Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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FEITOS & DESFEITAS >

Como sobreviver em meio à crise

20/03/2006 na edição 373

Diante de eventos recentes que atingiram a indústria jornalística nos EUA, a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, dedicou sua coluna de domingo [19/3/06] à crise na imprensa. Logo após o anúncio da compra da Knight Ridder, segunda maior cadeia de jornais do país, pela McClatchy, um segundo anúncio dava conta de que 12 dos 32 jornais do grupo seriam vendidos porque não são mais considerados rentáveis ou não são localizados em mercados com potencial de crescimento.

A crise também passou pela redação do Post: seus editores anunciaram, no dia 10/3, que 80 dos 870 funcionários editoriais seriam demitidos – o que não é visto pelo editor-executivo, Leonard Downie Jr., como algo que possa vir a prejudicar a qualidade do diário, visto que a redação cresceu muito no passado e deve voltar a um tamanho ‘razoável’. Já o rival New York Times anunciou que deixará de publicar, a partir de abril, a listagem de dados do mercado de ações, para reduzir custos de impressão.

O lucro com publicidade vem caindo na maior parte dos jornais americanos devido a diversos fatores, entre eles a fusão de grandes varejistas, falência de grandes anunciantes e o surgimento de classificados gratuitos online. A queda na circulação dos jornais, provocada pela migração de leitores para a internet, também contribuiu para a queda no lucro publicitário.

O Post, assim como a maior parte dos jornais das grandes cidades, perdeu leitores – apresentando queda de 7% na circulação desde 2003 – e, como os lucros com publicidade vêm declinando, o jornal luta para lidar com o orçamento apertado e pagar as despesas. Segundo Deborah, o que mais custa na produção de um jornal são as pessoas e o papel.

Nem tudo está perdido

Em meio a tantas notícias desanimadoras, ainda há exemplos de crescimento. A McClatchy – nova proprietária da gigante Knight Ridder – aumentou a tiragem e os lucros nos últimos 20 anos e ainda consegue produzir jornalismo de qualidade. Tais feitos foram possíveis porque a empresa manteve-se focada e disciplinada, diz Deborah, e porque, embora não tenha crescido absurdamente nos tempos bons, não demitiu funcionários nem cortou espaço das notícias nos períodos ruins.

Para John Lavine, reitor da Escola de Jornalismo Medill da Universidade Northwestern, os jornais têm de mudar drasticamente. ‘Se o público não ler os jornais, você está apenas cortando árvores. A habilidade de criar um jornalismo relevante deve ser conciliada com a de entender o que motiva os leitores. O tempo dos jornalistas contarem aos leitores o que é importante acabou’, diz.

Dois problemas foram os responsáveis pela queda no lucro dos jornais, na opinião de Tom Rosenstiel, ex-repórter e atual diretor do Projeto para Excelência em Jornalismo da Universidade de Colúmbia. ‘Muitos jornais são editados para jornalistas, fontes e prêmios’, opina, acrescentando que muitos erraram ao ignorar imigrantes e comunidades mais pobres, dando preferência a um grupo mais privilegiado de leitores.

Neste ponto, Deborah lembra que o Post comprou um jornal local em língua espanhola, o El Tiempo Latino. Para a ombudsman, é a ligação dos repórteres com os leitores o que os mantém fiéis ao jornal. ‘Se os jornalistas do Post escreverem cada matéria, tirarem cada foto, criarem cada manchete e diagramarem cada página com os leitores em mente – e, além disso, o jornal tiver uma boa impressão e for entregue pontualmente – o Post vai se manter bem’, prevê a ombudsman.

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