Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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FEITOS & DESFEITAS >

Comunicação, uma necessidade inata

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 29/09/2009 na edição 557

Desde tempos imemoriais as hordas usaram os sinais, desenhos e adornos religiosos para a comunicação entre si, porém o monopólio da escrita, da fala e do conhecimento sempre foi privativo de poucos (sempre as elites). A explicação antropológica para a tagarelice das mulheres é a hipótese de que eram elas que ensinavam aos filhos a falar enquanto os homens saiam diuturnamente para caçar. A necessidade inata do homem de se comunicar para exercer na plenitude a sua vida em comunidade e o comércio entre povos, levou-o a inventar diversas alternativas de comunicação à distância, como, por exemplo, o correio.

No império russo de Catarina, a Grande – 1762-96 –, por exemplo, levava-se até 18 meses para as ordens imperiais saírem de São Petersburgo até chegarem à região setentrional da Sibéria e o mesmo tempo para a resposta. O transporte marítimo era o meio de envio de correspondências e de ordens dos soberanos por ser mais rápido e relativamente seguro, mas mesmo assim escreviam-se várias cartas com o mesmo conteúdo e enviava-se por mais de um meio – cavalo ou trem – para se ter a certeza de que a missiva chegaria ao destinatário.

Os boatos já se espalhavam em velocidade supersônica e os ‘pombos-correios’ tiveram papel de destaque – não necessariamente de importância – na comunicação. Estes recursos foram utilizados em demasia nos períodos de guerra, mas a dificuldade de guerrear entre países de línguas diferentes – existem hoje mais de oito mil línguas e dialetos e somente na China falam-se cinco mil dialetos – acabou dificultando qualquer tentativa de paz perpétua e temos somente repetidas tréguas, porém há proposta de língua universal: o esperanto.

Independência e liberdade de expressão

A Igreja católica e a protestante tolheram a liberdade de comunicação e os fiéis somente podiam ler os livros que não estivessem nos ‘Índices de livros proibidos’ de ambas as congregações, o que acabou interrompendo o avanço dos meios de comunicação e do deslindar do pensamento humano. Veneza, Amsterdam, Paris e Londres tentaram romper com a censura das igrejas e publicaram jornais e livros inéditos durante a malfadada ‘ditadura’ clerical.

Gutenberg criou a impressão em série para propagação da bíblia e é tido como fundador da imprensa. Foi eleito pelo jornal inglês Sunday Times, em 28 de novembro de 1999, como o ‘homem do milênio’, o que mostra a importância de sua técnica e a capacidade desta de ampla divulgação de informações.

A mídia eletrônica – internet e blogosfera – aparece como o futuro da comunicação globalizada e democrática, pois o custo baixo viabiliza a tão almejada independência e a liberdade de expressão.

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Advogado e psicanalista

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