Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Comunicação no futebol

Por Gabriel Bocorny Guidotti em 19/05/2015 na edição 851

O jornalismo esportivo é tido com um dos mais polêmicos da profissão. Notadamente, jogadores e treinadores vão à imprensa para se manifestar contra um comentário exagerado ou ofensivo. Mas é algo com que precisam conviver. O esporte mexe com a emoção das pessoas e os jornalistas que trabalham neste segmento utilizam essa emoção, justamente, para angariar público e conquistar a audiência.

Futebol – nossa paixão nacional – não é uma ciência exata, bem como todas as outras modalidades esportivas. Por mais que se planeje o ano, contratem-se bons jogadores, não há certeza de títulos nos campeonatos disputados. Nesse sentido, a imprensa não tem papas na língua. Fala com base na circunstância. Avalia o resultado de momento que, se negativo, instila uma tempestade de opiniões trovejantes.

O jornalismo, portanto, aproveita a onda e tira sua lasca com análises muitas vezes estapafúrdias, sensacionalistas e sazonais. Há também comentários pertinentes, é verdade. Destarte, como fica a imagem do clube nesse entremeio? O desfecho do campo acompanha a ideia que os torcedores têm a respeito da instituição? Acredito que não, embora a desolação afete a comunicação de outros projetos.

Nessa convulsão de opiniões, o trabalho do assessor de comunicação no esporte é fundamental. Como realizar uma gestão de imagem eficaz quando as críticas à empresa oscilam diariamente? O resultado do campo gera reflexos profundos. Eis que cabe controle de crise. Há outras dificuldades, entretanto. O acesso dos repórteres é praticamente ilimitado em dias de jogos, o que permite dribles da imprensa. Afora os jogadores que, pressionados pela tensão da partida, falam o que não deveriam.

Do outro lado do balcão

Ademais, se o produto final não vai bem, é possível ser reconhecido de outras formas. Por exemplo, o tripé que garante a sustentabilidade de uma empresa: economia, sociedade e meio ambiente. O balanço das finanças vai bem? Houve crescimento ou retração? Algum presidente do clube gastou mais do que deveria? E face à sociedade? Como anda a filantropia? Ainda, empresas são flagradas destruindo os meios naturais, utilizando recursos para fins econômicos. Um clube de futebol pode se engajar nessa área; preservando, é claro.

O jornalismo esportivo dá pouca atenção para outras iniciativas que não relacionadas aos jogos. Exceto, talvez, quando a ideia parte de um atleta. Uma escolinha para crianças em vulnerabilidade social, por exemplo, tem valores-notícia. Se a imprensa não compra pautas fora do campo, cumpre às assessorias de comunicação criar estratégias para se conectar com seus públicos – todos eles – dando destaque a todas as linhas de ação que mereçam figurar na vitrine da mídia.

Em se tratando de emoção, a tristeza dos torcedores dificulta as atividades. Isso não significa, contudo, que o trabalho da empresa, como um todo, é ruim. Enquanto uma derrota acontece, uma vitória nasce em outros departamentos. Resta saber se posicionar e comunicar bem.

***

Gabriel Bocorny Guidotti é bacharel em Direito e estudante de Jornalismo

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