“Gilberto Braga diz que retomaria ?O Dono do Mundo?”, copyright O Estado de S. Paulo, 11/10/03

“Depois de um longo período distante do presente, pelo menos na hora de escrever novelas, Gilberto Braga volta a ele em Celebridade, que estréia na próxima segunda-feira. A última novela ?de nossa época? de Braga foi Pátria Minha, exibida em 1994, também no horário das oito. O último trabalho de Braga foi a minissérie policial Labirinto, de 1998. Braga, desde novelas como Escrava Isaura (1976) e Dancin? Days (1978), mas especialmente com Vale Tudo (1988) e O Dono do Mundo (1991), tornou-se talvez o ?autor?, no sentido que os críticos literários dão ao termo, mais reconhecido.

Não que ele esteja livre das exigências que a indústria faz (especialmente o de respeitar muitos limites quando o assunto é transgressão comportamental), mas, de um modo ou de outro, Braga consegue – ou, pelo menos, conseguiu até agora – nos seus trabalhos deixar claro alguns traços muito pessoais. E, ao mesmo tempo, obteve respostas muito fortes do público, às vezes diretas, como a reação ao início de O Dono do Mundo, às vezes indiretas – não se faz história com ?se?, mas ainda assim seria uma grande bobagem achar que Collor não teria sofrido o impeachment se Anos Rebeldes (1992) não tivesse sido exibida. Porém, quem foi às passeatas na época não deixou de acompanhar e mesmo ?vigiar? a história narrada por ele na minissérie.

Depois de 16 horas de trabalho, que haviam se seguido à festa oficial de lançamento de Celebridade, Gilberto Braga respondeu a várias perguntas enviadas por e-mail pelo Estado.

Estado – Certa vez, você afirmou que o início de O Dono do Mundo era sua obra-prima, que não pôde desenvolver. Você já sentiu vontade de retomar a história numa outra novela, num seriado ou num romance?

Gilberto Braga – Eu nunca disse obra-prima, devo ter dito que achava meu melhor início de novela. Gostaria algum dia de reescrever, sim. Mas como novela. Agora já sei onde errei. Tinha de ter esperança, o chamado ?raio de sol?, do jeito que escrevi era só pobre levando porrada sem saber como se defender. Assustou. Real demais. Mas escrever pra outra mídia não é atraente pra mim. Pelo menos essa história. O bacana era como novela mesmo.

Estado – Num artigo recente, o psicanalista Tales Ab-Sáber lembrou a rejeição do público à relação entre os personagens de Antônio Fagundes e Malu Mader em O Dono do Mundo e de como isso foi esquecido pelo público.

Braga – Li o artigo. Muito sério. Consertar foi um suplício, foi triste, penoso, eu gostava da novela, envelheci uns 10 anos com a rejeição.

Estado – Como é ler análises como essas?

Braga – Eu gosto, mas tenho de prestar muita atenção porque eu não sou um intelectual.

Estado – Quando um autor percebe que a novela fugiu ao controle, que foi reinterpretada pelo público?

Braga – No caso do Dono do Mundo percebi na primeira quinta-feira. Pelo comentário de uma amiga, classe AA, que disse que gostava mas que a novela a deixava nervosa.

Estado – Você tem escrito poucas novelas. Como é voltar ao gênero?

Braga – Cansativo, mas fascinante. Felizmente tenho uma grande equipe: Leonor Bassères, Sérgio Marques, Márcia Prates, Maria Helena Nascimento e Denise Bandeira. Um diretor que é um irmão, o Dennis, o elenco que nós queríamos, a equipe maravilhosa que queríamos. Mas é cansativo demais. Neste momento, estou trabalhando há 16 horas seguidas.

Estado – Desde Pátria Minha, o Brasil mudou muito. Como é retratar o País hoje?

Braga – Não penso nisso, vou na intuição, deixo fluir.

Estado – Em Celebridade, você tratará de um universo muito ligado à TV, portanto ao seu trabalho. O quanto isso é mais fácil ou mais difícil do que escrever sobre a classe média ou os ricaços?

Braga – Dá no mesmo, rico, pobre, classe média, artista, jornalista, é tudo gente.

Estado – Em que obra sua você sentiu mais forte a resposta do público, a que você achou que influenciou mudanças mais fortes de comportamento e/ou ação?

Braga – Difícil responder, mas acho que Anos Dourados, por ter feito pais e filhos conversarem saudavelmente sobre sexo.

Estado – Qual o papel que você credita à minissérie Anos Rebeldes no movimento dos caras-pintadas, 11 anos depois da queda de Collor?

Braga – Não gosto muito de tocar no assunto porque parece que estou me elogiando. Mas líderes estudantis, da época, me disseram que a minissérie ajudou a levar os jovens pra rua. O que mais pode querer um escritor de televisão?

Estado – Houve um tempo em que a política estava no centro do enredo de inúmeras novelas. Na sua opinião, por que não é mais assim hoje? Vale Tudo, hoje, faria o sucesso que fez?

Braga – Acho que faria. Eu é que quero variar.

Estado – TV a cabo, internet, novas tecnologias – até que ponto isso diminuiu a importância social da novela nos últimos dez anos?

Braga – Não sei se diminuiu a importância social. Mas tirou público na classe A, ao menos. Muita gente que eu conheço em vez de ver novela está vendo Sex and the City, Friends, o Multishow, a GNT…

Estado – Como é ser tratado como autor de um gênero realizado com trabalho de tanta gente?

Braga – É ótimo. E dividir com os companheiros melhor ainda.”

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