Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > VIETNÃ

Controle do Estado sobre a mídia não evita denúncias

17/04/2006 na edição 377

Uma campanha anticorrupção feita pela imprensa vietnamita coincidiu com o Congresso Nacional do Partido Comunista, que acontece esta semana no país e estabelece, a cada cinco anos, líderes e normas para o partido, como informa Grant McCool [Reuters, 13/4/06]. Alguns jornais foram agressivos na cobertura de escândalo que levou ao afastamento do ministro dos Transportes Dao Dinh Binh e à prisão de um vice-ministro no dia 4/4.

O jornal Thanh Nien divulgou artigos sobre diversos esquemas envolvendo presentes, garotas de programa, uso de carros, casas e milhões gastos em apostas relacionadas ao futebol nos quais estariam envolvidos funcionários estatais – tudo financiado por recursos públicos previamente destinados à construção de uma estrada e de uma ponte. A mídia vem cobrindo o escândalo intensivamente desde dezembro, e, em fevereiro, começou a receber críticas do Partido Comunista – em documento preparado para ser divulgado durante o Congresso.

‘A cada ano, a mídia local torna-se mais responsável e mais objetiva’, defende Adam Sitkoff, diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio de Hanói. ‘Acredito que não há limitações em nossa cobertura, ela é muito boa’, afirma Xuan Trung, do jornal Tuoi Tre.

Controle do Estado

Toda a mídia do Vietnã está sob controle oficial do Estado, mas centenas de jornais e revistas competem entre si. O país de 83 milhões de habitantes tem um dos índices mais altos de alfabetização; de acordo com estudos da ONU, mais de 90% da população acima de 15 anos sabe ler e escrever. O acesso à internet e à TV a cabo está aumentando nas principais cidades, como Hanói e Ho Chi Minh, relativamente isoladas há 15 anos.

Alguns sítios, no entanto, ainda passam por filtros do governo. Assim como a vizinha China, o Vietnã preocupa-se em censurar a internet por motivos políticos e sociais. Os cibercafés de Hanói ficam lotados de jovens jogando e conversando em chats.

No dia 10/4, o governo rejeitou uma resolução do Congresso dos EUA pedindo a soltura do ciberdissidente Pham Hong Son, preso em 2002 por traduzir e divulgar na internet um artigo do sítio do governo americano sobre democracia. Autoridades vietnamitas afirmam que ele violou a lei, condenando-o a 13 anos de prisão em 2003. A sentença foi reduzida para cinco anos na apelação. Em janeiro, o governo libertou o ciberdissidente Nguyen Khac Toan, que ficou quatro anos na prisão depois de usar seu endereço de e-mail para entrar em contato com exilados vietnamitas críticos ao governo comunista.

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