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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Crise no maior grupo jornalístico capixaba

Por Victor Gentilli em 31/08/2004 na edição 292

O mais tradicional jornal do Espírito Santo enfrenta, neste momento, uma crise sem precedentes. Durante muitos anos, consolidou-se como o mais importante jornal do Espírito Santo. Nos anos mais recentes, a redação ressentiu-se com as constantes mudanças no comando da redação e as conseqüentes mudanças editoriais. A última delas, em verdade, embora tenha coincidido em parte com a vinda de um novo diretor de redação, na verdade, foi muito mais decorrência da incorporação de um projeto editorial que a Universidade de Navarra, na Espanha, vem oferecendo mundo afora, em especial no Brasil.

As primeiras observações sobre as mudanças no jornal foram feitas neste Observatório, na matéria ‘Jornal muda e passa recibo ao concorrente’ (ver remissão abaixo). Em menos de um mês, embora fosse perceptível o esforço na produção de um jornalismo de qualidade pela redação, o jornal foi incorporando as técnicas de marketing mais estapafúrdias. Alias, como o concorrente já fizera, poucos dias depois das mudanças editoriais, o jornal passou a realizar uma promoção: na compra do jornal, o leitor (ou seria consumidor? Ou seria o apostador?) adquiria um cupom que dava direito a um sorteio de um carro e um apartamento. Uma campanha deste tipo permite inferir que os objetivos pretendidos com a reforma não teriam sido alcançados.

Família sai do expediente

Poucos dias depois, o jornal viria a contar com uma mudança praticamente imperceptível. O conselho de administração do jornal, que tradicionalmente abria o expediente do jornal (que compunha o rodapé das páginas 2 e 3 do matutino) deixava de aparecer. O Conselho de Administração tem como presidente Maria Antonietta Queiroz Lindenberg e como secretário executivo Carlos Fernando Lindenberg Filho. O jornal também deixava de estampar o nome do seu diretor-geral, Carlos Fernando Lindenberg Neto.

A Gazeta viveu um processo difícil e tortuoso para demitir, recentemente, o colunista social do jornal, que mantinha sua coluna há cerca de 40 anos. Num primeiro momento, Hélio Dorea, deixou de fazer a coluna, mas esta continuou a manter o nome do seu titular como o nome da coluna. Uma outra coluna, mais jovem, mais dinâmica, aparecia com o nome Zig-Zag. O constrangimento para tirar Hélio Dorea do jornal devia-se ao longo tempo de permanência do colunista e ao fato de ele ter impulsionado a área comercial do jornal há anos passados. Os supostos vínculos do colunista com o crime organizado no estado foi o fator que forçou a família Lindenberg a desfazer-se deste parceiro de tantas décadas. O afastamento do titular não foi suficiente. O jornal terminou por demitir o colunista e encerrar a coluna.

Na semana passada, um novo nome passava a assinar uma nova coluna social no jornal com o sugestivo nome de ‘Sociedade’. Com práticas absolutamente distintas daquelas que caracterizam o bom jornalismo, a nova coluna inaugurava com os mesmos personagens que freqüentavam a coluna anterior. E, aparentemente, com a mesma prática, distanciada do bom jornalismo.

Pesos e medidas

Quando a fábrica de chocolates Garoto começou a enfrentar problemas familiares (ainda antes da venda para a Nestlé) os jornais capixabas noticiavam a crise com detalhes. Para surpresa geral, um até então desconhecido Paulo Meyerfreund apeava da direção da empresa o empresário Helmut Meyerfreund, que vinha tocando a fábrica há vários anos (desde que recebeu de seu pai) e preparava-se para passar o bastão para o seu filho Victor Meyerfreund. No caso da Garoto, pai e filho estavam do mesmo lado e com o mesmo projeto. Perderam. Decorrência da perda, a empresa foi colocada à venda e adquirida pela Nestlé. O resto é notícia fresca.

Agora, no jornal A Gazeta, o mais difícil é conseguir informação confiável. Crise em jornal não é notícia de jornal. Alguns sítios noticiosos voltados a informar sobre o Espírito Santo afirmam que a crise colocou Lindenberg Filho e Lindenberg Neto em posições antagônicas. O filho recebeu o jornal ainda nos anos 1960 de seu pai, que foi governador do estado e tinha no matutino um instrumento de divulgação política. Maria Antonietta, diretora do conselho diretor, é viúva do velho Carlos Lindenberg.

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