Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > OI NO RÁDIO

Crise aérea: uma
omissão importante

Por Alberto Dines em 26/07/2007 na edição 443

O alto comando da aviação brasileira concedeu na terça-feira uma entrevista coletiva. Nela, o brigadeiro Jorge Kersul Filho, diretor do Cenipa (Centro Nacional de Investigações e Prevenção de Acidentes), fez uma declaração da maior importância: disse que a FAB foi pressionada a entregar à Policia Federal as primeiras conclusões do inquérito sobre a colisão do Boeing da Gol em setembro passado.


O brigadeiro foi preciso: de acordo com as convenções internacionais, este tipo de inquérito, de caráter eminentemente técnico, deve ser confidencial e não pode ser transferido aos órgãos policiais ou ao Ministério Público.


A missão da Aeronáutica, segundo o brigadeiro, é identificar os fatores que provocam um acidente e assim prevenir novos episódios. Cabe às autoridades policiais identificar culpados e entregá-los à Justiça. Pergunta-se: quem obrigou a Força Aérea a romper as regras e passar informações sigilosas à Policia Federal? Foi pressão do então ministro da Defesa, Waldir Pires, ou do então ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos?


A questão mais importante, porém, deve ser dirigida à imprensa: apesar da importância do depoimento do brigadeiro Kersul, os jornais do dia seguinte simplesmente ignoraram a revelação. Foi pressa? Ou falta de vontade para reabrir a tragédia com o Boeing da Gol, quando tudo começou?

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/07/2007 Washington Ferreira

    Pois não é que o extinto Observador agora é pauteiro da mídia conservadora e golpista? Será que razões de Estado, visto que o acidente da Gol foi causado por dois pilotos norte-americanos, não seriam suficientes para explicar a ação da Polícia Federal? E algúem da Aeronáutica procurou a imprensa, à época, para denunciar alguma coisa?

    Requentar assuntos ‘polêmicos’ é a especialidade da mídia conservadora e golpista. Jamais imaginaria, no entanto, que o extinto Observador um dia se prestaria a esse papel.

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