Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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FEITOS & DESFEITAS > OLIMPÍADAS 2008

Como será a cobertura

Por Alberto Dines em 04/08/2008 na edição 496

O grande desafio da imprensa para cobrir as Olimpíadas de Pequim não será a diferença de 11 horas, quase meio dia. Problema maior será acompanhar um monumental evento esportivo sem perder de vista os seus desdobramentos políticos.


Desde 1936, nas Olimpíadas de Berlim, montadas para glorificar o regime nazista, não se via um empenho tão grande em exibir as conquistas de um sistema político. Na realidade, serão duas olimpíadas acopladas – uma desportiva e outra política. Como sempre o número de medalhas de ouro vai comandar o espetáculo, porém a medalha mais difícil de conquistar será no campo das liberdades, no direito à informação.


Os chineses não pouparam dinheiro nem esforços para montar um esplendoroso circo na qual certamente brilharão em matéria esportiva, mas sabem de antemão que terão dificuldades em vender a imagem de um país livre, sem constrangimentos em matéria de comunicação e movimentação.


Esporte e política


O formidável sucesso econômico da China é indiscutível e, tal como as medalhas, é mensurável. Complicada será aferição do grau de liberdade de um sistema político regido por parâmetros tão diferentes dos nossos. Mesmo que o leitor vá buscar as informações nos cadernos esportivos, é imperioso que ao lado das façanhas olímpicas sejam oferecidas ao mesmo leitor avaliações isentas e qualificadas sobre os avanços e retrocessos políticos da China.


Em 1936, as vitórias do negro norte-americano Jesse Owens sobre o ariano Lutz Long obrigaram Hitler a retirar-se do estádio antes da premiação. Foi um feito esportivo e político. O leitor de hoje, ainda mais informado, quer os dois lados desta cobertura.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/08/2008 Paulo Fernandes

    Ainda não entendi, o porque de tanta antipatia e ma vontade da mídia nativa com a China? È simplesmente patética a cobertura da Globo vem fazendo. Enviou seus repórteres com o unico intuito de falar mal do país. Diariamente saem a caça de tudo que puderem encontrar de ruim para exibirem nos telejornais. Quando não acham puxam matérias de arquivo com teia de aranha, como no Fantastico de ontem relembrando o massacre na praça da paz a vinte anos atrás. E dai?Que diferença isso faz nesse momento..?

    Perderam o bonde história. Esqueceram de avisar para esses repórteres pseudo democratas puritanos, que o que rege o mundo de hoje é o mercado e o capital esta se lixando para direitos humanos e liberdade individual. Os Estados Unidos que o digam, quando assinam seus milionáris acordos comerciais.

    E de mais a mais, a nossa bela democracia é tão boa enquanto for boa ou vantajosa para quem exerce o poder. Precisam avisar também para esses repórteres, que aqui no mundo livre do ocidente, a nossa liberdade termina onde termina o nosso dinheiro. Que o diga Daniel Dandas! A desgraça da China de hoje é a sua modernidade capitalista-consumista que somada ao ocidente arrasta o planeta em ritimo asselerado para um colapso ambiental irreversivel.

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