Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

FEITOS & DESFEITAS > TURQUIA

Continua investigação de morte de editor armênio

23/01/2007 na edição 417

A polícia turca continua a investigação sobre a morte do jornalista armênio Hrant Dink, apesar do principal suspeito ter confessado o crime. Dink era editor do jornal semanal Agos, e foi assassinado na sexta-feira (19/1), em frente ao escritório da publicação, em Istambul. O principal suspeito é o adolescente Ogun Samast, de 17 anos. O jovem foi vaiado e xingado por passantes durante a rápida reconstituição do crime, no domingo (21/1).

Samast confessou ter matado o jornalista a tiros e, segundo jornais locais, teria dito que não se arrepende. O adolescente contou aos policiais que primeiro tentou encontrar com Dink em seu trabalho, mas foi impedido por funcionários do jornal. Ele então esperou o editor do lado de fora do prédio e o atingiu com três tiros, na cabeça e pescoço. Segundo a imprensa turca, Samast teria dito à polícia que matou Dink porque ele insultou a ‘nação turca’.

Polêmico

A polícia investiga agora a possibilidade de que o jovem esteja ligado a um grupo ultranacionalista. Dink, de 52 anos, quebrava constantemente o tabu estabelecido pelas autoridades do país sobre a questão do massacre de armênios durante o Império Otomano, no início do século passado – e não tinha medo de classificar publicamente o ocorrido de ‘genocídio’. O jornalista havia conquistado respeito na Turquia como um ativista pela reconciliação armênia e turca e pela liberdade de expressão. Em 2006, ele chegou a enfrentar a justiça por insultar a ‘identidade turca’. Dink era chamado de ‘traidor’ por nacionalistas e, em artigos recentes, contou que havia recebido ameaças.

Atirar e correr

Na segunda-feira (22/1), jornais locais afirmaram que a polícia estaria procurando ligações entre Samast e um pequeno grupo ultranacionalista de sua cidade, Trabzon. O adolescente contou aos policiais que um amigo seu falou para que matasse o jornalista. O amigo em questão é Yasin Hayal, que passou 11 meses preso por um ataque a bomba em um McDonalds de Trabzon em 2004. ‘Yasin me disse para atirar em Dink. Ele me deu a arma’, os jornais citaram Samast, explicando que Hayal exerce uma figura de irmão mais velho que influencia jovens da região com idéias ultranacionalistas. Ainda segundo a imprensa, Samast estaria em uma lista de 10 garotos treinados por Hayal para matar Dink. Segundo o jovem, ele teria sido escolhido para a missão por atirar melhor e correr mais rápido que os outros. Informações da AFP [22/1/07].

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