Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Conto de fadas na literatura brasileira

Por Alex Gennari em 11/01/2005 na edição 311

É mais fácil um editor podre de rico chegar ao reino dos céus do que um novo autor brasileiro conseguir espaço na mídia e no mercado editorial. A equação torne-se-conhecido-para-publicar-o-que-bem-entender continua mais forte nas editoras do que publique-para-tentar-se-tornar-conhecido-pela-qualidade-do-seu-texto.

Dizem que a justiça divina tarda, mas não falha. Entretanto isso não serve de consolo para ninguém. Bom mesmo é ver, pelo menos de vez em quando, a justiça triunfar por aqui mesmo, neste velho planeta de homens, mulheres e macacos.

Pois a justiça deu o ar de sua graça no reino dos homens no último mês de agosto, protagonizando um singelo conto de fadas na literatura brasileira intitulado ‘Adeus, Prata. Olá Bíbi’ e situado na redação da revista Época. Os personagens principais são Aluízio Falcão Filho, editor de Época, no papel de rei bondoso; o escritor Mário Prata, como fada madrinha; e uma tal Bíbi Da Pieve, como a gata borralheira que se transforma em princesa.

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‘Adeus, Prata. Olá Bibi’ foi o título de uma nota da redação de Época (16/8/2004) que comunicava aos leitores a saída do cronista Mário Prata (para escrever uma novela para a Globo) e a entrada, em seu lugar, de Bíbi, que nunca namorou com jogador de futebol, não participou de nenhum reality-show e não costuma rebolar por aí com shortinho enfiado no bumbum ao som do funk ou do axé. A pergunta que não se cala é: como é que ela conseguiu substituir o Mário Prata na Época?

Bíbi Da Pieve foi indicada pelo próprio Prata, que se apaixonou pelo texto da garota em um concurso organizado em seu site (www.marioprataonline.com.br) tempos atrás. Segundo o escritor, Bíbi havia ficado com ‘o primeiro, e com o segundo, e com o terceiro lugares’… Eu mesmo perdi umas duas seletivas para ela neste concurso. Merecidamente, devo dizer, num misto de humildade (verdadeira) e inveja (branca).

De acordo com o editorial de Época, Prata indicou a cronista novata com o seguinte recado ao editor: ‘Agora, se você for mesmo macho, convide uma garota gaúcha, roqueira, que mora no Rio, para o meu lugar. O nome dela é Bíbi Da Pieve. Gênio!’

Assim, a ascensão de Bíbi a cronista de Época tornou-se um verdadeiro conto de fadas da literatura brasileira e um ícone na luta de novos autores por espaço nos grandes veículos de comunicação e nas editoras. Um ícone que pode ser imitado por escritores famosos que, como Mário Prata, poderiam ‘adotar’ um novo autor, tornando-se seu ‘padrinho’ e ‘mentor’. E pode ser imitado por editores, como Aluízio, abrindo espaço na grande mídia para novos talentos. E pode ser imitado, acima de tudo, por autores em busca de espaço, como Bíbi Da Pieve, acreditando que é possível ser escritor neste país, com muita perseverança, e escrever textos com qualidade na mídia brasileira.

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Roteirista multimídia e editor de conteúdo do Webwritersbrasil (http://www.webwritersbrasil.com)

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