Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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FEITOS & DESFEITAS >

Com um censor nos ombros

Por Rodrigo de Aguiar Gomes em 08/08/2006 na edição 272

É possível, na matéria abaixo, sentir – sofrer, inclusive – a confusão do redator da BBC Brasil, amenizando uma informação com outra, como se tivesse escrito o texto com um censor em seus ombros. Impossível é não achar estranho que num site da BBC, aparentemente um lugar com bons profissionais, uma matéria como esta tenha ido ao ar, e permaneça em seu arquivo. A matéria é sobre uma pesquisa canadense, devidamente identificada – os contrapontos é que são antológicos:

Substância da maconha age contra depressão, diz estudo

(…) Ratos aos quais foram dadas substâncias canabinóides, presentes na maconha, ficaram menos ansiosos e menos deprimidos, de acordo com a pesquisa, detalhada em artigo na revista científica Journal of Clinical Investigation.

Mas especialistas britânicos advertem que outras pesquisas mostram resultados contraditórios, indicando que a maconha e outras substâncias canabinóides estão ligadas a um aumento no risco de depressão e ansiedade.

(…) No estudo canadense, os ratos que receberam as injeções também se mostraram menos ansiosos e mais dispostos a se alimentar em ambientes novos – uma mudança que normalmente os amedrontaria.

Porém pesquisas anteriores haviam relacionado o uso da maconha a danos de longo prazo à saúde mental e ao aumento no risco de doenças mentais nas pessoas que já são geneticamente suscetíveis. Além disso, altas doses de canabinóides no curto prazo também levaram a efeitos similares à ansiedade em ratos e efeitos como os da depressão em camundongos.

Mas outros estudos mostraram que pequenas doses de canabinóides ajudaram a reduzir a ansiedade em roedores.

Um trabalhinho feito com muito, mas muito, relaxamento. Chama o leitor de idiota e, logicamente, espanta-o. [Servidor público, Porto Alegre]



***

Bate-boca inconseqüente

Bruno Ribeiro

A tão falada falta de memória do brasileiro é também uma falta de memória da imprensa. Em vez de instigar bate-bocas sem sentido, os meios de comunicação deveriam cobrar mais responsabilidade dos representantes do povo. Um exemplo: o presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati, disse na tribuna do Senado que a eleição para o Congresso é ‘corrupta e a culpa é do governo Lula’. Os meios de comunicação decidiram que seria o momento ideal para um bate-boca dele com o presidente Lula.

Ninguém da imprensa acredita que a corrupção começou em 2002. Muitos escândalos surgiram durante os oito anos de governo do presidente Fernando Henrique. O caso Sivam, a CPI dos Bancos (engavetada), denúncia de propina na privatização da Vale e da Telebrás, a compra de votos da emenda da reeleição, o escândalo da Previ, o vazamento da desvalorização do real para alguns felizardos, a Sudam e a Sudene. Não lembro de nenhum desses casos sendo investigados de forma tão minuciosa quanto a CPI dos Correios.

Os caciques PSDB precisam chamar o senador para uma conversa. A declaração dele se lê assim: ‘O governo do PSDB abafou os escândalos melhor que o governo do PT.’ E o senador Tasso Jereissati está orgulhoso disso.

A corrupção no governo Lula, assim como nos outros governos, é muito preocupante e precisa ser tratada com a seriedade necessária pelos que procuram soluções para o problema. A opinião pública precisa punir o PT pelos eventos recentes, mas a demagogia do senador Tasso Jereissati só ajuda aos corruptos. A imprensa precisa parar de alimentar bate-bocas e perguntar ao senador o porquê de ele achar que esses casos recentes são muito mais preocupantes que os casos passados, que nem investigados foram. [Doutorando em Ciência da Computação na Universidade de Massachusetts, Amherst, EUA]

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